Opinião (pág. 15)
Jornal de Espiritismo nº 89 · Abril 2018Página 152 min
No espaço de uma década verificou-se um aumento de 2,28 anos de vida para o total da população. Aos 65 anos os homens podem esperar viver, em média, mais 17,55 anos e as mulheres mais 20,81 anos. Assim, como em quase todos os países desenvolvidos, Portugal apresenta uma inversão da pirâmide etária, com uma população idosa cada vez mais numerosa (segundo a Organização Mundial de Saúde, definida como a população com mais de 65 anos).
Os avanços da medicina e as melhorias nos cuidados de higiene e de alimentação são os grandes contribuidores para esta mudança de paradigma. O que parece ser uma boa notícia é também um grande desafio. De facto, como diz André Trigueiro, “O envelhecimento impõe a necessidade de saber lidar com as perdas. Do ponto de vista físico, vem a perda progressiva da saúde, da musculatura, da memória, da audição e visão, e das melhores condições de navegabilidade em um corpo que vai inspirando cada vez mais cuidados.
(…) No âmbito social, os efeitos do envelhecimento são múltiplos. Aposentados perdem o contato com os colegas de trabalho (…). Amigos (ou cônjuges) de muitos anos ou se afastam ou vão desencarnando e a experiência da solidão – muito comum nesta fase da vida – requer atenção das pessoas próximas e algum movimento no sentido contrário, evitando-se o isolamento.” A velhice é, desta forma, um tempo de mudança e de adaptação.
Como nos ensinou Joanna de Ângelis, “O medo da velhice é muito cruel, tornando-se um verdadeiro tormento para quantos não consideram a existência física na condição de uma jornada de breve duração, por mais longa se apresente, passando por estágios bem delineados desde o berço atéotúmulo.” A velhice é por isso muitas vezes associada a tristeza e depressão. No entanto, segundo o espiritismo, há que ver esta fase da vida como uma altura de reflexão e de preparação para o desencarne.
Todos somos responsáveis por cuidar e amar os idosos e ajudá-los a lidar com as suas limitações. Numa sociedade cada vez mais individualista, temos de estar preparados para os amparar e auxiliar. Emmanuel disse-nos “(…) os mais jovens de hoje serão os mais velhos de amanhã tanto quanto os maduros de agora, desempenharão, muito em breve o papel de jovens no futuro. Tudo é sequência na Lei.” É assim fácil compreender que todos fomos e seremos idosos nas nossas sucessivas vidas, devendo cultivar o amor e a compreensão para com todas as pessoas desta faixa etária.
Devemos esforçar-nos por fazer como nos instruiu Kardec: “Honrar ao pai e à mãe não é somente respeitá-los, mas também assisti-los nas suas necessidades; A velhice no espiritismo foto pixabay Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a esperança de vida à nascença foi estimada em 80,78 anos para o total da população, sendo 77,74 anos para os homens e 83,41 anos para as mulheres no período 2015-2017. proporcionando-lhes o repouso na velhice; cercá-los de solicitude, como eles fizeram por nós na infância”.
Texto: Joana Santos De facto, como diz André Trigueiro, “O envelhecimento impõe a necessidade de saber lidar com as perdas.” Esperança de vida à nascença, em Portugal, 1985 - 1987 a 2015 - 2017 JULHO.AGOSTO.
