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Capa da edição nº 93 do Jornal de Espiritismo

93Jornal de Espiritismo nº 93

Março 2019 · 20 secções · ≈ 80 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda temas como a delicadeza da vida espiritual, simbolizada por um "vendedor de gelados" que auxilia crianças desencarnadas. Inclui um artigo sobre a importância do perdão, ilustrado por um diálogo entre Bezerra de Menezes e Quintino Bocaiúva. A seção de correio responde a leitores sobre toxicodependência, medo da morte e presenças espirituais, oferecendo conselhos baseados na doutrina espírita para encontrar paz e clareza. Contém também uma errata sobre a autoria de artigos anteriores.

Espiritismo
Perdão
Morte
Toxicodependência
Vida espiritual

Capa

Página 11 min

93 ANOXV JDE MAR Ç O : ABRIL . 2 0 1 9 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Assunto delicado, mais tarde ou mais cedo acaba por abordar toda a gente nos caminhos da vida marcada pela matéria densa. Normalmente todos falam de perda. Então?! Não se consideram os ganhos? Pág. 10 4 FEDERAÇÃO EDUCAR + Vamos falar de presença… Entes queridos: onde param os ganhos?

15 MEMÓRIA FRANÇOIS BRUNE Culto, bom, simples, reconhecido internacionalmente, desencarnou recentemente. 8 PROJETO ADEP.TV Este trabalho avançou mais um bocadinho... 16 OPINIÃO INSTINTO DE CONSERVAÇÃO É frequente abordar fontes que explorem os princípios da economia à luz da filosofia espírita? capa ulisses.com.pt MARÇO.ABRIL.

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Editorial / Conto

Página 24 min

EDITORIAL / CONTO Que paz tão boa nesta fria noite de inverno! O padre desencarnado, confuso na vida espiritual em que nem sabia já ter entrado, tinha sido levado pela mãe desencarnada, feliz: o filho finalmente tinha conseguido vê-la, depois de tanto velar por ele. Nas palavras deste Espírito, ela estava tão linda, vestida de luz. Agora, o médium em transe psicofónico dava lugar a um menino desencarnado, Carlos, que mentalmente acreditava ainda estar na praia, perdido do pai, e preocupado, à procura dele.

Quem o atendia, com vista a despertá-lo suavemente para o auxílio necessário, tenta uma mentalização. Sugere-lhe que agora, no momento adequado do esclarecimento, deveria estar a surgir-lhe na proximidade um banheiro ou salva-vidas, a pessoa cuja tarefa na praia consiste em ajudar as aflições de quem não respeita o mar. Feita a sugestão, alguns segundos de observação refletem-se no rosto do médium atuado pelas emoções da criança desencarnada, até que esta diz: «Não vejo nenhum banheiro.

Está aqui um… parece um vendedor de gelados». Ali ao lado, confesso que nunca tinha ouvido uma referência assim em reunião deste jaez e sorri. Descrever um amigo espiritual com funções notáveis de reconforto e esclarecimento na vida espiritual como um vendedor de gelados foi especial. Algumas pessoas sabem que as crianças desencarnadas, assim como incontáveis adultos, recebem proteção na entrada na vida espiritual. Algumas pessoas sabem que as crianças desencarnadas, assim como incontáveis adultos, recebem proteção na entrada na vida espiritual.

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Correio

Página 35 min

Toxicodependência e outras preocupações Escreve Maria: «Tenho um filho que consome droga e álcool. Tem 35 anos, muito agressivo. Diz que me ama, que sou a sua mãe, mas foi até preciso tirá-lo de perto de mim. Queria saber alguma coisa sobre isto». RespostaBom dia Maria. Imaginamos a sua dificuldade, mediante o filho em avançado processo de toxicodependência. Na verdade, a longo prazo, todos recuperamos, por mais graves sejam as situações, o bom rumo nem que seja mais tarde, depois das tribulações nascidas da ignorância, na vida que vai além da morte do corpo material.

