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Jornal de Espiritismo nº 90 · Setembro 2018Página 38 min
Vestir a camisola Sobre o espiritismo ser ou não religião já se gastou tinta quanto baste ao longo de muitos anos. Por isso, permita-nos pedir - -lhe que leia na «Revue Spirite» , publicação periódica dirigida por Allan Kardec, o discurso do dia de finados de 1868. Encontra até gratuitamente na internet. Ali ele explica em que sentido o espiritismo pode ser considerado uma doutrina com um aspeto de religiosidade e por que não pode ser considerado religião.
Posto isso, é uma questão de mera lógica. As religiões tradicionais têm numerosos pontos de abordagem da vida que são muito diferentes do espiritismo. Normalmente a prática do bem, por exemplo, é vista como um meio de atingir um suposto céu; no espiritismo a prática do bem só faz sentido como um fim em si, e não para receber algo a posteriori. As religiões supõem a existência do sobrenatural e este na filosofia espírita não existe taxativamente, já que tudo o que se observa, de facto, enquanto fenómeno pode ser explicado racionalmente, sem qualquer derrogação das leis da natureza, a partir do momento em que haja pesquisa que revele as leis naturais que regem o seu funcionamento.
Se analisarmos alguns dos elementos essenciais das religiões verificamos também que o espiritismo não os possui. Por exemplo, as religiões têm sacerdotes, o espiritismo não tem nem padres nem qualquer hierarquia. As religiões fazem casamentos, baptizados, etc., por sua vez o espiritismo não possui práticas dessas. Elas sustentam constantemente rituais, o espiritismo na verdade não os possui. Estamos a entrar na Era do Espírito devagarinho em que tudo vale pelo que é e não pelo que representa.
No fundo, enquanto as religiões assentam num certo culto prestado à divindade, que o espiritismo não tem, esta nova doutrina apela ao desenvolvimento da natureza espiritual do ser humano, já que todos somos Espíritos temporariamente em corpos materiais e não corpos materiais que possuem alma. Fique certo, porém, que na verdade ninguém será melhor pessoa por dizer que o espiritismo é religião ou não, uma vez que são as atitudes nos testes do dia a dia que nos permitem avaliar a nossa própria (i)maturidade espiritual e zelar para que a caridade, tal como a entendia Jesus de Nazaré, se espelhe mais vezes na nossa vida.
A distinção, contudo, sobre que pede o nosso ponto de vista, deve ser observada se queremos falar em bom português. Vestir a camisola Indaga também G.: «Qual a diferença entre uma pessoa que se assume espírita e outra que se dedica ao estudo das obras de Allan Kardecpor que vestir a camisola?». Bem, espírita é todo aquele que estuda a doutrina, se reconhece pela sua transformação moral e se esforça por dominar as suas más inclinações, conforme Kardec refere em «O Evangelho Segundo o Espiritismo», no capítulo XVII, Sede Perfeitos.
Pode acontecer que alguém estude Kardec para saber o que ele defendia, sem empreender a referida transformação moral já citada. A nosso ver, a camisola que importa vestir, na verdade, é a de uma conduta esclarecida, fraterna, interiormente iluminativa dentro dos ensinamentos que Jesus de Nazaré nos deixa como um roteiro de esforço próprio para harmonizarmos a conduta pessoal com as leis naturais que regem a natureza humana.
As etiquetas – espírita, ateu, etc. – não passam de autocolantes temporários que não nos tornam só por si melhores pessoas. Importa não confundir efeito e causa. A nosso ver, a camisola que importa vestir, na verdade, é a de uma conduta esclarecida, fraterna, interiormente iluminativa dentro dos ensinamentos que Jesus de Nazaré nos deixa como um roteiro de esforço próprio para harmonizarmos a conduta pessoal com as leis naturais que regem a natureza humana.
As vidas sucessivas ensinam também que mais importante do que “tribalizarmo - -nos” com a referida “etiqueta” é refletir na nossa vida pessoal pensamentos e atitudes que sejam no seu somatório mais felizes para nós próprios e para todas as outras pessoas. Outra linhagem Diz por fim: «Existe outra linhagem da doutrina espírita?». No espiritismo não há linhagens. Supomos que com essa palavra fala de eventuais subdivisões filosóficas dentro da doutrina espírita.
Repare que espiritismo é um neologismo, uma palavra nova criada por Allan Kardec. Ele fez isso porque não havia nenhum sistema doutrinário idêntico ou parecido até então e, para prevenir confusões oriundas de pessoas que não aprofundam assuntos e depressa emitem opinião, tratou de separar as águas. Fez muito bem. Há outros espiritualismos, mas com a identidade inconfundível do espiritismo só há um, aquele que foi codificado por Kardec.
Outro assunto é alguém por ignorância ou leviandade usurpar-lhe o nome decerto para atrair prestígio que de outra forma não obteria. Há muitas pessoas mal informadas que não tratam de aprender a distinguir o trigo do joio e por vezes até propagam essa confusão. Porém, nunca aconteceu tanto quanto ocorre hoje em dia a disseminação de informações que permitem a qualquer pessoa ler em fonte correta e, assim, não assimilar informações despropositadas.
foto pixabay Colocam-nos três perguntas subscritas por G.: 1. O espiritismo é uma religião? 2. Qual a diferença entre uma pessoa que se assume espírita e outra que se dedica ao estudo das obas de Allan Kardecpor que vestir a camisola? 3. Existe outra linhagem da doutrina espírita? SETEMBRO.OUTUBRO.2018 04 . JOR N AL DE ESPIRITISMO FEP foto loucomotiv Educar + 4 O seu/sua filho(a) gosta de ler? Sabe quais são as preferências da sua criança ou jovem?
