Sustentável
Jornal de Espiritismo nº 97 · Setembro 2019Página 192 min
Quando, em meados de setembro, os líderes mundiais se preparavam para a Cimeira do Clima, organizada pelas Nações Unidas em Nova Iorque e milhões de pessoas ultimavam os preparativos para saírem à rua e protestar por ações concretas em defesa do planeta, centenas de jornais em todo o mundo uniam esforços para, durante uma semana, darem a máxima prioridade à publicação de notícias, reportagens e entrevistas relacionas com as alterações climáticas.
À iniciativa global foi dado o nome de “Covering Climate Now” e teve como principal objetivo reforçar a cobertura mediática da crise ambiental. Mais de 250 jornais, agências de notícias, rádios, sites de notícias, revistas, “podcasts” e canais de televisão juntaram-se a esta causa, representando 32 países, com um alcance médio de cerca de mil milhões de pessoas por mês. Em Portugal, apenas o jornal “Público” aderiu a esta iniciativa, destacando em todas as primeiras páginas dessa semana notícias relacionadas com o ambiente e realçando as expressões “Emergência Climática” e “Crise Climática”.
Quando lançaram esta iniciativa global, os jornalistas Mark Hertsgaard e Lyle Pope escreveram: “Numa altura em que a nossa civilização está num processo de aceleração em direção ao desastre, o silêncio climático continua a reinar na Jornalistas pelo clima foto arquivo maior parte dos “media” americanos. À iniciativa global foi dado o nome de “Cover Climate Now” e teve como principal objetivo reforçar a cobertura mediática da crise ambiental.
Especialmente na televisão, de onde a esmagadora maioria dos cidadãos ainda recebe as suas notícias, a necessidade brutal de audiência e proveitos financeiros tem prejudicado seriamente a cobertura da maior história do nosso tempo.” É também a triste realidade no nosso país, onde nas televisões se dá primazia a histórias de coscuvilhices e discussões grosseiras e intermináveis sobre futebol, enquanto as notícias sobre a magnitude da crise ambiental em que nos encontramos é relegada para notas de rodapé e de finais de programa.
A discussão séria sobre este assunto tão sensível, em que haja a participação de especialistas, promovendo o esclarecimento e a sensibilização das pessoas, é quase uma miragem em todo o universo audiovisual português. É inaceitável. Por Carlos Miguel NOVEMBRO.DEZEMBRO.
