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Crónica

Jornal de Espiritismo nº 90 · Setembro 2018Página 156 min

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Luís Portela é natural do Porto, onde se licenciou em medicina, tendo aos 27 anos assumido a direção desta empresa. No entanto, sempre se interessou pelo estudo de fenómenos ditos paranormais, tendo publicado vários livros sobre o tema: “Ser Espiritual – Da Evidência à Ciência”, “Para Além da Evolução Tecnológica”, “À Janela da Vida”, “Esvoaçando” e “Serenamente”. Em sintonia com esse interesse, criou em 1994 a Fundação Bial, com a missão de incentivar o estudo científico* do ser humano, tanto do ponto de vista físico como espiritual: desde então, a fundação já apoiou 1 351 investigadores vindos de 25 países.

É sobre esta relação entre o mundo físico e o mundo espiritual que se debruça este livro, lançado em maio de 2018 e que vai já na 2.ª edição. Tal como o título indica e é referido na sua introdução, neste livro o autor pretende “fazer um ponto de situação da evolução científica em algumas áreas normalmente incluídas na fenomenologia parapsicológica.” Assim, Luís Portela começa por fazer uma reflexão sobre quem somos e qual o nosso papel no universo, fazendo referências à evolução espiritual e ao caminho que cada um de nós tem de percorrer.

De seguida, aborda áreas mais específicas que têm sido estudadas por cientistas de vários cantos do mundo, começando por falar da força do pensamento e de experiências de quase-morte, referindo também as mais recentes novidades sobre técnicas de regressão e progressão, sobre transcomunicação instrumental e até sobre mediunidade. Para além de explicar estes fenómenos de forma sucinta, o autor apresenta estudos e investigações fidedignas de forma compreensível e descomplicada.

Os últimos capítulos são reservados para algumas linhas orientadoras para uma vida plena e feliz e para a discussão de conceitos como a felicidade, a verdade, o amor e a responsabilidade. O interesse deste livro não se resume aos 24 capítulos: estende-se à bibliografia, recheada de livros e artigos de investigação dignos de leitura e reflexão. Enquanto espíritas, este livro é particularmente interessante porque ao longo de todos os capítulos somos confrontados com temas também abordados pela doutrina espírita, sendo notórias as influências de outras filosofias e doutrinas, como o budismo.

É interessante reparar que Luís Portela é defensor das ideias de Allan Kardec: a defesa de um estudo sério e isento dos fenómenos parapsicológicos e dos espíritos para que possamos melhorar enquanto seres espirituais nesta vida terrena. E salienta esta ideia várias vezes, reforçando a necessidade dos cientistas se libertarem de preconceitos e procurarem “a verdade pela verdade”. Apesar de ser um livro escrito por um cienDa ciência ao amor – pelo esclarecimento espiritual foto direitos reservados É este o nome do livro mais recente de Luís Portela, “chairman” da farmacêutica Bial e espiritualista.

tista, não se trata de um livro só para cientistas: a escrita agradável e sem artifícios desnecessários permite a qualquer pessoa desfrutar e compreender toda a obra. Concluindo, “Da ciência ao amor – pelo esclarecimento espiritual” é sem dúvida uma ótima escolha para quem ainda não decidiu o livro que lhe fará companhia neste final de verão. Por Joana Santos * Neste sitehttp://fbial.docbasecloud. net/archivesearch.aspxpoderá consultar o produto das investigações feitas pelos cientistas apoiados pela Fundação Bial.

Uma fonte de informaçãoanão perder! Apesar de ser um livro escrito por um cientista, não se trata de um livro só para cientistas: a escrita agradável e sem artifícios desnecessários permite a qualquer pessoa desfrutar e compreender toda a obra. SETEMBRO.OUTUBRO.2018 16 . JORN AL DE ESPIRITISMO OPINIÃO Ela posiciona-se, antes de mais nada, como uma filosofia, tendo como objetivo a reflexãoea análise sobre a vida e suas implicações.

Semelhante às ciências que procuram estudar as leis que regem a matéria, o Espiritismo busca estudar as leis naturais do mundo espiritual que afetam o homem, as suas relações e o seu bem- estar. O conhecimento espírita desenvolve uma ética própria que provoca ou induz a uma reflexão sobre a moral (conjunto de regras sobre o que é certo ou errado, bom ou mau). Não faz nenhum sentido que os seguidores do Espiritismo não conheçam bem os seus princípios e conceitos, que não tenham lido e estudado pelo menos as obras de Allan Kardec, entre as milhares existentes.

