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Reportagem

Jornal de Espiritismo nº 98 · Novembro 2020Página 122 min

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Congresso inovador incluiu dois seminários Paula Silva, médica que integrou no seu tempo pós- profissional o grupo organizador do VII Congresso de Medicina e Espiritualidade da AME Norte, conversou connosco. - Como está a decorrer o congresso? Paula SilvaA programação é sempre diferente. Tentamos trazer temas novos ligados à medicina e à espiritualidade, mas este ano trouxemos uma inovação. Fizemos dois seminários paralelos.

Um dos seminários foi só para profissionais de saúde. E porquê? Não teve o objetivo de separar as pessoas. Só que sabemos que os profissionais de saúde têm relutância em aceitar este novo paradigma e exigem sempre estudos aprofundados, bem fundamentados em artigos científicos. Pareceu-nos então que seria importante darmos essa possibilidade de aprofundar assuntos na vertente da medicina, no sentido de chamarmos um pouco mais a atenção desses profissionais de saúde.

Tivemos oportunidade de ter entre nós a Dr.ª Elaine Drysdale, que é professora universitária, uma psiquiatra do Canadá, que, não sendo espírita, há mais de 20 anos que estuda os fenómenos de quase-morte. Trouxemo- la numa perspetiva de abertura para a consciência do homem integral. - Valeu a pena a mudança de formato? Paula SilvaSim, valeu a pena. Essa questão tem sido muito abordada, até nas reuniões da AME Internacional.

Sentimos um bocadinho isso. Sentimos que há um público que está mais aberto, que vem, ouve a mensagem e consegue interiorizá-la de uma forma mais fácil, mas há depois um público que gostávamos de sensibilizar – porque vão ser aqueles que têm a possibilidade de dentro dos hospitais, dos centros de saúde de promoverem uma diferença – que têm uma postura mais fechada, ainda muito dentro do paradigma materialista. Há muito que temos vindo a falar da necessidade de trabalharmos esse público-alvo.

Parece-nos que é este o caminho. Foi quase como ainda um ensaio, não é? - Projetos futuros? Paula SilvaContinuarmos o trabalho que temos feito, que é pequenino, mas que tentamos que vá sendo consistente, e ampliar tanto quanto possível este trabalho um pouco mais direcionado para os profissionais de saúde. Percebemos que esse é um foco muito importante, que a mudança tem de estar também ali. É importante quando nos chega um doente que tem já este conhecimento da espiritualidade, mas o que sentimos é que, da parte dos profissionais de saúde, não há a postura correspondente para olharem o doente nessa perspetiva integral.

Então, os nossos projetos vão passar muito nesse sentido. Já criámos mais um estudo mensal aberto àqueles que quiserem estar presentes dentro da AME Norte, que se faz no primeiro sábado de cada mês, levando um tema científico e levando um tema relacionado com a doutrina espírita, nessa perspetiva de ampliarmos esse conhecimento. Os nossos projetos futuros são muito por aí. Continuarmos a trabalhar no terreno, aumentarmos o atendimento que temos feito, em que vamos atendendo as pessoas numa perspetiva de uma escuta profissional na área da medicina e da psicologia, incorporando o conhecimento da espiritualidade, ampliarmos esse atendimento e, depois sim, trabalharmos muito nessa área.