Voltar à edição
Capa da edição nº 92 do Jornal de Espiritismo

92Jornal de Espiritismo nº 92

Janeiro 2019 · 20 secções · ≈ 77 min de leitura

A edição 92 do Jornal de Espiritismo aborda a Medicina e Espiritualidade, com destaque para o VI Seminário do Porto sobre 'Pensamento, Consciência e Espiritualidade'. O editorial mergulha na percepção do tempo e na inconsciência de muitos espíritos após a morte física, sublinhando a lei do progresso espiritual. A seção de Correio elucida sobre a mediunidade, its non-pathological nature and the role of multidisciplinary teams. Um conto sobre as estações da vida remete à paciência e à esperança. Há ainda uma notícia sobre o Encontro Nacional de Educadores da Federação Espírita Portuguesa.

Espiritismo
Mediunidade
Vida após a morte
Medicina e Espiritualidade
Educação espírita

Capa

Página 11 min

JANEIRO.FEVEREIRO.2019 92 ANOXV JDE JANEIRO . FEVEREIRO . 2 0 1 9 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 A Associação Médico-Espírita do Norte de Portugal levou a cabo, no fim de semana de 27 e 28 de outubro, o VI Seminário de Medicina e Espiritualidade, na cidade do Porto, em Portugal, tendo como tema-base “Pensamento, Consciência e Espiritualidade”.

Pág. 10 4 FEDERAÇÃO ENCONTRO NACIONAL DE EDUCADORES Cerca de 60 pessoas falaram de educação e de positividade. capa ulisses.com Porto: Seminário sobre Medicina e Espiritualidade 14 OPINIÃO ESPIRITISMO OU ESPIRITISMOS? Léon Denis referia que o Espiritismo seria aquilo que os espíritas dele fizessem. 7 ENTREVISTA JOANNA DE ÂNGELIS JUNGUIANA Gelson Luís Roberto, psicólogo, dá dicas interessantes. 15 OPINIÃO PIERRE LEROUX: A TRADIÇÃO DA VIDA FUTURA Em 1869 a «Revista Espírita» refere o último trabalho deixado por Allan Kardec...

Ouvir artigo

Editorial / Conto

Página 24 min

EDITORIAL / CONTO Imagine que o tempo é a tinta luminosa com que escreve os seus dias. Pondere a possibilidade destes espaços sucessivos em que espraia o seu comportamento mental se esfiarem em múltiplas possibilidades de se superar além dos hábitos, sabendo que estes visam sobretudo economizar esforço, a fim de poder dar uma resposta eficaz aos desafios que nos surpreendem no quotidiano. Agora, considere o facto de muita gente acreditar até certo ponto que um dia o calendário vai parar com a morte do corpo físico.

Some a isso a disciplina das leis da natureza. Repare que estas não querem saber se as levamos a sério, se as conhecemos, se as temos em conta. Estas forças naturais marcham como um relógio suíço, fazem a colheita em tempo certo e qualquer um de nós embarca no seu ritmo, ciente disso ou desconcertadamente surpreendido. Numa estimativa realizada há um par de anos e publicada no poster de análise de dados «Reuniões mediúnicas: uma análise estatística», de 2017, disponível no site da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) – bem como no livro publicado pela FEP, Lisboa, o ano passado, «Casos (in)comuns e números curiosos» – numa amostra de 221 casos atendidos em reunião mediúnica 69% destas pessoas desencarnadas (Espíritos) ainda em estado de perturbação na vida espiritual estavam completamente inconscientes quanto ao facto de já se encontrarem há alguns anos no Plano Espiritual.

É certo que este universo de análise está caracterizado pelos critérios de otimização de recursos que a vasta equipa de Espíritos desencarnados esclarecidos que coordena a dita reunião a partir do Invisível estabelece, com o seu bom senso, e não a todas as pessoas que desencarnam, que partem para a vida espiritual, já que é de supor que uma minoria da população terrena animará suficiente amor no seu íntimo no dia a dia para ter condições orgânico-espirituais capazes de lhe dar a ver quem aparece a oferecer as boas-vindas ao chegar à vida espiritual.

