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Editorial / Conto

Jornal de Espiritismo nº 98 · Novembro 2020Página 23 min

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EDITORIAL / CONTO No início da segunda década do século XXI, apesar da tecnologia de que dispomos, as questões essenciais do ser humano são transversais ao seu dia a dia, agora como há milhares de anos. Perenes, perguntas como “quem sou, que faço aqui, para onde vou”, inquietam as mentes em fim de ciclo nos momentos em que o ser espiritual que cada um é aspira a uma mudança para melhor. Há alguns dias comentava com lucidez peculiar nas redes sociais uma pessoa que não conhecemos, mediante lapsos difundidos entre homem e animais: “Começo a pensar que há muito espírita que interpreta a doutrina como mais lhe convém”, com desconhecimento deliberado das fontes, acrescentamos.

É verdade. Não é exclusivo dessa temática. Se antigamente era o hábito, ou seja, a veste que fazia o monge, hoje parece ser mais fácil criar o mito de que se transporta de cenário as mesmas pessoas, com as suas qualidades e defeitos, e a população passa a ter um salto qualitativo na evolução, na verdade, “contra natura”. Não é difícil também verificar que, hoje, numa única cidade, encontramos dentro do critério doutrinário da escala dos mundos(…) comunidades encarnadas distintas a viver no mesmo tempo histórico em horizontes evolutivos de mundo primitivo, outras de mundo de provas e expiações e outras de mundo regenerador.

A roda já foi inventada. Se as lições da história forem vertidas em benefício do calendário hodierno entende-se que neste planeta, nem mesmo hoje com a dita globalização, nunca a uma fase pode suceder outra tão rápida como a subida de um degrau. Outrora, por exemplo, a Idade do Cobre nunca foi uma vaga uniforme a espraiar-se numa maré cronológica pelos continentes, acontecendo o mesmo com a Idade do Ferro. Certas comunidades chegaram ali primeiro, outras tardaram em atingi-la(s) com distância de séculos e até de milénios.

Não é difícil também verificar que, hoje, numa única cidade, encontramos dentro do critério doutrinário da escala dos munO pirilampo dos – constante de «O Evangelho Segundo o Espiritismo» (cap. III, Há muitas moradas) – comunidades encarnadas distintas a viver no mesmo tempo histórico em horizontes evolutivos de mundo primitivo, outras de mundo de provas e expiações e outras de mundo regenerador. Ao falar-se de transição planetária, um chavão recente em voga no movimento espírita e não só, a única fasquia em que isso pode ser interpretado com consistência será uma lenta mudança das médias evolutivas de determinados setores populacionais, sendo certo que o cenário não faz necessariamente a qualidade do ator no teatro das vidas sucessivas.

Em palavras mais simples e diretas, é evidente que se os ensaios de interiorização do dia a dia do amor incondicional que Jesus de Nazaré ensinou não obtiverem resultados progressivos, não há cenário dourado que nos mude a realidade interior. O progresso espiritual funciona por dentro de cada um. A batuta da credibilidade e do bom senso já foi quebrada várias vezes pelo movimento espírita desde a partida de Allan Kardec.

Hoje, percebe-se que repetir isso não faz sentido. Vale a todos o facto de as nuvens, não poucas vezes, também se cansarem de esconder o céu azul. Texto: JG Nunca te afirmes imprestável. Num aldeamento de colonização, surgiu um químico dedicado à fabricação de remédios pesquisando as qualidades de certo arbusto foto pixabay que existia unicamente em cavernas. Detendo informes de antigos habitantes da região, muniu-se de lâmpada elétrica, vela e fósforo para descer aos escaninhos de granfoto pixabay de furna.

O homem começou a distanciar-se da luz do sol e porque a sombra se condensasse, acendeu a lâmpada desdobrando uma corda que, na volta, lhe orientasse o caminho. A breve instante, porém, as pilhas se esgotaram. Recorreu aos fósforos e inflamou a vela, entretanto, a vela se derreteu e os fósforos foram gastos inteiramente, sem que ele atingisse o que desejava. Dispunha-se ao regresso, quando viu, em pequeno recôncavo do espaço estreito e escuro, o brilho intermitente de um pirilampo.

Aproximou-se curioso e, à frente dessa luz, achou a planta que buscava, com enorme proveito na tarefa a que se propunha. Anotemos a conclusão. Quem não pode ser a luz solar, terá possivelmente o clarão de lâmpada. Quem não consegue ser lâmpada terá consigo o valor de uma vela acesa ou de um fósforo chamejante. E quem não disponha de meios a fim de substituir a vela ou o fósforo, trará sem dúvida, o brilho de um pirilampo.

Texto: psicografia de Francisco Cândido Xavier, por Emmanuel (Espírito). Obra: “Recados do Além”, editora André Luiz. Fonte: http:// www.caminhosdoamor.org.br JANEIRO.FEVEREIRO.