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Capa da edição nº 89 do Jornal de Espiritismo

89Jornal de Espiritismo nº 89

Abril 2018 · 20 secções · ≈ 69 min de leitura

A edição 89 do Jornal de Espiritismo aborda temas como a mediunidade nas Jornadas de Cultura Espírita, a relação entre medicina e espiritismo, e a superação do medo da morte através da compreensão espiritual. Destaca a importância da afabilidade e da doçura para a alma, e a essência da educação espírita através do exemplo dos pais, fortalecendo o vínculo com Deus e cultivando bons sentimentos desde a infância.

Mediunidade
Espiritismo
Medo da Morte
Educação Espírita
Comportamento
Diálogo

Capa

Página 11 min

89 JDE JULHO . AGOSTO . 2 0 1 8 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Na região Centro do país, acessível a quem mora quer no Sul quer no Norte, as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste decorreram no Centro de Congressos de Caldas da Rainha com a presença de meio milhar de pessoas no fim de semana de 21 e 22 de abril e tiveram por tema «Mediunidade: do Paleolítico à Atualidade».

9 ENTREVISTA OUTUBRO: MEDICINA E ESPIRITISMO Dias 27 e 28 tem lugar um Seminário de Medicina e Espiritualidade no Porto. foto ulisses.com.pt Mediunidade nas Jornadas de Cultura Espírita ? 16 IMPRENSA MEDITAÇÃO Algo mais do que discorrer sobre um suposto revés desta técnica. 15 OPINIÃO VELHICE A esperança de vida foi estimada em 80 anos... 19 SUSTENTÁVEL CEGUEIRA ECOLÓGICA? As condições ecológicas de enorme riqueza desde há 10 mil anos foram decisivas, mas são frágeis .

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Editorial / Conto

Página 23 min

EDITORIAL / CONTO A afabilidade e a doçura são redondas como um sorriso. Fazem bem à alma, contagiam, mas confesso ser difícil tê-las sempre no seu melhor. É próprio de um trabalho milenar que se estende para trás e se adivinha muito mais para diante. Mesmo assim, são clareiras que se abrem nos múltiplos afazeres do dia a dia sobretudo quando encontramos pessoas que gostamos muito de rever. Esse dado é conquista ganha no roteiro já percorrido, nada de mais.

O desafio, porém, encontra-se bem descrito nas boas notícias que Jesus de Nazaré nos deixa quando, de forma desconcertante, nos pede não só que gostemos(!) mas que amemos os inimigos. Se assim não for, como ficar à altura de sermos filhos da “inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”? A gente fica a pensar… O desiderato não é pêra doce, mas está na pauta de serviço. Como reagimos quando alguém não percorre a mesma cartilha de opinião que em dado momento consideramos ser a nossa?

A resposta é individual e qualquer que ela seja, desde que honesta, é reveladora. “Amigo não é o que pensa como eu, mas o que pensa comigo”, ouvi há algumas décadas, e retive. É mesmo isso. “Amigo não é o que pensa como eu, mas o que pensa comigo” Entre inteligir, raciocinar, compreender no patamar das ideias e interiorizar há caA sombra do burro minho escarpado a percorrer. Trabalho, mesmo assim, inadiável, pois mais à frente começa a perceber-se uma paisagem luminosa bordada de imensurável beleza.

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Correio

Página 33 min

Há algum centro que possa visitar? Escreve-nos D. S. há já alguns meses e diz que tem contacto com a doutrina espírita desde 2010. Adianta que já frequentou uma associação espírita, frequentou até o curso básico e assistiu a várias palestras. Participou também no último congresso mundial espírita em Lisboa. Diz que conhece algum trabalho da ADEP e gosta da abordagem desta à doutrina. Remata que gostava no entanto de perceber um pouco mais da forma da ADEP atuar junto das pessoas, se utiliza a mesma abordagem de palestras públicas do evangelho e cursos ou se existe outra visão: há algum centro que possa visitar para saber um pouco mais?