Para já, em termos práticos, o importante é que o seu filho venha a aceitar um tratamento de desintoxicação e evite seriamente recaídas. Procure não passar a sua vida a pensar nas opções erradas que ele tomou, não se sinta culpada pela situação que ele construiu. Ore pelo seu filho o mais tranquilamente que puder e a seu tempo tudo melhorará, apesar das dificuldades que agora enfrenta. Procure estudar esta filosofia de vida, o espiritismo, pois traz muitas elucidações aos problemas que enfrentamos na vida, ajudando à sua resolução.

Medo da morte Por sua vez, Sílvia diz: «Conheço um pouco da doutrina, fiz inclusive alguns cursos. Acredito na reencarnação e tudo mais, mas sempre que falava com alguém sobre o assunto, verifiquei que tenho sistematicamente medo da morte. Será uma fobia?». Resposta – Provavelmente, mas temos aprendido que uma maneira de desmontar fobias sobre algo passa por estudar melhor o assunto. Quando num primeiro passo de aproximação a fobia nos provoca reação, a nossa imaginação reforça esse “susto”.

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Educar

Página 45 min

FEP foto fep EDUCAR + Analisemos se a nossa PRESENÇA é, ou, quando é: Presença Carinho; Presença Alegria; Presença Tempestade; Presença Medo; Presença Confiança; Presença… Ou, porque ainda navegamos pelas águas turvas da nossa própria imperfeição, por vezes, a nossa Presença caracteriza-se com um pouco de tudo. Como nos sentimos? Seremos capazes de fazer melhor? O que é que gostaríamos de mudar? Não estamos em posição de criticar.

Apenas queremos endireitar o nosso próprio caminho, fazendo melhores opções para que nos possamos pacificar e estarmos Bem Presentes nas vidas dos nossos filhos, Dignificando o Momento, dando Significado à relação mãe ou pai/filhos ou professor(a),educador/alunos, família. Daí esta nossa reflexão e partilha. Conquistar a paz interior, para que possamos ser serenos quando a situação se torna num turbilhão de emoções desreguladas, sendo que muitas vezes encontramos como solução mais rápida, aquela que é mais agressiva, (uma boa palmada, ou um grande rosnar), que nos leva ao cansaço, à exaustão, e que não nos deixa esperança, pois não resolve o problema e terá consequências menos boas para o futuro a longo prazo… Sim, os filhos estão ainda a crescer!

Hoje, crianças, com birras, amuos e alegrias; daqui a algum tempo jovens adolescentes que se encantam com a vida, mas que, por vezes, “esticam a corda” tentando levar a água aos seu moinho, que encontram pais cansados, inquietos, duvidosos do dia de amanhã, sobretudo, tentando responder à dúvida frequente: “Com este comportamento, como será o futuro do meu/minha filha/filho?” São esses filhos, os futuros políticos, os futuros construtores das sociedades vindouras, os futuros criativos, os futuros pais, que se pretende que sejam melhores do que os de hoje, que somos nós.

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Consultório

Página 53 min

É, também, conhecimento de todos os estudiosos da fenomenologia espírita-mediúnica que a base fornecedora de toda a matéria, e energia, existentes no Cosmo é o fluido cósmico universal. Este seria o veículo para a expressão omnipresente do “pensamento do criador” (2). No macro e no microcosmo sempre ocorreram as manifestações do Amor Universal, que atua através das inteligências espirituais ou “Potências Angélicas”, mobilizadas para a organização de formas e de funções com variabilidade infinita.

Neste oceano de energia cósmica, navega a matéria mental humana, capaz de gerar formas-pensamento dotadas de fluido vital. Essas ideoplastias têm duração variável, conforme a persistência da onda mental que produzimos. Somos, por isto, cocriadores em plano menor. A eletricidade e o magnetismo, derivações do fluido cósmico (universal), são constantemente modificadas e direcionadas pela matéria mental humana, ou seja, pelo nosso pensamento.

O fluxo energético provindo do campo psíquico de cada Espírito encarnado ou desencarnado é muito individual, específico, mas, André Luiz ensina-nos que raios ultracurtos se projetam dos seres angélicos que são sábios, plenos de amor e inteligência, atuantes no micro e macrocosmo como representantes do Amor Universal – Deus, esses seres sábios geram condições adequadas para a expansão e sustentação da vida nas infinitas variações da natureza deste planeta, bem como nos demais astros do universo.

