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Opinião

Jornal de Espiritismo nº 88 · Maio 2018Página 133 min

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Como mulher, confesso que este é um dia que não gosto de celebrar, porque a sua existência em si é um sinal de que ainda há muito a fazer para que homens e mulheres sejam iguais: num mundo sem diferenças entre sexos não existiria o dia da mulher. No entanto, sabemos que no preciso momento em que escrevo este artigo milhares de meninas e mulheres continuam a ser privadas de educação. Milhares de mulheres são subjugadas aos interesses masculinos.

Milhares de mulheres recebem menos do que os homens que fazem exatamente o mesmo trabalho. Mas o que diz o Espiritismo sobre a mulher? Nas perguntas 201 e 202 de «O Livro dos Espíritos» somos informados de que os espíritos que animam o corpo de um homem e o de uma mulher são iguais na sua Dia da Mulher essência. Os espíritos não têm sexo e tanto podem encarnar num corpo do sexo feminino como do sexo masculino, consoante as provas, deveres e experiências que lhes convém vivenciar numa dada existência.

Assim, as diferenças entre sexos resumem - -se a questões biológicas: as almas não se dividem entre homens e mulheres. Ao longo das nossas várias vidas vamos tendo a oportunidade de encarnar nos dois papéis, para que possamos viver em diferentes circunstâncias, ajudando-nos no caminho para a evolução espiritual. Por isso, à luz do espiritismo, as injustiças sociais que continuam a ser cometidas não fazem qualquer sentido: segundo a doutrina todos somos/ fomos/seremos mulheres.

Léon Denis reitera isso mesmo, no seu livro «No Invisível», ao dizer-nos que “Durante longos séculos a mulher foi relegada para segundo plano, menosprezada, excluída do sacerdócio. Por uma educação acanhada, pueril, supersticiosa, a manietaram; as suas aptidões mais belas foram comprimidas, espezinhado e escurecido o seu caráter. (...) O corpo não é mais que uma forma tomada por empréstimo; a essência da vida é o espírito, e nesse ponto de vista o homem e a mulher são favorecidos por igual.

Pelo Espiritismo a mulher subtrai-se do vértice dos sentidos e ascende à vida superior. Cessa, desde então, a luta entre os dois sexos. As duas metades da Humanidade aliam-se e equilibram-se no amor, para cooperarem juntas no plano providencial, nas obras da Divina Inteligência”. Também Allan Kardec escreveu sobre o assunto, com uma mensagem dirigida a homens e a mulheres: “Mulheres! Não temais deslumbrar os homens pela vossa beleza, por vossas graças, por vossa superioridade.

Saibam, porém, os homens que, para se tornarem dignos de vós, devem ser tão grandes quanto sois belas, tão sábios quanto sois boas, tão instruídos quanto sois originais e simples.” Assim sendo, façamos por lutar todos os dias pela igualdade e pelos direitos de todas as mulheres e não nos esqueçamos das palavras de Joanna de Ângelis sobre Jesus e as mulheres: “Quando a mulher se reerguer, disposta à conquista da plenitude, Jesus a estará aguardando, e sorrindo-lhe dirá: - Bem-aventurada servidora do Pai, fiel cocriadora com Ele.

” Texto: Joana Santos No passado mês de março celebrou-se o Dia da Mulher. Mais do que um dia para homenagear as mulheres das nossas vidas e presenteá-las com flores ou outras lembranças, este é um dia para refletirmos sobre as desigualdades que persistem, sobre as injustiças que continuam a ser cometidas e sobre os preconceitos que ainda não foram ultrapassados. Mas o que diz o Espiritismo sobre a mulher? Nas perguntas 201 e 202 de «O Livro dos Espíritos» somos informados de que os espíritos que animam o corpo de um homem e o de uma mulher são iguais na sua essência.

foto pixabay Lembrança Fui Essa que nas ruas esmolou E fui a que habitou Paços Reais; No mármore de curvas ogivais Fui Essa que as mãos pálidas poisou... Tanto poeta em versos me cantou! Fiei o linho à porta dos casais... Fui descobrir a Índia e nunca mais Voltei! Fui essa nau que não voltou... Tenho o perfil moreno, lusitano, E os olhos verdes, cor do verde Oceano, Sereia que nasceu de navegantes... Tudo em cinzentas brumas se dilui...

Ah, quem me dera ser Essas que eu fui, As que me lembro de ter sido... dantes!... Florbela Espanca, in “Charneca em Flor” MAIO.JUNHO.