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Opinião (pág. 16)

Jornal de Espiritismo nº 97 · Setembro 2019Página 163 min

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Já os critérios de morte são indicadores biológicos que nos permitem determinar se um indivíduo está efetivamente morto segundo esses parâmetros. Para a ciência, a morte do corpo material é objetivável segundo critérios clínicos bem-definidos, replicáveis e universais. Contrariamente, consoante os fundamentos e princípios básicos enraizados em cada pensamento filosófico, a morte é interpretada de perspetivas diferenciadoras.

A morte ou desencarnação, segundo a interpretação do Espiritismo – corrente filosófica com repercussões morais lavrada por Allan Kardec – corresponde “apenas à destruição do corpo; e não do envoltório material que se separa desse corpo quando cessa a vida orgânica”. O sofrimento que acompanha o processo de morte e se prolonga após a desencarnação é uma temática abordada pelo Espiritismo. Nesse sentido, fez-se um estudo com o objetivo de estabelecer uma relação entre o tipo de sofrimento pós- desencarnaçãoea causa de morte.

A população que esteve em foco reuniu a manifestação psicofónica de um conjunto de Espíritos desencarnados que foram assistidos na reunião semanal de assistência espiritual, no período situado entre setembro de 2018 e outubro de2019, na Associação Cultural Espírita Fernando de Lacerda, em Rio Tinto, nos arredores da cidade do Porto. O tipo de intervenção que nestes casos ocorreu consistiu em, durante o processo normal de esclarecimento e auxílio, questionar os Espíritos desencarnados acerca do tipo de sofrimento de que padeciam e, dentro do possível, apurar as condições que originaram a morte do seu corpo material.

A comparação emergente avaliou o tipo de sofrimento (físico e/ou psicológico) pós-desencarnação dos que “morreram” por causa natural e comparar com o sofrimento dos que “morreram” de causa não natural. A sensação de sofrimento físico pós-desencarnação estará mais relacionada com morte provocada por causa não natural. O estudo efetuado demonstrou que há uma relação estatisticamente significativa entre o tipo de sofrimento pós-desencarnaçãoea causa de morte (p<0,05).

Portanto, alguém que “morre” de causa acidental terá maior probabilidade (58%, 11 em 26 casos) de apresentar queixas de predomínio sensação física. Esta situação opõe-se à das pessoas que desencarnam pelo esgotamento natural da vitalidade orgânica em consequência da sua idade e/ou no decurso ou progressão previsível de doença, na qual o sofrimento psicológico é mais prevalente. Entre as 95 pessoas que faleceram por causa natural apenas 9 (9%) tiveram sensação de sofrimento exclusivamente físico e apenas 27 pessoas (28%) conjugaram ambos os tipos de sofrimento.

A pertinência do estudo deste tema Estará a causa de morte relacionada com o sofrimento após a desencarnação? prende-se com o facto de Allan Kardec afirmar que “o corpo, frequentemente, sofre mais durante a vida que no momento da morte; neste, a alma nada sente”. Dada a vivência dos autores na reunião de atendimento espiritual, surgiu a necessidade de comprovar estatisticamente a ideia criada de que a sensação de sofrimento físico dos Espíritos desencarnados está subjacente a situações em que a morte não era expectável, como decorrem em casos de morte não naturais, incluindo acidentes, homicídios ou suicídios.

Nestes casos de morte não natural, a pessoa tem dificuldade em afastar o pensamento das sensações físicas inerentes ao período que antecede a morte. Na morte natural, segundo Allan Kardec “o homem deixa a vida sem perceber... como uma lâmpada que se apaga por falta de energia”, justificando o foco dos problemas do desencarnado ser de âmbito psicológico/moral, nomeadamente desorientação, cansaço, revolta, angústia. Em “O Livro dos Espíritos” é referido ainda que “quanto mais o Espírito estiver identificado com a matéria, mais sofrerá para separar-se dela; por outro lado...

a elevação dos pensamentos opera um começo de desprendimento, mesmo durante a vida corpórea e, quando a morte chega, é quase instantânea”. Este trabalho reforça a importância do pensamento e do padrão vibratório elevado como ferramenta para ultrapassar de forma mais célere, eficaz e sem sofrimento o processo da morte, independentemente da sua causa. Este poster foi apresentado em setembro de 2019 nas Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, no Centro de Congressos de Caldas da Rainha, e encontra-se agora disponível no site da ADEP – www.

adep.pt. Por Álvaro Silva e J. Gomes Referências bibliográficas: KARDEC, Allan; O Livro dos Espíritos: princípios da Doutrina Espírita. Trad. de Guillon Ribeiro. 86. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005; perg. 154-162, 237-256. O conceito de morte tem intrigado o ser humano ao longo da História e está representado nas diferentes civilizações através da arte, da literatura, da ciência, da filosofia e das restantes áreas do saber.

Nesse sentido, fez-se um estudo com o objetivo de estabelecer uma relação entre o tipo de sofrimento pós-desencarnaçãoea causa de morte. NOVEMBRO.DEZEMBRO.