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Breves

Página 64 min

23.º Concesp A Associação Espírita Consolação e Vida, em Águeda enviou uma circular na qual convida as crianças e os seus familiares, evangelizadores e companheiros das instituições espíritas, a participar no 23.º Concesp, que este ano é organizado pela Associação Espírita Consolação e Vida, no dia 26 de maio, subordinado ao tema “A Paz começa em mim”. A ficha de inscrição deve ser pedida à associação organizadora e enviada depois preenchida por e-mail: «Adorávamos poder contar com a vossa preciosa participação», diz Ana Cristina Carrancho, coordenadora do Departamento da Evangelização Espírita Infanto Juvenil da AECV.

Vale de Cambra: ciência e espiritualidade Sábado, dia 23 de março, entre as 10h00 e as 18h00, no auditório ACR (junto ao mercado), a Associação Cultural Espírita Mudança Interior, de Vale de Cambra, promove o certame sobre ciência e espiritualidade intitulado «Partes do Todo». Sendo necessária inscrição, o programa inclui diversas palestras, nomeadamente «Mitoso V Império», por Paula Antónia Coelho, professora e «Pela sua saúderir é o melhor remédio», pela voz de Joana Santos, médica.

No alinhamento do evento constam ainda «Novos paradigmasa espiritualidade na prevenção da droga», por João Passos Gonçalves, militar, o «Pensamento filosóficoessa coisa chamada realidade», por António Pinho da Silva, escritor, e «Tão antigo quanto o homemmagnetismo», por Arlindo Pinho, controlador de qualidade. Encontra todas as informações para poder assistir no site desta associação sem fins lucrativoshttp://www.acemi.

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Breves (pág. 7)

Página 74 min

O Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha no início de fevereiro deu-se conta de uma notícia mal redigida cujo lapso denigre na opinião pública o espiritismo. Por isso, em carta aberta dirigida à empresa jornalística em causa, subscrita pela presidente desta associação sem fins lucrativos, Amélia Reis, lemos: “Qual não foi o nosso espanto quando vimos uma notícia veiculada pela agência Lusa, citando fonte da Polícia Judiciária, associando a Filosofia Espírita (ou Espiritismo) à Operação “Vozes do Além” onde burlões enganavam pessoas, simulando um contacto com um familiar falecido de outra pessoa.

Em abono da verdade, e porque a imagem dos espíritas e do espiritismo ficou erradamente associada a criminosos, vimos esclarecer o seguinte, solicitando o respectivo esclarecimento: 1 - O Espiritismo nada tem a ver com este tipo de práticas, sendo um amplo movimento cultural que não se compadece com crendices, magias, superstiO auditório do Teatro Angrense, na ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, acolheu sábado, dia 20 de outubro de 2018, as VI Jornadas Culturais Espíritas da Ilha Terceira.

Organizado pela Associação Espírita Terceirense (AET), na Rua da Guarita, 186 A, Angra do Heroísmo, o tema em pauta foi «A vida continua: vale a pena viver». Neste evento, estiveram presentes conferencistas e inscritos do continente, que se deslocaram propositadamente para o mesmo, para além dos açorianos. Na abertura, o presidente da AET, Pedro Silva, saudou e deu a palavra ao presidente da Câmara Municipal local, bem como ao presidente da Federação Espírita Portuguesa (FEP), Vítor Mora Féria.

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Projeto

Página 83 min

«E se alterássemos o formato da próxima emissão para podcast?», pergunta Vasco. Explica que é «mais informal, focado mais na conversa, pois quem for ver em vídeo ou ouvir em áudio poderá perceber o conteúdo apenas com o áudio – o formato será idêntico como numa rádio». Mais vantagens desfilam: consiste num «um registo diferente, que permite ser consumido sem que os destinatários sejam obrigados a ver o vídeo; podemos divulgar na internet noutras plataformas de podcast (Spotify, Itunes e outros); a conversa envolve entre duas a quatro pessoas; podemos ter um convidado à distância via chamada telefónica (qualquer pessoa tem facilidade com telefone); há menos resistência a quem não está tão habituado a enfrentar câmaras»… As respostas vão aparecendo sem delonga, uma atrás da outra, entre os envolvidos e trazem um denominador comum: a ideia é boa!