Ouvir artigoContinuar a ler “Editorial / Conto” →

Correio

Página 33 min

Medicina tradicional e mediunidade Resposta – É simples: a mediunidade não é uma doença, logo, ela não necessita, regra geral, de cuidado médico com vista a poder ser tratada. Além disso, é uma faculdade que se pode equilibrar, educar, para que, quem a sinta descompensada em alguma fase da sua vida, possa vir a ter um quotidiano perfeitamente normal. Acresce dizer que a faculdade mediúnica é estudada de forma singular pela doutrina espírita (ou espiritismo) e, em princípio, não carece de cuidado médico se a pessoa com essa sensibilidade estiver bem de saúde do ponto de vista orgânico e psicológico.

Os conhecimentos espíritas, por outras palavras, revelam-se experimentalmente essenciais para a pessoa com sensibilidade mediúnica vir a equilibrá-la sem os lapsos e desequilíbrios que lhe poderiam ser inerentes por mera ignorância de cuidados que não compreendam as linhas de força do fenómeno. Porém, os médicos, psicólogos e outros técnicos, em equipas multidisciplinares, podem contribuir sobremaneira para diversos avanços no conhecimento, como por exemplo a caracterização fisiológica do transe mediúnico, o que se reveste de elevado interesse na ideia de se conhecer melhor a caracterização do fenómeno no organismo material.

É também verdade que não temos conhecimentos sobre medicina oriental. Não nos parece ser um problema nuclear, pois verificamos que as ciências médicas europeias evidenciam uma progressão notável nas últimas décadas com base em resultados práticos com base científica – não sendo perfeita, como é natural, a medicina convencional contribui sobremaneira para o bem-estar da população, com as vantagens inegáveis oferecidas pelo Serviço Nacional de Saúde.

Ouvir artigoContinuar a ler “Correio” →

FEP foto arquivo Encontro Nacional de Educadores Aos 18 dias do mês de

Página 43 min

novembro decorreu mais um Encontro Nacional de Educadores. Na sede da Federação Espírita Portuguesa reuniram-se cerca de 60 pessoas a quem, nem a chuva em domingo bem molhado, conseguiu desmotivar. É gratificante sentir a união dos corações que, de todo o país, se deslocaram para partilhar as experiências, em ambiente fraterno. Falou-se de educação, de positividade, de transparência… de Educar da cabeça para o coração, com as mãos, com a alma!

Recordou-se que a educação é fazer homens de Bem, é a arte de formar os caracteres, esse processo belíssimo de transformação... que começa pelo desafio da própria educação do educador, sejam pais ou professores, em conjunto com aqueles que se cruzam ao longo da viagem da vida, crianças, jovens ou, até mesmo, os mais velhos. A apresentação dos cinco pilares e das três ferramentas em que assenta a Escola da Parentalidade e Educação Positivas de Magda Gomes Dias, trouxe a todos, elementos extraordinários que encaminham, a quem a pratica, para uma educação mais assertiva, onde a honestidade, a transparência e o bom exemplo, obrigatoriamente, partem dos próprios adultos.

Com muita clareza, a exposição de Magda Gomes Dias, mostrou caminhos muito concretos para se conseguir sair da zona de conforto, criada pelos hábitos educativos antigos, onde o autoritarismo e o preconceito se confrontam com a falsa ideia de que educação positiva é uma educação permissiva. Ledo engano que o medo da mudançaeo orgulho alimentamalgo a ser banido em prol de uma educação com ética, seja no âmbito da família, seja em instituições escolares e outras, para a construção do mundo de regeneração que se avizinha.

Ouvir artigoContinuar a ler “FEP foto arquivo Encontro Nacional de Educadores Aos 18 dias do mês de” →

Consultório

Página 56 min

Nesse contexto, foi entendida como uma moléstia do útero que se inquietava da direita para a esquerda e daí para o cérebro, sendo portanto uma doença de senhoras. O termo medicina psicossomática começou a ser utilizado nas primeiras décadas do século XX e o ano de 1939 pode ser considerado como um marco, dando o início às discussões que resultaram na Fundação da “American Psychosomatic Society” em1942. A psicossomática evoluiu das investigações psicanalíticas, da origem Inconsciente das doenças, dos mecanismos de defesa do Ego, e dos estudos sobre a Histeria de Jean Martin Charcot (1825-1893) e Josef Breuer (1842- 1925), contemporâneos de Freud.

