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Opinião (pág. 16)

Jornal de Espiritismo nº 92 · Janeiro 2019Página 166 min

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Divaldo Pereira Franco, em 15 de Novembro de 1981, dirigiu aos espíritas da Madeira em geral, e em particular aos companheiros do Núcleo de Parapsicologia e Espiritismo do Funchal, no Centro Espírita «Perdão e Caridade», de Lisboa, através de Norberto Dinis, colaborador da Rádio Funchal e membro do NPEF, a mensagem que se segue. «Caros amigos, rogamos a Jesus que nos abençoe e que nos dê sua paz. O Dr. Joseph Banks Rhine definiu a Parapsicologia como sendo um ramo da Psicologia Experimental que se dedica à investigação dos fenómenos inusitados, paranormais, objectivando dar uma metodologia a todos esses factos que têm atravessado a História sem uma nomenclatura correcta nem uma investigação exacta.

Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo a ciência que estuda a origem, a natureza, o destino dos Espíritos e as relações que existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Allan Kardec, chamado por Camille Flammarion, o «bom senso encarnado», teve a nobreza de considerar que o início do século XX seria obviamente o período de investigação científica. Os anos últimos do século XIX seriam o período da libertação da Ciência que arrebentava a grilheta do dogma para oferecer uma visão de profundidade a respeito da vida, em torno do homem, a respeito do ser.

E, pensando nisto, Allan Kardec afirmou: «O Espiritismo estuda as causas, enquanto a Ciência estuda os efeitos.» Graças a isto, o Espiritismo não pára onde a Ciência termina, pelo contrário, o Espiritismo vai mais além, porque procura encontrar a génese, a realidade das coisas dentro da sua profundidade legítima e verdadeira. Com essas palavras desejamos dizer que Allan Kardec conseguiu o milagre do matrimónio da Ciência com a Religião.

A ortodoxia religiosa havia criado um abismo entre a investigaçãoeafé. Por outro lado, o “magister dixit” da Ciência havia criado um despenhadeiro entre a razãoea intuição. Allan Kardec foi a ponte que ligou o impedimento cultural ao sentimento emocional, que estabeleceu o hífen entre as bordas da razão fria e do sentimento entusiasmado. É por isto que o Espiritismo é a doutrina religiosa-filosófica que assenta sobretudo na pesquisa e na demonstração do facto.

É a doutrina sui generis, porque todas as filosofias, todas as religiões, nasceram de uma teoria para a busca de um facto. O Espiritismo nasceu de um facto — as comunicações dos Espíritos, para as teorias — a filosofia espírita. É a doutrina, portanto, da responsabilidade, do conhecimento, da razão lógica, mas indubitavelmente também da emoção. Allan Kardec teve a oportunidade de fazer uma análise de profundidade sobre ciência e fé, e demonstrou que inutilmente o homem de inteligência privilegiada poderia voar, porque é necessário que o ser possua duas asas: a da Sabedoria e a do Amor.

Se ele é alguém que ama, e exclusivamente ama, mas não discerne, este sentimento projecta-o na direcção da vida mas não no equilíbrio do cosmo; se é alguém que sabe mas não ama, ele interpreta os enigmas, mas não os vive. É necessário o amor e o saber para o indivíduo planar com sabedoria acima das vicissitudes. Por esta razão o Espiritismo fundamenta- se no Evangelho de Jesus, solicitando ao homem a vivência moral, sem a qual toda a estrutura filosófica iria por água abaixo sem nenhum sentido.

De que nos adiantaria, pergunta Kardec, saber que a alma é imortal, que os Espíritos retornam à Terra, se isso não modificasse o nosso comportamento, a nossa atitude perante a vida? Mohandas Karamchand, o apóstolo da não- violência, estabeleceu o seguinte princípio: «Se um único homem atingir a mais elevada qualidade de amor, isto será suficiente para neutralizar o ódio de milhões.» E Gandhi atingiu a mais excelente qualidade do amor.

