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Capa da edição nº 98 do Jornal de Espiritismo

98Jornal de Espiritismo nº 98

Novembro 2020 · 20 secções · ≈ 64 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda temas cruciais da existência humana e espiritualidade. Inclui reportagens sobre congressos de medicina e espiritualidade e entrevistas sobre experiências de quase-morte. Discute a transição planetária, a cremação e doação de órgãos sob a perspectiva espírita, e explora os desafios e a natureza da mediunidade. Enfatiza a importância da auto-transformação e do estudo da doutrina espírita para um desenvolvimento harmonioso.

Espiritualidade
Transição Planetária
Morte
Mediunidade
Doutrina Espírita
Saúde Mental

Capa

Página 11 min

98 ANO XVII JDE JANEIRO . FEVEREIRO . 2 0 2 0 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 1 . 0 0 Durante o fim de semana de 23 e 24 de novembro a Associação Médico-Espírita do Norte (AME Norte) organizou sob a égide da AME Internacional no auditório da Escola Básica de Matosinhos o seu VII Congresso sobre Medicina e Espiritualidade, subordinado aos paineis gerais “Saúde mental e espiritualidade”, “Fisio(pato)logia transdimensional”, “Relações familiares e espiritualidade”.

Pág. 10 7 REPORTAGEM DIVALDO PEREIRA FRANCO EM LISBOA Já experimentou a receita do homem integral? AME Norte: Congresso sobre Medicina e Espiritualidade 15 OPINIÃO RESISTIR AO SUICÍDIO João estava desesperado. Fora despedido... 8 ENTREVISTA EXPERIÊNCIAS DE QUASE-MORTE Ellaine Drysdale, médica psiquiatra canadiana, conversou connosco. 17 LITERATURA ALÉM DAS PALAVRAS Ainda jovem, a autora teve contacto com os fenómenos mediúnicos… JANEIRO.

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Editorial / Conto

Página 23 min

EDITORIAL / CONTO No início da segunda década do século XXI, apesar da tecnologia de que dispomos, as questões essenciais do ser humano são transversais ao seu dia a dia, agora como há milhares de anos. Perenes, perguntas como “quem sou, que faço aqui, para onde vou”, inquietam as mentes em fim de ciclo nos momentos em que o ser espiritual que cada um é aspira a uma mudança para melhor. Há alguns dias comentava com lucidez peculiar nas redes sociais uma pessoa que não conhecemos, mediante lapsos difundidos entre homem e animais: “Começo a pensar que há muito espírita que interpreta a doutrina como mais lhe convém”, com desconhecimento deliberado das fontes, acrescentamos.

É verdade. Não é exclusivo dessa temática. Se antigamente era o hábito, ou seja, a veste que fazia o monge, hoje parece ser mais fácil criar o mito de que se transporta de cenário as mesmas pessoas, com as suas qualidades e defeitos, e a população passa a ter um salto qualitativo na evolução, na verdade, “contra natura”. Não é difícil também verificar que, hoje, numa única cidade, encontramos dentro do critério doutrinário da escala dos mundos(…) comunidades encarnadas distintas a viver no mesmo tempo histórico em horizontes evolutivos de mundo primitivo, outras de mundo de provas e expiações e outras de mundo regenerador.

A roda já foi inventada. Se as lições da história forem vertidas em benefício do calendário hodierno entende-se que neste planeta, nem mesmo hoje com a dita globalização, nunca a uma fase pode suceder outra tão rápida como a subida de um degrau. Outrora, por exemplo, a Idade do Cobre nunca foi uma vaga uniforme a espraiar-se numa maré cronológica pelos continentes, acontecendo o mesmo com a Idade do Ferro. Certas comunidades chegaram ali primeiro, outras tardaram em atingi-la(s) com distância de séculos e até de milénios.