Resposta: Esclarecemos que o congresso mundial de há dois anos não foi atividade da ADEP, mas da Federação Espírita Portuguesa. A ADEP colaborou na transmissão on line, porque lhe foi possível, de forma inteiramente grátis. Face ao que solicita, adiantamos que a ADEP não é um centro espírita, tem atividades de índole mais específica, porém, os seus colaboradores e coordenadores colaboram em centros espíritas das cidades em que habitam.

Uns são dirigentes desses centros, outros são apenas colaboradores pontuais. É normal as pessoas afinizarem-se mais com a atmosfera de uma associação ou de outra, mas mesmo que isso não aconteça, há sempre a possibilidade de manter contacto e estudos mais motivadores por nossa própria iniciativa, basta prepararmo-nos para isso. Medo da morte Uma senhora, que assina S. S., escreve esclarecendo que conhece a doutrina espírita e fez alguns cursos.

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FEP foto ulisses.com.pt Educar + Na sinopse do livrinho para 6 anos “E

Página 43 min

FEP foto ulisses.com.pt Educar + Na sinopse do livrinho para 6 anos “Eu e Deus” encontramos a seguinte explicação: “Que bom é saber que somos muito amados pelo nosso Criador! E que bom é saber e compreender que o Criador é de uma grandeza infinita e que O podemos sentir quando conversamos com Ele, quando fazemos o bem e quando aprendemos a ouvir aquela vozinha que nos ajuda a sair das nossas grandes birras. E, já agora, vamos aprender a criar energia positiva com os nossos pensamentos, palavras e ações.

Vamos cantar? “As palavras que eu digo / Saem do meu coração / Se são más trazem tristeza / Se boas formam a canção / Onde o amor é vencedor!” Espiritizar desde pequenino é importante, porém não nos devemos esquecer que, segundo Jesus, “a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34). Talvez seja o momento de nos questionarmos como pais: - O que tenho ensinado ao meu filho (a)? Que exemplos tenho dado para que ele ou ela perceba que é mesmo possível conversar com Deus?

Como é que tenho demonstrado o meu amor por atos, palavras e pensamentos? Como é que a minha criança pode compreender a presença de Deus, quando eu, o adulto, falo aos gritos, mostro-me muito agressivo quando estou zangado? Como é que eu tenho ensinado à minha criança a se acalmar se eu mesmo não consigo autorregular as minhas emoções? (Passo-me muitas vezes). Sim! É importante falarmos de Deus. Mas é tão ou mais importante que o adulto O encontre mais amiúde na sua vida.

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Consultório

Página 55 min

foto pixabay Como definir Psique? A indagação vem formulada desta maneira: “Dr.ª Gláucia, como podemos definir a palavra Psique do ponto de vista espírita? É o mesmo que Espírito?”. Gláucia Lima* - A palavra Psique tem origem no grego “psykhée” e foi utilizada pelos filósofos gregos para descrever a alma ou espírito. Daí advém a primeira controvérsia, pois “alma e Espírito” não querem dizer para os espíritas o mesmo, sendo a alma “o espírito encarnado” (pergunta 134, “O Livro dos Espíritos”) e o Espírito “o princípio inteligente do Universo”.

(pergunta 23, “O Livro dos Espíritos”). A Psique estava relacionada com uma espécie de energia do ser humano que se associava ao corpo terreno e que, depois da morte, se separava deste. Com o passar do tempo, o conceito foi-se distanciando da filosofia e aproximou-se da designação dada pela Psicologia. Ainda assim, mesmo dentro da Psicologia, a Psique começou a ser usada com diferentes conotações, como de mente ou ego, que por sua vez têm significados diversos.

Ainda podemos encontrar o entendimento da Psique enquanto: Alma, princípio espiritual do homem; Espírito, parte imaterial; Mente; Intelecto; reunião dos caracteres psíquicos do ser humano ou resumidamente, Psiquismo. Pensamos, que a definição de Psique como “Mente”, não deixando de ser correta, será restritiva por ser intrapsíquica, a não ser que se contemple os fenómenos interpessoais do psiquismo, admitidos hoje pela psicologia transpessoal.

