Cinema / Literatura
Jornal de Espiritismo nº 97 · Setembro 2019Página 177 min
CINEMA / LITERATURA O Oxford English Dictionary é o principal dicionário histórico da Língua Inglesa, rastreando o desenvolvimento histórico de todas as palavras inglesas e fornecendo um recurso precioso para todos os investigadores da língua. A 2.ª edição foi lançada em 1989, com mais de 20 mil páginas. O que não se imaginaria é que um tema tão técnico como a criação da 1.ª edição deste dicionário no final do século XIX pudesse ser a base para um filme tão profundo e comovente.
Numa primeira análise, pensar-se-ia que o filme abordaria os acontecimentos da vida do professor John Murray, um autodidata especializado em línguas contemporâneas e antigas, que obteve da Universidade de Oxford o aval para efetuar uma vasta pesquisa com o objetivo de compilar os significados, origens e sinónimos de cada palavra da língua inglesa. Uma tarefa gigantesca que os mais eruditos doutores de Oxford consideram impossível.
No entanto, essa história irá cruzar-se com a de William Chester Minor, um ex-militar americano perturbado pelos seus demónios interiores, que mata um homem num momento de insanidade e é condenado à clausura num hospício, o Broadmoor Criminal Lunatic Asylum. Baseado no livro de 1998 de Simon Winchester, “The Surgeon of Crowthorne”, e realizado pelo iraniano Farhad Safinia, o filme tem nos atores Sean Penn eOgénio e o louco Mel Gibson os cabeça-de-cartaz, sendo ladeados por excelentes prestações de Eddie Marsan e Jennifer Ehle.
Para além de mostrar os esforços hercúleos que a elaboração desta obra gigantesca implicou (demorou 30 anos a ser concluído), o filme faz-nos percorrer as difíceis vielas do desejo de vingança, do ressentimento e sobretudo da culpa. William Minor vive martirizado pelas atrocidades cometidas na guerra, sofre de alucinações persistentes de que é perseguido por um homem a quem mutilou quando era soldado e, num desses momentos, assassina um desconhecido numa rua da periferia de Londres, deixando uma viúva e seis crianças órfãs.
Incapaz de lidar com as perturbações que os remorsos lhe provocam, atira-se de forma voraz à colaboração voluntária com o professor John Murray, tornando-se o correspondente mais ativo com citações de mais de 10 mil palavras para o seu dicionário. Nesse processo, ele vai entrar em contacto com a viúva do homem que matou, iniciando uma relação que vai agravar a sua perturbação. Costuma-se afirmar que o perdão é o melhor caminho, e é verdade, mas, aceitar a dor ou o prejuízo infligido, abdicando do desejo de que os seus causadores provem do amargo sofrimento que nos impuseram, é uma tarefa difícil.
Perdoar é uma atitude exigente. Ao longo de muitas vidas criamos hábitos milenares de defesa que nos fazem reagir de forma instintiva às dores, ofensas e humilhações, e é por isso que, quando feridos, os instintos se sobrepõem muito facilmente à razão. No entanto, é sempre demasiado tarde para mudar o que já aconteceu, mas nunca é tarde de mais para deixarmos de ser cúmplices dos erros do passado. Não é tarde demasiado para impedir que o veneno corrosivo do ressentimento e do ódio nos arrastem para uma espiral de emoções perturbadoras que passarão a dominar a nossa vida.
Como referiu o bispo Desmond Tutu, prémio Nobel da Paz, ativista dos direitos humanos e oponente do regime do “Apartheid” na África do Sul: “Perdoar não significa apenas ser altruísta, é também a melhor maneira de fazer o bem a si mesmo.” Mesmo procurando redimir-se dos erros cometidos e tendo obtido o perdão de quem prejudicou de forma irreversível, Minor não se consegue perdoar, e esse é o principal motivo para as graves perturbações de que padece.
Título original: “The Professor and the Madman” Realizado por Farhad Safinia Elenco: Sean Penn, Mel Gibson e Eddie Marsan EUA, 2019 – 125 min. Por Carlos Miguel «Há momentos na vida em que muitos de nós perdemos a coragem de seguir em frente. Essa situação é mais frequente do que se imagina. Em casos extremos o desânimo, a melancolia ou a depressão podem precipitar a ideia de suicídio, um problema de saúde pública mundial.
O silêncio em torno do assunto – um abominável tabu – só agrava a situação», refere a capa do livro, e completa: «Falar de suicídio, portanto, pode salvar vidas. É o que se deseja com este livro», que tem por público-alvo toda a população da Terra. O jornalista André Trigueiro, autor desta esmerada obra, aprofunda muitas informações úteis e preventivas para todos os cidadãos, quer estes tenham alguma vez pensado em aniquilar-se ou não.
