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Jornal de Espiritismo nº 97 · Setembro 2019Página 115 min

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As XV Jornadas de Cultura Espírita do Oeste decorreram em Caldas da Rainha, no auditório principal do Centro Cultural e Congressos (CCC), no fim de semana de 28 e 29 de setembro de 2019. Debateram o tema “Conflitos existenciais: causas e soluções”, num evento cultural de alto nível, que envolveu na cidade de Caldas da Rainha 440 pessoas. Adeptos das ideias espíritas e outras pessoas interessadas no assunto, oriundas de cidades tão distantes como Braga e Olhão, das Regiões Autónomas dos Açores, de outros países como a França, Brasil e Alemanha, estiveram nas Caldas da Rainha, neste fim de semana.

Tenor e cantor lírico, a residir em Colónia, Alemanha, Maurício Virgens abriu o evento com três temas que encheram o grande auditório do CCC, após as boas-vindas por parte da Organização. Também a vereadora da Educação da Câmara Municipal de Caldas da Rainha deu uma saudação especial, realçando a importância destes eventos na sociedade multicultural e plural, bem como da educação como fator de renovação da qualidade do tecido social.

Nestes dois dias de debate, a filosofia espírita deixou exemplos de tolerância, compreensão, entendimento, colaboração em vez de competição e, acima de tudo, concluiu-se que o ser humano pode viver bem melhor sem conflitos Seguiu-se uma saudação do vice-presidente da Federação Espírita Portuguesa, Manuel Costa, e daí em diante foi um banho de espiritualidade, partilha de ideias, cultura, que se espraiaram ao longo de dois dias cheios de novidades.

Logo à entrada, dez posters temáticos abordavam de forma sistematizada, muita pesquisa espírita acerca de fenómenos mediúnicos, trabalhados estatisticamente por uma equipa de colaboradores da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP). Gláucia Lima, médica psiquiatra de Lisboa, abordou o tema «Do vazio existencial à espiritualidade», seguindo-se Carlos Miguel, engenheiro informático que vive na cidade do Porto, que falou sobre o “Planeta Terra: soluções?

” com muita mestria. Reinaldo Barros, professor, vindo de Olhão, falou das migrações de ontem e de hoje, à luz do espiritismo. Seguiu-se uma entrevista a J. Gomes sobre os posters temáticos referidos. Vasco Marques, um dos gurus dos “social media” em Portugal, falou da ADEP TV e das novas tecnologias, seguindo-se o “Parabéns a você” à ADEP, que fizera oficialmente 20 anos de idade no dia anterior. Da alegria e emoção passou-se ao teatro espírita, num monólogo fabuloso do ator Edmundo Cezar (Brasil) – “Todos somos mochileiros”.

Pode apreciar a talentosa atuaçãoea do dia seguinte, bem como as palestras através da internet, no canal de YouTube da ADEP. No átrio do CCC estava, além de dez posters temáticos de análise de dados, muito observados pelo público, uma exposição de arte espírita interativa, levada a cabo por artistas inspirados na doutrina espírita da cidade de Caldas da Rainha, de qualidade, para além de uma selecionada livraria com 2 mil títulos, a preços de divulgação.

Via-se ali, igualmente, uma experiência de gravação e edição de vídeo com telemóveis (uma espécie de self-service de aprendizagem), muito participada. Afinal é mesmo fácil, quando se tem conhecimento. João Paulo Gomes (Alcobaça), Sílvia Torres (Sonasfly) dos Açores e a jovem Carolina Leal de S. Martinho do Porto cantaram e encantaram o público presente, não só nos intervalos, no amplo átrio, como antes das conferências, no auditório principal.

Domingo, Ana Duarte, professora que reside em Évora, falou de fugas psicológicas, seguindo-se Ulisses Lopes e Noémia Margarido, ambos dirigentes da ADEP, de Braga, que numa entrevista abordaram o medo e como o superar. Joana Santos, médica, abordou o tema “Culpa, como sair dela”, de forma exemplar, para mais tarde deliciar o público com “Stand up comedy” de inspiração espiritualizada. Seguiu-se outra jovem médica, Joana Farhat, que falou de “Tóxicos mentais” e de como os superar, enumerando técnicas para vencer esta tendência.

Paula Silva, igualmente médica, explicou “Como morrer bem”, falando da sua experiência hospitalar, uma vez que trata doentes terminais. Edmundo Cezar voltou a entrar em cena, numa outra atuação notável, seguindo-se a conferência de encerramento “Conflitos existenciais: dinâmicas evolutivas nos patamares da vida” com J. Gomes, que abordou o tema com profundidade. Este evento não poderia encerrar de melhor maneira, do que voltar a ouvir o tenor Maurício Virgens, que interagindo com a plateia, levou-a ao rubro, num misto de boas emoções e alegria.

Nestes dois dias de debate, a filosofia espírita deixou exemplos de tolerância, compreensão, entendimento, colaboração Dito e feito Com a abertura das Jornadas iniciou a transmissão on-line feita por meia dúzia de voluntários que se juntam para estas ocasiões – uns chegam de Braga, outros estão já em Caldas da Rainha e ainda há quem chegue da cidade do Porto. Começam muitas pessoas a interagir pelas redes sociais. Marilda Alves às 14h27 de sábado escreve do outro lado do oceano Atlântico: «Estamos acompanhando aqui do Brasil, Rio de Janeiro, Recreio dos Bandeirantes, companheiros de ideal espírita do Centro Espírita Maria Angélica.

Espíritas: amai-vos, porque a jornada é árdua e urgente! Que esses momentos sejam de reflexões e de alegria cristã e que essas vibrações amorosas irradiem para todo Portugal!». Outras mensagens surgiam e davam nota de que por vezes a transmissão não era fluente como se desejava. É verdade naquele momento. Nem consegui quase dar um Gosto de Facebook no comentário! Era de esperar, pois há problemas que não se conseguem resolver quando dependem de como estiver naquela altura o sinal de internet disponível no local.

O mestre tecnológico em campo tira outro coelho da cartola: abre mais uma caixa de equipamento e procura outro caminho. A transmissão melhora. Vai, não vai, ao final do dia de sábado aparecem mais comentários. Um deles é de Sandra Monteiro, de Matosinhos, que até esteve no auditório: «Estou a gostar muito. Não me farto de vir ano após ano. É só gente simpática, palestras com temas muito interessantes. Parabéns!». Por sua vez, ao contrário de Sandra, de Braga, Ivo Ribeiro não estava presente, mas comentou: «Excelente congresso para todos.

Para o ano não quero faltar! Abraço e excelentes partilhas». Para ver estes e outros comentários visite a página no Facebook da ADEP, hão de estar ainda por lá. Para o ano não deverá haver tempo para preparar outras jornadas, conforme se ouviu, mas na primavera de 2021 este evento deverá voltar. em vez de competição e, acima de tudo, concluiu-se que o ser humano pode viver bem melhor sem conflitos, completamente desnecessários, estéreis, ficando no ar a mensagem de Gandhi – A paz é o caminho – e de Jesus de Nazaré – Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Quando cada um, de “per si”, decidir ser feliz em vez de querer ter necessariamente razão perante outrem, tudo mudará para melhor, primeiro no nosso íntimo, e depois na sociedade. Texto: JCL e JG NOVEMBRO.DEZEMBRO.