O facto de proporcionar um maior à-vontade a quem está diante das câmaras de vídeo em estúdio, que não é profissional de comunicação, mas alguém que tem a sua profissão – técnicos de contabilidade e de informática, designers gráficos e técnicos de assistência a idosos debilitados, entre outros – e, por amor à divulgação da ideia espírita, se dispõe, num domingo à tarde, quando não trabalha profissionalmente, dar o seu melhor esforço de colaboração.

É também atraente o facto de este formato dar uma maior elasticidade de guião, uso mais adequado de intervenção por telefone da parte de quem está noutras cidades e, o que não é propriamente novidade face a outros modelos, ouvir e responder às perguntas colocadas pelos ouvintes a qualquer momento. Na hora de avançar, no tal domingo de tarde, os intervenientes em estúdio cedido foram Noémia Margarido, Betina Ferreira, Carlos Miguel e Ulisses Lopes.

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Opinião

Página 93 min

O que é concretamente este Encontro Mundial de Magnetizadores? Lígia PintoÉ um encontro de espíritas que se dedicam, entre outras coisas, ao estudo e prática do “magnetismo animal”, com intuito de poderem trocar ideias, informações e atualizações sobre o magnetismo aplicado. O encontro fomenta ainda a criação de laços de amizade e possibilita o enlace entre os grupos de estudo espalhados pelo mundo. Como define o que é um magnetizador?

Lígia PintoMagnetizador é todo aquele que se dedica ao estudo e prática do “magnetismo animal” dentro dos postulados estabelecidos pelo médico alemão Franz Anton Mesmer. O espiritismo veio para curar? Lígia PintoNo sentido lato da palavra cura, diria que sim, pois o Espiritismo faculta-nos o entendimento do que é realmente a vida e o seu verdadeiro objetivo. Aqui entenda-se a cura da alma como aquela cura que só nós podemos fazer por nós mesmos.

No sentido estrito da palavra, não. O Espiritismo não veio para promover a cura física, como também não veio para matar a fome e distribuir agasalho. Essa condição deriva do entendimento da máxima: “fora da caridade não há salvação”. Que relação encontra entre espiritismo e magnetização? Lígia PintoAo estudar Kardec tomei conhecimento de que ele fora magnetizador durante 33 anos da sua vida. Isso fez com que viesse a ler e a procurar com mais atenção na sua obra a implicação do magnetismo, implicação esta que é imensa, bastando ler que Kardec descreve o Espiritismo como ciência irmã do magnetismo.

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Centrais

Página 102 min

Entes queridos: onde param os ganhos? João sentiu forte o golpe da vida: acabado de sair da adolescência, o seu pai, na casa dos 40 anos, teve um ataque cardíaco e faleceu. Maria, mãe de um filho de tenra idade, viu ao longo de apenas um ano a vida material do marido esvair-se num problema cancerígeno. Manuel, acabado de alcançar o estatuto de avô, sente o falecimento da sua mãe quando esta senhora anda já nos 80 anos de idade.

A lista é interminável. Para inúmeras pessoas que não conhecem a doutrina espírita será um adeus sem retorno. Mas… como poderá entender este assunto quem gosta de estudar espiritismo? Perda de entes queridos O sentimento de perda é natural e inevitável. A conversa, o abraço, o telefonema, o desabafo ao fim de um dia de trabalho são luxos que deixam de ser possíveis mediante a morte do corpo material. É algo que se partilha ao longo da história da evolução de muitas maneiras.

Para podermos juntar dados que ajudem a refletir sobre esta parcela do conhecimento de nós próprios, talvez ajude recorrer ao que podemos observar nos nossos parentes que coabitam a nave espacial que é o planeta Terra. Observando alguns insetos gregários, concretamente diversas espécies de formiga, os especialistas na área destacam um comportamento automatizado. O coletivo prepondera sobre o individual. Num formigueiro, quando uma formiga morre, os demais animais ignoram o facto.

