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Sustentável

Jornal de Espiritismo nº 92 · Janeiro 2019Página 194 min

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A muito propalada Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas é um tratado internacional resultante da ECO-92, realizada em junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro. Nessa memorável conferência sobre o ambiente, realizada no Brasil, participaram os principais chefes de estado de grande parte dos países mundiais e também várias organizações não governamentais, com o objetivo de debater os problemas ambientais do nosso mundo.

Foi ali que começaram as nascer as bases para a difusão da ideia do desenvolvimento sustentável, um modelo de crescimento económico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico. O sucesso desta conferência histórica produziu alguns documentos significativos. Um deles ficou conhecido como “A Carta da Terra”, uma declaração de princípios éticos preciosos para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica.

Tornou-se numa visão de esperança e um apelo à tomada de consciência e ação, inspirando todos os povos do mundo para um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, procurando potenciar o bem-estar de toda a família humana, das futuras gerações e da vida na Terra. Outro documento produzido na ECO-92 foi a Agenda21, reforçando a urgência de cada país se comprometer a refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações não-governamentais e todos os setores da sociedade podem cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais no século XXI.

A Agenda21 é um poderoso instrumento para a transição desta sociedade industrial rumo a um novo paradigma, que naturalmente exige uma reinterpretação do conceito de progresso, orientado a uma maior harmonia e equilíbrio entre todos, promovendo a qualidade, a eficiência e reutilização de recursos em detrimento da quantidade e do desperdício. Tendo como princípios orientadores os resultados obtidos na ECO-92, desde 1995 têm sido realizadas todos os anos as Conferências das Partes (COP), uma oportunidade para que os líderes mundiais, sob a égide das Nações Unidas, possam sentar-se e discutir as mudanças climáticas.

Em 2015, foi alcançado o famoso Acordo de Paris, o primeiro compromisso global sobre o clima que a humanidade assumiu e em que os países que o ratificaram assumiram vontade de limitarem o aumento da temperatura global do planeta ao máximo de 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial. Para alcançarem esse objetivo, comprometeram-se a tomar medidas como a redução drástica das emissões dos gases de efeito estufa e efetuar maiores investimentos em energias renováveis e reflorestação.

A aplicação deste acordo implicará uma mudança no modelo económico vigente e na forma habitual de potenciar o crescimento económico, intensificando a utilização da economia verde como imprescindível para o desenvolvimento sustentável. É inevitável que, para construirmos um caminho alternativo a esta estrada que nos empurra para um mundo tóxico, insustentável, degradado e socialmente instável, precisamos de uma nova forma de compreender a nossa existência coletiva e as responsabilidades que cada um de nós como indivíduo tem perante o bem comum.

Os compromissos políticos são indispensáveis para o combate às alterações climáticas. Como cidadãos, deveremos procurar garantir que os nossos governantes não se esquecem do que assinaram, lembrando-os sempre que possível que nós, cidadãos, estamos muito sensíveis às questões ambientais. As ameaças de rutura do Acordo de Paris que temos ouvido de alguns políticos, no caso dos EUA infelizmente já consumadas, é uma notícia desastrosa para a humanidade.

E tal como defendemos os nossos direitos individuais, precisamos bater-nos de forma incansável pela preservação das condições de sustentabilidade da nossa Casa Global. Carlos Miguel Compromissos Políticos foto pixabay A esta interrogação dum leitor num diário portuense, responde o seu autor considerando as touradas uma respeitável expressão de cultura. Salvo o devido respeito por tal posição, à mesma pergunta melhor se ajustaria réplica bem diferente: tortura e incultura.

Para legitimar a “festa” tauromáquica, tem-se alegado cultura e tradição; ela foi-o, de facto, noutras épocas. Entretanto, a Humanidade progrediu muito e hoje, com um acervo imenso de conhecimento e de consequente aprimoramento emocional e espiritual, aflige-se de compaixão e repulsa diante de usos e costumes outrora muito populares, admitamos até que necessários, mas hoje em dia configurando-se como contrassenso chocante e desnecessário.

Ao saber e sensibilidade atuais, a tauromaquia afigura-se bárbara diversão com o sofrimento inútil de seres vivos, valiosos parceiros nossos no Universo e no maravilhoso “planeta azul” de todos nós. Já vivemos nas formas biológicas em que eles se encontram agora: “do átomo ao arcanjo, tudo na Natureza se encadeia; o arcanjo de hoje começou ele próprio pelo átomo” – refere “O Livro dos Espíritos”, Questão 540. E noutro capítulo, apresenta a reencarnação não como crença mas como lei da Natureza para todos os seres, indissociável do princípio universal da evolução biológica.

Dois anos e meio mais tarde (Novembro de 1859) publicava Charles Darwin a controversa “Origem das Espécies”, hoje tema pacífico nos meios científicos. Cultura, tradição, a antropofagia já outrora o foi também (ibidem, Questão 787-b), Mas alguém desejaria restaurar aquela prática, para honrar a tradição? Por João Xavier de Almeida Touradas: tortura ou cultura? foto pixabay JANEIRO.FEVEREIRO.