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Correio

Página 34 min

Optar pela cremação é um problema? Alguém indaga: «O perispírito – ou corpo espiritual – sofre quando cremado? E quando o corpo é dado para a ciência ou se faz doação de órgãos? Aguardo resposta, sou grata. D.» RespostaA decisão sobre cada uma das situações que coloca será sempre inteiramente sua, mas uma vez que pede a nossa opinião face aos estudos que empreendemos, a nossa obrigação é dar-lhe uma ideia das correlações inerentes.

Em ambos os casos, quer seja cremação quer seja doação de órgãos, pode não haver problema nenhum decorrente dessas práticas como, em certos casos, pode haver. E, de facto, temos o dever de lhe dizer que não dispomos de uma fórmula matemática que permita avaliar isso com rigor. Cada vida humana é diferente das outras, por mais parecidas que possam ser aos olhos de outrem. Assim é também a desencarnação de cada um. Morrer é fácilo corpo material entra num processo irreversível de deterioraçãoeo desligamento vai-se processando com maior ou menor facilidade, segundo cada pessoa.

Desencarnar pode demorar mais tempo, já que a desabituação dos padrões densos da matéria para uns demora mais, para outros menos. Como saberá, são os hábitos mentais do dia-a-dia que determinam essa predominância de materialidade ou de espiritualidade em cada ser, com as consequências naturais que daí advêm. Se falarmos da cremação, sem se considerar esta regra certeira para todos os casos, na maioria dos casos – com excepção dos casos de suicídio – 72 horas passadas sobre a declaração do óbito o desligamento do corpo espiritual já deverá ter decorrido de forma completa face ao corpo material, que é o que morre de facto.

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Gcndij

Página 42 min

FEP foto arquivo No passado dia 10 de novembro, e à semelhança dos anos anteriores, a Federação Espírita Portuguesa contando com a colaboração do GCNDIJ, levou a cabo mais um ENEIJ-Encontro Nacional de Educadores Espíritas Infanto-juvenis. Enquadrado no Programa de Apoio aos Pais, o Encontro destinou um espaço à abordagem do tema “Vinculação e comunicação desde o nascimento”, apresentado pela psicóloga Dra. Sabla d´Oliveira, diretora do Baby Signs Portugal que, de forma clara e cativante, desenvolveu esta temática, orientando a palestra no sentido de oferecer aos presentes algumas ferramentas facilitadoras para a promoção do vínculo entre pais/educadores/filhos.

Foram abordados alguns aspetos sobre o desenvolvimento da compreensão e produção da linguagem a partir do nascimento até aos dois anos de idade, levando a uma maior satisfação das necessidades do bebé e à promoção de emoções positivas num processo amoroso e pacífico que deverá ser a Educação desde o berço. Foi feita a apresentação do Programa Orientador para a Educação Espírita de Crianças e Jovens dos 6 aos 15 anos, novidades, materiais, novos livros e perspetivas futuras.

Outro dos pontos altos deste encontro foi a apresentação de um dos 12 temas transversais a todos os anos a “MORTE”, e as diferentes formas como o tema é abordado em cada ciclo, num crescente de profundidade que prepara, esclarece e consola crianças e graúdos. Nesta abordagem, sublinhou-se a necessidade de os pais assumirem a educação espírita dos filhos, apoiando e seguindo os estudos, os encontros, conhecendo a literatura que as Casas Espíritas oferecem para os seus educandos.

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Consultório

Página 54 min

Existe um ângulo terapêutico no espiritismo? O entrevistado é diretor clínico do Hospital André Luiz, em Belo Horizonte, no Brasil, e psiquiatra e psicoterapeuta do Instituto de Assistência Psíquica Renascimento. Neste congresso representou a AME Internacional e a AME Brasil. Roberto Lúcio Vieira de Souza está ligado autoria e co-autoria de variados livros, tais como “Por que adoecemos: princípios para a Medicina da Alma”, “Na viagem da vida” e “Depressão: abordagem médico-espírita”, entre outros.