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Breves

Página 65 min

Novo centro em Alcobaça Alcobaça conta mais uma associação espírita. O Centro Cultural Espírita de Alcobaça abriu portas ao público no passado sábado, dia 26 de abril, às 16h00 horas, e a sua sede social fica na Av. Prof. Eng.º Joaquim Vieira Natividade, 106 A. E-mailccespiritaalcobaca@ outlook.com. O tema abordado foi “A Prece nas nossas vidas” e após a exposição teve lugar um espaço para perguntas e respostas.

Centro Espírita Caridade por Amor celebra 40 anos O Centro Espírita Caridade por Amor, associação sem fins lucrativos, com sede na cidade do Porto, comemorou no passado mês de junho o seu 40.º aniversário. Para esse efeito, ocupou o período com conferências subordinadas a um denominador comum – ecologia – no seu dia de palestras públicas, as sextas-feiras, às 21h30. Nesse sentido, Rodolfo Martins abriu esse corolário no dia 1.

Seguiram-se J. Gomes com a abordagem «Espiritismo natural» e os convidados Narciso Ferreira, com um tema ligado ao ciclo das rochas, e Élio Vicente com «Reflexões de um velho índio». Carlos Miguel, colaborador do CECA, fechou o ciclo de palestras comemorativas com uma palestra sobre ecologia e espiritismo. Curso Básico de Espiritismo na cidade do Porto O Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), cuja sede fica na Rua Fonseca Cardoso, n.

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Breves (pág. 7)

Página 73 min

Santarém: Convívio Nacional da Criança Espírita No passado dia 3 de junho, na Associação Cultural Espírita de Santarém (ACES), teve lugar o 22.º CONCESP com o tema central “Amar o próximo”. No encontro em que se reuniram cerca de 80 crianças, 200 adultos e dez centros espíritas, do Algarve a Águeda, o dia foi de intensa alegria, aprendizagem e emoção. À chegada, num espaço todo ele decorado com muita cor e alegria, onde a harmonia e a sobriedade se destacavam, crianças e adultos tiravam fotografias, conversavam, brincavam e riam, numa azáfama natural.

Rececionadas as equipas, numa organização e acompanhamento inexcedíveis, o grupo do Departamento Infanto-Juvenil da ACES, numa entrada organizada e alegre, percorreu o espaço até ao palco entoando o hino do CONCESP: “Súplica da Criança”. De seguida, o presidente da associação, António Mendonça, dá as boas-vindas com visível alegria. Isabel Saraiva, da Associação Espírita de Leiria, dá uma breve explicação sobre a origem do CONCESP, há 22 anos, a todos envolvendo em maior intimidade com este evento tão importante na educação das nossas crianças e jovens, fazendo jus à célebre frase de Pitágoras “Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”.

O presidente da Federação Espírita Portuguesa, Vítor Féria, dirigiu ainda palavras a todos os presentes, enobrecendo a presença de todos e a importância na continuidade destes eventos. Iniciou a apresentação dos diversos trabalhos, que foram encantando pela profundidade e simplicidade, natural das crianças, e cuja criatividade, variou da canção, ao teatro, teatro de sombras e vídeo. Os apresentadores, dois jovens muito divertidos, fizeram a delícia de todos, guiando-nos durante o evento e proporcionando-nos verdadeiras gargalhadas, enquanto um ou outro personagem representando a natureza, nos mimavam com momentos de ternura.

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Internacional

Página 84 min

Com a participação de público de mais de 25 cidades espanholas e quatro países distintos, as Jornadas iniciaram no Centro Social da Cidade, com uma conferência sobre «Evidências Científicas da Reencarnação», proferida por António Lledó, trabalhador do Grupo Espírita de Villena. Esta conferência encontra-se já publicada no canal do YouTube daquele grupo.* Após este ato aberto ao público em geral, com entrada livre e grande assistência, realizou-se em seguida a apresentação formal das Jornadas por Joaquin Huete, presidente do Centro Espírita de Benidorm.

