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Capa da edição nº 90 do Jornal de Espiritismo

90Jornal de Espiritismo nº 90

Setembro 2018 · 11 secções · ≈ 72 min de leitura

A edição 90 do Jornal de Espiritismo discute a relação entre ciência e espiritualidade, a noção de "almas gémeas" no espiritismo e a importância de conhecer a doutrina. Aborda a percepção subjetiva do tempo para os espíritos e diferencia o espiritismo das religiões tradicionais, destacando que é uma doutrina que apela ao desenvolvimento espiritual, sem rituais ou sacerdotes. Enfatiza que a verdadeira "camisola" a vestir é a de uma conduta fraterna e iluminada, alinhada aos ensinamentos de Jesus.

Espiritismo
Ciência
Espiritualidade
Consciência
Amor
Religião

Capa

Página 11 min

90 ANOXIV JDE SETEMBRO . OUTUBRO . 2 0 1 8 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 9 OPINIÃO MANIFESTO PELA CIÊNCIA PÓS-MATERIALISTA A comunidade científica não deve recear a investigação das experiências espirituais… foto loucomotiv 10 A semente e o registo de dados 15 CRÓNICA DA CIÊNCIA AO AMOR O recente livro de Luís Portela foca a luminescência que liga espiritualidade e ciência.

13 OPINIÃO ALMAS GÉMEAS A ideia das almas gémeas é um conceito popular, mas enquadra-se mesmo no espiritismo? 16 OPINIÃO CONHECER E SABER POR QUE CRÊ Um inquérito evidencia desconhecimento de conceitos importantes. SETEMBRO.OUTUBRO.2018 Aquilo foi muito rápido!

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Editorial / Conto

Página 25 min

EDITORIAL / CONTO Há dias o meu amigo Manuel, dirigente espírita que conheço desde a década de 1970, teve uma séria crise de vesícula. Chegado ao hospital, ficou logo por lá para ser operado de urgência. Nem meia dúzia de dias depois, ao visitá-lo em casa, faz o resumo dos inesperados acontecimentos e a dada altura comenta que «quando vi, antes da operação, a conversa do cirurgião, percebi logo que a anestesia geral estava quase a fazer efeito», e remata plenamente convicto: «Aquilo foi muito rápido!

», referindo-se à duração da cirurgia. A maneira como ele o disse, confesso que me fez sorrir por dentro. A razão liga-se aos diálogos fraternos estabelecidos nas reuniões mediúnicas com Espíritos desencarnados ainda em estado de confusão, muitos deles desconhecedores da morte do seu corpo físico, transferidos que já se encontram para a vida espiritual. Como têm na mesma um corpo parecido, o perispírito ou corpo espiritual, por vezes demoram a perceber esse facto até mesmo meses ou anos, não poucas vezes décadas, a experiência o diz.

Quando suavemente se insinua a ideia de que a vida continua e todos lá chegaremos inevitavelmente, porém, nem sempre cientes disso, nem mesmo assim muitos deles percebem com clareza que é o caso deles, ali a falarem connosco através do médium psicofónico, sem saberem. Mais tarde ou mais cedo, quando se convencem da veracidade do que está a ser explicado, invariavelmente agarram - -se à ideia de que o acidente ou a moléstia terminal que os vitimou terá acabado de ocorrer há apenas umas horas, quando muito um dia ou dois, dependendo dos casos.

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Consultório

Página 38 min

Vestir a camisola Sobre o espiritismo ser ou não religião já se gastou tinta quanto baste ao longo de muitos anos. Por isso, permita-nos pedir - -lhe que leia na «Revue Spirite» , publicação periódica dirigida por Allan Kardec, o discurso do dia de finados de 1868. Encontra até gratuitamente na internet. Ali ele explica em que sentido o espiritismo pode ser considerado uma doutrina com um aspeto de religiosidade e por que não pode ser considerado religião.

