Memória
Jornal de Espiritismo nº 94 · Setembro 2019Página 153 min
Pelo caminho sempre vamos conversando sobre assuntos importantes, como da horta que ele e o avô gerem a meias, dos gatos, ou de últimos lançamentos de bonecos que se transformam. Muito tenho aprendido com ele. Como estivera fora aqueles dois dias, perguntei-lhe onde tinha ido: R-“Ao Shopping e a Sintra”. P – “E gostaste?” R- “Gostei!” P – “Que tiveste de novo para brincar?” R – “Um balão”, acrescentando: “Eu vou - -te dizer, estava um bocado de vento, o meu pai avisou, mas eu segurei mal o balão e ele voou para muito alto.
” P – “Ficaste triste?” R – “Não…” e calou-se. P -Vá lá…, concluí (se chorasse seria pior…)! Daí a bocadinho, esclareceu: R – “Sabes, avó, quando eu morrer, vou para o céu, e lá, vou encontrar o meu balão.” P – “Quem foi que te ensinou isso?” R – “Ninguém, sou eu que sei!” Tenho-me apercebido que os pais afastam dele a conversa da morte, apontando sempre para a importância e valor da vida. Notei que na altura dos incêndios, queria saber pormenores, ver vídeos sobretudo, e incomodava-o o facto de os animais serem vítimas de tudo aquilo.
Já nas suas tendências para este ou aquele familiar, se nota a queda afetiva para alguns familiares em detrimento de outros, que só é entendível pelo conhecimento da lei da reencarnação, aplicando - -aanós mesmos. Será que esta é uma criança índigo, cristal, ou de qualquer outra cor do arco- íris como agora é moda carimbá-las? Não me parece. Simplesmente uma criança da nova Era, a que Kardec se refere de uma forma magistral e poética na obra “A Génese”: “Num menino que venha a nascer…” E está encontrado o grande dilema, mas também o grande desafio de duas gerações: o entendimento entre aqueles que habitam o planeta.
Nunca me lembraria de utilizar a figura do balão para abordar a existência do mundo espiritual, para onde iremos, tão colorido, leve, fascinante como os balões. E que orientação dar a este cinco réis de gente, que vê o mundo por este prisma, duma forma global e sem fronteiras? A continuidade, porque a base já lá está nos arquivos do conhecimento, de tudo aquilo que a Doutrina dos Espíritos trouxe a este mundo. Tenho-me apercebido que os pais afastam dele a conversa da morte, apontando sempre para a importância e valor da vida.
Quão diferente, por mais rica, teria sido a minha trajetória de vida, se me tivessem ensinado que morro para voltar a nascer, que vivo para progredir, que o que me faz sofrer tem uma utilidade definida, e que Juízo Final é, afinal, “conversa de papão”? O que está a atrasar a evolução, e, consequentemente, a felicidade das crianças, é a falta do conhecimento espírita e, sobretudo, os valores que regem a sua própria espiritualidade.
Basta ver a dificuldade por que passam, pelo menos alguns centros espíritas que O balão, a criança, o céu Após um fim-de-semana de abençoado sossego começou a habitual rotina de ir buscar o neto de quatro anos à saída da escolinha para o levar de volta a casa. conheço, para formarem um grupo consistente para a Evangelização infanto - -juvenil. Há uma diferença abismal entre adultos, educadores, que se encantam pelo espiritismo eonúmero daqueles que levam os filhos ao centro.
E, é de tal forma, de deixar a pensar que, há tempos, o pai de uma criança de dez anos foi ao atendimento pedir ajuda pela criança, porque revelava episódios de mediunidade, muito comuns, diga-se em abono da verdade, porque ela está aí a desabrochar, que nem Primavera, por todos os lugares. Mas quando se lhe sugere, docemente, a integração da criança no Grupo de Educação infanto-juvenil, no centro, ao sábado à tarde, a conversa baixa o padrão: - “Pois, mas nesse dia ela tem catequese…” Temos de ver se nos entendemos, se queremos ver a menina de anjinho na procissão, ou se nos esforçamos para que ela seja hoje uma criança alegre, e amanhã um adulto esclarecido.
Doutra forma… fica difícil! Por Amélia Reis Nota: Baseado num facto real. foto pixabay MAIO.JUNHO.
