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Opinião (pág. 16)

Jornal de Espiritismo nº 98 · Novembro 2020Página 162 min

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Com o mínimo de abertura, entendimento e aceitação das leis naturais que regem a evolução dá- se o momento mágico da paciência fecundada. Nesse encontro forja-se o mistério detonador do milagre da vida e, por ela, a graça de poder aprender. Uma paciência grávida é essência das obras-primas. Deve ser cuidada, mantida e vigiada com o auxílio da esperança na dupla função de placenta e parteira do bom, nobre e belo.

Só uma pressão paciente faz o diamante. Quem isso não sente por existir? O nosso âmago alimenta-se de uma hidratação gota a gota até que a alegria em lágrimas nos atravesse depois de cada parto. Onde estarão as dores se no colo da nossa intimidade nos sorri um filho de amor imperecível para cuidar? Não importa se nasce esta ou aquela virtude. Quando nasce a primeira todas as outras (des)conhecidas lhe procuram inevitavelmente a irmandade.

As contrações da vida testam a resistência da nossa paciência. Quando se entra em trabalho de parto para a mudança o diamante do porvir esquece a resistência que lhe vem do início quando era carvão. Indubitavelmente a paciência diminui. Além disso, aumenta o risco de abandono de experiências salutares. O paciente de boa vontade semeia, cuida e confia na força da vida que tudo faz crescer no seu tempo. Não no nosso. Podemos fazer do relógio a prisão para o deter, mas por entre as grades de cada segundo o tempo esquiva-se à velocidade da luz.

Para avançar no caminho de modo sensato é preferível ser paciente e ter como meta a difícil linha do horizonte onde o céu toca a terra, do que andar ansioso por um resultado imediato onde só provamos o sabor seco do pó. Não precisamos de ir ao fundo para conhecer o que é profundo. Carregamos connosco a leveza da esperança como balde e da paciência como (a)corda. O que pesa menos no fundo do poço – corda, balde e água – menos pesa na superfície quando içamos o que nos acalmará os sintomas da canícula.

A nossa força é proporcional à nossa sede. Se o peso do nosso peso entrasse no poço que poder nos resgataria do fundo? E se acrescentássemos o peso da nossa sede de alcançar a felicidade plena? Só uma valentia Criadora inexaurível nos poderia acolher. E quantas vezes isso nos é revelado no anonimato através de corações abnegados, fraternos e generosamente Paciência nossos amigos? Sendo assim: nenhum flagelo pode ser maior do que a esperança da paciência mais fecunda.

O que queremos vencer e ver nascer de nós? Quando se espera o infinito a Paciência vale-se do essencial de incalculável valor futuro. Trazemos connosco o exponencial da Paciência: um AMOR singular de vida eterna. Habita-nos em grãos. Sãoojúbilo da cauda dos cometas que nos lembram pirilampos abrasadores na nossa alma depois da coroa da sublime paciência nos invadir gentilmente a atmosfera do coração. Desde esse clarão bate-nos no peito, sem parar, a possibilidade da ousadia e da arte de florir perfume.

É a loucura da paciência. Em nós tudo suporta, tudo espera e tudo alcança. Por César Almeida A paciência tem muito de dar à luz. É campo fértil potenciador de todos os dons imateriais da alma. Não precisamos de ir ao fundo para conhecer o que é profundo. foto pixabay JANEIRO.FEVEREIRO.