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Cinema / Literatura

Jornal de Espiritismo nº 89 · Abril 2018Página 177 min

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CINEMA / LITERATURA Wonder – Encantador Auggie Pullman é um rapaz de 10 anos. Curioso, inteligente e muito divertido, tem uma particularidade que o distingue de quase todos os miúdos da sua idade: nunca foi à escola. E é aqui que começa esta história. Nascido com a síndrome de Treacher Collins, uma malformação congénita rara que se manifesta em graves deformações no crânio e na face, tendo passado grande parte da infância entre a realização de operações plásticas e a sua recuperação, Auggie esteve quase sempre protegido da exposição pública e do confronto mais direto com as reações das pessoas ao seu aspeto.

Só que, se existem situações que podemos adiar durante um tempo, de facto não o conseguimos fazer eternamente. Chegara o momento de deixar de estudar em casa, aventurar-se no 5.º ano de escolaridade e, superando o medo da rejeição, enfrentar os desafios do bullying, do preconceito e da solidão. Ao percorrer este caminho repleto de sobressaltos, desilusões e recomeços, Auggie vai descobrir algumas das coisas mais preciosas que a vida lhe poderia oferecer: a amizade e a confiança em si próprio.

Para conquistá-las, ele aprendeu a aplicar às relações humanas o que desde bebé foi obrigado aplicar à sua própria condição: paciência, persistência e ousar ir além daquilo que julgava ser capaz. Com um elenco de grande nível liderado por Júlia Roberts, “Wonder” é um filme extraordinariamente rico, repleto de humor e mensagens simples que ficam a ressoar cá dentro. Em vez de ceder à tentação da lamechice e das lágrimas fáceis, vai-nos mostrando lampejos dos conflitos emocionais, não só de Auggie, mas de todas as pessoas que se cruzam com ele.

“Toda a gente está a lutar a sua própria batalha”, diz-nos Auggie tentando compreender as atitudes daqueles que estão à volta. O filme é baseado no livro “Milagre”, da escritora americana R. J. Palacio, também ele uma pérola que vale a pena ser lido com muita atenção por miúdos e graúdos. Para além do respeito pela diferença, uma das mais poderosas mensagens está relacionada com a gentileza: “Se alguma vez tiveres de escolher entre mostrar que tens razão e seres gentil, escolhe sempre a gentileza.

” Tantas vezes associada à vulnerabilidade e ingenuidade, a gentileza é uma força dos espíritos mais lúcidos, daqueles que veem o outro, não como um competidor feroz, um adversário que precisa de ser vencido, um empecilho ou o culpado pelos seus problemas, mas como um ser humano que precisa de ser valorizado e que é merecedor de respeito e compreensão em qualquer circunstância, sobretudo em momentos de erro e adversidade.

Este não é um filme de efeitos-especiais, não nos mostra super-heróis de fatos Casos (in)comuns e números curiosos Esta obra de Jorge Gomes constitui um subsídio importante para clarificar, desmistificar e consolidar o trabalho iniciado por Allan Kardec, em meados do século XIX. O Sábio de Lyon demonstrou à saciedade que a intervenção dos Espíritos no nosso mundo, o mundo corpóreo, é um fenómeno natural e, portanto, um fenómeno de todos os tempos na História da Humanidade.

Fenómeno esse inusitado, que incluído nas leis naturais faz parte da Natureza, foi designado pelo Codificador do Espiritismo por “mediunidade”, termo hoje reconhecido universalmente e que integra todos os dicionários. Ao longo dos tempos esteve envolvido na ignorância que gerou medos, fantasias, mitos, superstições e fanatismos, trazendo também sofrimento e crueldade, particularmente durante a “longa noite da Idade Média” (476-1453).

Na Antiguidade, a mediunidade era designada de profetismo, pela qual profetas, sibilas, pitonisas, magos, não passavam de médiuns, pois comunicavam-se com os Espíritos, designados na época por deuses e demónios. Na Idade Média e Moderna eram apelidados de feiticeiros, bruxos ou santos, conforme o arbítrio da Igreja, muitos deles desequilibrados e atormentados (obsedados). Hoje, nos meios mundanos e religiosos tradicionais, são designados de indivíduos psi ou paranormais, e de santos ou endemoniados, respectivamente, conforme o nível cultural e a instrução das pessoas.

Maria Paula Silva, no prefácio da obra, afirma que “Este livro traz-nos dados trabalhados estatisticamente sobre reuniões mediúnicas realizadas em Portugal e suas principais características”, como também nos descreve “Vários casos de esclarecimento doutrinário, mostrando - -nos a importância da análise qualitativa dos casos, como partilha do aprendizado”, particularmente para quem se dedica à prática mediúnica da desobsessão.

Jorge Gomes mostra-nos a importância e a naturalidade da prática mediúnica, que deve ter o objectivo único de servir, consolar e esclarecer os Espíritos, muitas vezes confusos e desorientados, nem tomando ainda consciência de que o seu corpo morreu e foi sepultado ou incinerado; isto porque possuem um corpo idêntico, o célebre corpo da ressurreição ou espiritual, de que nos fala a Bíblia (Novo Testamento) e que o Espiritismo designa por perispírito.

