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Centrais (pág. 11)

Jornal de Espiritismo nº 95 · Maio 2019Página 116 min

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O Espiritismo é uma doutrina filosófica que estuda a origem, a natureza e o destino dos Espíritos, bem como as relações existentes entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Deriva de factos, pesquisáveis em qualquer parte do mundo, independentemente das convicções. Uma prova da seriedade destas pesquisas é o facto das mensagens espíritas terem sido aceites em tribunal… Até hoje, no Brasil, tem-se conhecimento de 10 casos concretos, nos quais se admitiu a psicografia como meio de prova, no processo penal.

Esses casos ocorreram em diversas cidades, quais sejam: Aparecida de Goiânia, em Goiás; Goiânia, em Goiás; Campos do Jordão, em São Paulo; Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; Mandaguari, no Paraná; Gurupi, no Tocantins; Viamão, no Rio Grande do Sul; Ourinhos, em São Paulo; Anápolis, em Goiás; e um numa cidade do interior de Goiás, que não foi identificada por tratar-se de processo que corre em segredo de justiça. Estes casos foram de tal maneira impactantes na sociedade brasileira que livros, monografias, teses de mestrado e doutoramento começaram a aparecer, sobre este assunto inédito.

CASO 1 Em 1976, o médium psicografou o depoimento de Henrique Emmanuel Gregóris, assassinado por João Batista França, durante uma brincadeira de roleta-russa. Em 10 de fevereiro de 1976, uma terça - -feira, João Batista França brincava à roleta-russa, com uma arma de fogo, matando acidentalmente o amigo Henrique Emanuel Gregóris, então com 23 anos, que estava a poucos metros de distância. O acusado da morte de Henrique foi absolvido pelo tribunal do júri, e a família, inconformada e não concordando com aquele resultado, imediatamente entrou com um recurso para a Instância Superior, o que foi feito pelo advogado Wanderley de Medeiros.

Enquanto isso, na cidade de Uberaba - -MG, a cerca de 450 quilómetros de distância, dois dias após o recurso metido contra a decisão do julgamento que beneficiou o homicida, e sem que essa medida chegasse ao conhecimento de F. C. Xavier, este recebe, diretamente, através da psicografia, do Espírito Henrique Emanuel Gregóris, a estranha solicitação, no sentido de que fosse pedido à sua mãe – D. Augustinha – “para que perdoasse o amigo”.

Com a responsabilidade da missão nas suas mãos, F. C. Xavier foi à cidade de Hidrolândia, na Grande Goiânia, e entregou pessoalmente à D. Augustinha a solicitação do seu filho. Ela enviou uma carta ao seu advogado, solicitando que encerrasse definitivamente o caso, o que foi feito. (In “Amor & Luz”, de Emmanuel, por F. C. Xavier, ed. IDEAL, S. Paulo, Brasil). O jornal “O Popular”, de 18 de julho de 1976, sob o título “Mãe desiste de acção contra acusado da morte de seu filho”, divulgou o assunto.

CASO 2 No dia 8 de maio de 1976, na cidade de Goiânia (estado de Goiás), dois amigos desmuniciaram um revólver e brincavam com ele na casa do acusado – José Divino Nunes, de 18 anos. A arma era de propriedade do pai do acusado. Quem havia retirado as balas foi a vítima, Maurício Garcês Henrique, de 15 anos, o qual foi atingido por um disparo efetuado pelo amigo, que desconhecia haver uma bala na arma, porém, nenhuma testemunha presenciou a ocorrência.

O acusado foi indiciado em inquérito, denunciado e processado por homicídio doloso. Até hoje, no Brasil, tem-se conhecimento de 10 casos concretos, nos quais se admitiu a psicografia como meio de prova, no processo penal. No mesmo ano, 1976, F. C. Xavier psicografou mais de uma dezena de cartas que tinham como Espírito mensageiro Maurício Garcez Henrique, e em algumas delas a vítima inocentava o acusado, dizendo que tudo não passou de um acidente, no qual o amigo não tinha culpa alguma.

