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Jornal de Espiritismo nº 94 · Setembro 2019Página 34 min

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Não somos todos socorridos? Uma senhora deixa a seguinte mensagem: «Boa noite! Por gentileza se puderem ajudar e esclarecer, um familiar foi assassinado. Numa carta psicografada, diz que sofreu, pediu ajuda e ninguém ouvia, mas por fim foi socorrido e amparado. A minha dúvida é esta: não somos todos socorridos? Pelo que sei ninguém fica sem amparo». Resposta – Boa noite! Independentemente de ter sido isso que aconteceu com o seu familiar ou não, já que a mediunidade nem sempre é pura matemática, é de facto verdade que todos teremos alguém que nos quer bem a receber-nos na vida espiritual.

A questão que aborda coloca-se, porém, na prática, de outro modo – será que todos conseguimos ver, percepcionar, quem está ali ao lado para nos dar a mão? Na nossa experiência, sabemos que muitas vezes temos almas queridas, em boa situação no Plano Espiritual, a zelar por nós, mas tresloucados, com a mente em desalinho, não temos olhos capazes de perceber essa presença. Veremos segundo os bons sentimentos que consigamos vivenciar, o que melhorará mais tarde ou mais cedo.

A melhor maneira de auxiliar aqui no Plano Material passa por sentir afeto construtivo, sentimentos positivos, pelo familiar desencarnado, na certeza de que Jesus de Nazaré sabia muito bem o que nos ensinava, conforme se percebe no capítulo “Ajuda-te oecéu te ajudará” em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec. Fique tranquila. Decerto tudo estará por esta altura bem encaminhado, sob as bênçãos imorredouras de Deus.

Autismo Outra observação surge noutro dia: «Venho pedir a gentileza de me indicarem, quando for possível, onde posso encontrar referências ao porquê de uma reencarnação como autista». Resposta – De facto, não estou muito atua lizado sobre alguma obra credível publicada no movimento espírita que fale do espectro autista de forma útil. Porém, com vista a atenuar essa lacuna, permita-nos estender o assunto ao vasto leque de limitações orgânicas que restringem o comportamento, como a chamada idiotia e a loucura.

Será que todos conseguimos ver, percepcionar, quem está ali ao lado para nos dar a mão? Allan Kardec, em «O Livro dos Espíritos», indaga na questão 373: «Qual seráomérito da existência de seres que, como os cretinos e os idiotas, não podendo fazer o bem nem o mal, se acham incapacitados de progredir?». Resposta - «É uma expiação decorrente do abuso que fizeram de certas faculdades. É um estacionamento temporário.» Ao encararmos alguém que se caracterize por uma fobia social extrema dentro do amplo espectro autista, estamos a ver apenas a ponta do icebergue de um grande circuito de causa e efeito que se debruça sobre outras vidas, no passado.

A consciência reage com uma interpretação das leis que regem a natureza humana, interpretação essa que emerge em função do momento evolutivo em que se encontra. No plano das formas mais densas em que prepondera a nossa experiência atual vemos apenas um corolário de feitos, sem descortinar as causas explicativas dessa variação comportamental. Entretanto, à luz do que aprendemos inclusive nas reuniões mediúnicas de auxílio a quem na vida espiritual ainda necessita dele, verificamos que existem diversas situações de natureza mental em que se demoram, alienadas, algumas pessoas desencarnadas, ou seja, Espíritos irreversivelmente libertos do corpo material.

Quando possível o seu retorno à experiência de um novo corpo por via reencarnatória, essas lesões da alma, se assim podemos dizer, vertem em manifestações orgânicas de variada índole, sem que a medicina atual, de momento, consiga atingir as causas primeiras desse problema, face às limitações incontornáveis próprias do paradigma meramente materialista. Em todo o caso, na prática, é um passo adiante na reabilitação da consciência do ser espiritual que se encontrava encalhado numa caminhada imensa e na qual, um dia percebermos completamente, nunca estivemos afastados do amor de Deus.

Mesmo assim, não deixe de procurar. Quem sabe até existe mesmo bibliografia credível que desconhecemos? Porém, se assim não for, há sempre uma medida valiosa recomendada pelo apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso, numa das suas missivas de há 2 mil anos, quando em dada altura recomenda: «Observai tudo, retende o bem». Ajudar como? «A minha filha está a passar por uma fase muito má e mora longe de mim por razões de profissionais.

A nível familiar não está bem. Não consigo ajudá-la suficientemente. O que poderei fazer mais?», pergunta uma leitora. Resposta – Há uma forma universal de ajudar. Ao lembrar-se dela no dia a dia, pense nela com um amor incondicional. Os sentimentos e os pensamentos são uma forma de energia cuja tessitura ainda não sabemos caracterizar. Porém, sabemos que funciona. Há até várias pesquisas feitas nesse sentido que apontam resultados.

Pensa-se também, com fundamento, que esses estímulos são mais ou menos assimilados pelos destinatários na medida em que eles se afinizem com esses «comprimentos de onda». Veja por favor o livro de Luís Portela, «Da ciência ao amor», que, entre outros, tem um capítulo muito bom sobre este item. De resto, quando Jesus, o ícone de maior bondade e sabedoria que conhecemos na história, diz no evangelho que toda a lei e os profetas se encerram neste preceito – amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo – está a dizer também que toda a perturbação tende a ser temporária nos cenários da experiência da vida imortal e que a conquista do equilíbrio é uma meta anunciada, dependendo apenas do esforço próprio.

Guarde a sua fé, alimente as melhores esperanças e esteja atenta à abertura que a vida fará para ajudar mais logo que possível. foto pixabay Há leitores que tomam a iniciativa de colocar questões: ocupamos esta página com esses itens dentro da vantagem de poder adiantar uma pergunta que pode também ser algo parecida com uma das suas. MAIO.JUNHO.