Entrevista a frequentadores Sabia que?
Jornal de Espiritismo nº 97 · Setembro 2019Página 182 min
Em tempos muito antigos e terras mais distantes, um velho imperador, cansado das reclamações do seu povo, resolveu premiar quem mostrasse mais trabalho e reclamasse menos. Resolveu colocar um tronco de árvore no meio de um dos caminhos que ia dar ao palácio. O tronco era um pouco grande, mas não tão grande que não fosse possível arrastá-lo para o lado. Aproveitou e pediu ao seu criado de maior confiança que ficasse escondido a ver o que iria acontecer para depois lhe contar.
Primeiro apareceu um alfaiate, que ia tirar as medidas aos senhores do palácio para lhes fazer as roupas bem bonitas. Vinha a galope no seu lindo cavalo e quando encontrou o tronco no meio do caminho ficou muito indignado. - Olha, querem lá ver o trabalhão que me vai dar? Para conseguir chegar ao palácio, vou ter que desviar caminho. Pois bem, por causa disto, levarei mais dinheiro para fazer os fatos dos senhores do palácio.
E lá seguiu, o senhor alfaiate, a resmungar pelo caminho. Logo atrás, surgiu um pastor que ia levar um cordeirinho de presente ao seu imperador. Também ele deu de frente com o caminho barrado pelo tronco da árvore e, encolhendo os ombros, seguiu pelo caminho ao lado que era mais longe. E depois, veio um lavrador, um frade, um cavaleiro e um velhinho. Todos refilaram e seguiram pela outra estrada que se tornava mais longa.
Ninguém se deu ao trabalho de tentar libertar aquele caminho e resolver aquele problema. O criado, no seu esconderijo, ia registando os acontecimentos para depois dar a conhecer ao seu imperador tudo a que assistia. Já quase no final do dia, veio o filho do moleiro, cansado e com um saco de farinha às costas para entregar no palácio como era costume fazê-lo todas as semanas. Quando deu de caras com o tronco caído na estrada, não pensou muito.
Tirou o saco que trazia às costas, colocou-o na berma da estrada e com muito esforço começou a puxar pelos ramos do tronco. Tanto puxou e sacudiu os ramos que, à medida que se deslocava, o tronco da árvore com algumas fendas, foi deixando cair pedras de ouro para o chão. Estas pedras tinham sido colocadas de propósito pelo imperador para quem se desse ao trabalho de retirar o obstáculo do caminho. O filho do moleiro, quando viu o que estava a acontecer nem queria acreditar.
O criado que assistia a tudo, disse-lhe que as pedras eram todas dele, pois o Imperador quis dar um prémio a quem resolvesse o problema e pouco reclamasse. O moleiro muito agradecido apanhou as pedras todas, fez uma aba na sua camisola e levou-as todas para as entregar ao pai todo contente. No dia seguinte, com o relato do criado ao seu imperador, foi dado a conhecer ao reino todos os acontecimentos daquele dia. E, claro, o alfaiate, o pastor, o lavrador, o frade, o cavaleiro e o velhinho que por lá tinham passado e apenas reclamaram sem nada fazer, muito se arrependeram da sua atitude e resolveram mudar, fazendo mais e queixarem-se menos.
(Conto Chinês) Reclamar menos fazer mais INFANTIL Por Manuela Simões 06 NOVEMBRO.DEZEMBRO.