Nessa ocasião, foi recordado o tema geral das Jornadas, a importância dos valores morais no desenvolvimento e crescimento da alma e a plenitude e felicidade do ser humano. No dia seguinte, já nas instalações do Hotel Rober Palas, foi realizada a inauguração oficial das Jornadas, com a presença dos vereadores Espanha: Jornadas Espíritas do Mediterrâneo em França de Cultura e Turismo da Câmara Municipal e que deram as boas-vindas a todos os participantes.

O programa foi desenvolvido durante todo o fim de semana com extraordinária lucidez por parte dos expositores de cada um dos centros e associações representados e por outros participantes que, sem pertencerem a nenhuma associação, apresentaram o seu trabalho com grande aceitação e clareza por parte do público assistente. Nunca nos cansaremos de repetir que o ambiente neste evento, ano após ano, cresce, se expande e se transforma para além do expectável, porque o desenvolvimento do programa permite uma coexistência, uma relação fraterna entre todos os participantes que não é comum, nem frequente, em outros eventos deste tipo que se pautam por uma natureza mais rígida, menos flexível e mais inclinada a transmitir conhecimento do que viver e compartilhar experiências e unir laços de amizade e fraternidade.

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Entrevista

Página 94 min

A Associação Médico-Espírita do Norte (AME Norte)* agrega um grupo de médicos e de outros profissionais de saúde que, fora da sua atividade profissional, se interessa por espiritualidade. Nessa medida, organiza diversos eventos, com vista a aprender mais e a avançar no estudo de áreas contíguas entre ciência e espiritualidade. Tem também em vista promover a divulgação desse conhecimento. A AME Norte nasceu em outubro de 2014 pela necessidade de estruturar estudos e trabalho de terreno sob a orientaçãoeo apoio da AME Internacional.

Entre as atividades que desenvolve, realiza anualmente um seminário sobre medicina e espiritualidade, sendo este ano o sexto. O tema geral é peremptório: “Pensamento, consciência e espiritualidade”. Médicos e psicólogos explorarão esta temática desdobrando-a em vários subtemas, visando sempre a relação entre as diferentes ciências e a espiritualidade à luz do conhecimento atual. Estarão presentes o Prof. Doutor Décio Iandoli Júnior, o Dr.

Roberto Lúcio Sousa, Dr. Gelson Luís Roberto, Prof. Doutora Andresa Thomazoni, Dr.ª Glaúcia Lima, Dr.ª Paula Silva, Dr.ª Alice Gonçalves e Prof.ª Doutora Olfa Hélène Mandhouj. - O que é este VI Seminário de Medicina e Espiritualidade organizado pela AME Norte na cidade do Porto? Dr.ª Paula SilvaAnualmente a Associação Médico Espírita Internacional organiza um périplo pela Europa visando a divulgação de um novo paradigma para a medicina, onde saúde e doença são analisadas numa perspetiva integral, em que o ser humano é constituído por corpo físico, corpo espiritual e espírito.

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Centrais

Página 101 min

Mediunidade nas Jornadas de Cultura Espírita Na região Centro do país, acessível a quem mora quer no Sul quer no Norte, as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste decorreram no Centro de Congressos de Caldas da Rainha com a presença de meio milhar de pessoas no fim de semana de 21 e 22 de abril e tiveram por tema «Mediunidade – do Paleolítico à Atualidade». JULHO.AGOSTO.2018

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Centrais (pág. 11)

Página 114 min

Há expressões difíceis de traduzir para português, não porque não se saiba fazer isso, mas porque simplesmente não resulta. É o caso do género humorístico conhecido pelos apreciadores como «Stand up comedy», que teve neste evento 15 minutos de talento imperdível por Joana Santos, uma jovem médica que nos tempos livres dá corda a esta tentação proferida num corolário ininterrupto, tendo como separadores sonoros as gargalhadas inevitáveis: «O espiritismo é mais difícil de ser aceite pelos homens porque ficam a saber que podem ver a sogra em futuras vidas» ou «A primeira vez que fui ao centro espírita, foi assim um bocadinho complicado.