Gentil, concordou em responder a algumas questões. A medicina pode beneficiar do conhecimento da realidade espiritual/mediúnica própria do ser humano? Roberto Lúcio – A medicina só ganha quando se abre a um entendimento do que é o homem na sua condição integral, na medida em que o homem pode perceber essa transcendência de uma maneira mais efetiva. Isso engrandece realmente o trabalho. Não podemos esquecer que aproximadamente até grande parte do século XVIII a medicina não se separava das questões espirituais.

Isso ficou mais evidente com as ideias materialistas do final do século XIX e com aquilo que aconteceu no século passado. Antes disso, o terapeuta, o médico, o profissional de saúde estava extremamente vinculado às questões do religioso. É possível distinguir facilmente uma alucinação de fenómenos de vidência, como são referidos pelo espiritismo? Roberto Lúcio – Isso vai depender muito mais da experiência e da habilidade da avaliação.

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Notícia Ame

Página 64 min

Lisboa: I Seminário de Medicina e Espiritualidade Sábado de manhãzinha foi preciso levantar bem cedo. Apetecia dar mais uma volta na cama, mas estava combinado. Outros esperavam a minha boleia em direcção a Lisboa. Lá andámos uma hora na estrada, em busca de algo. Não é para qualquer um, é preciso ter gosto naquilo de que se gosta, pensei, ao encontrar cerca de 200 pessoas de várias regiões de Portugal, desde Quarteira (Algarve) até ao Porto, que me tenha apercebido.

Entrámos, e logo nos chamou a atenção a organização impecável, esmerada, cuidada, um sorriso nos lábios, próprio de quem gosta de nos rever. Uma pasta identificativa do evento, material de divulgação, informação, uma esferográfica com o logótipo da AME Lisboa, crachá moderno e com o nome do evento, um livro de Divaldo Franco com capa específica para este seminário (“Libertação pelo Amor”), programa estilizado e a cores.

Cada passo dado e um ou outro beijo, cumprimento, reencontrando amizades, conhecendo gente nova: que bom! É a lei de sociedade, como ensina “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec. Só assim, numa vida de relação, evoluímos, sem dúvida. Olhando para o lado, uma enorme, diversificada e barata bibliografia espírita, fornecida pela FEP. Quanto trabalho ao longo dos vários anos, devem ter tido, para que possamos, hoje, fruir de bons livros espíritas, que em vez de virem do Brasil são feitos em Portugal, a 1/3 do preço.

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Notícia Cupão de Assinatura

Página 74 min

Desejo receber na morada que indico o “Jornal de Espiritismo” durante uma ano, pelo que junto cheque ou vale postal a favor da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, JE, Apartado 161 – 4711-910 BRAGA (portes incluídos). Assinatura anual (Portugal continental) € 7,00 Assinatura anual (Outros locais) € 15,00 Nome Morada Telefone E-mail N.º de contribuinte Assinatura Divaldo Pereira Franco em Lisboa: o homem integral Dia 26 de novembro, uma terça-feira, pelas 21h00, decorreu uma apresentação desse modelo existencial, em Lisboa, no auditório da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa.

Havia algo de especial, fora do normal. As viaturas deslocavam-se auto-estrada fora, em busca da capital portuguesa. Outros apanhavam os transportes públicos, desde longe, em direção a Lisboa. Chegámos pelas 19h30 (1h30 antes do evento) e uma enorme fila já se constituía, na esperança de entrar no vasto auditório. Uma diversa e rica livraria espírita era absorvida pela multidão. Ao lado, numa mesa, uma pessoa de 92 anos de idade numa cadeira de rodas, quiçá com dores, autografava livros atrás de livros, sempre com um sorriso.

