Sustentável
Jornal de Espiritismo nº 93 · Março 2019Página 194 min
Ao longo de seis páginas, o último capítulo de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO analisa o Pai-Nosso, oração dominical (isto é, composta “pelo Senhor”). Ali se desenvolve a síntese magnífica em que Jesus nos lega, não uma fórmula ritual de ocasião, mas um sempre hodierno roteiro ético e espiritual de meditação – vigoroso nutriente anímico para a jornada diária, no longo trajeto evolutivo de aperfeiçoamento e autorrealização que iniciámos como átomo e nos guia para a consciência angélica.
O texto do Pai-Nosso constitui precioso amparo aos seguidores de qualquer (ou de nenhuma) confissão religiosa instituída. Em discurso muito simples, lógico, universalista, resume os grandes princípios da Vida, cuja essência é AMOR, o amor pluriforme e omnipresente na obra do Criador; o seu modo mais elementar é a dualidade atração-repulsão (não contraditórias, mas complementares e em equilíbrio), presentes nas quatro forças básicas do Universo: gravitacional, eletromagnética, nuclear forte e nuclear fraca.
Outras passagens da pedagogia incomparável de Jesus resumem no Amor “toda a Lei e os profetas”: amar a Deus, amar ao próximo, amar a si mesmo (claro, não se trata de amar o próprio egoísmo e caprichos, mas de algo que a Psicologia científica veio a estabelecer como autoestima, condição indispensável de saúde mental e orgânica). Invocar Deus como Pai é amá-Lo e abrir - -se ao seu amor constante, imutável, qual criança frágil e confiante chamando o seu progenitor.
Santificar o seu nome, santo já de si mesmo, é pautar por ele, eticamente, todo o nosso proceder (material, emocional, espiritual). Pedir o pão de cada dia (sustentação orgânica, mas também emocional e anímica) é amar a si próprio, atender a necessidades pessoais junto à Fonte inesgotável de suprimento, sempre disponível. Pedir perdão pelos erros, exercê-lo também para com o próximo, é amá-lo, ver nele filhos estremecidos do Pai amoroso que nos irmana a todos; é ainda amor a Deus através do próximo, sob a forma de compreensão, lucidez, solidariedade, ausência de juízos.
Rogar ao Pai o amparo nas tentações e que nos livre de todo o mal, é reconhecermos sensatamente a própria fragilidade, não a de outrem. Com isso prevenimos quedas de todos nós, evitamos a sobranceria estulta de condenar trambolhões alheios assim como o sectarismo da pressa em nos demarcarmos dos seus agrupamentos (ou demarcá-los de nós), como se fôssemos inatacáveis, imunizados contra escândalos semelhantes. Foi, salvo erro, Santo Agostinho o autor da afirmação: “não existe crime nenhum que eu não possa cometer, se não for amparado pela bondade divina“.
Por João Xavier de Almeida Novas de alegria – 18 foto pixabay De acordo com o IPCC, o grupo de cientistas que compõem o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas, para mantermos as condições de sustentabilidade ambiental em níveis não muito dramáticos, seria necessário limitar o aquecimento global a apenas 1,5 graus acima dos níveis pré - -industriais. Não vai ser nada fácil. Antes pelo contrário, é uma tarefa tão ambiciosa que alguns a consideram quase impossível.
Estando dependente da vontade e sensibilidade política para promover as ações globais necessárias, este objetivo está condicionado a uma série de mudanças de hábitos e comportamentos que afetam o nosso dia-a-dia. Precisamos repensar a forma como nos deslocamos. Mais de 90% dos transportes são movidos a combustíveis poluentes e produtores de gases de efeito estufa. Os transportes são responsáveis por 25% de todas as emissões de CO2.
Cada vez que nos deslocamos podemos fazer escolhas sustentáveis, optando pelo auUm planeta que exige mudanças foto pixabay tocarro, metro, comboio, privilegiando as bicicletas ou até as saudáveis caminhadas. Quando o uso do carro se torna indispensável, podemos procurar fazê-lo em modo partilha ou usando um veículo com baixas emissões de CO2. As viagens de avião são as mais penalizadoras para o meio ambiente e também aí terão que existir mudanças.
É necessário repensar a eficiência energética dos edifícios, usando lâmpadas de baixo consumo, assegurando um eficaz isolamento térmico, reduzindo a temperatura da água quente, usando termóstatos inteligentes, restringindo o uso de aparelhos de baixa eficiência energética e, tendencialmente, incentivar à produção da própria energia a partir de placas solares. Indispensável será também repensar a forma como nos alimentamos.
O consumo de carne de vaca é o mais agressivo para o ambiente e terá de ser reduzido. Logo a seguir, na escala dos alimentos mais nocivos para o ambiente vêm as frutas tropicais que são transportadas por via aérea. Uma boa estratégia será privilegiar alimentos produzidos localmente, para que se evite o custo ambiental do transporte. De uma forma mais global, precisamos de repensar o consumo. Tudo o que vemos à nossa volta são recursos do planeta transformados, que precisaram de matérias-primas naturais, água e energia para poderem ter o aspeto e a função que vemos hoje.
Precisamos mudar hábitos, comportamentos e estilos de vida. Para limitar o aquecimento global não é necessário destruir todo o nosso modo de vida, o que é necessário é mudar as perceções e atitudes da população, ajustando-as não apenas às necessidades, mas também à disponibilidade e à igualdade de acesso. Repensar, reduzir, reutilizar e reciclar são lemas que deverão estar sempre presentes nas escolhas que fazemos ao nível do consumo.
Para além de conhecermos os impactos que causamos ao ambiente, será necessário tomar consciência de que, para conseguirmos limitar o aquecimento global a 1,5 graus, precisamos mudar hábitos e formas de consumir, compreendendo que quanto mais contribuirmos, menos impossível será atingir o objetivo. À medida que cada vez mais gente estiver engajada na escolha de alternativas ecológicas que melhorem a nossa qualidade de vida bem como o ambiente, isso será uma influência positiva para que os políticos fiquem, também eles, mais sensíveis às mudanças que são necessárias.
Por Carlos Miguel MARÇO.ABRIL.
