Cinema / Literatura
Jornal de Espiritismo nº 94 · Setembro 2019Página 178 min
CINEMA / LITERATURA Obra de pesquisa da escritora e expositora espírita brasileira, Simoni Privato Goidanich, que abre mais uma frente de combate à ignorância da história do Espiritismo na Europa, em geral, e na França, em particular, no período que se seguiu à morte de Allan Kardec até ao final do século XIX e princípio de século XX. A sua tese geral visa demonstrar-nos a deturpação do pensamento de Allan Kardec e a tese específica, demonstrar-nos a adulteração da última obra da Codificação Espírita: “A génese, os milagres e as predições, segundo o Espiritismo”, que teve a sua 1.
ª edição no dia 6 de Janeiro de 1868. Ainda em 1868, com a presença física do Codificador, foram editadas as 2.ª, 3.ª e 4.ª edições, sem quaisquer alterações do seu conteúdo. Os factos “narrados fundamentam-se em provas fidedignas que a autora obteve pessoalmente nos Arquivos Nacionais da França e na O legado de Allan Kardec Biblioteca Nacional da França, em Paris, bem como da Confederação Espiritista Argentina e na Associação Espiritista Constança, ambas [instituições centenárias] de Buenos Aires”.
Após a morte de Allan Kardec, A. Desliens assume o lugar de secretário-gerente da “Revista Espírita”, como membro administrador da Sociedade Anónima do Espiritismo, que fora constituída para dar continuidade à obra do Codificador. No dia 27 de Junho de 1871, por dificuldades diversas, e após a guerra civil de Abril e Maio, em Paris [Comuna de Paris e “Semana Sangrenta”], Desliens apresenta a sua renúncia de secretário-gerente da Revista e de membro da Sociedade Anónima.
Pierre Gaëtan Leymarie (1827-1901) depois de regressar a Paris em 1871, proveniente de Oise, onde lutara pela república, recebe uma proposta para substituir o amigo Desliens, que aceita. A partir desse momento o legado de Allan Kardec, à revelia de Amélie Boudet (1795-1883), começa a ser desvirtuado e esquecido em detrimento de novas doutrinas. Leymarie justifica as alterações na “Revista Espírita”, com o argumento de que o Espiritismo entrava numa “nova fase”.
Não mais a “concordância universal dos princípios”, instituída pelo Codificador. Passando a ser intransigente com relação às críticas dos próprios espíritas, e ainda a aceitar remuneração para se realizarem tarefas doutrinárias, afastando-se, assim, por completo do exemplo de abnegação e desinteresse pessoal de Allan Kardec. Não podemos deixar de registar a introdução na “Revista Espírita”, da doutrina absurda e confusa de Jean-Baptiste Roustaing (1805- 1879), da doutrina esotérica de Madame Blavatsky (1831-1891), entre outras, que perturbaram os espíritas e ridicularizaram a «Sabedoria dos Espíritos Superiores», que Allan Kardec nos legara com tanto sacrifício e renúncia.
Leymarie em 1872, com grande destaque na “Revista Espírita”, anuncia o lançamento de duas obras editadas pela Livraria Espírita, gerida pela Sociedade Anónima do Espiritismo que vai confundir muitos espíritas: “O Segredo de Hermes”, de Louis F. e “A mediunidade no copo-d’água”, de Antoinette Bourdin. Na mesma altura, em Dezembro de 1872, de forma discreta anuncia a 5.ª edição de “A génese, os milagres e as predições, segundo o Espiritismo”, “revista, corrigida e aumentada” [não pelo Codificador].
Esta edição, abastardada, contém mais de duas centenas de adulterações entre supressões, acréscimos e deturpações. Citamos apenas a supressão do item 20 ─ presente nas quatro edições realizadas por Allan Kardec ─ do capítulo XVIII (Os tempos são chegados) que trata de um texto da mais alta importância doutrinária sobre o papel do Espiritismo na regeneração da Humanidade. Registamos também a nota de rodapé introduzida no mesmo capítulo ─ que não existe nas edições do Codificador ─ de cunho supersticioso que associa uma “terrível epidemia que de 1866 a 1868, dizimou a população da ilha Maurícia” com uma “chuva de estrelas cadentes”, que considera “um sinal do céu” e que aterrorizou a população.