Ia com medo, e entrei em pânico, quando no fim disseram que íamos ter o “passe” – pensei: Lá vou eu ter de pagar 40 euros por mês! Mas lá fui». Esta foi a grande novidade no programa da 14.ª edição do certame que incluiu entre diversos motivos de interesse dez conferências, duas mesas-redondas, o lançamento nacional de dois livros publicados pela FEP e sete novos posters temáticos de análise de dados, com simpáticas palavras iniciais do vice-presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha e do presidente da Federação Espírita Portuguesa.

Contou igualmente com a participação do cantor lírico Maurício Virgens, residente na Alemanha. Também na música, Reinaldo Barros, João Paulo, João Tiago Gomes e Sílvia Torres, dos Açores, criaram espaços muito aprazíveis entre a audiência. Sem delonga, há que deixar já uma boa notícia: se não esteve presente, ou se esteve e quiser rever melhor alguma apresentação, encontra tudo no canal da ADEP no YouTube, tudo inteiramente grátis, graças a uma equipa de meia dúzia de voluntários dedicadíssimos e muito competentes.

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Pesquisa

Página 125 min

Inglês propaga as ideias espíritas Através de mensagem de correio eletrónico, Suzuko Hashizume envia estas informações do outro lado do Atlântico, no Brasil. Diz que Guy Playfair nasceu em Quetta, Índia (hoje Paquistão), em 1935, seis semanas antes do terramoto que deixou um saldo de 50 mil mortos. Filho de indianos, formou-se na Inglaterra (Cheltenham College) em inglês e russo (Cambridge University). Inicialmente instrumentista de jazz e fotógrafo, após várias tentativas de emprego, segundo ele, difíceis de se encontrar na época, desembarcou no Rio de Janeiro, em 1961, para trabalhar na Cultura Inglesa, que necessitava de professores de inglês.

Depois dessa experiência, que durou até 1963, Playfair trabalhou como repórter no «Brazil Herald» e foi convidado pela Embaixada dos EUA para atuar no departamento de Imprensa da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional, onde aprendeu a escrever no estilo jornalístico – o seu trabalho consistiu em divulgar os projetos financiados pela entidade nos jornais americanos. Também trabalhou para as revistas «Times», «Brazilian Business» e «Business Week», entre outros periódicos, tendo retornado a Inglaterra em 1975.

Mas o destaque fica por conta da divulgação, em várias línguas, dos trabalhos do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP) e do seu diretor, Hernâni Guimarães Andrade, através dos livros que escreveu De nacionalidade inglesa, Guy Lyon Playfair partiu para a vida espiritual no passado dia 8 de abril em Londres e deixou uma mão-cheia de livros que expõem a parte experimental do espiritismo na língua que, hoje, graças à internet, é a mais falada no mundo.

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Opinião

Página 134 min

Muitas pessoas interpretam esta frase como premonitória, no entanto, é apenas uma possibilidade. O próprio Leon Denis assegurou isso mesmo numa outra citação: “O Espiritismo será aquilo que dele fizerem os espíritas.” O Espiritismo é um instrumento fantástico para nos ajudar a compreender a natureza da criatura humana de uma forma integral, um ser imortal que participa das dimensões física e espiritual, que evolui através de sucessivas reencarnações, que traz consigo uma herança de talentos e conquistas, de vícios e hábitos enraizados que têm a sua influência nos comportamentos presentes.

É uma ciência da alma que não está apenas focada no mundo espiritual ou naquilo que nos aguarda do lado de lá do véu, mas que, a partir de uma compreensão transversal da realidade biológica, cultural, social e espiritual, nos ajuda a construir vidas mais belas, mais significativas e mais felizes. O espiritismo possui uma identidade bem definida e que foi a base em que Allan Kardec se suportou ao longo da sua obra. Sem essa identidade, o Espiritismo pode ser qualquer coisa e transfigurar-se à medida dos interesses de cada um.

