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Jornal de Espiritismo nº 89 · Abril 2018Página 164 min
Sobre o tema, nem de longe possuo autoridade científica; quando muito terei alguma de ordem prática, desde 1979. Mas não se duvida do rigor científico e agudíssima racionalidade de um Albert Einstein (1879-1955); tinha ele o senso e humildade de escutar no seu íntimo algo então ainda desconhecido pela ciência: a inteligência emocional (descoberta por Daniel Goleman em 1975) e a inteligência espiritual (1995 – Michael Persinger, Vilaianur Ramachandra, Danah Zohar, e outros).
Einstein confiava ao seu biógrafo Huberto Rodhen: “as grandes leis do cosmos não se descobrem por análise, mas por intuição”; e “a descoberta científica não nasce de um processo lógico, é uma iluminação súbita, quase êxtase, que só depois a razão verifica experimentalmente”. E a propósito o jesuíta Rodhen, filólogo exímio, discorre sobre INtuição e EXtuição, aplicando o primeiro termo ao que veio a designar- se inteligência espiritual (paradigma einsteiniano, na expressão de alguns); e o segundo à inteligência newtoniana, racional, mecanicista, sensorial, de paradigma materialista.
Blaise Pascal (1623-1662) já intuíra vagamente a primeira, na frase lapidar “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (todos a entendem mas sentiriam dificuldade em explicá- la “racionalmente”). Também, há dois mil anos, experienciou ao vivo a intuição um humilde e inculto pescador galileu, interrogado pelo seu Mestre sobre a identidade deste; não hesitou: “és o Cristo, filho de Deus vivo”. O Rabi, pedagogo insigne segundo investigações transdisciplinares de hoje (psicologia, neurociências, antropologia, sociologia, teologia…), vendo perfeitamente o ocorrido na mente rudimentar do discípulo, saudou-o efusivo: ”bem-aventurado és, Pedro; não foi a carne nem o sangue (o cérebro) que to revelaram, mas o Pai que está nos céus” (Mat 16:15-17).
O cientista luso referido pela VISÃO leu “quase tudo” sobre meditação. Não, talvez, “A Grande Síntese” de Pietro Ubaldi (1886-1972), místico italiano formado em Direito e em Música, que se despojou de bens e pergaminhos aristocráticos para seguir a “Sua Voz” íntima. Designava-a ”ultrafania” e anotava as suas revelações, por exemplo sobre mística (nada a ver com misticismos ou beatice, nem necessariamente com religião), definindo-a como função natural da nossa biologia superior, e maturação evolutiva do sentido ético humano.
“A Grande Síntese” foi aplaudida pelo espírito Emmanuel, através de Chico Xavier, e também por cientistas e académicos prestigiosos como Enrico Fermi, Ernesto Bozzano, o próprio Einstein (www.pietroubaldi.org.br), rendidos ao admirável cunho científico da obra. Daria que pensar ao cientista citado pela VISÃO, ver tratados magistralmente em 1932, em termos metafísicos, princípios que a Humanidade só conheceu em 1950 com a explanação matemática das famosas quatro equações de Einstein, iguais a zero (princípios que, predizia a “Sua Voz”, levariam a ciência a descobertas revolucionárias, como de facto veio a suceder).
O desenvolvimento da física no século XX destronou a matéria no reino da cosmologia. Adquiriu-se em definitivo não ser a matéria princípio de nada: não existe senão como estados temporários de energia, energia “condensada”. O desenvolvimento da física no século 20 destronou a matéria no reino da cosmologia. Adquiriu-se em definitivo não ser a matéria princípio de nada: não existe senão como estados temporários de energia, energia “condensada”.
Na expressão de sir Arthur Eddington (1882-1944), “a matéria-prima do Universo é a mente”. A mente construiu o cérebro, não foi “segregada” por ele, como anteriormente conceituava o materialismo. É ilusório contradizer o Dalai Lama “cientificamente”, sobre meditação: a extuição mais apurada (inteligência foto pixabay Meditação A revista VISÃO n.º 1302, 15-21/2/18, informa sobre MEDITAÇÃO, apoiando-se em dados adquiridos de um investigador abalizado, compatriota nosso.
Contudo, o prestígio e credibilidade da revista VISÃO exigem mais do que discorrer sobre o “lado negro” (?) da meditação, uma prática tão fecunda e benéfica no conceito geral; o texto não deixa de o reconhecer, porém enfatiza em tons carregados alguns inconvenientes não intrínsecos, periféricos ao salutar exercício da meditação. racional) não tem o potencial cognitivo da intuição (inteligência espiritual), mormente a de uma sumidade em teoria e prática de meditação.
O falível navegar à vista da perceção sensorial (extuição) difere muito de vogar com segurança e proveito na altíssima frequência energética do conhecimento puro, com os instrumentos da intuição; difere muito de meditar: deixar-se apenas SER, desprendido do ter e do parecer, do julgar e temer juízos… desprendido das apetências do deus Mamon, o insaciável imperialismo financeiro multinacional (camuflado no texto em questão, mas com a cauda bem de fora).
Um relance freudiano ao tom enfático e emotivo do investigador citado pela VISÃO, denuncia clara paixão/insegurança no discurso. Um contraste com o peso e serena autoridade que o Dalai Lama (ali impugnado gratuitamente) imprime sempre à sua voz cordial e pacífica. Aquilo que a impregna de bom senso persuasivo, provém da fina intuição espiritual que voga afoita e segura em dimensões de altíssima frequência, inacessíveis à extuição racional; esta pode verificar experimentalmente revelações daquela, mas não elaborá-las.
Daí, sem ofensa nem desprimor: ne sutor ultra crepidam, como, na fábula, replicou Apeles ao seu arguto sapateiro. Por João Xavier de Almeida JULHO.AGOSTO.