Sigmund Freud, na “Teoria Topográfica da Mente”, definiu o aparelho psíquico em três instâncias psíquicas: 1. O Inconsciente: onde se encontravam os conteúdos recalcados; 2. O Pré-consciente – onde se encontravam os conteúdos latentes, reprimidos e 3. O Consciente – onde estava o nosso domínio mental. Desde a Grécia Antiga que a Somatização (sintomas físicos de origem psíquica) tem sido associada à Histeria (do Grego “Histéra” – útero), cujo termo foi usado inicialmente por Hipócrates, filósofo grego, considerado pai da medicina moderna.

A Histeria é caracterizada por queixas somáticas múltiplas e recorrentes, frequentemente descritas de forma dramática e não explicáveis por condições médicas conhecidas. Tornou-se uma preoucupação central de Freud nos primeiros anos de desenvolvimento da psicanálise, culminando no conceito de conversão como mecanismo de defesa do EGO (os mecanismos de defesa visam a proteção do ego contra o sofrimento e são sempre inconscientes), em doentes com Histeria.

Ouvir artigoContinuar a ler “Consultório” →

Breves

Página 65 min

Jornadas de Cultura Espírita do Oeste A cidade de Caldas da Rainha vai receber no seu Centro Cultural e Congressos as XV Jornadas de Cultura Espírita do Oeste no fim de semana de 28 e 29 de abril. Organizadas sob a responsabilidade do Centro de Cultura Espírita (CCE), associação sem fins lucrativos daquela cidade, o tema geral será “Conflitos existenciais: causas e soluções”. O programa abre pelas 14h00 de sábado.

O primeiro painel temático será “Terra: a nossa casa” e conta com Gláucia Lima, de Lisboa: “Do vazio existencial à espiritualidade”. Segue-se Carlos Miguel, informático, da cidade do Porto – “Planeta Terra: como gerir os recursos?”. Vem depois um intervalo em que haverá sessão de autógrafos com os autores de livros disponíveis presentes. Continua Reinaldo Barros, professor, de Olhão: “Civilizações e migrações: um portal para um futuro melhor?

”. O segundo painel centra-se em “Sociedade: a nossa oficina” e começa com Vasco Marques que fará uma apresentação sobre a ADEP.tv. Já no dia seguinte, domingo, pelas 9h15 vem o tema “Fugas psicológicas” de Ana Duarte, professora, de Évora. O terceiro painel subordina-se a “Íntimo: o nosso laboratório” e inicia com uma entrevista sobre superação dos medos, com Noémia Margarido e Ulisses Lopes, de Braga. Vem depois Joana Santos, do Porto, que desdobrará “Culpa: como sair dela?

Ouvir artigoContinuar a ler “Breves” →

Entrevista

Página 73 min

Recorde-se que esse fim de semana ficou marcado pelo VI Seminário de Medicina e Espiritualidade, organizado pela Associação de Médico-Espírita do Norte (AME Norte), que agregou as conferências de uma dezena de médicos e psicólogos subordinadas ao tema geral «Pensamento, consciência e espiritualidade». Na véspera do início do seminário a psicologia numa vertente junguiana e os conteúdos vertidos em livros de Joanna de Ângelis (Espírito) – a chamada série psicológica, psicografada por Divaldo Pereira Franco – foi o assunto tratado por Gelson Luís Roberto.

No intervalo, surgiram três perguntas obrigatórias, às quais o psicólogo clínico respondeu através da ADEP.tv: - Como surge a oportunidade de realizar esta iniciativa? Gelson Luís RobertoEsse workshop começou a partir do contacto com a AME do Rio Grande do Sul e a AME Norte. Fomos trocando algumas ideias também com algumas psicólogas daqui que mostraram interesse em Joanna de Ângelis junguiana conhecer melhor Joanna de Ângelis, estudando também Jung, e a partir desses contactos fomos elaborando esta ideia, pensando na possibilidade de favorecer um estudo para as pessoas da AME, as pessoas que estão mas ligadas à saúde, para depois começarmos a criar um programa de estudo da série psicológica aqui na cidade do Porto.

- É importante a realização de um evento deste tipo que relaciona informações de livros psicografados e a análise junguiana, com tantos créditos na psicologia? Gelson Luís RobertoCom certeza. Cada vez mais. Essa é a proposta de Kardec. Interessa que se faça um diálogo entre a ciência e o espiritismo, e poder realmente confirmar, a partir da ciência, aquilo que Kardec postula a partir da revelação dos Espíritos. Vemos na proposta da doutrina espírita não uma oposição, mas sim uma complementaridade, uma cooperação, entre uma realidade e outra.