Será que defender de forma acérrima a pureza doutrinária faz parte dessa identidade? É que as ideias-base da Doutrina Espírita estão assentes em cima de pilares muito mais profundos que não podem ser ignorados, sob pena de estarmos a falar de uma outra coisa qualquer, mas não de espiritismo. Identidade para além das ideias-base Um dos exemplos mais gritantes é que o trabalho no espiritismo é realizado em parceria com a espiritualidade.

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Crónica

Página 142 min

Frequentemente, em qualquer tipo de aglomeração social (trabalho, casa, associativismo…) encontramos pessoas que, magoadas, acabam por se afastar de outras, outrora amigas, pessoas que trabalhando lado a lado, mal se falam, sempre queixosas mutuamente, tendo em conta as “suas” razões, sempre válidas, de acordo com o ponto de vista. A separação opera-se (no casal, na empresa, no associativismo…), como mal menor, em vista da aparente impossibilidade de relacionamento.

A vida acaba por continuar, até que o irmão Tempo se encarregue de pensar as feridas da alma que, entretanto, cicatrizam, com outros labores e entendimentos. Essa é a causa das continuadas guerras regionais, um pouco por todo o mundo, desde que o homem é homem, guerras que começam no seu íntimo, alastram - -se ao lar, à sociedade, aos países, ao mundo. Quase sempre têm os seus alicerces no egoísmo de opinião, no melindre, na mágoa estéril, nos silêncios que gritam e ferem, no mal-entendido.

As pessoas sofrem em silêncio, gritam caladas, choram sem lágrimas, muitas vezes sem que o outro saiba o que se passa, pois os dois grandes inimigos e aliados da Humanidade, já se instalaram no seu psiquismo: o “mal-entendido” e o “silêncio”. O “mal-entendido” queixa-se, magoa - -se, verga sob a dor imaginária, e o “silêncio”, cruel companheiro, amplifica o problema, impondo-se, para que a luz da amizade, da solidariedade, do entendimento, não volte a brilhar.

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Opinião (pág. 15)

Página 152 min

No espaço de uma década verificou-se um aumento de 2,28 anos de vida para o total da população. Aos 65 anos os homens podem esperar viver, em média, mais 17,55 anos e as mulheres mais 20,81 anos. Assim, como em quase todos os países desenvolvidos, Portugal apresenta uma inversão da pirâmide etária, com uma população idosa cada vez mais numerosa (segundo a Organização Mundial de Saúde, definida como a população com mais de 65 anos).

Os avanços da medicina e as melhorias nos cuidados de higiene e de alimentação são os grandes contribuidores para esta mudança de paradigma. O que parece ser uma boa notícia é também um grande desafio. De facto, como diz André Trigueiro, “O envelhecimento impõe a necessidade de saber lidar com as perdas. Do ponto de vista físico, vem a perda progressiva da saúde, da musculatura, da memória, da audição e visão, e das melhores condições de navegabilidade em um corpo que vai inspirando cada vez mais cuidados.

(…) No âmbito social, os efeitos do envelhecimento são múltiplos. Aposentados perdem o contato com os colegas de trabalho (…). Amigos (ou cônjuges) de muitos anos ou se afastam ou vão desencarnando e a experiência da solidão – muito comum nesta fase da vida – requer atenção das pessoas próximas e algum movimento no sentido contrário, evitando-se o isolamento.” A velhice é, desta forma, um tempo de mudança e de adaptação.

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Imprensa

Página 164 min

Sobre o tema, nem de longe possuo autoridade científica; quando muito terei alguma de ordem prática, desde 1979. Mas não se duvida do rigor científico e agudíssima racionalidade de um Albert Einstein (1879-1955); tinha ele o senso e humildade de escutar no seu íntimo algo então ainda desconhecido pela ciência: a inteligência emocional (descoberta por Daniel Goleman em 1975) e a inteligência espiritual (1995 – Michael Persinger, Vilaianur Ramachandra, Danah Zohar, e outros).

