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Jornal de Espiritismo nº 90 · Setembro 2018Página 118 min

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na sua nova vida, a vida espiritual. Se isto se verificar com regularidade quer neste grupo mediúnico, futuramente quer noutros grupos, o assunto levanta muitas perguntas. Uma delas é esta – por que motivo aparecem mais Espíritos de perfil masculino nestes transes mediúnicos? Uma das hipóteses explicativas que nos parece mais adequada, sem margens de certeza, é claro, verte no livro «Casos (in)comuns e números curiosos: reuniões mediúnicas de esclarecimento», publicação FEP (2018), no seu capítulo Género dos Espíritos comunicantes necessitados: existe aqui um padrão ?

Lê-se: «À partida, como hipótese de trabalho, evidencia-se, por um lado, o curso da evolução das espécies e, por outro, o condicionamento da questão cultural. Se observarmos bem, já antes dos hominídeos os papéis desempenhados entre várias espécies de mamíferos entregava aos machos vertentes funcionais como a de fornecedores de gâmetas masculinos e de defesa do grupo, entre outras. Este pormenor acentuou genericamente o comportamento e a capacidade muscular possível para proteger uma companheira grávida ou cuidadora de crias, esses seres preciosos em que viajam moléculas de ADN com o seu sonho de imortalidade.

Essa tendência tem-se mantido na enorme plasticidade evolutiva dos organismos até à nossa espécie, mais ou menos acentuadamente. As fêmeas têm por isso outra capacidade de observação, estando um considerável leque de emoções positivas ligadas ao dia a dia, assim como parecem utilizar até inconscientemente uma inteligência social mais perspicaz. Na infância, enquanto as crianças masculinas da nossa espécie exercitam brincadeiras musculares, em treino prévio para supostas funções futuras, as pequeninas interagem em consensos de microgrupo privilegiando boa gestão de informações e cooperação.

Por sua vez, ainda hoje é habitual dizer-se que «um homem não chora» e, até há poucas gerações, o género masculino é que trabalhava para trazer dinheiro para casa, deixando à esposa as tarefas do lar. Isso veio a revelar-se muito mau em caso de viuvez, deixando famílias em má situação. Na contenda e na guerra, até meninos imberbes, órfãos geralmente, podiam levar tambor e marcar a cadência da marcha entre balas de fuzil e de canhão, mas nunca indivíduos do sexo feminino, nem quando adultos, salvo raras exceções como quando da revolta popular de Maria da Fonte.

Mas a verdade é que a separação consuetudinária de tarefas do homem e da mulher tende a “secar” vibratoriamente os homens deixando às mulheres a naturalidade de explorar emocionalmente a vida. Essa inibição, subscreve a experiência, tende a amorfizar áreas do corpo espiritual ligadas às percepções próprias da dimensão além da matéria densa, atrofiando capacidade visual, auditiva e até táctil. Pode ser esta uma das razões principais pela qual a inércia afetiva de muitos homens os impede na vida espiritual de ver ali ao lado, quem os quer ajudar, e cegos e surdos tardam mais um tanto a sair do poço vibratório em que se encontram, à espera de dias melhores.

É lei da natureza, na reportagem do Espírito André Luiz com psicografia de Francisco Cândido Xavier, em “Entre a Terra eoCéu”: “Sem amor no coração não teremos olhos para a luz”.» Como ocorre neste ponto de reflexão, muitas outras observações surgirão além do perfil de género, sem alterar a rotina habitual de esclarecimento, o que é muito interessante e é uma das matérias-primas que dignifica estes estudos com vista a restaurar o espiritismo como uma força cultural com lugar reservado no porvir da humanidade, uma vez que se debruça sobre leis da natureza que importa conhecer cada vez melhor.