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Centrais (pág. 11)

Página 117 min

Assunto delicado, mais tarde ou mais cedo acaba por abordar qualquer um nos caminhos da vida marcada pela matéria densa. Normalmente todos falam de perda. Então? Não se consideram os ganhos? te uma secção a que os cientistas chamam latrina. Quando um dos membros do grupo morre, é detetado e transportam-no para esse local. Há de chegar uma altura em que já não cabe mais nada ali. Neste caso, tapam e abrem um novo espaço para esse fim.

Mais elaborados, os elefantes selvagens africanos são o epicentro de relatos de observadores. George Wittemyer, da Universidade do Colorado (EUA), comenta a observação da morte de um elefante de elevado estatuto: uma matriarca. Os grupos familiares de elefantes, como saberá, são constituídos basicamente por fêmeas e as suas crias. Herbívoros que são, necessitam de se deslocar segundo a água e o alimento que possam estar disponíveis ao longo do ano.

A matriarca é o precioso manual de instruções do grupo, cuja experiência e conhecimentos valiosos são fundamentais na sobrevivência. Diz o referido cientista que, perante a morte desta matriarca, uma fêmea permaneceu junto do corpo a balançar tromba e cabeça, e vários elefantes levantavam os pés à altura do crânio tombado, outros apalpavam com as trombas as presas. Depois disso seguiam o seu rumo. Uma outra pessoa, George Adamson, refere algo que acontece várias vezes com a destruição dos espaços selvagens e o emergente conflito entre agricultores e os elefantes.

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– Está muito bem

Página 127 min

E – Está muito bem. E então estudam… - Estudamos a imortalidade da alma, as vidas sucessivas, basicamente estudamos a maneira pela qual o amor de Deus nos renova as oportunidades de aprendizagem, de reencontro de afetos. Por exemplo, no meu caso, os meus pais, meu irmão, já partiram todos para a vida espiritual. Não os consigo ver nem ouvir. Mas sei que, um dia, quando chegar a minha vez de deixar o corpo físico, vou poder, quando Deus permitir, reabraçá-los, saber como vai a vida deles, o que têm aprendido, entendes?

Jesus dizia que há muitas moradas na casa de seu Pai. Lembras-te? E – Se me lembro. - Eras sacerdote? EEu? Acho que está visível o que sou. - Não consigo ver-te, sabes? Só te consigo ouvir. E – És cego? - Não. É assim: estás a falar comigo através de uma pessoa que tem sensibilidade para te captar os sentimentos, os pensamentos, porque de outra forma não conseguiria ouvir - -te para conversar contigo. E – Isso é estranho!

- É uma pessoa que se dispõe, sem qualquer contrapartida, a semanalmente participar nesta reunião, dá passividade a quem se quer manifestar e nós conversamos no sentido de ajudar quem se manifesta. Tudo sob o imenso amor de Deus. E – Funcionamento um tanto ou quanto complexo, não é? - Sim, mas funciona naturalmente. A ideia que temos da morte com os funerais e aquela encenação, aqueles mitos que aprendemos desde miúdos, muitas vezes a morte não é nada disso.

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Opinião (pág. 13)

Página 134 min

À primeira vista a sua derrota parece impiedosa. Que ele se considere um vencedor e que ainda dê esse exemplo glorioso como motivação para enfrentar as agruras que a vida nos coloca, é uma preciosa oportunidade de reflexão. Todas as épocas têm os seus desafios, mas o contexto social, cultural e político em que Jesus viveu foi particularmente difícil: um país em guerra e novamente ocupado, um povo dividido em tribos que ora se uniam ora se guerreavam, empestado de violência crua, pobreza extrema, fome e doenças terríveis, em que a corrupção económica, política e moral eram formas naturais de estar em sociedade.

