Literatura
Jornal de Espiritismo nº 95 · Maio 2019Página 163 min
Começamos por esclarecer que a História da Humanidade inicia-se 3200 anos antes do nascimento de Cristo, quando a escrita foi inventada ─ na antiga Suméria, Mesopotâmia. Antes desse marco, estamos perante a Pré-história, período de muitos milhares de anos em que não existiam documentos escritos. Assim, fazendo a analogia da Pré-história e História com o Novo Espiritualismo e o Espiritismo, respectivamente, dizemos que antes do dia 18 de Abril de 1857 ─ data da publicação de “O Livro dos Espíritos”, em Paris ─ não existia o Espiritismo, ou seja, “A sabedoria dos Espíritos superiores”, de forma organizada e sistematizada, escoimada de fantasias e superstições; no seu lugar existiam fenómenos, conhecimentos dispersos e avulsos, que sempre existiram e, portanto, integravam as leis da Natureza.
Eram estes designados, primeiramente por Espiritualismo, e só depois por Novo Espiritualismo. Assim, dizemos que com Emanuel Swedenborg (1688-1772) estamos na fase primitiva da Pré-história do Espiritismo. Com Andrew Jackson Davis (1826-1910) e as irmãs Fox [Katherine (“Kate”) Fox (1837-1892) e Margaret (“Maggie”) Fox (1833-1893)], participantes dos célebres fenómenos de Hydesville, particularmente a partir de 31 de Março de 1848 ─ data que regista oficialmente, e pela primeira vez, o intercâmbio inteligente com os Espíritos, na era moderna ─, entramos na fase recente da Pré-história do Espiritismo, a fase última do Novo Espiritualismo, que se vai encerrar com a publicação de “O Livro dos Espíritos”, a 18 de Abril de 1857.
“O Livro dos Espíritos” constitui a verdadeira certidão de nascimento do Espiritismo. Antes da publicação desta obra, nem mesmo os vocábulos Espiritismo e espírita existiam. Naquela época a missão de Jesus tinha um objectivo único e preciso: trazer-nos o conceito de Amor nas suas diversas “nuances” até ao seu patamar mais elevado, o Perdão. MENINAS DO BARULHO – A história real das irmãs Fox de Hydesville é um pequeno livro de 95 páginas, de Lamartine Palhano Jr.
, grande investigador e estudioso da causa espírita, descreve-nos de forma simples e objectiva os episódios preliminares que vieram derrubar as barreiras que separam o Mundo material do Mundo dos Espíritos. Desta forma se cumpriu a promessa de Jesus, quando nos disse que, no tempo oportuno, nos enviaria o Consolador (João, XIV), para repor as suas lições, que seriam esquecidas, deturpadas, abastardadas, bem como trazer outras verdades que naquela época nós “não suportaríamos”.
Que verdades seriam essas e por que razão não as suportaríamos à época? À data o homem não tinha maturidade espiritual para compreender a reencarnação. Era utópico dizer a um “senhor” que, na existência seguinte, poderia renascer como “escravo”, ou dizer a um “escravo” que, na próxima existência poderia ser um “senhor” ou, ainda, que um “homem” poderia renascer como “mulher”, e vice- versa. Era necessário que as Ciência Humanas (Psicologia, Sociologia, Antropologia, Direitos Humanos, etc.)
surgissem e se desenvolvessem; que Meninas do Barulho A história real das irmãs Fox de Hydesville as revoluções, guerras e acidentes naturais, sensibilizassem os espíritos para que a nossa postura se alterasse. Não podemos esquecer que a Revolução Francesa de 1789, muito dolorosa e brutal, foi determinante para mudar o paradigma do comportamento humano. Era, também, necessário que as Ciências evoluíssem, nomeadamente a Física, a Matemática, a Química e a Astronomia, para compreendermos a nossa situação real no Universo e assim entendermos a pluralidade dos Mundos Habitados.
Naquela época a missão de Jesus tinha um objectivo único e preciso: trazer-nos o conceito de Amor nas suas diversas “nuances” até ao seu patamar mais elevado, o Perdão. O resto viria 18 séculos depois, com o nascimento do Espiritismo, o Consolador que ele nos prometera. Esta pequena brochura abre com um pensamento do grande filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), que desencarna quando o Codificador reencarna. Ele diz-nos: “Muito breve, e o tempo está próximo quando será demonstrado que a alma humana pode viver desde esta existência terrestre em comunicação estreita e indissolúvel com as entidades imateriais do mundo dos espíritos; haverá factos suficientes para provar que esse mundo atua indubitavelmente sobre o nosso e lhe comunica influências profundas das quais o homem actual não tem consciência, mas que no futuro reconhecerá.
” Texto: Carlos Alberto Ferreira JULHO.AGOSTO.