Isso não o impede de viajar anualmente mais de 200 dias, divulgando a doutrina espírita, que não é mais uma religião ou seita, mas sim, ciência, filosofia e moral. Estamos a falar de Divaldo Pereira Franco, educador, espírita, médium, o maior divulgador da doutrina espírita no mundo entre nós, “Doutor Honoris Cause” por várias universidades, entre as quais Sorbonne, Embaixador Mundial para a Paz, fundador da Mansão do Caminho, na cidade da Bahia, Brasil, instituição modelar a nível mundial, por onde já passaram mais de 130 mil crianças pobres, que foram integradas na sociedade.

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Entrevista

Página 83 min

Informação relativa aos dados pessoais dos assinantes do JDE O JORNAL DE ESPIRITISMO (JDE), publicado periodicamente pela Associação de Divulgadores de Espiritismo (ADEP), possui uma modalidade de chegar aos seus Leitores através do pagamento de uma assinatura anual, para a qual se torna necessário o preenchimento de um Cupão de Assinante onde consta por razões óbvias sobretudo o nome, a morada e a forma de contacto, enquanto dados pessoais de identificação.

O jornal segue pelo correio, juntamente com informação da política de privacidade. A forma preferencial de contactar os assinantes sobre os assuntos relacionados com a sua assinatura do jornal, quando necessário, é o e-mail, mas quando por alguma razão excecionalmente este não funciona de forma adequada pode ser necessário estabelecer um contacto telefónico. Por isso, quando alguém assina o JDE está a concordar automaticamente com a cedência dos seus dados pessoais para este fim.

Os dados pessoais dos assinantes, presentes no Cupão de Assinante do JDE, são guardados numa pasta a que tem acesso o colaborador em serviço nessa tarefa, não sendo partilhada com mais ninguém, salvo se algum responsável da ADEP ligado a este setor vier a necessitar de esclarecer alguma dúvida. Terminado o período de assinatura do JDE, se o assinante não a renovar, o dito cupão de assinante arquivado na respetiva pasta será fisicamente destruído no prazo de um ano pelo colaborador ligado a essa tarefa.

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Entrevista (pág. 9)

Página 96 min

Sentiram-se, por exemplo, a flutuar sobre o seu corpo físico, ou parecem ter estado presentes a assistir a alguma conversa noutra parte do edifício ou sentiram ter passado por um túnel. Assim, há muitos aspetos por que as pessoas passaram que pode não ter sido a totalidade do fenómeno, mas, se perguntar, há um considerável número de pacientes que de alguma maneira terão passado por estas experiências. Estar ciente desta realidade afeta a prática clínica e os pacientes?

Elaine Drysdale – Penso que as EQM têm um grande efeito nos pacientes. Se perceber que alguém passou por uma EQM sublinho que não é caso para a pessoa em causa se sentir ridicularizada ao referi-la. Não creio que seja explicável apenas por uma questão infeciosa ou por hipoxia. Por isso valido a experiência por que o paciente passou, embora saiba que 95% da população não passou por esse fenómeno. Como muita gente tem pânico de morrer, ao falar das EQM a pessoas nessa condição coloco-lhes com frequência esta pergunta: «Conhece alguém que já tenha tido uma EQM ou do que é que isso trata?

». Explico que as pessoas se aproximam tão perto quanto possível do que seja morrer e depois regressam e dizem-nos o que se passou. O processo de morrer parece estar envolvido num contexto de paz, independentemente do que pareça se visto do exterior. Há também implicações espirituais nas quais se pode acreditar ou não. Penso que é importante reconhecer clinicamente o fenómeno das EQM por várias razões. Como psiquiatra contacta com pacientes que pensam no suicídio.

