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Cinema / Literatura

Jornal de Espiritismo nº 88 · Maio 2018Página 174 min

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CINEMA / LITERATURA Revolução espírita: a teoria esquecida de Allan Kardec Na próxima edição outro livro estará em foco – “Casos (in)comuns e números curiosos – reuniões mediúnicas”, de J. Gomes. O autor desta obra conta-se entre os primeiros colaboradores deste jornal e, com 288 páginas, o livro é mais uma edição da Federação Espírita Portuguesa. O prefácio é de Maria Paula Silva, médica e dirigente da Associação de Médicos Espíritas do Norte (AME Norte), que escreve a dada altura: “Em pleno século XXI, vivendo na era da nanociência, não podemos deixar de refletir sobre os ensinamentos do Codificador acerca da importância da investigação aplicada à espiritualidade incorporando-a no exercício mediúnico.

Por isso, num excelente ensaio de aplicaObra de grande fôlego que nos mostra o quanto ignoramos a doutrina que dizemos amar e vivenciar, mas, infelizmente, ainda não a conhecemos. O subtítulo «A teoria esquecida de Allan Kardec» caracteriza o seu conteúdo. Razão tinha o professor José Herculano Pires (1914-1979) ao afirmar recorrentemente que o Espiritismo é uma doutrina do futuro; é ainda o “Grande Desconhecido” dos próprios espíritas, pois, de momento, só conseguimos arranhar o invólucro dessa estrela que um dia iluminará o cerne do nosso ser, para vislumbrarmos definitivamente o caminho que nos conduzirá, de forma consciente, à perfeição sem tantos extravios e tantas dores.

Em 1859, Allan Kardec afirmava: «Uma revolução nas ideias certamente produz outra ordem das coisas. É esta revolução que o Espiritismo prepara.» Paulo Figueiredo abre a obra com um fragmento de «A Génese», obra que fechou a Codificação Espírita em 1868, de que extraímos: «O maior milagre que Jesus realizou, aquele que atesta verdadeiramente a sua superioridade, foi a revolução que os Casos (in)comuns e números curiosos seus ensinamentos operaram no mundo, apesar da exiguidade dos seus meios de acção.

Se, em vez de princípios sociais e regeneradores, fundados sobre o futuro espiritual do Homem, Jesus só tivesse para oferecer à posteridade alguns factos maravilhosos, hoje talvez apenas o conhecêssemos de nome. Se o Cristo não disse tudo o que poderia ter dito, é porque achou necessário deixar certas verdades na penumbra, até que os homens pudessem compreendê-las.» Após os primeiros séculos de implantação do Cristianismo, iniciou-se a longa noite medieval (476-1453), em que a dor contribuiu decisivamente para desbastar as nossas “anfractuosidades morais”.

Seguiu-se a Idade Moderna (1453-1789), durante a qual os Espíritos elevados retornaram às lides terrenas, sobretudo no século XVIII, para, in loco, trabalharem em prol do progresso das ideias, implantando a era do Iluminismo. Destacamos, entre vários, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que viria a ser o mestre de Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), pai da Pedagogia moderna; por sua vez, Pestalozzi viria a receber o menino Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869) que, na sua escola em Yverdon, viria a absorver as lições do mestre que o preparariam para um tirocínio de quatro décadas, ensinando e educando a infância e juventude parisiense.

O Professor Rivail culminou, assim, no educador da Humanidade, codificando, de 1857 até 1869, como Allan Kardec, a Doutrina dos Espíritos, cumprindo-se assim, a promessa de Jesus quando nos disse que enviaria o Consolador que desenterraria da “poeira dos séculos” as lições esquecidas e adulteradas, bem como o que “não poderíamos ainda suportar”, naqueles tempos de ignorância. A obra em pauta estende-se por cerca de 637 páginas e está dividida em cinco partes: Parte 1 – O grande desconhecido; Parte 2 – Educação e autonomia (A formação racional do menino Rivail, em Yverdon, etc.)

; Parte 3 – A revolução espírita; Parte 4 – Teoria esquecida; Parte 5 – A causa espírita à frente. Abarca também um glossário com 37 verbetes, bibliografia com 100 referências e, ainda, uma colectânea de seis cartas inéditas de Manuel José Araújo Porto-Alegre (1806-1879), que conheceu e estudou o magnetismo, pesquisou a mediunidade e, em 1865, exerceu a diplomacia em Dresden, Alemanha. Vislumbrou, ainda, o “grande valor da doutrina dos Espíritos para o povo brasileiro”, tendo trocado correspondência com Allan Kardec.

Todo o centro espírita deverá ter este livro na sua biblioteca para consulta, bem como exemplares do mesmo na sua livraria para venda. Por Carlos Alberto Ferreira ção prática deste conceito, este livro traz - -nos dados trabalhados estatisticamente sobre reuniões mediúnicas realizadas em Portugal e suas principais características. Este livro, para além da análise quantitativa, ao descrever vários casos de esclarecimento doutrinário mostra a importância da análise qualitativa dos casos, como processo de partilha e aprendizado”.

E conclui: “Na última parte do livro são ainda feitas considerações acerca da metodologia utilizada no registo de dados, sendo tecidos comentários sobre a psicofonia e sobre o género de espíritos comunicantes. Finaliza este livro com uma evocação às Leis da Natureza, sendo a Lei do Amor o seu principal alicerce”. MAIO.JUNHO.2018 IMPRESSÃO DIGITAL A mediunidade tem, como finalidade principal, proporcionar aos Espíritos a sua comunicação, demonstrando a sobrevivência da alma após a desencarnação?