Há muitas perguntas que num esclarecimento habitual emergem no diálogo, no que observamos no transe mediúnico: Que problema apresentava no início da manifestação mediúnica? Qual parecia ser a sua faixa etária? Que profissão tinha? Quem veio buscar o Espírito necessitado de auxílio (um familiar desencarnado ou equipa espiritual)? Etc. Quão maior o número de dados colhidos mais significativas serão as amostras e as correlações observáveis.

Com base nestas análises de dados, ampliam-se os estudos espíritas, de acordo com o espírito de pesquisa que orientou todo o trabalho de Allan Kardec. Por outro lado, já ocorreram também estas perguntas: Em que momento se deve preencher a tabela de registo de dados? Não poderíamos preencher a tabela durante a reunião mediúnica? Tudo é possível, desde que o grupo se sinta bem com isso. Porém, na nossa experiência, preferimos guardar uma hora no dia seguinte para ouvir as gravações e preencher a tabela.

Mesmo que não estivesse em atividade no esclarecimento a alguma entidade espiritual, ir escrevendo num papel pode reduzir a capacidade vibratória, quando sabemos pelas instruções da melhor bibliografia que a nossa atitude mental contribui junto dos amigos espirituais para beneficiar a pequena multidão de Espíritos desencarnados necessitados que não vão ter nessa semana ensejo de se manifestar mediunicamente, mas nem por isso deixarão de poder ser ajudados.

Caso colabore num grupo mediúnico e considere interessante criar o hábito de registo de dados para posterior análise estatística, não deixe de nos contactar. Até ao final do ano contamos ter um programa que incluirá um vídeo explicativo dirigido apenas aos mais interessados, um pequeno manual de preenchimento de dados em formato eletrónico (pdf) e dentro das limitações que nos são próprias, poderemos até ver a hipótese de nos deslocarmos regionalmente para um “workshop” elucidativo de cerca de duas horas.

Teremos gosto, por isso, em enviar o modelo de folha de cálculo que estamos presentemente a utilizar, acompanhado de votos de um excelente trabalho! Texto: J. Gomesjorg.cbe@gmail.com SETEMBRO.OUTUBRO.2018 12 . JORN AL DE ESPIRITISMO PESQUISA A questão espiritual dos animais Atualmente, e «através de diversas pesquisas científicas, comprovou-se que os animais são seres sencientes. Isto quer dizer que apresentam alguma habilidade para avaliar as ações de outros em relação a si mesmos e a terceiros, para se lembrarem de algumas das suas próprias ações e suas consequências, para avaliar risco, para ter sentimentos, sentir dor, prazer e apresentar algum grau de consciência (BROOM; MOLENTO, 2004; BROOM; FRASER, 2010)».

Assim, «considerando-se a existência do princípio inteligente nos animais e tendo em conta que o espírito é o princípio inteligente do universo, pode-se inferir que os animais junto com os seres humanos se enquadram nessa afirmativa». Então, e o que acontece aos animais quando desencarnam? «Esta era uma pergunta que sempre me passava pela cabeça, já que como médica veterinária e tutora vivenciei muitos processos de morte de animais».

Em «O Livro dos Espíritos», Allan Kardec coloca às entidades espirituais «a seguinte pergunta (597) – “Visto que os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?” A resposta curta e concisa não deixa dúvidas - “Sim, e que sobrevive ao corpo”.» No livro “A Questão Espiritual dos Animais”, a autora Irvênia Prada «relata um caso narrado por Divaldo Pereira Franco em que Fran - «É comum termos dúvidas sobre a espiritualidade dos animais e normalmente o que sempre me perguntam é se os animais têm alma», diz a médica veterinária Mirella Colaço, que junto da Associação Médico Espírita do Norte (AME Norte) quer dinamizar o Departamento de Medicina Veterinária e Espiritualidade (Nuvet).

cisco Cândido Xavier possuía um cão de nome Dom Pedrito, de que gostava muito, este animal foi atropelado e faleceu. Chico lamentou muito o acontecido. Depois de um tempo, este conhecido médium andava pela rua e percebeu que estava a ser seguido por um cachorrinho. Emmanuel, seu mentor espiritual, explicou a Chico Xavier que aquele filhote era o Dom Pedrito que estava a voltar para ele. Chico pegou o filhote e passou a chamar-lhe Brinquinho».