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista” →

Entrevista (pág. 8)

Página 82 min

Conhecemos Zíbia Milani Gasparetto em setembro de 1978, na cidade do Porto. Estava de passagem por Portugal, com o marido, Aldo, muito simpático, desencarnado alguns anos depois, e um dos seus filhos, Luís Gasparetto, psicólogo e um notável médium de pintura mediúnica, desencarnado também em 5 de maio de 2018. Recordo-me que fizeram palestras nas associações espíritas recém-reorganizadas depois do fascismo, destituído em 25 de Abril pela revolução dos cravos, quatro anos antes.

Lembro-me que, quer Zíbia quer Luís, fizeram palestras muito interessantes em Rio Tinto, na Rua da Ferraria, na então chamada Comunhão Espírita Cristã. Numa das poucas noites em que estiveram na região, Luís Gasparetto realizou com entrada franca uma sessão de pintura mediúnica no Cine - -Teatro de Rio Tinto, reservado talvez pelo Núcleo Espírita Cristão (NEC) e pela CEC para esse efeito. Não cobrou nada, ofereceu as telas, e viajaram todos com despesas por sua própria conta.

Os quadros daí resultantes ficaram no NEC, assinados por diversos pintores com marca na história. Muitos anos mais tarde, mas ainda quando Albuquerque Rocha, na altura dirigente e fundador deste centro espírita, o NEC ofereceu os quadros – juntamente com as pinturas de 1977 – à Federação Espírita Portuguesa como património museológico. Nessa altura, em 1970, como a família tinha uma empresa de curtumes no estado de São Paulo, um outro dos seus filhos, Irineu Gasparetto, também médium, teve de vir para estas bandas, num estágio feito periodicamente nos arredores do Porto.

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista (pág. 8)” →

Entrevista (pág. 9)

Página 97 min

depois da ditadura, que tinha suprimido a liberdade inclusive no direito de associação. Mais tarde, em setembro de 1986, tivemos oportunidade de fazer “visita de médico” a sua casa, em São Paulo. Tivemos a alegria de ser muito bem recebidos. Na posse de um gravador, e acompanhados por Julieta Marques, de Lagos, que conduziu as perguntas, conversámos e fizemos uma entrevista. Em jeito de homenagem e gratidão, partilhamos consigo alguns extratos.

- Como se interessou pela doutrina espírita? Zíbia Gasparetto – Viemos de uma família católica. O meu marido também era católico. Não conhecíamos nada de Espiritismo. E certa noite, de repente, de madrugada, levantei-me a falar alemão – que é um idioma completamente estranho para mim, que nunca estudei alemão. O meu marido ficou muito assustado. Uma coisa inesperada, inusitada. Chamou uma vizinha, pela janela até – ficou com medo de me deixar sozinha em casa, como tinha já naquele tempo dois filhos pequenininhos, os dois mais velhos.

- Era muito nova, então? Zíbia GasparettoEra! Tinha uns 23 anos, por aí. Ele chamou uma vizinha. Essa senhora conhecia um pouquinho a respeito e foi dizendo o que era. Fez uma prece e voltei ao normal, passou. No dia seguinte, o meu marido foi a uma livraria e procurou livros a respeito do assunto. Ele disse: “Se vai acontecer de novo, tenho de estar pelo menos preparado, sabendo o que é isso!”. E foi assim. Desenvolvi a mediunidade e ele naturalmente não precisou de outra prova, porque já me conhecia há tantos anos, não é?

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista (pág. 9)” →

Centrais

Página 101 min

Medicina e espiritualidade na cidade do Porto Com a boa disposição e simpatia que são características de quem dirige a AME Norte, este evento levado a cabo num auditório da Casa Diocesana de Vilar, na cidade do Porto, começou com a alegria própria de quem reencontra muitos amigos e conhecidos. Depois de no dia anterior, sexta-feira, ter havido um “workshop” com o psicólogo clínico brasileiro Gelson Roberto, Décio Iandoli Jr.

(médico cirurgião) abriu o evento com uma conferência seguida com muita atenção pelas mais de 250 pessoas presentes, oriundas de todo o país, bem como da Galiza, Espanha e França. Gelson Roberto voltaria a intervir mais duas vezes ao longo do evento, abordando a psicologia de Carl Gustav Jung em ligação com a proposta espírita do Espírito Joanna de Ângelis, que se comunica pelo médium Divaldo Pereira Franco. Gláucia Lima, psiquiatra, apresentou excelente conferência intitulada “Da Psicossomática à Saúde Integral”, apresentando muita informação nova e esclarecimentos, de forma pedagógica e assertiva.