Ler bons livros, histórias de vida, cativa e estimula a leitura. Aprende-se e educa-se. O livro é uma ferramenta de excelência que em muito ajuda os educadores a educarem aqueles que estão ao seu cuidado. As coleções “Espiritismo para crianças” para 6 anos, para os 7-8 anos ou 9+ anos, bem como a coleção “Estudando o Espiritismo” para 12+ anos revelam, os pilares do Amor incondicional, auxiliando a criança/jovem a absorver e a transportar para as suas vidas, esses ensinamentos.
O melhor ainda, pais, é dedicarmos um tempinho para comentarmos essas histórias com os filhos. Dar do nosso tempo é um grande tesouro no processo de educar. Permite o diálogo, que nos olhemos nos olhos, que sintamos um ao outro e, mais ainda, que compreendamos o ponto de vista das nossas crianças/jovens. Conhecermo-nos mais, é importante. Isto só acontece se nos relacionarmos com alma: + Alma… Sim, as perguntas rotineiras que fazemos em piloto automático, como “já tomaste banho?
” ou “a que horas é o teste?”, informam-nos sobre as ações ou mesmo as necessidades deles. Mas é preciso mais. Aprofundar mais; Escutar mais; Sentir mais: + presença! No livro nº3 da coleção Estudando o Espiritismo 12 +anos “A Chave” que desenvolve o tema CORPO há uma passagem em que o jovem Dario se defronta com alguns colegas que o incitam ao álcool e ao tabaco. “(…)Sempre que o incitavam a experimentar o cigarro eoálcool, Dario jamais se deixava levar.
Ao contrário, tentava elucidar os colegas sobre os perigos reais que esses vícios envolviam. - Perigos reais? – Indagavam os colegas. – Ora, nós só vamos experimentar um pouco. Achas que o teu castelo vai desmoronar-se, com um gole de cerveja? Ou um shot! - Ou uma passa? – Reagia outro colega. Estas respostas deixavam Dario pensativo. Apercebia-se da ignorância dos amigos em relação ao compromisso com a vida e, sempre que eles questionavam o porquê da sua atitude tão “fora” ele fazia - -os pensar sobre os cuidados que devemos ter com o nosso corpo físico e a importância da nossa estadia na Terra.
- Estadia? O que é… estamos de viagem? – Perguntou uma vez o Trincas no gozo. - Estamos, mas acho que vocês não querem saber. Não vou perder tempo! – Respondeu Dario muito sério, afastando-se do grupo. A esta reação de Dario, Trincas apelou para que ele voltasse: - Calma, meu…só estava a brincar!!! Viagem? Aí na tasca também podemos viajar… Só isso!” Lendo esta passagem conseguimos identificar este quadro no nosso mundo diário.
Adolescentes a experimentar novas sensações, e o pior, a seguir os passos dos mais velhos. Álcool e tabaco são quase vistos como normal! Eis a sinopse deste livro que aconselhamos vivamente aos vossos filhos (12 anos e mais) “Dario era franzino e sensível. Diferente dos outros meninos da sua idade, era muito calmo e não gostava de andar à bulha com os colegas. Sentia-se mal perante as discussões, sobretudo as que eram provocadas pelo excesso do álcool.
Tentava acalmar o pai quando este chegava a casa bêbado querendo bater na mãe… Apesar das suas fraquezas físicas, foi um jovem extraordinário que conseguiu pelo seu exemplo e persistência no bem orientar os seus amigos que se entregavam a uma vida excêntrica, onde o álcool e as drogas eram o prato diário. Sendo médium ostensivo, procurou ajuda no centro espírita onde encontrou o estudo que lhe permitiu conhecer-se melhor e compreender a nossa constituição de seres encarnados na Terra.
O corpo esse templo maravilhoso onde o Espírito habita temporariamente, e que não deve ser negligenciado para que não aconteça o suicídio indireto, caminho para as malhas da dor. O perispírito, a chave para muitas respostas acerca de nós mesmos… e o Espírito que somos, inteligência em experiência e crescimento na Terra. Uma história atual capaz de prevenir certos comportamentos lesivos que entram em moda no seio dos jovens.
” No livro nº3 da coleção Estudando o Espiritismo 12 +anos “A Chave” que desenvolve o tema CORPO há uma passagem em que o jovem Dario se defronta com alguns colegas que o incitam ao álcool e ao tabaco. Certamente, sonhamos com melhores dias para os nossos miúdos. E, de facto, o conhecimento ajuda-nos a sermos melhores pais. Temos a ideia de como realizar a nossa reforma íntima e sermos bons exemplos. Porém, nem tudo corre sobre rodas, é certo.
Educar de uma forma positiva com firmeza e amor é a melhor alternativa. Em 18 de novembro, na sede da Federação Espírita Portuguesa, teremos como convidada, no Encontro Nacional de Educadores Espíritas a palestrante Magda Gomes Dias, fundadora da Escola da Parentalidade e Educação Positivas que irá abordar este tema tão atual e necessário para as nossas famílias e educadores. Contaremos também com a nossa querida Miriam Dusi, da Federação Espírita Brasileira que já nos brindou, no passado ano, com seus conhecimentos e experiência nesta área da Educação.
Como Educadores, todos nós estamos convidados! SETEMBRO.OUTUBRO.