Posto isso, é uma questão de mera lógica. As religiões tradicionais têm numerosos pontos de abordagem da vida que são muito diferentes do espiritismo. Normalmente a prática do bem, por exemplo, é vista como um meio de atingir um suposto céu; no espiritismo a prática do bem só faz sentido como um fim em si, e não para receber algo a posteriori. As religiões supõem a existência do sobrenatural e este na filosofia espírita não existe taxativamente, já que tudo o que se observa, de facto, enquanto fenómeno pode ser explicado racionalmente, sem qualquer derrogação das leis da natureza, a partir do momento em que haja pesquisa que revele as leis naturais que regem o seu funcionamento.

Se analisarmos alguns dos elementos essenciais das religiões verificamos também que o espiritismo não os possui. Por exemplo, as religiões têm sacerdotes, o espiritismo não tem nem padres nem qualquer hierarquia. As religiões fazem casamentos, baptizados, etc., por sua vez o espiritismo não possui práticas dessas. Elas sustentam constantemente rituais, o espiritismo na verdade não os possui. Estamos a entrar na Era do Espírito devagarinho em que tudo vale pelo que é e não pelo que representa.

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Pesquisa

Página 58 min

foto pixabay Afinal, quem somos? Afinal, quem somos? Acaso ou construção inteligente? A ciência nos descreve um mundo e nós acreditamos nela. Em função dis-so, nos preparamos para viver naquele mundo que nos está descrito, tentando buscar sintonia com suas leis. Por isso, no mundo sombrio da mecânica clássica, que inspirou o materia-lismo realista, tinha lugar o egocentrismo, a opressão do mais forte submetendo o mais fraco, porque, naquele mundo, as coisas só funcionavam à força.

Assim sendo, todo o oculto era fantasia; éramos máquinas, correndo em um Universo-máquina, previsível, governado por leis imutáveis, relativamente às quais não tínhamos a menor possibilidade de intervenção. Biologicamente éramos considerados mutações ao acaso, simples portado-res de DNA, na busca implacável por mais, num Universo sem sentido. Caráter, honradez, ética, eram simples consequência das posições dos á-tomos em nossas células.

Nada criado por nossa vontade. Por isso, Bertrand Russel, filósofo e matemático inglês, afirmou que ao nos enxergarmos refletidos no espelho da Física Newtoniana, estamos mergulhados no desespero inarredável ao qual ela deu origem e conclui, que assim sendo, toda a labuta dos séculos, toda a devoção, toda a inspiração, todo o brilho do gênio humano estariam destinados à extinção na vasta morte do sistema solar; e que todo o templo da conquista humana deveria inevitavelmente ser soterrado sob os escombros de um Universo em ruínas.

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Breves

Página 76 min

Encontro Espírita do Algarve A Associação Núcleo Familiar Espírita-Mentor Amigo, agora sediada em Faro, organizou o IX Encontro Espírita do Algarve, no passado dia 13 de maio no Hotel Eva. O Encontro teve como tema principal “O Espiritismo e o seu Contributo na Sociedade Atual” e visou divulgar a doutrina espírita. Foram convidados diversos oradores nas mais diferentes áreas para que o tema principal pudesse ser abrangido a partir de diferentes ângulos, sendo então dividido por subtemas.

O período da manhã foi iniciado com um momento musical, interpretado por Margarete Áquila, também ela, oradora no encontro com o subtema “Como lidar com os Conflitos Familiares”. Margarete Áquila (natural de São Paulo-Brasil) cantora, psicanalista e colaboradora na Casa do Consolador, em São Paulo. Também no período da manhã, o terapeuta ocupacional e colaborador na Associação Núcleo Familiar Espírita-Mentor Amigo, Humberto Oliveira, natural do Rio de Janeiro, focou a sua palestra no tema “A importância do Espiritismo na Formação do Indivíduo”.

Para terminar o período da manhã, foi convidado, João P. Gonçalves, coronel tirocinado paraquedista, investigador em T.C.I. e colaborador em Portugal na ACEA, CCE com o tema “O Espírita na Sociedade Atual”. Após o intervalo para o almoço, para os dois últimos temas da tarde, estes ficaram a cargo de Maria Júlia Ramalho, natural de Vila Nova de Gaia e dirigente das Casas Francisco Xavier-Associação Espírita, tendo por tema “Como Entender e Aceitar o Sofrimento”, eaúltima palestra, foi realizada por Mónica de Medeiros, médica, ufóloga e fundadora da Casa do Consolador em São Paulo, com o tema “O Perdãoeo Amor no Processo de Cura”.

