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Cinema

Jornal de Espiritismo nº 93 · Março 2019Página 173 min

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Um coração na escuridão Ernst Toller é o pastor de uma pequena congregação protestante no estado de Nova Iorque quase a fazer 250 anos, chamada First Reformed. Toller é um homem sofrido, doente e enleado em perturbações e conflitos existenciais derivados da morte do seu filho na guerra do Iraque. Como uma catarse, escreve um diário com intenção de ser uma forma de oração, mas que na realidade é apenas um instrumento de autopunição.

Toller fomenta essa autopunição rejeitando o prazer e a alegria, parecendo retirar disso algum tipo de alívio dos tormentos que o passado lhe causa, das desilusões que as falhas da humanidade lhe provocam e de uma crise de desespero que está permanentemente encapotada. No final de uma das suas missas, ele é procurado por Mary, uma jovem grávida que pede ao pastor que tenha uma conversa com o marido, Michael, um ativista ambiental recém-libertado da prisão e que tem tendências suicidas.

Ao conversar com Michael, Toller constata que é impotente para oferecer algum alívio às aflições com que ele se debate, nem sequer oferecer um reles bálsamo para colmatar o desespero do ambientalista face à indiferença e inação do mundo diante dos problemas ambientais. Essa conversa mexe profundamente com Toller e torna-se ainda mais impactante devido ao desfecho trágico que lhe seguirá. “Um Coração na Escuridão” foi realizado por Paul Schrader, o aclamado realizador de “Taxi Driver”, que volta a fazer um retrato de um homem em crise que vê agravar o seu desespero à medida que compreende com um grau maior de lucidez o falhanço da humanidade.

Neste filme, Schrader junta espiritualidade e ecologia, unidas de forma umbilical na procura de um despertar para algo que é eminente, mas que não está a ser devidamente ouvido nem acautelado. Ethan Hawke interpreta de forma superior a personagem de Ernst Toller e é um mistério como não obteve um maior reconhecimento pelo seu trabalho, acompanhado por Amanda Seyfried na pele da jovem grávida. Não é fácil ver este filme, tem algumas cenas particularmente violentas e chega a ser cru e sombrio, como se o conflito, a desilusãoeo desespero empestassem o ambiente sem pudor.

Os bons filmes não são apenas aqueles que nos deixam boas sensações depois os vermos no conforto dos nossos sofás ou das climatizadas salas de cinema. Os melhores filmes são aqueles que nos deixam inquietos e pensativos, preparando o terreno para as mudanças necessárias na forma como vemos e respondemos aos desafios que o mundo nos coloca. “Um Coração na Escuridão” pertence a esta segunda categoria. Toller simboliza o conflito latente no nosso mundo entre algumas forças que parecem fora do nosso controlo, como as mudanças climáticas, as guerras, os problemas da globalização e do populismo, a crise de relacionamentos, a depressão, a violência e a corrupção, que parecem esgrimir forças com o poder da esperança, do amor, da gentileza e da espiritualidade.

E diante destes conflitos poderosos, abraçar o desespero é apenas uma forma de nos darmos como derrotados ainda mesmo antes de iniciarmos a luta. Toda a narrativa e ação do filme confluem para a cena final, em que a sua mensagem é finalmente revelada de forma simbólica: só o amor tem a força necessária para derrotar o desespero. Título Original: “First Reformed” Realizado por Paul Schrader Elenco: Ethan Hawke, Amanda Seyfried, Philip Ettinger EUA, 2017 – 113 min.

Por Carlos Miguel MARÇO.ABRIL.2019 foto direitos reservadosComo conheceu o Espiritismo? Diogo CorreiaOuvi falar do espiritismo através de amigos e apesar de a princípio “não achar muita piada” ficou a semente que, mais tarde, me fez ir assistir a palestras. - Frequenta algum centro espírita? Diogo CorreiaSim. O Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha. - Qual a sua opinião acerca do «Jornal Espiritismo»? Diogo CorreiaApesar de não ser um leitor assíduo, do que já li acho que é um jornal simples de leitura fácil e com temas que tocam qualquer pessoa, obrigando - -a a pensar.

- Do que já conhece do Espiritismo, isso mudou alguma coisa na sua vida? Diogo CorreiaPara mim mudou a forma de pensar e de reagir às situações da vida. Resolveu também problemas pessoais, dando-lhes um significado. Diogo Correia tem 35 anos. Reside em Caldas da Rainha e é pensionista. IMPRESSÃO DIGITAL Ao programar uma nova encarnação o Espírito, com a ajuda dos Guias Espirituais, pode escolher tanto o género de vida que pretende trilhar, quanto as características do corpo, pois as imperfeições deste são, para ele, provas que ajudam o seu progresso se vencer os obstáculos que nele encontra?