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Jornal de Espiritismo nº 94 · Setembro 2019Página 43 min

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FEP foto arquivo EDUCAR + Conversando com a filha, que iniciava a adolescência, acerca das vidas passadas, da expiação, do esquecimento que trazemos sobre o que fomos e, sobre as oportunidades que todos temos em cada encarnação de nos melhorarmos, a mãe recordou uma história dos “velhos tempos”, que não eram assim tão longínquos: a jovenzita andava ainda no 3º ano do 1º ciclo do ensino básico. Ela adorava escrever composições compridíssimas.

Navegava na farta imaginação e dava largas à escrita. Mas havia quase sempre um senão: escrevia de forma tão corrida que, de tão entusiasmada, a menina não colocava quase nenhuma pontuação. Entregava de imediato a composição à sua professora que, após corrigir, a devolvia cheia de sinais e risquinhos a vermelho, cheia de interrogações e dúvidas sobre o que ela quereria dizer. A menina ficava sempre tristonha com tantos reparos e, mais ainda, com o castigo de ter que reformular a composição com a pontuação em falta… -Ai, mãe, era horrível!

Eu mesma me perdia nas minhas divagações e, ao corrigir, nem sempre as coisas faziam sentido. Por vezes aborrecia-me e perdia o entusiasmo… - Eu sei, filha, mas a determinada altura tornaste-te mais cuidadosa e passaste a escrever muito melhor. Lembras-te que a professora até propôs levar uma das tuas histórias a uma exposição promovida pela Câmara? A pontuação faz muita diferença. - Pois faz! De facto podemos comparar dessa forma.

Samir, foi um vencedor. E teve muitas ajudas… Deus não abandona ninguém! E, voltando ao que estavam a conversar inicialmente, a mãe explicou que na vida todos os nossos atos fazem diferença. Se estivermos mais vigilantes e nos obrigarmos a escutar a nossa voz interior, tornar - -se-á mais fácil distinguir o que está certo ou errado… conseguiremos, dessa forma, escrever a nossa própria história com tons de amor. - Sim, compreendo, não podemos esquecer a pontuação, não é mãe?

Sem a pontuação correta fica tudo baralhado e, depois, corrigir… dá muito trabalho. - No caso das nossas vidas, Deus vai dando a oportunidade de reencarnarmos para corrigirmos, para repararmos e até escrever novos episódios… Pelas leis sábias e soberanas, a vida encaminha-nos para os encontros, situações necessárias a essa correção. Se estivermos atentos, temos êxito. Por vezes, a falta de uma vírgula que, neste caso, poderá significar uma pausa, ou seja, darmos a nós mesmos o tempo de refletir, para melhor discernir, fará a diferença.

Somos inteligentes e muito capazes de desenvolver as virtudes que nos auxiliam nas situações difíceis. - Acabei de ler o livro “O Regresso” (da coleção “Estudando o Espiritismo 12+anos”), e percebi que a história atual de Samir, tornou-se muito complicada e quase dramática, se não fosse o desfecho tão interessante… Acho que nesta vida, entre lágrimas, dores e sorrisos, as vírgulas da sua história foram colocadas e as páginas da sua vida reeditadas, não?

- De facto podemos comparar dessa forma. Samir, foi um vencedor. E teve muitas ajudas… Deus não abandona ninguém! - Um refugiado entre outros! Sem o conhecimento desta filosofia, não iríamos compreender as dores e as situações vividas por ele. Diríamos que o rapaz estaria a viver uma vida sem “pontuação” nenhuma. No entanto, a expiaçãoea reparação que ele está a viver faz sentido na sua história como Espírito imortal e são oportunidades de crescimento para todos nós.

Devemo - -nos abrir mais à solidariedade, sermos mais compreensivos uns para com os outros. O auxílio mútuo é fundamental. Todos nós escrevemos as páginas das nossas vidas e com isso construímos o amanhã… doce ou amargo. Já se encontram à venda, na livraria da FEP (e livraria on-line), os livros destinados aos jovens a partir dos 12 anos. É uma coleção com 12 temas, 12 livros com histórias de vida que nos fazem pensar e nos ajudam a crescer.

Parafraseando Augusto Cury, lembramos que “Os bons pais dão informação, os pais brilhantes contam histórias” (livro “Pais brilhantes, professores fascinantes”). Por Manuela Vieira MAIO.JUNHO.