Einstein confiava ao seu biógrafo Huberto Rodhen: “as grandes leis do cosmos não se descobrem por análise, mas por intuição”; e “a descoberta científica não nasce de um processo lógico, é uma iluminação súbita, quase êxtase, que só depois a razão verifica experimentalmente”. E a propósito o jesuíta Rodhen, filólogo exímio, discorre sobre INtuição e EXtuição, aplicando o primeiro termo ao que veio a designar- se inteligência espiritual (paradigma einsteiniano, na expressão de alguns); e o segundo à inteligência newtoniana, racional, mecanicista, sensorial, de paradigma materialista.

Blaise Pascal (1623-1662) já intuíra vagamente a primeira, na frase lapidar “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (todos a entendem mas sentiriam dificuldade em explicá- la “racionalmente”). Também, há dois mil anos, experienciou ao vivo a intuição um humilde e inculto pescador galileu, interrogado pelo seu Mestre sobre a identidade deste; não hesitou: “és o Cristo, filho de Deus vivo”. O Rabi, pedagogo insigne segundo investigações transdisciplinares de hoje (psicologia, neurociências, antropologia, sociologia, teologia…), vendo perfeitamente o ocorrido na mente rudimentar do discípulo, saudou-o efusivo: ”bem-aventurado és, Pedro; não foi a carne nem o sangue (o cérebro) que to revelaram, mas o Pai que está nos céus” (Mat 16:15-17).

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Cinema / Literatura

Página 177 min

CINEMA / LITERATURA Wonder – Encantador Auggie Pullman é um rapaz de 10 anos. Curioso, inteligente e muito divertido, tem uma particularidade que o distingue de quase todos os miúdos da sua idade: nunca foi à escola. E é aqui que começa esta história. Nascido com a síndrome de Treacher Collins, uma malformação congénita rara que se manifesta em graves deformações no crânio e na face, tendo passado grande parte da infância entre a realização de operações plásticas e a sua recuperação, Auggie esteve quase sempre protegido da exposição pública e do confronto mais direto com as reações das pessoas ao seu aspeto.

Só que, se existem situações que podemos adiar durante um tempo, de facto não o conseguimos fazer eternamente. Chegara o momento de deixar de estudar em casa, aventurar-se no 5.º ano de escolaridade e, superando o medo da rejeição, enfrentar os desafios do bullying, do preconceito e da solidão. Ao percorrer este caminho repleto de sobressaltos, desilusões e recomeços, Auggie vai descobrir algumas das coisas mais preciosas que a vida lhe poderia oferecer: a amizade e a confiança em si próprio.

Para conquistá-las, ele aprendeu a aplicar às relações humanas o que desde bebé foi obrigado aplicar à sua própria condição: paciência, persistência e ousar ir além daquilo que julgava ser capaz. Com um elenco de grande nível liderado por Júlia Roberts, “Wonder” é um filme extraordinariamente rico, repleto de humor e mensagens simples que ficam a ressoar cá dentro. Em vez de ceder à tentação da lamechice e das lágrimas fáceis, vai-nos mostrando lampejos dos conflitos emocionais, não só de Auggie, mas de todas as pessoas que se cruzam com ele.

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Página 18

Página 183 min

Sabia que? Porque as mortes prematuras, nomeadamente por acidente, vêm acompanhadas por alguma confusão espiritual até que o desencarnado tome consciência do que lhe aconteceu, poderemos ajudar enviando-lhe preces e pensamentos de bom ânimo? Pela mediunidade de efeitos físicos de Elisabeth D`Espérance foi produzido, numa sessão de materialização em 28-6-1890, um lírio dourado com 2,27 metros de altura que permaneceu perfeito durante uma semana, após o que se desmaterializou e desapareceu?

Entre a imensa obra bibliográfica espírita de Léon Denis, podemos encontrar “Giovanna”, novela espírita (uma fascinante história de amor), publicada em Paris em 1880? Para avaliar a sanidade ocular dos pacientes e verificar a espécie de doença de que eram portadores, o médium José Arigó (Congonhas do Campo, Minas Gerais, Brasil) introduzia entre o globo ocular eapálpebra, sem qualquer anestesia nem assepsia, uma pequena faca de cozinha bem afiada, que manejava em todas as direções, examinando, de seguida, os resíduos encontrados na lâmina, técnica a que Herculano Pires chamou –“Exames à ponta de faca”?