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Centrais

Página 101 min

Congresso da AME Norte: não acham fantástico? fotos ulisses.com.pt JANEIRO.FEVEREIRO.2019

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Centrais (pág. 11)

Página 116 min

O auditório da Escola Básica de Matosinhos recebeu em 23 e 24 de novembro de 2019 o VII Congresso sobre Medicina e Espiritualidade, que ali fez convergir médicos, enfermeiros, técnicos de saúde e profissionais de outras áreas. Um gosto em comum: medicina e espiritualidade. Não acham isto fantástico? A Associação Médico-Espírita do Norte (AME Norte) concretizou pela sétima vez o evento que organiza anualmente, desta vez um congresso sobre medicina e espiritualidade, onde todas as pessoas têm lugar e são bem-vindas, sejam espíritas, ateias, agnósticas, católicas, budistas.

Isso não importa. O fulcro da questão é, num ambiente de grande abertura mental, trocar ideias acerca do ser humano, da saúde, da espiritualidade, dando a abordagem da Doutrina dos Espíritos, que passo a passo a ciência materialista tem vindo a confirmar. Hassan Farhat é um desses médicos, espírita, com a paixão de levar ao mundo algo em que não acredita, mas que é uma realidade. Quando se sabe, se conhece, não é necessário acreditar.

Juntamente com meia dúzia de pessoas generosas, sem qualquer ganho monetário (antes pelo contrário, pagando muitas coisas dos seus bolsos), recebe-nos com um sorriso do tamanho do mundo. É impossível ficar-se indiferente. Na recepção, a gentileza e a simpatia são acompanhadas de um saco com o logótipo da AME Norte, com o programa, papel, esferográfica, um rebuçado e um chocolate. Que toque de ternura, próprio de quem sabe que, de vez em quando, a fome aperta e não apetece sair, tamanho é o interesse dos temas em foco.

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Reportagem

Página 122 min

Congresso inovador incluiu dois seminários Paula Silva, médica que integrou no seu tempo pós- profissional o grupo organizador do VII Congresso de Medicina e Espiritualidade da AME Norte, conversou connosco. - Como está a decorrer o congresso? Paula SilvaA programação é sempre diferente. Tentamos trazer temas novos ligados à medicina e à espiritualidade, mas este ano trouxemos uma inovação. Fizemos dois seminários paralelos.

Um dos seminários foi só para profissionais de saúde. E porquê? Não teve o objetivo de separar as pessoas. Só que sabemos que os profissionais de saúde têm relutância em aceitar este novo paradigma e exigem sempre estudos aprofundados, bem fundamentados em artigos científicos. Pareceu-nos então que seria importante darmos essa possibilidade de aprofundar assuntos na vertente da medicina, no sentido de chamarmos um pouco mais a atenção desses profissionais de saúde.

Tivemos oportunidade de ter entre nós a Dr.ª Elaine Drysdale, que é professora universitária, uma psiquiatra do Canadá, que, não sendo espírita, há mais de 20 anos que estuda os fenómenos de quase-morte. Trouxemo- la numa perspetiva de abertura para a consciência do homem integral. - Valeu a pena a mudança de formato? Paula SilvaSim, valeu a pena. Essa questão tem sido muito abordada, até nas reuniões da AME Internacional.

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Opinião

Página 134 min

Então, ao toque das doze badaladas, amassamos o mesmo número uvas passas contra a palma da mão e, no meio da euforia, dos confetes e do espumante, ao som de gritos histriónicos e dos abraços calorosos que surgem dos lugares mais inesperados, deita-se à boca aquela fruta ressequida enquanto se formulam desejos sobre o que gostaríamos que o novo ano trouxesse. É uma tradição simpática, especialmente porque o desejo ainda é gratuito e não é tributável.

Há alguns anos, em conversa com o meu filho mais velho, perguntei-lhe que sacrifícios estaria disposto a fazer para alcançar o que mais desejava naquele novo ano. O artista, que tem horror a uvas-passas, replicou: “Ter sido obrigado a comer as passas não é sacrifício suficiente?”. É uma piadola com graça, mas não padeceremos do mesmo comodismo? O mundo está em permanente mudançaea nossa vida também. Sabemos isso porque o sentimos na forma como a vida nos devolve aquilo que lhe damos e como isso afeta a relação que estabelecemos connosco e com o que está à nossa volta.

