94 — índice de conteúdos

Editorial / Conto

Jornal de Espiritismo nº 94 · Setembro 2019Página 24 min

Partilhar
Idioma

EDITORIAL / CONTO Na época que atravessamos o sol mostra um sorriso mais largo. Não concorda? Dias maiores, luzes novas em espaços recorrentes, a fim de que as experiências de vida se multipliquem no fito de engrandecer o imo de cada um em novos avanços de amor e sabedoria. A luz solar é a fonte de energia que sustenta a vida material na Terra. Plantas e animais vivem sob as suas bênçãos, mesmo sem saber. E, engraçado, apesar do seu enorme poder, essa luz carece da cooperação da água e de outras circunstâncias para que possamos todos respirar e nutrir a máquina corporal densa ao longo das vidas sucessivas.

É certo que, para se ter energia para viver, é necessária alimentação. “Nem só de pão de vive o homem”, ouvi dizer desde petiz. Esta relação de equilíbrio, de uso sem abuso, fala da dosagem contida que importa manter para que os fenómenos experimentais deste quadro evolutivo corram da melhor maneira. Na alimentação do corpo, apesar de Mateus ter deixado o alvitre de Jesus de que não é o que entra pela boca que faz imundo o homem mas sim o que sai dela (Mateus, XV: 1-20), confrontam argumentos vegetarianos e omnívoros.

Também a devastação nalgumas partes da Terra de ecossistemas ricos de diversidade de vida são anulados por culturas de uma só espécie, por exemplo, de soja, e o argumento ambiental retrai-se, comprometido pelos danos causados à diversidade da vida. Se é verdade que não será possível manter por muitos mais anos este ritmo de consumo desenfreado de proteína de origem animal – seja gado seja peixe: até os cardumes antes abundantes, como os de sardinha, estão agora com populações comprometidas em matéria de sustentabilidade genética – também a devastação nalgumas partes da Terra de ecossistemas ricos de diversidade de vida são anulados por culturas de uma só espécie, por exemplo, de soja, e o argumento ambiental retrai-se, comprometido pelos danos causados à diversidade da vida.

É verdade que nós próprios, noutras vidas, não tínhamos a abundância de bens de que hoje dispomos desde a infância e, na alimentação sazonal, utilizávamos muito mais do que hoje proteína vegetal proveniente sobreO homem bom tudo de leguminosas – ervilhas, favas, grão - -de-bico, chícharos, entre outras e, depois dos Descobrimentos, feijão diverso – pontuado em situações possíveis por alguma carne e bastante mais peixe, fosse ele de mar ou, no interior, de rio.

Hoje como outrora, a necessidade da alimentação passa por obter energia para o corpo físico através dos alimentos. Mas outras energias há que não conhecemos bem: absorvemo-las e emitimo-las segundo a natureza dos que pensamos e sentimos, sendo decerto tão vitais que as provenientes dos alimentos ingeridos. A descompensação ou compensação dessas energias de natureza espiritual definem as respostas indesejáveis, ou por sua vez felizes, que a cada momento sentimos.

Há uma perene relação de causa e efeito. O gesto, quando é apreciado, é mera função subalternizada pelo ato mental. Somos, ao que parece, deuses de nós próprios, a aprender as primeiras letras de como as leis da natureza falam connosco, a apelarem na luz de Deus a que simplifiquemos os processos de aprendizagem rumo aos horizontes tão atrativos da sabedoria e do amor que nos aguardam a todos. Fazemos votos de que a ementa destas páginas, gerada pela boa vontade de dedicados colaboradores, seja para si um bom alimento espiritual.

Assim, desejamos-lhe uma boa leitura! A Redação foto ulisses.com.pt Conta-se que Jesus, após narrar a parábola do bom samaritano, foi novamente interpelado pelo doutor da lei que, alegando não lhe haver compreendido integralmente a lição, perguntou, sutil: – Mestre, que farei para ser considerado homem bom? Evidenciando paciência admirável, o Senhor respondeu: – Imagina-te vitimado por mudez que te iniba a manifestação do verbo escorreito e pensa quão grato te mostrarias ao companheiro que falasse por ti a palavra encarcerada na boca.

foto pixabay Imagina-te de olhos mortos pela enfermidade irremediável e lembra a alegria da caminhada, ante as mãos que te estendessem ao passo incerto, garantindo-te a segurança. Imagina-te caído e desfalecente, na via pública, e preliba o teu consolo nos braços que te oferecessem amparo, sem qualquer desrespeito para com os teus sofrimentos. Imagina-te tocado por moléstia contagiosa e reflete no contentamento que te iluminaria o coração, perante a visita do amigo que te fosse levar alguns minutos de solidariedade.

Imagina-te no cárcere, padecendo a incompreensão do mundo, e recorda como te edificaria o gesto de coragem do irmão que te buscasse testemunhar entendimento. Imagina-te sem pão no lar, arrostando amargura e escassez, e raciocina sobre a felicidade que te apareceria de súbito no amparo daqueles que te levassem leve migalha de auxílio, sem perguntar por teu modo de crer e sem te exigir exames de consciência. Imagina-te em erro, sob o sarcasmo de muitos, e mentaliza o bálsamo com que te aclamarias, diante da indulgência dos que te desculpassem a falta, alentando-te o recomeço.

Imagina-te fatigado e intemperante observa quão reconhecido ficarias para com todos os que te ofertassem a oração do silêncio e a frase de simpatia. Em seguida ao intervalo espontâneo, indagou-lhe o Divino Amigo: – Em teu parecer, quais teriam sido os homens bons nessas circunstâncias? – Os que usassem de compreensão e misericórdia para comigo – explicou o interlocutor. – Então – repetiu Jesus com bondade – segue adiante e faze também o mesmo.

Texto psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier da autoria de Emmanuel (Espírito). MAIO.JUNHO.