No entanto, o amor de Gandhi era um amor sábio, não era emoção descontrolada, não era o entusiasmo descabido, porque Goethe, o mais extraordinário pensador da Alemanha no século XIX, estabeleceu como código a Ética: «Não basta ter a boa vontade, é necessário tê-la bem dirigida», o que equivale dizer: «Não basta amar, é necessário saber amar com discernimento, para que este amor não se faça pernicioso, prejudicial.» E Goethe dizia mais: «Nada pior que pessoas de boa vontade sem discernimento nem directriz.

Perturbam mais do que ajudam.» Ora, o Espiritismo é a doutrina da lógica, em que o indivíduo crê porque sabe, e ele sabe porque experimentou: é a fé racional, é aquela que enfrenta a razão em todas as épocas da Humanidade, face a face, sem empalidecer, sem descolorir-se. É a doutrina da libertação, porque dá ao homem uma visão real a respeito da vida e liberta-o de superstições, de fetiches, de crendices, de aparatos, de cerimoniais, de ritos, de hierarquias.

Na Doutrina Espírita o chefe, o líder, o maior, é aquele que mais serve, é aquele que mais se doa, é aquele que mais ama pelo exemplo. Esta é a doutrina que está fadada a modificar a Humanidade. Considerando cinco períodos que a Humanidade atravessaria, Allan Kardec estabeleceu que o Espiritismo na sua fase foto arquivo A Parapsicologia e o Espiritismo final encarregar-se-ia da renovação social. E é o que nós vemos. Penetrando no homem, modifica-lhe a estrutura emocional; o homem novo modifica o lar; o lar transformado renova a comunidade; a comunidade melhor modifica o Mundo.

Esperamos, portanto, que dentro destas directrizes de um homem salutar na direcção de um Mundo feliz, venhamos a ter uma sociedade mais consentânea com a nossa cultura, um Mundo melhor. E neste sentido confiamos que os espíritas da Madeira, os companheiros do Núcleo de Parapsicologia e Espiritismo do Funchal consciencializem-se de que é necessário saber, mas é importantíssimo viver; é indispensável conhecer, mas é sobremodo imprescindível exemplificar.

A teoria sem o exemplo é uma decoração inútil, porque o exemplo é a demonstração que oferece a pregação mais eficaz, mais veraz e mais legítima de que tem necessidade o Mundo. É, portanto, com gáudio, aqui no Centro Espírita «Perdão e Caridade», onde a Doutrina Espírita é praticada com pureza, onde se vive o Evangelho de Jesus em espírito e verdade, que em nome dos espíritas baianos, já que não podemos falar em nome dos espíritas brasileiros, em nome nosso pessoal, do Nilson nosso companheiro e amigo de viagem, das crianças da «Mansão do Caminho» e da nossa instituição, Centro Espírita «Caminho da Redenção», auguramos a todos vós um porvir de bênçãos numa Humanidade mais feliz, no amanhã, sem dúvida, mais venturoso.

Para todos, muita paz!». Esta mensagem aos espíritas madeirenses foi proferida «num jacto» ao microfone de Norberto Dinis, no escritório do torreão (hoje, sala Herculano Pires), no CEPC, antes da Direcção do Centro prestar uma pequena homenagem ao amigo Divaldo Pereira Franco com a presença de Nilson de Souza Pereira. Presentes: Casimiro Duarte (Presidente), Manuel dos Santos Rosa (Vice-presidente), Aldo Marques Ferreira (Tesoureiro), Carlos Alberto Ferreira (Secretário-geral), Licínio Henriques (1.

º Vogal), Júlio da Conceição Sousa (2.º Vogal) e ainda Norberto Dinis. Foi ofertado a Divaldo um estojo com uma caneta gravada com o seu nome. Após a homenagem, desceu-se ao salão, já apinhado de pessoas ávidas de saber e consolo, onde Divaldo proferiu uma esclarecedora e emocionante palestra. (CF) (Artigo enviado por Carlos Alberto Ferreira). Nota da Redação: Nos anos mais recentes a associação que mais atividades traz a público é o Centro Cultural Espírita do Funchal, que os interessados em regime de proximidade poderão contactar.

A teoria sem o exemplo é uma decoração inútil, porque o exemplo é a demonstração que oferece a pregação mais eficaz, mais veraz e mais legítima de que tem necessidade o Mundo. JANEIRO.FEVEREIRO.