É oportuno esclarecer que no mundo em que estamos, de “Provas e Expiações”, morrer não significa desencarnar. Muito frequentemente a pessoa morre, mas não desencarna de imediato. Continua vinculada à matéria, impregnada de energia vital ou fluidos da carne, que os fazem sentir ainda mergulhados no corpo físico: sentem frio, fome, sede, dores, nomeadamente aquelas que lhe causaram a morte, uma vez que a sua mente está totalmente condicionada pela cultura do mundo, pela sua cultura religiosa.

Só o tempo e a paciência dos bons espíritos (desencarnados ou encarnados) os ajudarão a libertar-se desse condicionamento mental. A Natureza não dá saltos. As leis de Deus não violentam as consciências; são pacientes e misericordiosas. O livro descreve-nos vários diálogos com diversos tipos de Espíritos: esclarecidos ou ignorantes da sua situação, orgulhosos, levianos, obsessores, etc. Todos, pretensiosos a darem o seu melhor para salvar o mundo de uma ameaça maquiavélica.

Mostra-nos um pequeno herói de causas simples, que tem como superpoderes a gentileza, a perseverançaea sua bondade intrínseca que usa para conquistar as pessoas à sua volta e superar as dificuldades que a vida lhe impôs. Um herói que usando o seu próprio exemplo, faz por ver os outros para além daquilo que eles parecem, transformando a sua relação com elas e as suas perspetivas pelo caminho. Quase no final do filme, emocionado, Auggie diz-nos que “deveria haver uma regra que determinasse que, pelo menos uma vez na vida, toda a gente deveria ter uma ovação de pé!

”. A maior parte das vezes, nem é preciso tanto: bastam algumas palavras adequadas e uns pequenos gestos de gentileza para alguém se sentir especial. Título Original: “Wonder” Realizado por Stephen Chbosky Elenco: Julia Roberts, Jacob Tremblay, Owen Wilson EUA, 2017 – 113 min Por Carlos Miguel sem excepção, devem ser tratados com respeito e humildade, sem subserviência e sem a pactuação com o erro ou com a maldade. No diálogo com os Espíritos é muito importante saber ouvir com paciência, sem ansiedade, sem querer emitir doutrina, nem tão pouco desfilar incessantes citações do Evangelho, por isso o autor diz - -nos que faz mais sentido em falar-se de esclarecedores do que de evangelizadores ou doutrinadores, como é habitual.

Informa-nos, também, que no diálogo esclarecedor, que deve ser sucinto e objectivo, é muito importante elevarmos o padrão vibratório do Espírito sofrido e desorientado, afastando a sua mente de cenários infelizes em que estão presos, plasmando novos quadros, novas paisagens, libertando-os assim das monoideias em que se fixaram. A obra, editada pela FEP – Federação Espírita Portuguesa, contém ainda 70 notas de rodapé, para esclarecimento do texto e orientação de pesquisas bibliográficas.

Por Carlos Alberto Ferreira JULHO.AGOSTO.2018 foto direitos reservadosComo conheceu o Espiritismo? Maria da Conceição VenâncioAtravés de um amigo que frequentava um centro espírita e, sabendo da minha apetência pelo aprofundar das coisas de índole espiritual, me convidou a frequentar o Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha. A partir desse dia, não mais deixei de ser frequentadora e trabalhadora de casas espíritas.

- Frequenta algum centro espírita? Maria da Conceição Venânci oNeste momento frequento um recém-criado centro espirita em Alcobaça, de que sou co-fundadora – o Centro Cultural Espírita de Alcobaça-CCEA. Este centro abriu as suas portas no dia 28 de abril do corrente ano e esperamos que seja um porto de abrigo para pessoas que pretendam conhecer e aprofundar esta doutrina de esclarecimento e consoloo Espiritismo. - Qual a sua opinião acerca do «Jornal Espiritismo»?

Maria da Conceição Venânci oA ADEP tem uma função de muito mérito ao publicar o JDE, pois é um veículo de divulgação, não só da doutrina, mas também das ações levadas a cabo pelos numerosos centros espíritas do país. São imperdíveis os artigos sobre variadíssimos temas que interessam a toda a sociedade, à luz da doutrina espírita, bem como os esclarecimentos prestados pelos diferentes colaboradores desMaria da Conceição Venâncio reside em Alcobaça.

Com a bonita idade de 70 anos, é aposentada da Função Pública. te maravilhoso Jornal. E nem o humor lhe falta, como complemento à vida de todos nós... - Do que já conhece do Espiritismo, mudou alguma coisa na sua vida? Maria da Conceição VenâncioSem dúvida. O conhecimento do Espiritismo abriu-me horizontes de esperança, fez - -me compreender que nada acontece por acaso, que o que nos acontece de bom e de menos bom é fruto da lei de causa e efeito e não do castigo do Deus vingador que me quiseram ensinar...

E, ao compreender que colho o que semeei ao longo das minhas múltiplas existências, encontrei paz e aceitação de tudo o que a vida me tem trazido. Logo, encontrei alguma felicidade relativa, para mim até então desconhecida. IMPRESSÃO DIGITAL Medos e fobias que não têm qualquer explicação lógica, como sensação de afogamento, pavor de pontes e escadas sem nunca ter caído delas, podem ser resultado de uma situação ocorrida em vida passada e transportada para a nova encarnação do Espírito?