No entanto, em demasiadas situações, fazemos pouco para que essas mudanças aconteçam: em vez de assumirmos as rédeas na construção daquilo que mais desejamos, agarramo-nos como ventosas a comportamentos caquéticos, hábitos alimentados durante tantos séculos. Sabemos onde queremos chegar, mas vamos criando a expectativa de que essas mudanças caiam dos céus em forma de luz iluminativa, de uma espécie de intervenção divina ou pelas artes mágicas de uma varinha de condão.

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Opinião (pág. 14)

Página 144 min

Paternal, invariavelmente misericordioso, na Sua mirífica pedagogia aproveitou as travessuras do materialismo racionalista (que “matara Deus” e endeusara a Razão, na pena de Frederico Nietzsche), para o conduzir ao destronar da matéria na cosmologia materialista e levá-lo a concluir que, nada em si mesma, ela é mero estado temporário de energia. Mansamente, a sabedoria divina fez reverter o materialismo zombeteiro do racionalismo em servidor prestimoso da espiritualidade humana!

Se o racionalismo, aprofundando-se em conhecimento, largou o materialismo e chegou ao espiritualismo, não deixa de subsistir um certo espiritualismo de feição materialista. Movimenta-se dentro do Espiritismo e, abominando o termo religião, ateia a falsa questão de o Espiritismo se conciliar ou não com religião. Sim, falsa questão, já dirimida muito claramente no próprio texto e contexto da Codificação, assim como pelo Codificador.

É sobre Deus a primeira pergunta de O LIVRO DOS ESPÍRITOS à falange do Espírito de Verdade, desenvolvendo-se o tema por todo o capítulo. E o final do mesmo livro (Conclusão, cap. V) declara explicitamente: “O Espiritismo é forte porque se apoia nas próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e recompensas futuras”. No muito citado “Discurso de Finados” (Revista Espírita, dez./1868), Allan Kardec não nega ao Espiritismo o caráter de religião.

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Opinião (pág. 15)

Página 154 min

João pensava nos dois filhos que tinha para criar, de 15 e 17 anos. Almejava dar-lhes um curso superior, que agora ia pelo cano abaixo. Faltavam dez anos para acabar de pagar o empréstimo da casa, e agora não tinha como. O futuro tinha fugido, de repente. Não tinha saída. A solução estava ali à mão de semear. Vivia perto da linha de comboio, perto de uma curva, seria uma morte rápida e sem grande dor, pensava no seu íntimo.

Nessa noite, deitou-se pela última vez ao lado da esposa, carcomida pelas dificuldades da vida, tal como ele. Olhou para ela, dormindo, cansada, e uma lágrima de tristeza misturada com ternura rolou pela face. Não podia fraquejar! Levaria o seu plano por diante, após a rotina diária de desempregado, após o café diário, no café do sr. Joaquim. Assim não daria nas vistas. Ajeitou-se nas mantas, e sem saber como nem porquê, lembrou-se da sua falecida mãe, que lhe falava do seu anjo da guarda ou guia espiritual.

Nunca fora dado a essas coisas da espiritualidade. Ela morrera, e era apenas uma leve recordação. Adormeceu. Teve um sonho muito nítido, onde se via lado a lado com um ser luminoso, que o levava a visitar um local sinistro, sombrio, onde a dor não tem palavras para ser relatada. Olhou para uma tabuleta que encimava a entrada: “Vale dos suicidas”. O seu companheiro de viagem durante o sono (o seu guia espiritual) mostrava-lhe ali o estado de inúmeras pessoas que, pensando tudo acabar com a morte do corpo de carne, ali sofriam os horrores da desilusão, até que um dia, por mérito próprio, sejam resgatadas pelos espíritos benfeitores, levando-as para um local mais calmo, em preparação para nova reencarnação.

