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Opinião (pág. 16)

Jornal de Espiritismo nº 88 · Maio 2018Página 162 min

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Moisés recebeu por mediunidade pneumatográfica (escrita direta) as tábuas da Lei, com os Dez Mandamentos gravados. Jesus, encarnado na Terra cerca de milénio e meio mais tarde, instruiu sobre as Escrituras uma Humanidade já mais amadurecida, apresentou-as com outra perspetiva e expressão. Para muitos ouvintes seus, parecia uma lei diferente; e o Divino Mestre teve o cuidado de esclarecer que não trazia novidades nem alteração ao decálogo recebido por Moisés, vinha antes cumpri-lo e explaná- lo; fez bem claro que nas Escrituras nunca “desapareceria um jota ou um traço da lei” (Mateus 5:18).

Na verdade, o Decálogo já continha o que Jesus ensinou, não porém tão clara e explicitamente como Ele expunha. Na época de Moisés, ainda muito rude, fazia- se necessária uma linguagem e estilo compreensíveis ao povo, revestindo forma e força de LEI; a sua imperatividade (atributo das leis) ficava garantida por sanções duríssimas previstas para os infratores. Com o Bom Pastor veio também a Verdade. Ela nos libertará (João 8:32), como tem já libertado muitos ao longo da História.

Mais acessível ao entendimento popular, a ética religiosa tomava assim expressões de crua lei civil, sob forma predominante de proibições (não matarás… não furtarás… não testemunharás falso…); mas obviamente já carregava o cerne do AMOR, princípio dos princípios que o Bom Pastor tanto veio a exaltar; pois, muito simplesmente, quem ama o seu próximo não o mata, rouba, ou calunia. Com o Messias de Deus vieram a graçaea verdade, ambas originadas no Pai.

Graça é a sustentação que, por natureza, o Criador presta às suas criaturas, necessariamente e eternamente amadas; existimos e vivemos em Deus (Atos 17: 28), nada absolutamente poderia subsistir ou viver além d’ Ele ou autónomo d’ Ele. Graça está- nos sempre disponível, sempre ao nosso alcance; vamos aprendendo a superar a ignorância de lhe resistir, e a compreendê- la, usufruí-la criativamente para nosso bem e de todos.

Com o Bom Pastor veio também a Verdade. Ela nos libertará (João 8:32), como tem já libertado muitos ao longo da História. A verdade (“conhecimento” que pouco a pouco edificamos na consciência) corrige a “perceção” imediatista e preconceituosa que distorce as coisas (a qual foi útil em fases evolutivas anteriores de cada um); e LIBERTA as imensas potencialidades do ser, hoje familiares à psicologia, parapsicologia, neurologia e outros ramos de ciência convencional – mas já há dois foto arquivo Novas de alegria – 16 Lemos no capítulo primeiro do Evangelho de João: “A Lei foi dada por Moisés, a graçaea verdade vieram por Jesus Cristo”.

mil anos mencionadas e demonstradas exuberantemente por Jesus de Nazaré, educador insigne da Humanidade. Tal como a Verdade, o Amor proclamado e irradiado por Jesus é princípio essencial da Divindade e de todo o Universo – não é cumprir uma ordem ou mandamento (amor não se decreta), mas soltar o perfume dum sentimento fundamental. Quando o sublime Crucificado amou e perdoou os seus executores não o fez com qualquer esforço ou heroísmo, apenas deixou funcionar o seu modo de SER naturalíssimo, qual sândalo a perfumar singelamente o machado que o golpeia.

Aquele que tanto recomendou amarmo- nos uns aos outros, legou o exemplo mais eloquente de quanto nos ensinara. Por João Xavier de Almeida MAIO.JUNHO.