Em 1874, ingenuamente, viu-se envolvido no célebre “Processo dos Espíritas” em que o médium e fotógrafo Édouard Buguet (1840-1901) cobrava para as pessoas obterem fotografias dos seus entes queridos desencarnados. Confirmadas as fraudes, que desacreditaram o Espiritismo, os intervenientes foram condenados em tribunal a um ano de prisãoea quinhentos francos de multa. Leymarie cumpriu a pena, mas não aprendeu a lição. Os estragos foram tão vastos e profundos que a “Revista de Espiritismo” – Órgão de Federação Espírita Portuguesa, que teve o seu primeiro número em Janeiro-Fevereiro de 1927, tinha como subtítulo os termos, Hipnomagnetismo – Metapsíquica -EsoterismoÉtica, que desvirtuavam por completo a mensagem do Espírito da Verdade.
Jamais podemos esquecer que o Espiritismo é uma doutrina, por excelência, exotérica e jamais esotérica, ou seja, fechada, com segredos, apenas dirigida a uma minoria de “sábios” e entendidos. Na revista em pauta vemos também anunciado livros sobre ocultismo e a pseudo-católica [repudiada pelos católicos] obra de Roustaing, “Os Quatro Evangelhos”, com o título presunçoso de “Revelação da Revelação”. Estas obras estão misturadas com as obras de Allan Kardec, de Léon Denis, de Gabriel Delanne, de Fernando de Lacerda, de Martins Velho e de muitos outros autores espíritas de referência, como joio misturado com o trigo.
É importante registarmos o facto de que no século XIX e início do século XX, em Portugal não havia qualquer referência a personalidades espíritas, pois não existia movimento espírita nacional. A primeira personalidade espírita marcante em Portugal vai surgir a partir de 1906, já no final da monarquia, o médium Fernando de Lacerda (1865-1918), que perseguido, se auto-exila no Brasil em 1911. As notícias sobre o Espiritismo vinham do Brasil, em particular da Federação Espírita Brasileira, e chegavam já contaminadas pelo trabalho de Leymarie, grande amigo da FEB.
A Sra. Simoni Goidanich, é uma jovem diplomata brasileira, licenciada em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, além de bacharela em Direito e mestra em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo, Brasil. Reside nos Estados Unidos da América, estado da Florida; casada e com dois filhos. A publicação de 446 páginas, tem a dupla chancela das Edições U.S.E. – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e do CCDPE-ECM – Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo, Eduardo Carvalho Monteiro.
Por Carlos Alberto Ferreira Isto é a Vida! O filme começa de uma forma pouco comum: à procura de um herói e, aparentemente, de alguém que possa narrar a sua história. Vagueando rapidamente por vários transeuntes, a câmara fixa-se em Will, um jovem em tratamento psiquiátrico, fortemente abalado pela separação da sua esposa Abby. Através das suas memórias revisitadas numa consulta de psiquiatria, vamos conhecendo melhor a história do casal, as suas vidas e as minúcias que provocaram o desfecho trágico que se desconhece.
Quando isso é revelado, a história parece que procura um novo herói, focando-se em Dylan, a filha de Will e Abby, e como os episódios traumáticos do passado moldaram a sua personalidade e influenciaram a sua vida. De seguida dá um salto para Carmona, um pequeno vilarejo na Andaluzia, dando-nos a conhecer Javier, um pacato trabalhador de um olival, e sua mulher Isabel. Javier parece ser o herói que tanto procuramos, seduzindo-nos pela sua sabedoria singela, a frugalidade dos seus interesses e a paixão que devota à sua bela esposa.
