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– Está muito bem

Jornal de Espiritismo nº 93 · Março 2019Página 127 min

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E – Está muito bem. E então estudam… - Estudamos a imortalidade da alma, as vidas sucessivas, basicamente estudamos a maneira pela qual o amor de Deus nos renova as oportunidades de aprendizagem, de reencontro de afetos. Por exemplo, no meu caso, os meus pais, meu irmão, já partiram todos para a vida espiritual. Não os consigo ver nem ouvir. Mas sei que, um dia, quando chegar a minha vez de deixar o corpo físico, vou poder, quando Deus permitir, reabraçá-los, saber como vai a vida deles, o que têm aprendido, entendes?

Jesus dizia que há muitas moradas na casa de seu Pai. Lembras-te? E – Se me lembro. - Eras sacerdote? EEu? Acho que está visível o que sou. - Não consigo ver-te, sabes? Só te consigo ouvir. E – És cego? - Não. É assim: estás a falar comigo através de uma pessoa que tem sensibilidade para te captar os sentimentos, os pensamentos, porque de outra forma não conseguiria ouvir - -te para conversar contigo. E – Isso é estranho!

- É uma pessoa que se dispõe, sem qualquer contrapartida, a semanalmente participar nesta reunião, dá passividade a quem se quer manifestar e nós conversamos no sentido de ajudar quem se manifesta. Tudo sob o imenso amor de Deus. E – Funcionamento um tanto ou quanto complexo, não é? - Sim, mas funciona naturalmente. A ideia que temos da morte com os funerais e aquela encenação, aqueles mitos que aprendemos desde miúdos, muitas vezes a morte não é nada disso.

É como um sono. Quando o corpo está a morrer, nós adormecemos – o amor de Deus permite que assim não soframos tanto –, o corpo deixa de estar ligado a nós e, como almas que somos, saímos com um corpo espiritual. Quando despertamos, temos este corpo, mas já não temos corpo físico. A vida continua. E – Ora aí está uma situação digna de um prémio Nobel, se isso fosse descoberto e provado, não é? - A atribuição desses prémios baseia-se muito na política, não é?

E – É uma forma de expressão. Porque, meu caro, isso não está assim tão provado. Desde o século XIX, ouvi falar nisso, de qualquer maneira a sobrevivência da alma é um facto. Mas cheia de interrogações, cheia de mistérios… - Talvez não seja. São as próprias leis da natureza a funcionar. Não querem saber se as conhecemos, se acreditamos nelas, se não acreditamos – funcionam e pronto. E é isso que está a acontecer. Aceitarias que fizéssemos uma prece a favor do teu bem-estar, da tua paz interior.

Quem sabe, se com amor no coração, não ganhas olhos para a luz? E – Mas sou eu que a faço? - Posso fazer eu? Fica mais curtinha, é um minuto. E – Sim, de certo modo serei um convidado. - Vais ver que terás boas surpresas. (prece) - Já viste? Quanta paz… agora, se observares bem, até vais conseguir ver mais coisas que não vias quando chegaste, aqui em torno de nós. Já viste quanta gente está a ser ajudada aqui? Estás num sítio de apoio espiritual sustentado pelo imenso amor de Deus.

(silêncio, enquanto observa a dimensão espiritual da reunião) E – Vocês realizam aqui um trabalho… fico é um bocado apreensivo é quanto a esta situação da vida depois da morte. Como qualquer pessoa ligada à religião, se interroga se isso é possível, não acontecer. Eu particularmente tive ao longo da minha vida muitas experiências, muitas queixas, muitos pedidos de socorro, inclusive para fazer exorcismos (nunca fiz, não me sinto com capacidade), a presença de entidades (na maioria) malfazejas, embora também apareçam alguns, ou se fazem passar por familiares de outras pessoas mais… benéficas, mas sempre desconfiando devido à invisibilidade com que se apresentam.

Vocês estudam isso. A minha pergunta, se for possível colocá-la, têm provas documentais em como a vida continua? - Olha: o que estás a ver aqui a decorrer são pessoas que já não têm corpo físico. Umas estão a ser ajudadas, outras estão a ajudar… E – Quais? - Vê como estão vestidos. Achas que é roupa normal? E – Ah! Referes-te àqueles? - São como anjos. Ajudam aqueles que ainda não conseguiram libertar-se dos entraves que criaram em si próprios.

E – São sacerdotes da medicina, não é? Mas estão no plano físico, não é? - Não. Já estão no Plano Espiritual, como tu. Por isso é que precisas de falar através de outra pessoa. Sabes aquelas situações que se dizia de “morada aberta”? E – Sim. - São médiuns, e essa sensibilidade pode ser usada para ajudar outros. É por isso que estamos a conversar. Deus permitiu que nos encontrássemos para poderes ver como te ama e como tens caminhos cheios de esperança diante de ti.