Seguiu-se a médica Alice Gonçalves (Paris, França) que fez a ligação entre a Homeopatia e a Espiritualidade, bem como Olfa Mandhouj (Luxemburgo), médica psiquiatra, que falou da depressão na óptica espiritual. Mirella Colaço, veterinária, abordou a questão da saúde, espiritualidade e o mundo animal. Posteriormente houve um espaço dedicado à apresentação de livros dos autores presentes. Domingo, 28 de outubro, Décio Iandoli Jr.

Ouvir artigoContinuar a ler “Centrais” →

Centrais (pág. 11)

Página 112 min

e A Associação Médico-Espírita do Norte de Portugal (AME Norte) levou a cabo, nos dias 27 e 28 de outubro de 2018, o VI Seminário de Medicina e Espiritualidade, na cidade do Porto, em Portugal, tendo como tema-base “Pensamento, Consciência e Espiritualidade”. mes, que encantou os presentes. Maria Paula Silva afirmou diante do microfone da ADEP.tv que «estamos muito felizes por vários motivos. Sem dúvida por todos os amigos que encontramos, pela oportunidade de partilha de conhecimentos e de experiências, mas sobretudo porque o número de presentes quase que duplicou em relação aos anos anteriores.

Uma outra diferença significativa é que o número de profissionais de saúde inscritos também aumentou significativamente, sendo que o propósito da realização destes eventos fora da casa espírita é o de conseguir que pessoas não espíritas Maria Paula Silva afirmou diante do microfone da ADEP.tv que “estamos muito felizes por vários motivos. Sem dúvida por todos os amigos que encontramos, pela oportunidade de partilha de conhecimentos e de experiências, mas sobretudo porque o número de presentes quase que duplicou em relação aos anos anteriores”.

da área da saúde venham ao nosso encontro». Relembrando Allan Kardec, o objetivo do Espiritismo é destruir o materialismo, uma ilusão dos sentidos, parafraseando Décio Iandoli Jr., levando o esclarecimento e o consolo àqueles que desconhecem que a vida continua, a reencarnaçãoea Lei de Causalidade. Numa época em que o materialismo foi morto, com a prova de que tudo é energia no Universo, a Doutrina dos Espíritos (ou Espiritismo) vem fazer a ligação raciocinada e científica entre a espiritualidade (diferente de religião) e a ciência do mundo terreno, ao fim e ao cabo, um único campo de conhecimento, até então separado pela nossa ignorância, crianças espirituais que ainda somos no planeta Terra.

Ouvir artigoContinuar a ler “Centrais (pág. 11)” →

Pesquisa

Página 123 min

Haverá outras implicações numa autópsia? Momentos antes de escrever este artigo, preparei o meu trabalho da próxima semana. Segunda-feira será dia de autópsia: fomos informados previamente de que um dos doentes dos cuidados intensivos provavelmente não iria aguentar o fim-de-semana. Como médica, sei que as autópsias são sempre momentos importantes de aprendizagem. Para além de serem uma oportunidade para observar a maravilhosa anatomia do corpo humano, são também uma ajuda para a família (perceber o que causou a morte ajuda muitas vezes no processo de luto) e para a equipa médica que acompanhou o doente até ao desencarne (e que pretende descobrir o que poderia ter sido feito para o evitar).

Como espírita, muitas questões surgem antes destes momentos. Muitas das autópsias são feitas poucas horas depois do desencarne, sobretudo a pedido da família que não pretende atrasar as cerimónias fúnebres. No entanto, sabemos, pela obra “O Livro dos Espíritos” que o processo de desencarne pode ser trabalhoso e demorado, demorando de horas a meses, sobretudo no caso de suicidas. Richard Simonetti reforça esta ideia no seu livro “Quem tem medo da morte”, explicando que «(…) indivíduos materialistas, que fazem da jornada humana um fim em si, que não cogitam de objetivos superiores, que cultivam vícios e paixões, ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.

» Seria sensato esperar alguns dias antes da realização da autópsia? A propósito da cremação, Chico Xavier transmitiu a seguinte informação de Emmanuel: «Deve-se esperar pelo menos setenta e duas horas para a cremação, tempo suficiente, ao que parece, para o desligamento, ressalvadas as exceções envolvendo suicidas ou pessoas muito presas aos vícios e aos interesses humanos.» Richard Simonetti explica também que «(…) nos casos de morte lenta a agonia impõe uma espécie de anestesia geral ao moribundo, com reflexos no Espírito, que tende a dormir nos momentos cruciais da grande transição.

