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Jornal de Espiritismo nº 89 · Abril 2018Página 125 min

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Inglês propaga as ideias espíritas Através de mensagem de correio eletrónico, Suzuko Hashizume envia estas informações do outro lado do Atlântico, no Brasil. Diz que Guy Playfair nasceu em Quetta, Índia (hoje Paquistão), em 1935, seis semanas antes do terramoto que deixou um saldo de 50 mil mortos. Filho de indianos, formou-se na Inglaterra (Cheltenham College) em inglês e russo (Cambridge University). Inicialmente instrumentista de jazz e fotógrafo, após várias tentativas de emprego, segundo ele, difíceis de se encontrar na época, desembarcou no Rio de Janeiro, em 1961, para trabalhar na Cultura Inglesa, que necessitava de professores de inglês.

Depois dessa experiência, que durou até 1963, Playfair trabalhou como repórter no «Brazil Herald» e foi convidado pela Embaixada dos EUA para atuar no departamento de Imprensa da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional, onde aprendeu a escrever no estilo jornalístico – o seu trabalho consistiu em divulgar os projetos financiados pela entidade nos jornais americanos. Também trabalhou para as revistas «Times», «Brazilian Business» e «Business Week», entre outros periódicos, tendo retornado a Inglaterra em 1975.

Mas o destaque fica por conta da divulgação, em várias línguas, dos trabalhos do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP) e do seu diretor, Hernâni Guimarães Andrade, através dos livros que escreveu De nacionalidade inglesa, Guy Lyon Playfair partiu para a vida espiritual no passado dia 8 de abril em Londres e deixou uma mão-cheia de livros que expõem a parte experimental do espiritismo na língua que, hoje, graças à internet, é a mais falada no mundo.

- «The Flying Cow» e «The Indefinite Boundary». Playfair escreveu também para o «Journal Light», do College of Psychic Studies de Londres, na Inglaterra, país onde difundiu a parte experimental da fenomenologia mediúnica e de onde concedeu ainda em vida terrena a entrevista que se segue publicada numa edição do jornal paulista «Folha Espírita» em data que não conseguimos apurar até ao fecho desta edição. - Como e quando conheceu Hernâni Guimarães Andrade e o seu trabalho de pesquisa?

Playfair – Conheci-o de um modo curioso. Estava a traduzir o roteiro de um filmeum dos piores já rodados, chamado «O Sabor da Violência» - e conheci Larry Carr, um ator de Hollywood, que me convidou a visitar o médium Edivaldo Oliveira Silva e observar as operações que fazia com as mãos. Fiquei impressionado e quis saber mais. Então Larry apresentou-me a Pedro Macgregor, empresário. Ele conheceu Arigó, Francisco Cândido Xavier e ficou a saber de Hernâni Guimarães Andrade, o único que conheceu que considerava estar a realizar pesquisas sérias.

Fui logo para São Paulo e, depois do primeiro encontro com Andrade, troquei a pujança industrial do Rio para a beleza natural de São Paulo. - Qual sua opinião sobre Andrade e sobre o Instituto Brasileiro de Pesquisas Espíritas (IBPP)? Playfair – Ele foi, sem exagero, a pessoa que mais influenciou a minha vida. Aliás, ele transformou-a. Se não o tivesse conhecido, estaria ainda traduzindo manuais de instrução de tratores ou tirando fotos de meninas de Ipanema para a Associated Press.

Tudo que consegui fazer na área de pesquisa psi foi inspirado por ele. O IBPP é o melhor grupo de pesquisadores que conheci até hoje. O arquivo não tem igual, e tudo feito sem financiamentos. - Já conhecia as obras de Allan Kardec na Inglaterra? PlayfairFoi Pedro Macgregor que me apresentou a Kardec. Comprei e li «O Livro dos Médiuns» e «O Livro dos Espíritos». Confesso que não sou seu admirador incondicional, pois o acho um pouco seco e didático, mas admiro as pesquisas que ele fezfoi um dos primeiros a pesquisar casos de «poltergeist».

Admiro igualmente a dedicação dos espíritas brasileiros às obras de caridade e o contraste com os espiritualistas ingleses, que parecem mais interessados em fazer ostentação de seus talentos. O «Spiritualism» é egocêntrico, mas o Espiritismo é, como Kardec disse, o Cristianismo redivivo. Que diferença! - Conheceu Francisco Cândido Xavier quando esteve no Brasil e leu as obras psicografadas de André Luiz e Emmanuel? Playfair – Conheci o médium no lançamento foto arquivo de um dos seus livros, em São Paulo.

Tive a impressão de estar diante de um verdadeiro santo. Dei uma palestra no ano passado, «The Medium of the Century», para a Society for Psychical Research (SPR). Nenhum outro produziu tanta evidência e fez tanto bem aos pobres. Li toda a série «Nosso Lar» e traduzi trechos (ver o livro «Indefinite Boundary», cap. 7). Tenho o «Parnaso de Além-Túmulo» assinado por Francisco Cândido Xavier, que leio frequentemente. Não existe obra semelhante, talvez uma possível exceção sejam as poesias de Patience Worth.

O meu livro favorito dele é «E a Vida Continua». - As pesquisas com que teve contacto no Brasil (Psi-k* do Ipiranga, Psi-k de Carapicuiba, Psi-k de Guarulhos) e na Inglaterra, como o famoso Pk The Enfield Poltergeist, a pesquisa de telepatia entre os gémeos bem como os demais fenómenos paranormais ocorridos neste país e em outros com os quais teve contato direto, deram-lhe a certeza da sobrevivência e da reencarnação dos seres vivos?

Playfai rAcabo de terminar um livro sobre reencarnação, encomendado pela Druze Cultural Foundation («New Clothes for Old Souls»). Insisti que, embora não possamos comprovar a reencarnação, é indiscutível que Ian Stevenson, Hernâni Guimarães Andrade, Haraldsson e Antonia Mills, entre outros, descobriram evidências para a continuação de consciência, que considero comprovadas. A palavra «reincarnation» implica repetição de uma vida inteira, mas acho mais provável que seja um fenómeno temporário do modo geral, aqueles que morrem cedo de mais querendo voltar para terminar a primeira vida e saindo do palco depois de alguns anos.

Há exceções, claro. (Jasbir, Sharada, Jenny Cockell). - No atual estágio de sua vida, qual é a sua filosofia? Playfair – Filosofia? Nenhuma. Apenas tenho o desejo de descobrir fatos e verdades. * Pk é abreviatura de Psikappafenómenos parapsicológicos de efeitos físicos. Insisti que, embora não possamos comprovar a reencarnação, é indiscutível que Ian Stevenson, Hernâni Guimarães Andrade, Haraldsson e Antonia Mills, entre outros, descobriram evidências para a continuação de consciência, que considero comprovadas.