E – (balbucia) Eu percebi bem… mas já agora… não te importas de repetir? Estás a dizer que eu… aqueles que estão ali… - Já não têm corpo físico. São almas, que têm só corpo espiritual. Lembras-te de uma epístola de São Paulo que diz semeia-se corpo animal ressuscita corpo espiritual? Ele falava da imortalidade da alma. E – E a minha condição é… - O teu corpo já morreu há anos, provavelmente. Já estás desligado, despertaste na vida espiritual, mas estavas imerso nas sensações materiais.

Estamos a conversar para que encetes já o caminho que te levará a seres mais feliz. E – Ah, isto… isto… (emocionado) - O que vês aqui em volta? Há alguém que conheças? Vê bem. (pausa) - Todos caminhamos há tanto, tanto tempo, numa estrada chamada amor… mesmo sem sabermos. E – Louvado seja Deus! - Já viste como é grande o amor de Deus? E – Como é que consigo ver isso?! Como é que é possível a minha mãe estar aqui? - Então, é a alma dela, que é ela própria.

Não somos corpos que têm almas, mas almas que têm corpo. Ela veio dar-te as boas-vindas à vida espiritual. E – Então eu morri, o meu corpo morreu, e eu estou aqui em espírito? - Sabes em que ano estamos? Estamos em maio de 2016. E – Dois mil e dezasseis? Não é possível! Aí já tinha passado dos cem anos! - Não sei. E – Eu não tenho tanta idade! Que se passou durante este tempo? - O tempo é diferente na vida espiritual.

Estiveste a dormir provavelmente. E – Ah… a dormir. - Inconsciente. Quando o teu corpo morreu, fizeram-te o funeral. Depois podem explicar - -te isso tudo. A tua mãe saberá contar-te. Estás livre. E – Dois mil e dezasseis?! Já para lá de 2000? - Em que ano julgavas que estavas? E – Ui, meu Deus! Tantos anos… estamos em 1927! - Ah, não. Depois disso já houve mais uma guerra mundial terrível, já virámos o milénio. Sabes o que evangelho quer dizer?

Boa nova. Boas notícias. E uma boa notícia é teres aí a tua mãe para te dar as boas-vindas. Já viste que bom? E – Eu vou-me já agarrar a isso, mas tanto tempo… eu estive enterrado, foi? - Não. Nunca estiveste enterrado. Desligaste - -te do corpo físico, ficaste inconsciente. E – Então passamos por essa fase? Desconhecemos… - Nós estudamos isto. Há livros, fazem-se experiências, ouvimos palestras… E – Nestes anos todos as coisas evoluíram.

Por isso eu não sabia. - Vais descobrir assuntos maravilhosos, nem imaginas. E – Pois, então se a vida se apresenta assim… - Hora a hora Deus melhora. E – E então a minha santa mãe ali… - Ela está a convidar-te. E – Ela veio-me buscar então. E aquelas pessoas que estão ali? - Não estou a ver, tens de perguntar a tua mãe. E – São dois anjos, eles brilham… estão ao lado dela. A minha mãe também… - Olha que bom. Por causa do amor que sente, está feliz.

Ela já te acompanhava, mas tu não a vias. Ao vires aqui conseguiste olhos para essa luz. E – É maravilhoso! Sinto-me envergonhado… - Não sintas, é normal. E – É que não fui um… cem por cento perfeito… - Não te preocupes. É também com lapsos que se aprende. E – Estou aqui com uma calma que nem sei como a tenho. Tenho-me torturado nestes últimos dias, tem-me vindo tudo aquilo de errado que fiz. - Não te preocupes, a imortalidade existe e podes compensar de forma que esses atos fiquem anulados.

E – Então a vida continua… (…) Foi muito agradável conversar contigo. - Que Deus te abençoe.» Texto: J. Gomes MARÇO.ABRIL.2019 DIVULGUE OS ACONTECIMENTOS DA SUA ASSOCIAÇÃO Envie as suas notícias para adep@adeportugal.org e, para além de ser enviada por e-mail, será inserida na Agenda do movimento espírita português, no respectivo dia e mês, facilitando assim a consulta de eventos espíritas nacionais. Aceda a essa agenda em www.

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É curioso ele considerar-se um vencedor: foi um pária da sociedade vagueando os últimos anos sem destino certo, admirado apenas por gente simples, pelos aflitos, doentes e perturbados, traído por um dos seus amigos mais próximos, preterido publicamente por Barrabás e crucificado como um qualquer criminoso.