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Opinião

Página 99 min

Este manifesto expressa claramente os domínios da investigação científica em torno da sobrevivência da consciência, após a morte do corpo físico e declara a necessidade de promover estudos sobre as evidências mediúnicas e as Experiências de Quase-Morte (EQM). Para avaliar a dimensão desta iniciativa, que revela a abertura de um novo paradigma da ciência, associaram-se as seguintes instituições de investigação científica: Instituto de Psicologia Paranormal da Argentina, Centro de Investigação de Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora, Instituto de Psicologia e Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, do Brasil, Divisão de Pesquisa em Ciências Aplicadas à Consciência da Universidade de Regensburg, da Alemanha, Instituto para a Informática da Consciência da Universidade de Meiji, do Japão, Departamento de Psicologia da Universidade de Gothenburg e Centro para a Investigação da Consciência e Psicologia Anómala da Universidade de Lund, da Suécia, Grupo de Psicologia de Fenómenos Paranormais da Universidade de Derby, Unidade Koestler de Parapsicologia da Universidade de Edinburgh, Centro para Estudos de Processos Psicológicos Anómalos da Universidade de Northampton, curso de «Psychology of Exceptional Human Experiences» da Universidade de Greenwich, programa de mestrado «Holistic Science» da Faculdade de Schumacher em parceria com a Universidade de Plymouth, Departamento de Saúde e Ciências Sociais da Universidade de West of England e Unidade de Investigação de Experiências Anómalas da Universidade de York, do Reino Unido, especialização em estudos da Consciência da Universidade de Washington, Universidade de Estudos Alternativos, Instituto Americano de Parapsicologia, Departamento de Psicologia da Universidade do Arizona, Universidade Atlantic, Instituto de Estudos Integrais da Califórnia, Escola para Estudos da Consciência do Instituto de Connecticut, Instituto para Hipnoterapia e Exercícios Psico-Espirituais da Califórnia, programa de mestrado em Arte da Consciência e Estudos Transformativos da Universidade de JFK da Califórnia, Universidade de Naropa, Gabinete de Investigação Paranormal, Instituto Pacifica Graduate, Centro Rhine Education, Instituto Saybrook, programa de mestrado em Artes da Psicologia Transpessoal da Universidade de Sofia, Instituto Espiritualidade Mente Corpo da Universidade de Columbia e Divisão de Estudos Perceptuais da Universidade de Virginia, dos Estados Unidos.

A título de exemplo, a Universidade de Virginia dos Estados Unidos publiReflexões sobre o “Manifesto pela ciência pós-materialista” cou desde 1979, 88 artigos científicos sobre Experiências de Quase-Morte e, 44 desde 1960, sobre crianças que lembravam as vidas no passado. Este novo paradigma científico faz jus à triangulação evocada por Allan Kardec entre ciência, filosofia e religiosidade, espiritualidade ou simplesmente sagrado, reforçando o papel que a ciência tem para credibilizar o estudo dos fenómenos espirituais, em detrimento de falsidades criadas pelas emoções e ignorância, sustentadas por fenómenos anímicos que vulgarmente se confundem com experiências mediúnicas.

Outros campos científicos vão sendo desbravados mas sobretudo é necessário adotar uma mentalidade capaz de congregar os diferentes ramos da ciência para estabelecer ligações e pontes entre as ciências exatas e as sociais e humanas, de forma holística e multidisciplinar. Por outro lado, o Ser Humano sempre esteve ligado ao sagrado e fruto do seu processo evolutivo vai estando cada vez mais desperto para a sua dimensão interior e a sua relação com o universo, porque existe uma profunda conexão entre o espírito e o mundo físico.