Não se trata de exigir dos espíritas conhecimentos de tudo em detalhe, mas o conhecimento dos pontos principais. Naturalmente leva- se tempo para se conhecer e entender os fundamentos da doutrina. Os cinco livros de Kardec, mais Obras póstumas, totalizam cerca de 2500 páginas. Fazendo-se uma estimativa, seriam necessárias 200 horas para se ler a coleção, levando-se em conta o gasto de quatro minutos por página. Penso que com um prazo mínimo de um ano seria possível estudar os seis livros, investindo-se uma hora por dia útil, ficando o estudo mais confortável se forem utilizados também os fins-de-semana e feriados, podendo- se incluir outros livros ou um curso de Espiritismo, que geralmente dura de dois a quatro anos.

Pensando nisso, pesquisei há dez anos os conhecimentos doutrinários dos frequentadores de um centro espírita. Utilizei a técnica “Focus Group” para pesquisa qualitativa, reunindo por vez de quatro a seis pessoas para conversar sobre Espiritismo, todas com mais de quatro anos como espíritas. Dessa experiência destacaram-se alguns aspetos que demonstraram desconhecimento de pontos importantes da doutrina como: 1. Tratar Jesus como Deus; 2.

Perceber Jesus como espírito que teve uma evolução sem erros; 3. Entender a Bíblia como a verdade; 4. Considerar que Deus decide sobre as mínimas coisas da vida de cada pessoa; 5. Considerar os obsessores como espíritos inferiores ou maus; 6. Desconhecer que a oração deve ser espontânea e não decorada; 7. Entender que o obsidiado não tem responsabilidade sobre a sua situação; 8. Confundir a lei de causa e efeito com a lei de talião; 9.

Entender Deus com sentimentos do ser humano, que perdoa, tem misericórdia, compaixão; 10. Considerar que ser espírita e praticar a caridade é condição para a pessoa ser ‘salva’; 11. Julgar que “a felicidade não é deste mundo” e só estará acessível aos espíritos superiores; 12. Acreditar que cada espírito possui uma ‘alma gémea’; 13. Supor que o médium de psicofonia ‘incorpora’ o espírito comunicador, isto é, o espírito entra no corpo do médium; 14.

Crer que espíritos bons só falam a verdade e não se equivocam ou podem interpretar algo mal. Essa situação de desconhecimento ou de conhecimento equivocado deve ter muitas causas. A primeira é a automotivação, a responsabilidade de cada pessoa cultivar e despertar. Ter curiosidade intelectual, querer foto pixabay Conhecer o que crê, saber por que crê Grande parte das religiões tradicionais está alicerçada em dogmas que não devem ser analisados ou discutidos, mas obedecidos, uma vez que representam a verdade de Deus, o que não se aplica à doutrina espírita.

saber os porquês da vida. A segunda é a qualidade da comunicação do Espiritismo. Os comunicadores espíritas, as federativas e os centros têm responsabilidade nessa baixa compreensão da doutrina espírita. Que Espiritismo estamos a divulgar? Relaciono alguns tipos de comunicação incorreta que tenho observado: Espiritismo pessoal – aquele que destaca mais as opiniões do expositor, dirigente ou do mentor da casa; Espiritismo alarmista – que enaltece o poder das trevas e a inferioridade moral dos espíritas; Espiritismo místico – privilegiando a devoção, a contemplação, o sobrenatural; Espiritismo superficial e dogmático – que evidencia ideias e raciocínios pela autoridade dos autores e não pelas explicações doutrinárias corretas; Espiritismo deslumbrado – que insiste em dar explicações simplistas para todos os casos e situações; Espiritismo excessivamente religioso – que usa linguagem piegas, não prioriza o estudo sério e preocupa-se mais com o assistencialismo e o enaltecimento de Jesus.

Os cinco livros de Kardec, mais Obras póstumas, totalizam cerca de 2500 páginas. Fazendo-se uma estimativa, seriam necessárias 200 horas para se ler a coleção, levando-se em conta o gasto de quatro minutos por página. Todos os espíritas podem e devem colaborar para melhorar essa situação. A interpretação equivocada da doutrina é um risco para a sua evolução. É preciso pesquisar o nível de compreensão dos alunos e frequentadores, conversar com os dirigentes do centro, mudar e melhorar os cursos, instituir o estudo contínuo, trabalhos em grupo, produção de conteúdo e melhorar a forma como comunicamos o conhecimento espírita.

Por Ivan Franzolim * (In «Correio Fraterno» de maio/junho – 2014). * Escritor e comunicador espírita, fundador da ADE-SP – Associação de Divulgadores do Espiritismo de São Paulo. SETEMBRO.OUTUBRO.