Ouvir artigoContinuar a ler “Pesquisa” →

Opinião

Página 134 min

O espírito de grupo é uma característica muito valorizada, representando a capacidade de várias pessoas trabalharem como uma equipa para que, em colaboração e partilha, possam construir maiores benefícios para algo maior que eles próprios. Não é com certeza por falta de experiência nesta área que os nossos talentos em dinâmicas de grupo não se desenvolvem mais rapidamente. É que nós pertencemos a muitos e diferentes grupos, uns maiores, outros mais pequenos.

E a relação que mantemos com eles é tão intensa que se torna um pêndulo na construção de quem somos. O tribalismo teve um valor evolutivo considerável. Os nossos antepassados mais sociáveis e com tendência para se agruparem em tribos usufruíam de uma enorme vantagem competitiva na proteção, segurança, alimentação e cuidados com a prole. E o grupo era tão precioso que era defendido com a própria vida se as situações assim A Minha Tribo o exigissem.

Os cientistas acreditam que a oxitocina influencia o comportamento gregário que os mamíferos revelam, argumentando que essa hormona é a responsável pela mudança de um comportamento reptiliano, mais isolado, frio e nada protetor com as crias, para o comportamento mamífero, em que o grupo, o afeto e o cuidado com a prole é uma referência. Havendo razões biológicas e sociais que empurram o ser - -humano a agrupar-se, a vivência no seio dos grupos é também um desafio que por vezes agudiza algumas tendências inatas que ainda revelamos.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião” →

Crónica

Página 145 min

Sendo uma ciência filosófica de consequências morais, como ciência de observação investiga os chamados factos espíritas, como filosofia explica esses mesmos factos, e como moral apresenta um roteiro para a Humanidade, de modo a que esta se espiritualize mais depressa. Sendo a Doutrina dos Espíritos e estando assente em valores universais, bem como nas leis imutáveis da vida, jamais poderia a Doutrina dos Espíritos ser mais um joguete dos seres humanos, que a utilizassem a seu belo prazer.

Allan Kardec, estruturou muito bem os ensinamentos dos Espíritos, compilando-os na sua obra, que engloba os 12 volumes da “Revista Espírita” e oito livros (considerando-se o livro “Obras Póstumas” e “Viagem Espírita em 1862”), deixando bem vincado o carácter universalista e universal desta doutrina. Léon Denis, o filósofo do Espiritismo, referia a seu tempo que o Espiritismo seria aquilo que os Espíritas dele fizessem.

A obra de Kardec permanece segura, bem estruturada, e ainda não é bem entendida pela grande maioria de nós, o que é natural tendo em conta que é algo muito recente, apenas com século e meio de idade. Os espíritas (adeptos da ideia espírita) entendem a Doutrina dos Espíritos de acordo com a sua capacidade de entendimento, que varia em grau e em profundidade, o que é perfeitamente normal, saudável, desde que haja bom senso, discernimento, lucidez, equilíbrio e uma normal troca de ideias, dentro da assertiva espírita da fraternidade, da caridade, do amor entre todos.

Ouvir artigoContinuar a ler “Crónica” →

Crónica (pág. 15)

Página 156 min

Em abril de 1869, a «Revista Espírita» fazia referência ao último trabalho deixado por Allan Kardec, desencarnado em março do mesmo ano. Trata-se de uma compilação de obras identificadas pelo codificador, intitulada «Catálogo racional das obras para se fundar uma biblioteca espírita». Na realidade, não é uma obra sobejamente conhecida nos meios divulgadores da filosofia espírita, todavia reveladora de um interesse acrescido, avaliando pelo carácter eclético com que Kardec pretendeu dotar esta doutrina espiritualista.

O ecletismo espírita é bem visível na variedade de obras criteriosamente selecionadas, que demonstram a preocupação do seu autor em estabelecer ligações com outros campos do conhecimento, não apenas confinados à codificação espírita. Neste contexto, o catálogo aparece agrupado em três secções para facilitar a compreensão do leitor. Uma primeira secção designada por obras fundamentais da doutrina espírita, onde são identificadas todas aquelas que nasceram da codificação espírita.