No entanto, também ele é frágil e vulnerável a alguns desafios que a vida lhe coloca. No capítulo seguinte conhecemos Rodrigo, o filho de Javier e Isabel e todas as histórias parecem começar a entrelaçar-se, preparando-nos para o epílogo. Dan Fogelman, o realizador da aclamada série “This is Us!”, tem a sua segunda experiência no grande ecrã com o filme “Isto é a Vida!”. A qualidade do elenco é digna de ser assinalada: Oscar Isaac, Olivia Wilde, Antonio Banderas, Laia Costa, Annette Bening e uma participação especial de Samuel L.
Jackson. A narrativa é peculiar, dividida por capítulos que nos apresentam pequenas histórias, aparentemente separadas e com protagonistas próprios que é repleta de situações quotidianas que se repetem, cheia de momentos surpreendentes, de pequenas tragédias, traumas, tristezas e aflições, mas ao mesmo tempo pincelada com doses generosas de amor, prazer, alegria e oportunidades de sublimação. Ao conhecermos mais pormenores de cada uma das diferentes narrativas, vamos adquirindo uma maior capacidade para vê-las de uma perspetiva mais ampla, compreendendo como elas se tocam e intersetam, parecendo uma roda que gira e vai parar ao mesmo lugar.
Começando de uma forma algo sombria e até violenta quando conhecemos o desespero de Will pelo momento traumático que enfrenta, o filme vai - -se desenrolando como um novelo, tornando - -se aos poucos mais leve até se transformar numa bonita história de amor. Em “Isto é a Vida!” não existem vilões, heróis de capa e mascarilha, perseguições a alta velocidade, zombies ou viajantes de um planeta distante. São histórias simples sobre pessoas, sobre as suas falhas e ilusões, mas sobretudo sobre o seu imenso potencial de crescimento, transformação e superação mesmo quando são confrontadas com situações que parecem maiores do que aquilo que julgam poder suportar.
No fundo, análogo ao potencial que a vida possui para se recriar e renascer em todos os instantes, evoluindo continuamente. Título original: Life Itself! Realizador: Dan Fogelman Elenco: Oscar Isaac, Olivia Wilde, Antonio Banderas, Laia Costa, Annette Bening. EUA, 2018 – 118 min. Por Carlos Miguel MAIO.JUNHO.2019 foto direitos reservados Como conheceu o Espiritismo? Fúlvia Correi a – Conheci o Espiritismo por intermédio de uma amiga da minha mãe, sensivelmente aos 16 anos.
Dado que essa senhora já frequentava a Associação Espírita de Leiria, ela convidou-nos, a mim e à minha mãe, a visitar esse centro espírita para ficar esclarecida sobre os assuntos que só à luz da Doutrina Espírita se tornam compreensíveis. Frequenta algum centro espírita? Fúlvia Correia – Sim. A Associação de Cultura Espírita de Alcobaça (ACEA). Qual a sua opinião acerca do «Jornal Espiritismo»? Fúlvia Correia – Considero este jornal uma via de comunicação assertiva em contexto da atualidade.
Ensina e educa em temas de generalização passiva e ativa do quotidiano, das nossas vidas. Esclarece dando respostas coerentes de raciocínio e objetividade cuidada aquando da sua leitura. Do que já conhece do Espiritismo, isso mudou alguma coisa na sua vida? Fúlvia Correia – Sim, e muito! Em âmbito de amplitude, visão e aprendizagem contínua do ser omnipotente que é Deus. Mudou e transformou-me na verdadeira fé, que se alia à humildade e confiança, sendo o instrumento de base para o longo caminho a percorrer.
Fúlvia Correia reside em Benedita e é engenheira do ambiente. Nos seus tempos livres interessa-se pelos estudos espíritas. IMPRESSÃO DIGITAL O Espiritismo é o mais poderoso auxílio da sociedade, ao impedir inúmeros suicídios, devolvendo a paz e a concórdia a muitas famílias, dando resignação e consolo aos que nãoatêm?