Jesus não viveu como ermita, ele viveu como um judeu comum, foi um homem do seu tempo como qualquer outro. Teve a sua família, profissão, vestiu as mesmas roupas, respeitou as tradições e estabeleceu profundas relações de afeto com aqueles que partilharam os seus dias. No entanto, colocado diante dos desafios, dificuldades e seduções que a vida em sociedade lhe impunha, ele soube discernir o que tinha de ser feito, o que era certo e errado, o que lhe era benéfico e prejudicial.

Jesus venceu o mundo porque não se deixou conspurcar por ele, mantendo a integridade dos seus princípios íntimos como pedras basilares da sua vida. Integridade vem do latim “integritas” que significa completo, inteiro. “Para ser grande, sê inteiro”, escreveu Fernando Pessoa. A integridade exige verdade, ser autêntico e fiel a Eu venci o Mundo! si próprio, bem como manter-se eticamente coerente, escolhendo o que é certo em detrimento do que é aparentemente mais fácil ou benéfico.

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Crónica

Página 144 min

As pessoas estão diferentes, agitadas, nervosas, inseguras. As elites desapareceram ou perderam qualidade, algumas esparramando-se no lodo da corrupção. O Homem, perdido, sem rumo e sem quem o guie (como sempre teve ao longo da História) agita-se, embrenha-se no materialismo, materialismo este morto pela descoberta da Quântica. Quer ser feliz e não é. Quer ter, para ser feliz, e não tem. Se tem o que quer, não é feliz na mesma, e arranja vazadouros psíquicos nos estádios de futebol, na violência doméstica, nas questiúnculas sem sentido.

Os “media” perderam a qualidade em prol da produtividade e do escândalo a qualquer preço. As notícias sóosão quando se destaca o mal, esquecendo o imenso bem que existe no mundo. Os governantes, os banqueiros, os decisores mundiais parecem chacais, procurando locupletar-se com tudo o que encontram, numa sofreguidão pelo “ter”, pelo “poder” sem sentido, já que, logo mais, o corpo morre, os bens ficam, e o Espírito adentra-se numa nova dimensão de vida (a imortalidade do Espírito foi comprovada em 1857 por Allan Kardec – in “O Livro dos Espíritos”).

A vaidade, o ego e o orgulho levam a que outras deficiências morais campeiem. O planeta lança os seus gritos de dor, enquanto a indiferença do Homem vai matando oportunidades de rectificação. A dor está presente no presente, sob variadas formas, levando o Homem a interrogar - -se do porquê da Vida, quem é, de onde vem, para onde vai, qual a causa das dissemelhanças entre si. Estamos no fim dos tempos, dizem alguns. Sim, no fim dos tempos de iniquidade, fim da indiferença social, da injustiça social, das guerras, da fome.

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Memória

Página 154 min

Há dias de sorte. Soube por mero “acaso” que o Pe. François Brune estaria em Lisboa, num evento sobre “Tanatologia”. Um dos organizadores era o general Conceição e Silva (foi chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa). Lá fui, com um gravador de cassetes, para tentar uma entrevista. Apesar de muito solicitado e do apertado horário, o simpático padre Brune, sem me conhecer de lado nenhum, anuiu: “Sente-se aqui”, convidou-me, e num sofá no meio de um corredor, com pessoas a passar, ali estava eu qual formiguinha, perante um homem tão notável quanto simples.

Posteriormente voltar-me-ia a cruzar com François Brune em dois congressos sobre TCI (Transcomunicação Instrumental – comunicação com o mundo espiritual através de aparelhos eletrónicos), em Vigo, Espanha, primorosamente organizados pela diplomata portuguesa Anabela Cardoso. Lado a lado com pesquisadores e cientistas de todo o mundo, François Brune era figura de destaque, não só pelas suas pesquisas em TCI mas pela pessoa que era: um homem bom, simples, afável, muito culto e de mente aberta.

Sendo padre católico falava abertamente da comunicabilidade dos Espíritos, da imortalidade, da reencarnação, ora concordando ou discordando, mas o seu sorriso e simpatia eram imagem de marca, que a todos cativava. Em 1987 conheceu, no Luxemburgo, o casal de pesquisadores de TCI Jules e Maggy Harsch-Fischbach. Levado pela curiosidade científica, participou em algumas experiências e, diante das evidências encontradas concluiu (tal como os demais pesquisadores) tratar-se realmente de comunicações de “mortos” ou Espíritos.