A segunda com referência a obras complementares diversas sobre o espiritismo, incluindo poesia, música e desenho. E finalmente a terceira que engloba as obras feitas fora do espiritismo, alusivas à filosofia, história, religião, ciências, romance, teatro e obras contra o espiritismo. Para elucidar sobre a abertura intelectual que Kardec quis despertar para o estudo alargado da doutrina espírita, referem-se a título de exemplo a obra do filósofo grego Filóstrato (c.

Ouvir artigoContinuar a ler “Crónica (pág. 15)” →

Opinião (pág. 16)

Página 166 min

Divaldo Pereira Franco, em 15 de Novembro de 1981, dirigiu aos espíritas da Madeira em geral, e em particular aos companheiros do Núcleo de Parapsicologia e Espiritismo do Funchal, no Centro Espírita «Perdão e Caridade», de Lisboa, através de Norberto Dinis, colaborador da Rádio Funchal e membro do NPEF, a mensagem que se segue. «Caros amigos, rogamos a Jesus que nos abençoe e que nos dê sua paz. O Dr. Joseph Banks Rhine definiu a Parapsicologia como sendo um ramo da Psicologia Experimental que se dedica à investigação dos fenómenos inusitados, paranormais, objectivando dar uma metodologia a todos esses factos que têm atravessado a História sem uma nomenclatura correcta nem uma investigação exacta.

Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo a ciência que estuda a origem, a natureza, o destino dos Espíritos e as relações que existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Allan Kardec, chamado por Camille Flammarion, o «bom senso encarnado», teve a nobreza de considerar que o início do século XX seria obviamente o período de investigação científica. Os anos últimos do século XIX seriam o período da libertação da Ciência que arrebentava a grilheta do dogma para oferecer uma visão de profundidade a respeito da vida, em torno do homem, a respeito do ser.

E, pensando nisto, Allan Kardec afirmou: «O Espiritismo estuda as causas, enquanto a Ciência estuda os efeitos.» Graças a isto, o Espiritismo não pára onde a Ciência termina, pelo contrário, o Espiritismo vai mais além, porque procura encontrar a génese, a realidade das coisas dentro da sua profundidade legítima e verdadeira. Com essas palavras desejamos dizer que Allan Kardec conseguiu o milagre do matrimónio da Ciência com a Religião.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 16)” →

Cinema / Literatura

Página 176 min

CINEMA / LITERATURA Queres ser o meu Vizinho? Fora dos EUA, pouca gente conhece Fred Rogers. Em 1968, desagradado com a abundância de programas infantis que estimulavam à violência, ele criou o programa “Mister Rogers’ Neighborhood” (A Vizinhança do Senhor Rogers), que esteve no ar mais de 30 anos na televisão pública Americana, até 2001. Direcionado para um público até aos 6 anos, Fred Rogers falava diretamente para os pequenos espectadores abordando diversos assuntos, embarcando-os numa viagem por experiências, músicas, interações e conversas com os outros vizinhos e personagens encarnadas por pequenas marionetas a quem Mister Rogers emprestava a voz.

Cada episódio e cada música eram preparados cuidadosamente para oferecer às crianças instrumentos para lidar com os dramas da infância: o crescimento, a rivalidade, a solidão, a raiva e até alguns assuntos mais delicados como a morte, a guerra, deficiência, conflitos sociais, raciais e violência. Utilizando como ferramentas a doçura, a compaixão, gentileza, a bondade, a honestidade e integridade, ele procurava criar um ambiente de conforto e confiança, utilizando os silêncios e uma cadência adequada às atividades em causa.

Ele queria que as crianças aprendessem que os seus sentimentos e emoções eram tangíveis, mensuráveis e geríveis. Durante as várias décadas em que o seu programa esteve no ar, Fred Rogers tornou-se mesmo um herói para crianças de sucessivas gerações, admirado não pelos seus super-poderes mas pelo seu carácter genuíno, bondoso e terno. O documentário “Won’t You Be My Neighbor?”, aclamado pela crítica e vencedor de vários prémios cinematográficos, é um filme de uma profundidade rara e altamente enriquecedor.

Ouvir artigoContinuar a ler “Cinema / Literatura” →

Entrevista a frequentadores Sabia que?

