Crónica (pág. 12)
Jornal de Espiritismo nº 88 · Maio 2018Página 125 min
Perispírito: o tal do corpo espiritual É uma formação de cerca de oito meses, com uma hora por semana, às 21h30 de segunda-feira, no caso, que serve de base para outros cursos mais específicos. Esta noite, depois de um dia cheio de trabalho profissional na área da informática, Carlos, com uma dedicação inatacável, aborda o caderno que inclui explicações sobre o perispírito, ou seja, o neologismo criado por Allan Kardec que designa o corpo espiritual que todos possuímos, mesmo sem sabermos.
O mestre francês defendia que novos conceitos carecem de novas palavras para evitar confusão. Assim, graças à multiplicidade da sua formação no ensino, sabia a partir da botânica que perisperma é uma membrana que envolve o gérmen de algumas sementes, normalmente translúcida. Daí ter optado pela palavra perispírito na terminologia espiritista, uma vez que o corpo espiritual é o envoltório tido como diáfano do Espírito, o ser espiritual propriamente dito, que somos nós próprios, quem pensa e sente.
O monitor do curso, depois de explicar que desde a Antiguidade numerosas culturas tiveram a intuição deste modelo organizador biológico, na expressão atual de Hernâni Guimarães Andrade, faz uma síntese sobre cientistas que, sem conhecerem decerto a doutrina espírita, falam de um modelo equivalente. É o caso de um contemporâneo do próprio Allan Kardec, também francês, Claude BerNa cidade do Porto, a sala do Centro Espírita Caridade por Amor está cheia: a turma conta mais de meia centena de inscritos no curso básico de espiritismo, versão presencial, claro, completamente gratuito.
nard (1813/1878), tido na história da medicina como pai da moderna fisiologia experimental. Ele afirmava que há como que um desenho preestabelecido de cada ser e de cada órgão. Parecem dirigidos por alguma condição invisível pelo caminho que seguem, na ordem que os concatena. Bernard não está isolado. Mais tarde, um investigador norte-americano, Harold Saxton Burr (1889/1973), defendeu que o Universo de que fazemos parte, e do qual não nos podemos separar, é um lugar de leis e de ordem.
Não é acidental, nem caótico. Está organizado e é mantido através de campos eletrodinâmicos capazes de orientar a posiçãoeo movimento de todas as partículas com carga. Dentro disso, entendeu que os campos eletrodinâmicos do corpo funcionam como uma matriz ou molde que preservam a forma ou a organização da matéria que está a controlar. Na Inglaterra, nascido em 1942, Rupert Sheldrake destacou a teoria dos chamados Campos Mórficos.
No seu ponto de vista, os campos morfogenéticos são campos não físicos que exercem influência sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização inerente. São campos de forma, campos-padrão, estruturas de ordem. Estes campos organizam não só os campos de organismos vivos, mas também de cristais e de moléculas. Cada tipo de molécula – cada proteína, por exemplo, a hemoglobina, entre outras – terá o seu próprio campo mórfico.
Alguém coloca uma pergunta, mas é tempo de os deixarmos continuar e de sairmos silenciosamente da sala para concluirmos este item em função do que nos interessa de momento. A intuição precede muitas descobertas da ciência oficial e, se bem que encarem com muitos senãos as evidências que apontam mais além, não é o que os cientistas pensam em dado instante histórico que define a realidade objetiva da vida, mas sim as próprias leis da natureza.
O perispírito, enquanto elemento funcional da vida, seja no Plano Material seja no Plano Espiritual, age e reage aos modelos próprios do psiquismo a partir do inconsciente do ser espiritual que interpreta as leis da natureza, inclusive as atualmente desconhecidas, dando curso incessante ao caminho evolutivo a que o tempo nos cinge. Quando nos casos em que os Espíritos desencarnados que se comunicam em necessidade ignoram estar na vida espiritual, têm corpo – o corpo espiritual ou perispírito.
Daí a dificuldade em encarar a vida espiritual, em que cada um vale não pelo que representa mas sim pelo que é. Porém, é esse mesmo corpo da dimensão espiritual, tão parecido com o corpo físico deixado para trás, que viabiliza as vidas sucessivas e a comunicação mediúnica, que nos organiza a experiência evolutiva, qual ferramenta indispensável para as conquistas de amor e sabedoria em que estamos matriculados pelo amor de foto pixabay Deus.
Arquivo imortal, plataforma de registo indelével e herdeiro dos nossos piores e melhores atos no dia a dia abre também possibilidades permanentes de interagir com as leis da natureza que regulam a vida da melhor maneira possível. A intuição precede muitas descobertas da ciência oficial e, se bem que encarem com muitos senãos as evidências que apontam mais além, não é o que os cientistas pensam em dado instante histórico que define a realidade objetiva da vida, mas sim as próprias leis da natureza.
Num percurso evolutivo de muitos milhares de anos acompanha-nos qual sombra diante da luz de Deus. Em finais da década de 1970, recordo o valoroso Albuquerque Rocha, quando no Núcleo Espírita Cristão, numa reunião de estudo ainda na Rua do Almada, n.º 30, 1.º andar, deu um exemplo feliz que recordo ainda hoje. À maneira de lâmpada antiga em barraco poeirento, o corpo espiritual sob o efeito de comportamentos ignorantes e perturbados fica opaco, cheio de impurezas, embora mantenha o filamento luminoso por dentro.
À medida que o Espírito se esclarece, alcança novas conquistas espirituais, mais ama e mais sabe, o vidro da lâmpada vai perdendo a camada de poeira e a luz que lhe está subjacente consegue ver - -se paulatinamente a brilhar do lado de fora. Não admira, por isso, que diversos Espíritos em diálogo de esclarecimento, a dada altura se encantem com a beleza da luminosidade dos corpos espirituais dos gestores das reuniões mediúnicas, nos serviços de assistência fraterna que desenvolvem incansavelmente, apesar das nossas limitações.
O que pensamos e sentimos espelha no perispírito o que realmente somos instante a instante, pelo que, para quem tenha olhos de ver, no Plano Espiritual, fingimentos e máscaras de nada servem: da parte dos Espíritos mais esclarecidos o que é de observar estará sempre à vista. Texto: J. Gomes MAIO.JUNHO.