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Opinião (pág. 16)

Página 166 min

O próprio Allan Kardec, na sua obra “Viagem Espírita em 1862”, publicou um projeto de regulamento da Sociedade Central de Paris para uso de pequenos grupos e sociedades espíritas, no qual começa por expressar a proibição das questões políticas e de economia social, bem como as controvérsias religiosas. É perfeitamente compreensível esta precaução na obra de Allan Kardec. De facto para a época, a economia social significava um comprometimento com o confronto ideológico entre os adeptos do socialismo que sustentavam a capacidade de auto- organização dos assalariados e as correntes religiosas sociais cristãs que recusavam quer o liberalismo, quer o socialismo.

O conceito atual de economia social evoluiu desde então, sendo definida por uma vasta diversidade de atividades económicas e sociais que não buscam o lucro como um fim, mas sim o bem-estar dos cidadãos. De uma forma ou de outra, não está em causa a análise da economia social no presente artigo. Por outro lado é legítimo que aspiremos a refletir todos os temas da nossa existência, à luz da filosofia espírita, onde naturalmente, a economia não foge à regra.

Para reforçar a importância desta reflexão, relevamos todo o quinto capítulo de “O Livro dos Espíritos”, dedicado à “Lei de Conservação”, que envolve questões consagradas aos princípios da economia espírita, numa perspectiva muito abrangente. O tópico por excelência da economia espírita denomina-se “instinto de conservação”, que nos remete para as relações entre os meios de conservação proporcionados pela natureza, os limites das necessidades e o controlo do supérfluo, na existência humana.

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Cinema

Página 173 min

Um coração na escuridão Ernst Toller é o pastor de uma pequena congregação protestante no estado de Nova Iorque quase a fazer 250 anos, chamada First Reformed. Toller é um homem sofrido, doente e enleado em perturbações e conflitos existenciais derivados da morte do seu filho na guerra do Iraque. Como uma catarse, escreve um diário com intenção de ser uma forma de oração, mas que na realidade é apenas um instrumento de autopunição.

Toller fomenta essa autopunição rejeitando o prazer e a alegria, parecendo retirar disso algum tipo de alívio dos tormentos que o passado lhe causa, das desilusões que as falhas da humanidade lhe provocam e de uma crise de desespero que está permanentemente encapotada. No final de uma das suas missas, ele é procurado por Mary, uma jovem grávida que pede ao pastor que tenha uma conversa com o marido, Michael, um ativista ambiental recém-libertado da prisão e que tem tendências suicidas.

Ao conversar com Michael, Toller constata que é impotente para oferecer algum alívio às aflições com que ele se debate, nem sequer oferecer um reles bálsamo para colmatar o desespero do ambientalista face à indiferença e inação do mundo diante dos problemas ambientais. Essa conversa mexe profundamente com Toller e torna-se ainda mais impactante devido ao desfecho trágico que lhe seguirá. “Um Coração na Escuridão” foi realizado por Paul Schrader, o aclamado realizador de “Taxi Driver”, que volta a fazer um retrato de um homem em crise que vê agravar o seu desespero à medida que compreende com um grau maior de lucidez o falhanço da humanidade.

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Entrevista a frequentadores Sabia que?

Página 183 min

São recorrentes as mensagens ditadas pelo Espírito Maria Dolores (1900/1959) aos médiuns Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, que em poemas cheios de ternura focam as datas do Natal e do Dia da Mãe? A primeira inscrição para a 15.ª Jornada de Cultura Espírita do Oeste foi a de Maria Cecília Rodrigues, de Caféde-Castelo Branco? Integrado na vida corpórea o Espírito perde, temporariamente, a lembrança das suas existências anteriores, podendo, no entanto, ter delas uma vaga consciência ou serem-lhe mesmo reveladas em certas ocasiões, pela vontade dos Bons Espíritos e com uma finalidade útil?