De facto, segundo os factos provenientes da mediunidade, sabe-se que partir desta vida através deste extremo comportamento autolesivo não é mais do que prolongar a sensação de dor física e psicológica em que alguém opta por embarcar, na ilusão de que tudo acaba com a morte do corpo material. Os danos no corpo espiritual podem inclusive estender-se à próxima reencarnação, que entra então num patamar, só por si, terapêutico.
Entretanto, há muitos outros vetores de análise, oriundos da investigação científica realizada na área da saúde. Estes ajudam por exemplo a perceber melhor como podemos falar do assunto sem causar danos em quem esteja fragilizado, como auxiliar quem se encontra suscetível a esse ato ou considerar de forma lúcida os quadros de risco que estão estudados. André Trigueiro conseguiu de uma forma muito acessível passar nesta obra um vasto leque de informações úteis a qualquer cidadão do planeta Terra, importantes para o próprio leitor mas também para quem o rodeia.
É uma obra de investigação que conta com diversas opiniões abonatórias, nomeadamente de Flávia Oliveira, colunista do conhecido jornal brasileiro «O Globo», que disse ser o livro «uma espécie de manual de multiajuda para orientar parentes, amigos e profissionais de imprensa a identificar e ajudar potenciais suicidas». Por sua vez, Divaldo Pereira Franco comentou quando do seu aparecimento da sua primeira edição: «Um dos mais belos e atuais estudos a respeito da vida e do comportamento humano… um grito de alerta contra o suicídio».
Outra boa notícia para quem não o leu: em Portugal pode adquiri-lo na livraria on - -line da Federação Espírita Portuguesa. Texto: JG Viver é a melhor opção NOVEMBRO.DEZEMBRO.2019 foto direitos reservadosComo conheceu o Espiritismo? Rosa MateusConheci o Espiritismo através do meu marido. Os meus sogros frequentavam uma casa espírita e, como o meu marido tinha uma amiga com problemas de saúde, decidiu levá-la para a poder ajudar.
A partir desse dia o meu marido gostou tantoporque lhe deu respostas a tantas dúvidas que tinhaque ele nunca mais parou de frequentar. Então decidi acompanhá-lo e até hoje também não parei. - Frequenta algum centro espírita? Rosa MateusFrequentei inicialmente o Grupo Espírita Luz do Além. Hoje sou trabalhadora e fundadora do Grupo Espírita Centelha de Luz, em Aveiro. - Qual a sua opinião acerca do «Jornal Espiritismo»?
Rosa MateusRecebemos o jornal e fazemos a sua distribuição gratuitamente, porque efetivamente tem boa qualidade de artigos e variedade, com o objetivo de esclarecer, instruir e divulgar o Espiritismo, o que é maravilhoso. - Do que já conhece do Espiritismo, ele mudou alguma coisa na sua vida? Rosa MateusO Espiritismo deu-me força e coragem para enfrentar a vida com mais otimismo e conhecimento, dando-me respostas às minhas dúvidas.
Daí a minha alegria de o Espiritismo ter cruzado o meu caminho nesta existência. Agradeço a Deus por esta oportunidade. Rosa Mateus vive na região de Aveiro, conta 47 anos e é empresária. IMPRESSÃO DIGITAL A adopção de crianças sem lar é um acto de sublime de dedicação e amor ao próximo que se reflecte nas palavras de Jesus “Amai ao próximo como a vós mesmos”? Em estudo realizado por Álvaro Silva e Jorge Gomes, durante um ano e em reuniões semanais de assistência a desencarnados, verificou-se que existe uma relação significativa entre o tipo de sofrimento pós-desencarnaçãoea causa da morte, sendo que, alguém que morre de causa acidental, terá maior probabilidade de apresentar queixas de predomínio físico do que aqueles cuja causa de morte é o esgotamento natural da vitalidade orgânica?
Tal como Jesus ensinou, «dai de graça o que de graça recebestes», o centro espírita não é lugar para qualquer tipo de comércio pois todas as suas actividades são gratuitas? Quando entramos no Mundo Espiritual, pelo fenómeno da morte, encontraremos os nossos familiares que já desencarnaram, tanto da família actual como de famílias anteriores desde que se encontrem em situação de equilíbrio? Todo o Espírita é Espiritualista, pois entende que existe em si algo mais do que matéria, mas vai um pouco mais além assumindo-se como adepto dos pilares que a Doutrina Espírita defende tentando pautar-se por eles na sua vida?
Pode ver todos os vídeos das XV Jornadas de Cultura Espírita do Oeste 2019 em www.bit.ly/jce2019?