Maia era uma menina de 8 anos, bem disposta e filha única. Os seus avós tinham uma loja na cidade onde morava e, sempre que podia, quando saía da escola, ia ter com eles e passava por ali as tardes. A cada oportunidade, ela ajudava no atendimento ao balcão. De cada vez que entrava um cliente, a menina corria a atender e preocupava-se a fazer um bom e simpático atendimento. Era o seu sorriso franco e o bom atendimento com que tratava as pessoas que levava muitos clientes a recompensá-la com uma moedinha.

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Sustentável

Página 192 min

Um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento social, moral e intelectual do ser humano foram as condições ecológicas de enorme riqueza, diversidade e relativa estabilidade que encontramos nestes últimos 10 mil anos. A ganância e a indiferença provocam uma cegueira tão profunda, que se torna difícil perceber que a sustentabilidade de um determinado modo de vida será impossível a médio prazo. O desenvolvimento da inteligência e o progresso do nosso modo de vida teve, como um dos mais preciosos segredos, a extraordinária capacidade de adaptação ao meio, mas foi alimentado, literalmente, pelos recursos e pelas condições que a natureza forneceu.

No entanto, a ânsia de manter, expandir e melhorar esse modo de vida, foi sendo feito, quase sempre, sem prestar atenção ao desgaste, à destruiçãoeàs mudanças que estavam a ser provocadas numa das condições mais essenciais para a manutenção desse mesmo modo de vida: a sustentabilidade ecológica. A ganância e a indiferença provocam uma cegueira tão profunda, que se torna difícil perceber que a sustentabilidade de um determinado modo de vida será impossível a médio prazo.

Um dos grandes enigmas dos cientistas que estudam a extinção dos habitantes da Ilha da Páscoa, no Oceano Pacífico, algures entre os séculos XV e XVI, é representado na pergunta: como é que eles não perceberam? Como é que os habitantes da ilha continuaram a cortar, árvore atrás de árvore, até não restar uma única árvore na Ilha da Páscoa? As árvores foram massivamente cortadas porque serviam de matéria-prima para o fabrico de cordas e serviam, também, para transportar as portentosas estátuas que são hoje os símbolos históricos da ilha e a lembrança dos seus extintos habitantes.

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Última

Página 202 min

Setembro traz a ADEP TV Sobremaneira esforçada e amadora como deve ser, com conteúdos interessantes, a equipa da ADEP que costuma transmitir on-line as Jornadas de Cultura Espírita do Oeste nos seus tempos pós-profissionais aproveita a cedência de um estúdio em Braga e dá o pontapé de saída para esta nova plataforma de videocomunicação espiritista. A equipa e Vasco estão alinhados para que tudo corra bem: «Estamos a preparar toda a forma e conteúdo para termos em setembro, num sábado a definir, pelas 16h00, a primeira emissão da ADEP TV».

Com várias rubricas ao longo de cerca de duas horas de emissão contínua, e porque é um projeto não profissional, ou seja, feito de forma inteiramente grátis, a ideia é «emitir on-line, através de um site que iremos mais perto da data divulgar, pela ADEP, e depois deixar os vídeos disponíveis para as pessoas verem quando lhes aprouver. Além disso, haverá conteúdos, e são muitos, que vão rodando a tempo inteiro neste site da ADEP TV para que haja sempre algo para oferecer a quem desejar visualizá-los».

Os testes já estão em curso. O primeiro foi na noite de 5 de junho: «Apesar de muito improviso, o pessoal saiu muito feliz de lá», disse Vasco. «Foi um primeiro passinho. Foi muito amador, mas interessa é começar a fazer e melhorar sempre». Além da já referida, as emissões estão agendadas também para os sábados 8 de dezembro de 2018, 23 de março e 8 de junho do próximo ano. Aveiro: Lei de Causa e Efeito Dia 14 de outubro, domingo, o tema central «Lei de Causa e Efeito» vai ocupar o auditório do Museu Marítimo de Ílhavo, a partir das 14h00.

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