Educar
Jornal de Espiritismo nº 93 · Março 2019Página 45 min
FEP foto fep EDUCAR + Analisemos se a nossa PRESENÇA é, ou, quando é: Presença Carinho; Presença Alegria; Presença Tempestade; Presença Medo; Presença Confiança; Presença… Ou, porque ainda navegamos pelas águas turvas da nossa própria imperfeição, por vezes, a nossa Presença caracteriza-se com um pouco de tudo. Como nos sentimos? Seremos capazes de fazer melhor? O que é que gostaríamos de mudar? Não estamos em posição de criticar.
Apenas queremos endireitar o nosso próprio caminho, fazendo melhores opções para que nos possamos pacificar e estarmos Bem Presentes nas vidas dos nossos filhos, Dignificando o Momento, dando Significado à relação mãe ou pai/filhos ou professor(a),educador/alunos, família. Daí esta nossa reflexão e partilha. Conquistar a paz interior, para que possamos ser serenos quando a situação se torna num turbilhão de emoções desreguladas, sendo que muitas vezes encontramos como solução mais rápida, aquela que é mais agressiva, (uma boa palmada, ou um grande rosnar), que nos leva ao cansaço, à exaustão, e que não nos deixa esperança, pois não resolve o problema e terá consequências menos boas para o futuro a longo prazo… Sim, os filhos estão ainda a crescer!
Hoje, crianças, com birras, amuos e alegrias; daqui a algum tempo jovens adolescentes que se encantam com a vida, mas que, por vezes, “esticam a corda” tentando levar a água aos seu moinho, que encontram pais cansados, inquietos, duvidosos do dia de amanhã, sobretudo, tentando responder à dúvida frequente: “Com este comportamento, como será o futuro do meu/minha filha/filho?” São esses filhos, os futuros políticos, os futuros construtores das sociedades vindouras, os futuros criativos, os futuros pais, que se pretende que sejam melhores do que os de hoje, que somos nós.
E ficamos a pensar… No tempo em que Jesus nos trazia as lições vivas de Vida, da Sua própria Vida, percebemos nos estudos que o Espiritismo nos trouxe, que a Sua Presença conseguia resolver, amenizar, mudar o ponto de vista daqueles que Lhe cruzaram o Caminho… por vezes, colocava a semente que emergia em forma de uma Fé viva, inabalável. Contam os Espíritos que o seu olhar impregnado de magnetismo, de Amor, calava qualquer um, mergulhando no silêncio da alma, fazendo surgir do imo do Ser, aquilo que havia de melhor.
Jesus, a Alma pura, que nos guiou e guia, faz-nos pensar e ver como fazer com aqueles que são nossos tutelados… e mais, faz - -nos perceber a postura do Mestre PRESENTE. Perante a tempestade das águas, serenou de forma dócil e tranquila, mas perguntou: “Aonde está a vossa Fé?”; Perante a mulher adúltera, sem agravar a situação, auxiliou os corações empedernidos dos homens que a acusavam, a colocarem a mão na consciência… e a tomarem a melhor atitude; Perante a cura do aleijado, a recomendação paternal e vigorosa “Vai e não peques mais!
”; Perante a dor da Mãe no momento da crucificação, a esperança “Eis aqui o teu filho!” O Caminho que Jesus oferece a todos não requer velocidade, nem é milagroso, nem se encontra em receitas do fast food: é um caminho interior, feito de momentos, de Presenças, de escolhas, de atitudes mais conscientes. Ele ensina-nos a preencher a nossa Presença com o melhor que há em nós; com a máxima transparência; com renúncia e responsabilidade; com consciência; com a coragem do Homem de Bem.