Este (re)conhecimento de que «os animais são princípios inteligentes em evolução obriga a uma reflexão sobre o modo como o ser humano os trata, sendo que dessa reflexão surge uma questão fulcral: Será que temos o direito de fazer o que quisermos com os animais ou devemos auxiliá-los assim como eles nos auxiliam na nossa caminhada evolutiva?». «Observo os animais a serem submetidos a diversas formas de sofrimento causados por nós, seres humanos.

Os animais são obrigados a participarem em “espetáculos” deprimentes, tais como as touradas, o circo que geram dor física e psicológica aos animais; há tráfico de animais silvestres que provocam milhares de mortes; há a utilização de gaiolas para pássaros e aquários para peixes; há a venda ou aluguer de animais entre outras atividades que ainda existem na nossa sociedade. Nessas atitudes o animal é tratado como um objeto que pode ser usado ou vendido mas seguramente não é tratado como um ser senciente».

No livro “Mandato de Amor”, observamos a seguinte mensagem trazida por Francisco Cândido Xavier: “Nossos benfeitores espirituais esclarecem que é preciso que todos consideremos que os animais diversos, a nos rodearem a existência de seres humanos em evolução no planeta Terra, são nossos irmãos menores, desenvolvendo em si mesmo o próprio princípio inteligente.(…) Eles, os animais aspiram ser, num futuro distante, homens e mulheres inteligentes e livres.

Assim sendo, podemos nos considerar como irmãos mais velhos e o mais experimentado dos animais. (…) Tudo isso se resume em graves responsabilidades para os seres humanos; a angústia, o medo eoódio que provocamos nos animais alteram o equilíbrio natural de seus princípios espirituais, determinando ajustamentos em posteriores existências (…) A responsabilidade maior recairá sempre nos desvios de nós mesmos, que não soubemos guiar os animais no caminho do amor e do progresso, seguindo a verdade de Deus”.

Jesus deixou «a seguinte lição - “Ama a Deus acima de todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo, mostrando que esse próximo não é apenas o ser humano, mas toda a forma de vida”.» «Este texto surge como forma de chamar a atenção para a importância das questões refoto pixabay lacionadas com os animais e sobre a nossa responsabilidade enquanto espíritas, uma vez que reconhecemos que neles existe o princípio inteligente em evolução que sobrevive à morte física».

Aproveita-se para levar ao conhecimento dos leitores que no dia 14 de julho de 2018 foi formado o Departamento de Medicina Veterinária e Espiritualidade (Nuvet) da Associação Médico Espírita do Norte, que tem como objetivo estudar a espiritualidade dos animais e trabalhar em prol deles: «Convidamos a todos interessados no assunto a participarem do grupo. Para mais informações por favor acessem o site www.amenorte.org.

pt». Referências anotadas (Nuvet): BROOM, D.M.; FRASER, A.F. Comportamento e bem - -estar de animais domésticos.4.a ed. São Paulo: Manole, 2010. BROOM, D.M.; MOLENTO, C.F.M. Bem-estar Animal: Conceito e questões relacionadasRevisão. Archives of Veterinary Science, v. 9, n. 2, p. 1-11, 2004. KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 2.a ed. São Paulo: Virtue pariticipações limitadas, 2011. XAVIER, F. C. Mandato de amor. Editora: União Espírita Mineira, 1992.

PRADA, I. A questão espiritual dos animais. 10a ed. São Paulo: FE Editora Jornalística Ltda, 2013. Observo os animais a serem submetidos a diversas formas de sofrimento causados por nós, seres humanos. Os animais são obrigados a participarem em “espetáculos” deprimentes, tais como as touradas, o circo que geram dor física e psicológica aos animais SETEMBRO.OUTUBRO.