Os pais da vítima compararam a assinatura das cartas psicografadas, com a sua assinatura no bilhete de identidade, e concluíram ser semelhantes, além das cartas citarem parentes que o médium não tinha como conhecer. Nos dois casos, o juiz Orimar Pontes aceitou o depoimento póstumo das vítimas, e os jurados absolveram os réus. Grafoscopia A grafoscopia é o conjunto de conhecimentos que norteiam os exames gráficos, que verificam as causas geradoras e modificadoras da escrita, com método próprio, a fim de verificar da autenticidade gráfica e a autoria gráfica.

Carlos Augusto Perandréa, autor do livro “A Psicografia à luz da Grafoscopia” foi Professor Adjunto no Departamento de Patologia Aplicada, Legislação e Deontologia, da Universidade Estadual de Londrina, advogado, criminologista, perito em documentoscopia, credenciado pelo Poder Judiciário. Efetuou perícias grafotécnicas e documentoscópicas para juízes de 56 comarcas. Quando começou a pesquisar as psicografias de F. C.

Xavier, tinha 12 anos de desempenho de funções, como perito documentoscópico, credenciado pelo Poder Judiciário, para além da experiência acumulada em salas de aula. Trabalhou como perito durante 25 anos. Perandréa não conhecia o Espiritismo, e quando foi analisar a assinatura psicografada pelo Espírito Maurício Henrique (caso 2), em comparação com a assinatura do bilhete de identidade do falecido, desconhecia o que se estava a passar, pensando que estava a analisar duas assinaturas de um “vivo”.

Só depois de atestar a veracidade e compatibilidade de ambas as assinaturas, foi informado do caso em pauta, que estava a decorrer em tribunal. O interesse da universidade Conforme referimos no início, todos estes casos têm despertado na Sociedade Brasileira uma grande discussão em torno do assunto, e da sua aplicabilidade futura ou não. Num estudo das cartas de F. C. Xavier, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o psiquiatra Alexander Moreira - -Almeida garantiu ainda que, através da metodologia usada neste estudo, poderão ser analisadas as cartas psicografadas por outros médiuns, e esta será a próxima fase do estudo, que é parte do pós-doutorado dos pesquisadores Denise Paraná e Alexandre Rocha.

Foram identificados 99 itens de informação verificável contidos em 13 cartas pesquisadas, sendo que 98% dos pormenores tinham “concordância clara e precisa” e nenhum item foi eliminado. Conclusão O Espiritismo, por ser ciência, filosofia e moral (diferente de religião), não é uma questão de crença, mas sim de factos, investigáveis. Allan Kardec, o codificador dos ensinamentos transmitidos pelos Espíritos, através de muitos médiuns diferentes, sempre referiu que “O Espiritismo marcha a par com a ciência, no terreno da matéria, admite todas as verdades que a ciência demonstra, mas onde terminam as investigações desta, ele começa as suas, no terreno da espiritualidade” (in “Obras Póstumas”, “Breve resposta aos detratores do espiritismo”).

Não sendo o Espiritismo uma seita ou religião, não cobrando nem aceitando dinheiro em troca dos seus serviços filantrópicos, humanistas e fraternos, o Espiritismo não é proselitista. Não havendo qualquer tipo de interesse de ordem material nem confessional, ao Espiritismo interessa, isso sim, alertar a Humanidade para a realidade da imortalidade do Espírito, da reencarnação e da lei de causa e efeito, que são leis naturais, divinas, que em breve serão adicionadas às leis materiais (dos Homens), quando forem descobertas pela ciência material, comprovando assim (ou não) a ciência espírita.

“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei” é uma frase que encima o túmulo de Allan Kardec, cujo autor se desconhece, mas que retrata bem o pensamento lógico, filosófico e científico do Espiritismo. Por José Lucas Bibliografia: Almeida, A. Moreira – “Investigating the fit and accuracy of alleged mediumistic wrinting: a case study of Chico Xavier’s letters”, revista Explore, vol. 10, n.º 5, SetOut 2014.

Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos. Kardec, Allan – O Livro dos Médiuns. Kardec, Allan – O Que é o Espiritismo. Kardec, Allan – Obras Póstumas Perandréa, C. Augusto – A Psicografia à luz da Grafoscopia. Timponi, Miguel – A Psicografia ante os Tribunais. Lucas, José C. M. – Palestra em www.facebook.com/ jcmlucas intitulada “Mensagens espíritas aceites em tribunal”, de 26 de Abril de 2019. JULHO.AGOSTO.