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Opinião (pág. 16)

Página 162 min

Com o mínimo de abertura, entendimento e aceitação das leis naturais que regem a evolução dá- se o momento mágico da paciência fecundada. Nesse encontro forja-se o mistério detonador do milagre da vida e, por ela, a graça de poder aprender. Uma paciência grávida é essência das obras-primas. Deve ser cuidada, mantida e vigiada com o auxílio da esperança na dupla função de placenta e parteira do bom, nobre e belo.

Só uma pressão paciente faz o diamante. Quem isso não sente por existir? O nosso âmago alimenta-se de uma hidratação gota a gota até que a alegria em lágrimas nos atravesse depois de cada parto. Onde estarão as dores se no colo da nossa intimidade nos sorri um filho de amor imperecível para cuidar? Não importa se nasce esta ou aquela virtude. Quando nasce a primeira todas as outras (des)conhecidas lhe procuram inevitavelmente a irmandade.

As contrações da vida testam a resistência da nossa paciência. Quando se entra em trabalho de parto para a mudança o diamante do porvir esquece a resistência que lhe vem do início quando era carvão. Indubitavelmente a paciência diminui. Além disso, aumenta o risco de abandono de experiências salutares. O paciente de boa vontade semeia, cuida e confia na força da vida que tudo faz crescer no seu tempo. Não no nosso. Podemos fazer do relógio a prisão para o deter, mas por entre as grades de cada segundo o tempo esquiva-se à velocidade da luz.

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Cinema / Literatura

Página 177 min

CINEMA / LITERATURA É um pequeno livro de Ana Cristina Vargas, autora brasileira que se dedicou ao estudo do Espiritismo. Ainda jovem, teve contacto com os fenómenos mediúnicos, que estudou e que a levaram ao conhecimento do Espiritismo. Hoje podemos dizer, com segurança, que a doutrina codificada por Allan Kardec explica-nos o fenómeno mediúnico de forma clara e racional. Esteve este envolto nas “trevas da ignorância” durante séculos e séculos, levando ao fanatismo que causou muita violência e dor.

O presente livro tem por base o estudo da terceira obra da Codificação Espírita: “O Evangelho segundo o Espiritismo”, que viria a ser publicada em Abril de 1864, com o título de “Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo”, conforme notícia na “Revista Espírita” do referido mês e ano. Ana Vargas analisa toda a obra em 11 capítulos, fixando-se nos temas que Além das Palavras… muitas vezes são ainda incompreendidos e desvirtuados.

Começa por nos chamar a atenção para Jesus, o qual transformamos num mito e cujas lições dogmatizamos. Para tal, toma por base a Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. No segundo capítulo, fala-nos das leis naturais, descritas nos quatro primeiros capítulos deste livro, nomeadamente a pluralidade das existências (reencarnação) e a pluralidade dos muntos habitados. No terceiro capítulo, Ana Vargas fala-nos das leis morais que Jesus tão bem expôs nas Bem-Aventuranças e que Allan Kardec descreve nos capítulos V, VII, VIII, IX e X de “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

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Entrevista a frequentadores Sabia que?

Página 182 min

Era uma vez um rajá que estava cansado de fazer sempre as mesmas coisas. Os assuntos do reino eram sempre os mesmos e, por mais que tentasse ocupar-se com alguns jogos e passatempos, estava farto daquela rotina. Com o passar do tempo, começou mesmo a entrar em depressão. O grande problema é que o seu desânimo era tanto que começou a descuidar-se com o que se passava no reino. Era uma questão de tempo até que o reino caísse por falta de empenho do rei.

Vendo o perigo em que estava o reino a entrar, vários sábios tentaram inventar algumas ideias para animar o rajá, mas apenas um conseguiu apresentar uma ideia que conseguisse despertar o interesse do rei da Índia. Esse sábio apresentou um tabuleiro com 64 quadrados, onde alternavam casas brancas e pretas, com diversas peças, também brancas e pretas, que representavam reis e rainhas, bispos e outras personagens do reino.

