Editorial / Conto
Jornal de Espiritismo nº 92 · Janeiro 2019Página 24 min
EDITORIAL / CONTO Imagine que o tempo é a tinta luminosa com que escreve os seus dias. Pondere a possibilidade destes espaços sucessivos em que espraia o seu comportamento mental se esfiarem em múltiplas possibilidades de se superar além dos hábitos, sabendo que estes visam sobretudo economizar esforço, a fim de poder dar uma resposta eficaz aos desafios que nos surpreendem no quotidiano. Agora, considere o facto de muita gente acreditar até certo ponto que um dia o calendário vai parar com a morte do corpo físico.
Some a isso a disciplina das leis da natureza. Repare que estas não querem saber se as levamos a sério, se as conhecemos, se as temos em conta. Estas forças naturais marcham como um relógio suíço, fazem a colheita em tempo certo e qualquer um de nós embarca no seu ritmo, ciente disso ou desconcertadamente surpreendido. Numa estimativa realizada há um par de anos e publicada no poster de análise de dados «Reuniões mediúnicas: uma análise estatística», de 2017, disponível no site da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) – bem como no livro publicado pela FEP, Lisboa, o ano passado, «Casos (in)comuns e números curiosos» – numa amostra de 221 casos atendidos em reunião mediúnica 69% destas pessoas desencarnadas (Espíritos) ainda em estado de perturbação na vida espiritual estavam completamente inconscientes quanto ao facto de já se encontrarem há alguns anos no Plano Espiritual.
É certo que este universo de análise está caracterizado pelos critérios de otimização de recursos que a vasta equipa de Espíritos desencarnados esclarecidos que coordena a dita reunião a partir do Invisível estabelece, com o seu bom senso, e não a todas as pessoas que desencarnam, que partem para a vida espiritual, já que é de supor que uma minoria da população terrena animará suficiente amor no seu íntimo no dia a dia para ter condições orgânico-espirituais capazes de lhe dar a ver quem aparece a oferecer as boas-vindas ao chegar à vida espiritual.
Importa sublinhar que os casos mais dolorosos – embora nalguns haja apenas amorfismo, nem dor nem prazer – são os de suicidas, de reabilitação particularmente mais difícil. O melhor de tudo é que, por mais demorada seja a referida confusão, esta não vai durar para sempre. Existe uma lei de progresso espiritual na natureza, a que ninguém consegue resistir eternamente. Quando todas as estações estiverem completas Numa amostra de 221 casos atendidos em reunião mediúnica 69% destas pessoas desencarnadas (Espíritos) ainda em estado de perturbação na vida espiritual estavam completamente inconscientes quanto ao facto de já se encontrarem há alguns anos no Plano Espiritual.
Sabedoria e amor são as coordenadas que de modo experimental cada um vai desenvolvendo num tempo subjetivo, que pode parecer por vezes assaz longo, mas que, se comparado com o tempo geológico, o tempo de milhões de anos da evolução na Terra, é bem mais rápido do que pensamos. Neste novo ano, é bom animar a vontade e gizar os meios de trazer mais amor ao dia a dia, algo que não depende tanto assim de outrem mas sobretudo de cada um.
Jesus de Nazaré sintetizou: o maior mandamento, em que se resume «toda a lei e os profetas», passa por amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si próprio. Vai ser inevitável, mas é preferível começar mais cedo e continuar. Votos de boa leitura e de um ótimo ano. foto pixabay Um homem tinha quatro filhos e queria que aprendessem a não julgar a vida, as pessoas e as coisas de um modo apressado. Por isso, mandou que cada um viajasse para observar uma pereira, que estava plantada num local distante.
O primeiro filho foi no inverno, o segundo na primavera, o terceiro no verãoeo quarto e mais jovem, no outono. Quando voltaram, o pai reuniu-os e pediu que cada um descrevesse o que tinha visto. O primeiro filho disse que a árvore era feia, torta e retorcida. O segundo discordou: disse que a pereira estava coberta de flores, que tinham um odor tão doce e eram tão bonitas, que ele arriscaria dizer que era a coisa mais graciosa que tinha visto.
O terceiro disse que a árvore se cobria de botões verdes e prometia uma boa produção. Por fim, o último filho não concordou e afirmou que a árvore estava carregada e arqueada, cheia de fruta. O pai explicou, então, que todos estavam certos, porque cada um tinha visto apenas uma estação da vida da árvore. Explicou que não se pode julgar uma árvore, ou uma pessoa, ou qualquer coisa por apenas uma estação. Disse que a essência de uma pessoa, e o prazer, a alegria e o amor que vêm daquela vida podem apenas ser medidos no final, quando todas as estações estiverem completas.
Se desistirmos quando for inverno, perderemos a promessa da primavera, a beleza do verãoea expectativa do outono. Podemos estar vivendo um inverno intenso neste instante. Parece não haver previsão de término. Por vivê-lo por tão longo tempo, quem sabe tenhamos esquecido de como é uma outra estação diferente dessa. Importante, no entanto, é lembrar que se trata apenas de uma estação. Não vale julgar a vida ou a nós próprios apenas por essa fase mais gelafoto pixabay da e difícil.
Na verdade, o inverno faz-nos mais fortes, mais resistentes. A estação do frio é convite ao recolhimento e à reflexão. A primavera parece distante ou mesmo improvável, mas ela é lei da natureza. Virá de qualquer forma. Por isso, não desista de si, não desista de prosseguir, olhando apenas a chuva fria e o dia cinza. Estamos a ver apenas a parte e não o todo. Saibamos viver as estações com maturidade, extraindo de cada uma o seu valor, as suas lições e a sua beleza.
(Adaptação de texto em circulação da internet) JANEIRO.FEVEREIRO.