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Centrais

Página 118 min

na sua nova vida, a vida espiritual. Se isto se verificar com regularidade quer neste grupo mediúnico, futuramente quer noutros grupos, o assunto levanta muitas perguntas. Uma delas é esta – por que motivo aparecem mais Espíritos de perfil masculino nestes transes mediúnicos? Uma das hipóteses explicativas que nos parece mais adequada, sem margens de certeza, é claro, verte no livro «Casos (in)comuns e números curiosos: reuniões mediúnicas de esclarecimento», publicação FEP (2018), no seu capítulo Género dos Espíritos comunicantes necessitados: existe aqui um padrão ?

Lê-se: «À partida, como hipótese de trabalho, evidencia-se, por um lado, o curso da evolução das espécies e, por outro, o condicionamento da questão cultural. Se observarmos bem, já antes dos hominídeos os papéis desempenhados entre várias espécies de mamíferos entregava aos machos vertentes funcionais como a de fornecedores de gâmetas masculinos e de defesa do grupo, entre outras. Este pormenor acentuou genericamente o comportamento e a capacidade muscular possível para proteger uma companheira grávida ou cuidadora de crias, esses seres preciosos em que viajam moléculas de ADN com o seu sonho de imortalidade.

Essa tendência tem-se mantido na enorme plasticidade evolutiva dos organismos até à nossa espécie, mais ou menos acentuadamente. As fêmeas têm por isso outra capacidade de observação, estando um considerável leque de emoções positivas ligadas ao dia a dia, assim como parecem utilizar até inconscientemente uma inteligência social mais perspicaz. Na infância, enquanto as crianças masculinas da nossa espécie exercitam brincadeiras musculares, em treino prévio para supostas funções futuras, as pequeninas interagem em consensos de microgrupo privilegiando boa gestão de informações e cooperação.

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Opinião (pág. 13)

Página 137 min

A ideia romântica das almas gémeas é um conceito popular simpático e aparentemente inofensivo. No entanto, se analisado em maior profundidade, não poderá esta ideia ser redutora e até prejudicial para uma vivência afetiva? Segundo ela, no início dos tempos, Deus separou as almas em pares. Assim, cada alma possuiria a sua metade eterna a que tem fatalmente de se unir para alcançar a felicidade. Juntas, essas metades sentir-se-ão uma só, mas separadas parece que lhes falta o essencial.

Neste contexto, cada um de nós é apenas uma parte, uma fração que precisa de outra metade para se complementar, para se sentir completo. A lógica das almas gémeas parece contribuir para a intensificação dos agrilhoados vínculos da dependência afetiva, incentivando à anulação das caraterísticas próprias para um ajuste irresistível a uma outra parte. Este foi um processo de despersonalização que condicionou de forma muito significativa as mulheres ao longo da história, que se viam na exigência de se conformarem ao papel que lhes era cultuAlmas Gémeas ralmente atribuído, bem como à vontade dos seus maridos.

O ser humano nasce dependente. Até ao fim da infância, ele depende da dedicação dos seus pais para sobreviver e ser feliz. Nas fases seguintes do seu crescimento, essa dependência deveria ser eliminada gradualmente, ensaiando o indivíduo o exercício da sua autonomia, responsabilidade e liberdade. Mas muitas vezes isso não acontece. Por vezes, são os próprios pais que fomentam essa dependência, outras vezes é o próprio indivíduo que não consegue largar o conforto que essa dependência lhe proporciona.

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Crónica

Página 156 min

Luís Portela é natural do Porto, onde se licenciou em medicina, tendo aos 27 anos assumido a direção desta empresa. No entanto, sempre se interessou pelo estudo de fenómenos ditos paranormais, tendo publicado vários livros sobre o tema: “Ser Espiritual – Da Evidência à Ciência”, “Para Além da Evolução Tecnológica”, “À Janela da Vida”, “Esvoaçando” e “Serenamente”. Em sintonia com esse interesse, criou em 1994 a Fundação Bial, com a missão de incentivar o estudo científico* do ser humano, tanto do ponto de vista físico como espiritual: desde então, a fundação já apoiou 1 351 investigadores vindos de 25 países.