A proposta é bem simples e clara: Melhorar a pessoa que és! Abraçar o compromisso que a Vida te oferece. Educa-te para melhor educares. E para que eduquemos os outros com justiça, com amor, com verdade, é necessário trabalhar estes conceitos em nós próprios. Ou seja, o espelho que há em nós não pode estar baço: sejamos justosser melhor para dar melhores exemplos, torna - -nos capazes de mostrar/dar os limites aos nossos filhos/ alunos; Saibamos pedir perdão e perdoar – tornarmo-nos indulgentes, mais humanos, para que as nossas crianças/jovens também o sejam e saibam perdoar; sejamos mais transparentes para não sermos tão manipuladores, para que os nossos filhos sejam mais verdadeiros, cresçam longe das intrigas, do ciúme, da inveja… a Verdade Salva!
Isto lembra-me um episódio contado pela Magda Gomes Dias da Escola da Parentalidade e Educação Positivas, que nos brindou com a sua presença no Encontro Nacional de Educadores Espíritas, em novembro passado, e que nos ilustra como funciona bem, quando somos verdadeiros com os nossos filhos, sem sermos “bobocas” ou extremistas nas nossas atitudes. Conta que um pai de uma adolescente, corria exausto, depois de um dia de trabalho, para chegar a casa, a tempo de ajudar a filha nas lições de matemática, onde ela sentia a maior dificuldade.
Porém, a filha, ao contrário daquilo que o pai esperava, mostrava-se ingrata, quando de propósito respondia mal às questões, que até já tinha compreendido. Esta atitude estava a levar o pai a uma situação de extrema intolerância, já que parecia que a jovem estava a precisar de ser castigada. Finalmente, o pai encontrou uma solução que acabou por ser útil e educativa trazendo paz, positivando a Presençaea sua paternidade perante a filha.
Oque fez depois de ter sido aconselhado? Acabou por dizer à filha a Verdade: “Sabes, filha, tenho corrido após o trabalho para chegar a casa a tempo para te ajudar nos estudos. Faço isso porque quero muito ajudar-te e não por ser obrigado; porém, sinto - -me desrespeitado, pois sinto que não estás aqui de forma séria. Se voltar a acontecer essa atitude, eu fecho o livro e vou-me embora, porque não me quero sentir desrespeitado, não sou nenhum boneco.
Pois bem, a jovem “esticando a corda”, após mais uma pergunta sobre a matéria, voltou a responder torto. A isso o pai levantou-se e foi para dentro. Meia hora depois, percebendo o limite que o pai impôs de forma correta e humana, a jovem caindo em si, pediu ao pai que a ajudasse a corrigir o trabalho, ficando séria e com ar de que já não voltaria a fazer o mesmo. E não fez. A sua atitude mudou. O que aconteceu? A Verdade.
É preciso dar limites, ensinar o respeito começando por nós mesmos e espaço para assimilar… sem gritos; ajudar o mais jovem a “ativar o diálogo interior” sem entrar em jogos de poder, de convencer; educar é também saber dar-se ao respeito para que o outro compreenda que é preciso mesmo respeitar e até onde vai o seu limite pessoal. A ideia do “fazes que eu digo e não o que eu faço” é um mau princípio e confunde. “O Livro dos Espíritos”, no capítulo sobre a Lei da liberdade, na questão 827, explica: “A obrigação de respeitar os direitos alheios tira ao homem o direito de ser senhor de si?
Absolutamente, pois esse é um direito que lhe vem da natureza.” Entendamos o que estamos a fazer, procurando ser mais assertivos, com serenidade e amor. Ufa! Grande caminhada… Vamos em frente? Deixamos aqui os links prometidos pela Magda Gomes Dias, durante o ENEIJ, para quem quiser consultar acerca da Escola da Parentalidade e Educação Positivas: www.parentalidadepositiva.com; Blogue: Mum’s the boss | Facebook: Mum’s the boss | Instagram: Mum’s the boss | | Youtube: Mum’s the boss | Por Manuela Vieira Vamos falar de PRESENÇA.
Da nossa PRESENÇA na vida dos nossos filhos/dos nossos alunos/das crianças e jovens em geral. MARÇO.ABRIL.