Dizia ele que o jogo se chamava Xadrez. O rajáeosábio passaram dias a jogar aquele jogo. O ânimo do rei começou a ser bastante visível. Com o entusiasmo que voltou a ter ao acordar, voltou a governar o seu reino e conseguiu evitar o problema da queda do reino. O rajá estava tão contente com o sábio que quis recompensá-lo. - O que queres como recompensa por me teres ajudado a recuperar a minha vontade de viver? À primeira, o bom homem não quis aceitar tal oferta, mas perante a insistência do seu rei resolveu fazer um pedido muito simples.

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Sustentável

Página 192 min

No início do mês de dezembro, a Agência Europeia do Ambiente divulgou um relatório sobre o Estado do Ambiente na União Europeia que aponta falhanços às políticas de combate às alterações climáticas. É o relatório mais exaustivo sobre os impactos ambientais alguma vez realizado na Europa. Apesar de alguns avanços na redução da poluição atmosférica e dos gases de efeito-estufa, os objetivos para a proteção da natureza e perda de biodiversidade estão longe de serem cumpridos.

Na apresentação do relatório, Hans Bruyninckx, diretor executivo da AEA, afirmou que “O ambiente da Europa está num ponto de viragem. Nos próximos dez anos, temos uma estreita janela de oportunidade para ampliar as medidas destinadas a proteger a natureza, reduzir os impactos das alterações climáticas e reduzir radicalmente o consumo de recursos naturais”. O relatório defende que o atual conjunto de políticas europeias para o ambiente oferece uma base essencial para o progresso futuro, mas não é suficiente.

Segundo o relatório, a Europa não alcançará a visão de uma sustentabilidade dentro dos limites do nosso planeta se continuar a promover o crescimento económico tentando apenas gerir os impactos ambientais e sociais que esse crescimento gera. Assim, a AEA estimula os países da União Europeia e os seus líderes Estado do Ambiente na Europa em 2020 foto arquivo a aproveitar esta oportunidade, usando a próxima década para acelerar as ações ambientais e comprometer-se a longo prazo com os objetivos ambientais para que seja possível evitar as consequências mais negativas.

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Última

Página 202 min

Porto: Workshop sobre jornalismo Sábado, dia 8 de fevereiro, entre as 15h00 e as 17h30, terá lugar no auditório do Centro Espírita Caridade por Amor, na cidade do Porto, um workshop que será ministrado por um facilitador que colabora com o “Jornal de Espiritismo”, publicado pela ADEP, cuja tarefa será dar as dicas essenciais para escrever mais facilmente dentro do estilo jornalístico, bem como aprender a distinguir os diferentes géneros desse mesmo estilo.

O programa prevê a apresentação de ideias essenciais, havendo depois uma parte prática. De inscrição gratuita, embora nessa data possa já ser tarde, os interessados devem manifestar a sua vontade de participar até 31 de janeiro de 2020 através deste e-mailadep@adeportugal.org Depois disso receberão uma ficha de inscrição para saber das suas motivações. Se tem vontade de aprender a passar de forma mais eficaz as suas ideias de forma escrita, veja se ainda há vaga, pois este workshop vai admitir apenas 20 inscrições.

Quem receber confirmação da inscrição, deverá levar bloco de notas e esferográfica. Congresso espírita internacional A Federação Espírita Portuguesa está a organizar um congresso internacional que decorrerá em Lisboa em 3 e 4 de outubro de 2020. Subordina-se ao tema «Desafios e soluções». A instituição organizadora afirma no seu site que «este Congresso Espírita Internacional, reunindo espíritas de várias latitudes e experiências geográficas e socioculturalmente diversificadas, procurará privilegiar as abordagens que contribuam para ampliar as diversas dimensões do tema da transição planetária, contribuindo para o debate, para a permuta de experiências e para a construção de plataformas de reflexão».

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