É sobre esta relação entre o mundo físico e o mundo espiritual que se debruça este livro, lançado em maio de 2018 e que vai já na 2.ª edição. Tal como o título indica e é referido na sua introdução, neste livro o autor pretende “fazer um ponto de situação da evolução científica em algumas áreas normalmente incluídas na fenomenologia parapsicológica.” Assim, Luís Portela começa por fazer uma reflexão sobre quem somos e qual o nosso papel no universo, fazendo referências à evolução espiritual e ao caminho que cada um de nós tem de percorrer.

De seguida, aborda áreas mais específicas que têm sido estudadas por cientistas de vários cantos do mundo, começando por falar da força do pensamento e de experiências de quase-morte, referindo também as mais recentes novidades sobre técnicas de regressão e progressão, sobre transcomunicação instrumental e até sobre mediunidade. Para além de explicar estes fenómenos de forma sucinta, o autor apresenta estudos e investigações fidedignas de forma compreensível e descomplicada.

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Cinema / Literatura

Página 179 min

CINEMA / LITERATURA Inside Out Riley é uma menina de 11 anos que, contrariada, tem de abandonar a sua vida no Minnesota para ir morar para São Francisco com os pais. Mas Riley não é bem a protagonista desta história. Os protagonistas desta deliciosa aventura são as suas emoções primárias: a Alegria, a Tristeza, o Medo, a Raiva e a Aversão. É através delas que vamos fazer uma inacreditável viagem à mente de Riley, às suas contradições, conflitos e ilusões enquanto ela precisa de lidar com à ideia de viver numa outra cidade, longe dos seus amigos, da sua equipa de hóquei e fingindo que está contente com esta mudança.

Ao longo desta enriquecedora experiência, Riley vai ter de aprender que as emoções são muito mais complexas do que aparentam e que, por vezes, algumas emoções mais sombrias têm um papel importante na harmonia e no seu equilíbrio a curto prazo. “Inside Out” é um filme dos estúdios da Pixar que arrecadou o Óscar de Melhor Filme de Animação em 2015. A representação gráfica das emoções é muito criativa e convida à gargalhada, provocando-nos também a reflexão sobre a natureza das nossas emoções, na forma como elas influenciam o que somos, o que fazemos e a relação que mantemos com elas.

Podemos escolher as nossas emoções? Teremos controlo sobre elas? Um redondo “Não!” parece a resposta mais evidente para estas perguntas à medida que nos lembramos de como as emoções surgem em resposta a acontecimentos no nosso dia-a-dia e o dominam às vezes de forma irredutível. Mas se excetuarmos os casos patológicos e as situações extremas, qualquer um de nós é capaz de estabelecer uma linha vermelha para o alcance das suas emoções impedindo que elas dominem totalmente as reações e comportamentos.

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Sustentável

Página 196 min

Sabia que no Porto há uma Casa Comum da Humanidade? Em 2016, foi assinado entre a Câmara Municipal do Porto e associação Zero o protocolo de estabelecimento deste projeto na cidade invicta. Dinamizada por aquela associação ambientalista, este projeto ecológico procura congregar vários parceiros internacionais para que tenha um alcance global. Cientistas de todo o mundo e de todas as áreas, pensadores e investigadores, terão nesta organização um suporte de referência e reflexão para os ajudarem a encontrar outros modelos de organização e uso sustentado do sistema terrestre.

Vivemos num mundo globalizado, em que o bater de asas de uma borboleta em Pequim pode provocar uma tempestade em Lisboa, mas continuamos a ver o nosso planeta dividido por nacionalismos, radicalismos e dominado pelo oportunismo dos interesses imediatos. Quem tem o dever e a responsabilidade para agir? Num mundo capitalista dominado por guerras económicas e competidores ferozes, porque é que um país deveria tomar medidas para proteger e melhorar o ambiente global do planeta se um país seu concorrente não o faz, sabendo que as consequências do desgaste que esse outro país provoca também o afeta?

Como afirma o professor Paulo Magalhães, “no que diz respeito ao ambiente, o que é meu e o que é teu só tem sentido no futuro se conseguirmos proteger o que é nosso”. É desta dificuldade que surgiu uma proposta científica e legal muito peculiar com base na ideia da Terra como um condomínio em que existem áreas próprias e áreas comuns e onde a preservação dessas áreas comuns deveria ser uma responsabilidade de todos para benefício de todos.

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