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Jornal de Espiritismo nº 92 · Janeiro 2019Página 123 min

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Haverá outras implicações numa autópsia? Momentos antes de escrever este artigo, preparei o meu trabalho da próxima semana. Segunda-feira será dia de autópsia: fomos informados previamente de que um dos doentes dos cuidados intensivos provavelmente não iria aguentar o fim-de-semana. Como médica, sei que as autópsias são sempre momentos importantes de aprendizagem. Para além de serem uma oportunidade para observar a maravilhosa anatomia do corpo humano, são também uma ajuda para a família (perceber o que causou a morte ajuda muitas vezes no processo de luto) e para a equipa médica que acompanhou o doente até ao desencarne (e que pretende descobrir o que poderia ter sido feito para o evitar).

Como espírita, muitas questões surgem antes destes momentos. Muitas das autópsias são feitas poucas horas depois do desencarne, sobretudo a pedido da família que não pretende atrasar as cerimónias fúnebres. No entanto, sabemos, pela obra “O Livro dos Espíritos” que o processo de desencarne pode ser trabalhoso e demorado, demorando de horas a meses, sobretudo no caso de suicidas. Richard Simonetti reforça esta ideia no seu livro “Quem tem medo da morte”, explicando que «(…) indivíduos materialistas, que fazem da jornada humana um fim em si, que não cogitam de objetivos superiores, que cultivam vícios e paixões, ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.

» Seria sensato esperar alguns dias antes da realização da autópsia? A propósito da cremação, Chico Xavier transmitiu a seguinte informação de Emmanuel: «Deve-se esperar pelo menos setenta e duas horas para a cremação, tempo suficiente, ao que parece, para o desligamento, ressalvadas as exceções envolvendo suicidas ou pessoas muito presas aos vícios e aos interesses humanos.» Richard Simonetti explica também que «(…) nos casos de morte lenta a agonia impõe uma espécie de anestesia geral ao moribundo, com reflexos no Espírito, que tende a dormir nos momentos cruciais da grande transição.

Ainda que conserve a consciência, o corpo em colapso geralmente não transmite sensações de dor. Não há, também, reflexos traumatizantes (…)». No entanto, muitas das autópsias são feitas no contexto de morte violenta, como acidente de viação ou suicídio, casos em que o espírito tem muito mais dificuldade em desligar-se do corpo físico. No livro “Nas Fronteiras da Loucura” podemos ler que que «(...) os Espíritos, mesmo distanciados dos corpos, retratavam as ocorrências que os afetavam durante a autópsia.

(…) Há autópsias em que Espíritos que se deixaram dominar pelos apetites grosseiros enlouquecem de dor, demorando-se sob os efeitos lentos do processo a que o cadáver é submetido – quando não fazem jus a assistência especializada. (…) As autópsias demoraram mais de uma hora, durante a qual a assistência dos Benfeitores procurou diminuir o sofrimento dos recém-chegados.» Mais uma vez, aquilo que sentimos depois do desencarne, com ou sem autópsia, depende muito da nossa evolução espiritual e daquilo que sentimos e fizemos durante a vida terrena.

No mesmo livro, Dr. Bezerra explicou: «As nossas providências de socorro não geram clima de privilégio, nem protecionismo injustificável. Cada um respira a psicosfera que gera no campo mental. Todos somos as aspirações que cultivamos, os labores que produzimos.» foto arquivo Identificar a causa e o mecanismo Autópsia é o procedimento utilizado pelos médicos para identificar a causa e o mecanismo da morte. Existem dois tipos de autópsias: as médico-legais pedidas pelo Ministério Público em contexto de morte violenta, como suicídio ou acidente, e as anátomo-clínicas pedidas por um médico assistente para perceber o porquê da morte num contexto de internamento hospitalar ou cirurgia.

A autópsia divide-se em duas partes: - Exame do hábito externo em que se descrevem características como a cor do cabelo ou dos olhos e lesões exteriores como cicatrizes ou hematomas. - Exame do hábito interno em que se retiram os órgãos internos do cadáver para serem analisados tanto a olho nu como com o auxílio de um microscópio. No final do exame há um relatório final que dá conhecimento das conclusões retiradas da autópsia: convém ter em mente que em 2% dos casos pode não se chegar a apurar a causa da morte.

Seria sensato esperar alguns dias antes da realização da autópsia? JANEIRO.FEVEREIRO.