Sendo muito diversas as consequências do suicídio, pois não há penas determinadas, há uma a que o suicida não pode escapar: é o desapontamento. Uma família de ratinhos vivia feliz na sua toca e um dia, estando o pai e os irmãos mais velhos a trabalhar, a mãe disse ao filho mais novo para ir visitar o tio e convidá-lo para vir passar uns dias com eles. O tio Joel vivia do outro lado da savana. O pequeno disse à mãe que não sabia o caminho, pois nunca lá tinha ido.

Ela sorriu e respondeu - -lhe que era muito fácil, bastava seguir o carreirinho das formigas. Encontraria a casa do tio com muita facilidade. Confiante, o ratito pôs ao caminho. Avistou o carreirinho das formigas e pôs-se a caminhar na mesma direção. A certa altura encontrou um elefante no início da savana e este meteu conversa com o pequeno roedor. - Olá pequenote, vejo que vais muito acelerado. Posso saber onde vais com este calor?

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Sustentável

Página 194 min

Ao longo de seis páginas, o último capítulo de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO analisa o Pai-Nosso, oração dominical (isto é, composta “pelo Senhor”). Ali se desenvolve a síntese magnífica em que Jesus nos lega, não uma fórmula ritual de ocasião, mas um sempre hodierno roteiro ético e espiritual de meditação – vigoroso nutriente anímico para a jornada diária, no longo trajeto evolutivo de aperfeiçoamento e autorrealização que iniciámos como átomo e nos guia para a consciência angélica.

O texto do Pai-Nosso constitui precioso amparo aos seguidores de qualquer (ou de nenhuma) confissão religiosa instituída. Em discurso muito simples, lógico, universalista, resume os grandes princípios da Vida, cuja essência é AMOR, o amor pluriforme e omnipresente na obra do Criador; o seu modo mais elementar é a dualidade atração-repulsão (não contraditórias, mas complementares e em equilíbrio), presentes nas quatro forças básicas do Universo: gravitacional, eletromagnética, nuclear forte e nuclear fraca.

Outras passagens da pedagogia incomparável de Jesus resumem no Amor “toda a Lei e os profetas”: amar a Deus, amar ao próximo, amar a si mesmo (claro, não se trata de amar o próprio egoísmo e caprichos, mas de algo que a Psicologia científica veio a estabelecer como autoestima, condição indispensável de saúde mental e orgânica). Invocar Deus como Pai é amá-Lo e abrir - -se ao seu amor constante, imutável, qual criança frágil e confiante chamando o seu progenitor.

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Última

Página 203 min

Encontro Espírita do Algarve O tema central do X Encontro Espírita do Algarve este ano é “A Universalidade do Ensino dos Espíritos” e vai decorrer no auditório do Hotel Eva, em Faro, domingo, dia 12 de maio, entre as 9h30 e as 18h00. O evento conta com as conferências de vários oradores, nomeadamente de Maria Paula Silva, presidente da Associação Médico-Espírita do Norte, que discursará sobre «O espiritismo: precursor da ciência», bem como com Nuno Cruz do C.

E.A.C.C., Lisboa, que dará uma palestra sobre «A existência de Deus». Outro subtema é «A pluralidade dos mundos habitados» que está ao cuidado de Gonçalo Marques, da associação organizadora do certame, a Associação Núcleo Familiar Espírita Mentor Amigo, de Faro. «A reencarnação» será abordada por Carlos Miguel, técnico na área das Tecnologias da Informação que nos tempos livres é colaborador do Centro Espírita Caridade por Amor, do Porto.

Haverá vários momentos culturais. Logo a abrir há um que é preenchido pela harpista Helena Madeira, de Faro, seguindo-se ao longo do programa outros espaços como o que será ocupado pela pianista Luísa Fernandes e pela soprano Ana Maria Palma, sem esquecer o cantor Gabriel Fialho da Associação Espírita de Lagos e Manuela Félix da associação organizadora. O evento exige inscrição prévia. Quem desejar comparecer obtém mais informações pelo telemóvel 965053743 e pelo e-mail nfe_mentoramigo@sapo.

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