Página 183 min

A primeira experiência mediúnica de Francisco Cândido Xavier foi aos cinco anos de idade, quando a sua falecida mãe o passou a visitar em Espírito acarinhando-o e aconselhando-o a ter paciência com as dificuldades por que estava passando? Incluído nas práticas do Espiritismo como auxiliar dos recursos terapêuticos comuns, o passe espírita é aplicado no Centro Espírita, gratuitamente, seguindo o exemplo de Jesus?

O fenómeno de pneumatografia (escrita direta dos Espíritos, sem o auxílio da mão do médium) foi obtido pela primeira vez em França pelo barão de Guldenstubbé, sendo notáveis os resultados de experiências em lugares improvisados, contando-se entre eles o Museu do Louvre, Catedral de Saint-Denis, Abadia de Westminster, bem como em alguns cemitérios, igrejas e ruínas antigas? A encarnação num corpo que morre poucos dias depois de nascer é de importância quase nula para o Espírito, pois o ser não tem consciência bastante desenvolvida da sua existência, tratando-se, frequentemente, de uma prova para os pais e, consequentemente, útil?)

Era uma vez um casal de camponeses que vivia numa pequena aldeia. Como possuíam algumas terras e as cultivavam, conseguiam viver sem que lhes faltasse o essencial para comer, contudo faltava-lhes o principal...Paz. Ao redor da sua pequena, mas confortável casa viviam uns vizinhos que tinham muita inveja da vida que o casal levava. Estes vizinhos arranjavam problemas todos os dias. Era um desatino total. Era por causa do cão, por causa do gato...

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista a frequentadores Sabia que?” →

Sustentável

Página 194 min

A muito propalada Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas é um tratado internacional resultante da ECO-92, realizada em junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro. Nessa memorável conferência sobre o ambiente, realizada no Brasil, participaram os principais chefes de estado de grande parte dos países mundiais e também várias organizações não governamentais, com o objetivo de debater os problemas ambientais do nosso mundo.

Foi ali que começaram as nascer as bases para a difusão da ideia do desenvolvimento sustentável, um modelo de crescimento económico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico. O sucesso desta conferência histórica produziu alguns documentos significativos. Um deles ficou conhecido como “A Carta da Terra”, uma declaração de princípios éticos preciosos para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica.

Tornou-se numa visão de esperança e um apelo à tomada de consciência e ação, inspirando todos os povos do mundo para um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, procurando potenciar o bem-estar de toda a família humana, das futuras gerações e da vida na Terra. Outro documento produzido na ECO-92 foi a Agenda21, reforçando a urgência de cada país se comprometer a refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações não-governamentais e todos os setores da sociedade podem cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais no século XXI.

Ouvir artigoContinuar a ler “Sustentável” →

Última

Página 202 min

Espanha: factos que provam Sabia que a Espanha tem uma Associação de Divulgadores de Espiritismo? Chama-se Sociedade Espanhola de Divulgadores Espíritas (SEDE) e realizou o seu 1.º Congresso nos dias 7, 8 e 9 de Dezembro de 2018 em Calpe, Alicante, com resultantes surpreendentes. A Sociedade Espanhola de Divulgadores Espíritas (SEDE) - www.bibliotecaespirita.esnasceu há cerca de um ano. O tema “Factos que provam”, dizia ao que se vinha, e o congresso tinha como tema central “ConCiencia”, onde se falava do Espiritismo com ciência, mas também com consciência.

Joaquin Huete, o fundador da SEDE, deu as boas-vindas na abertura do congresso e deixou uma atmosfera do que é ser espírita: simplicidade, discrição, amizade e assertividade. Sendo o motor de uma organização perfeita em termos logísticos, com uma equipa organizativa simpática e eficaz, qual não foi o nosso espanto quando estavam previstos para o final dos dois dias de trabalhos, convívios livres e sem tema predefinido, com todos os participantes, que se sentavam em torno de uma mesa e iam falando livremente, uns com os outros, sobre espiritismo.

Criou-se amizade, conhecimento, empatia e um ambiente de espiritualidade muito bom. Antonio Lledó, de Villena, falou, na abertura, sobre “Instrumentos da alma: mente, cérebro e consciência”, seguindo-se uma palestra muito boa sobre “investigação científica e espiritualidade”, a cargo da médica portuguesa Paula Silva, presidente da Associação Médico-Espírita do Norte. Sérgio Filipe de Oliveira falou sobre eletroencefalografia com mapeamento cerebral, o que criou alguma polémica.

Ouvir artigoContinuar a ler “Última” →