opinião Brincar com o perigo Desde sempre existiram na crosta terrestr
Jornal de Espiritismo nº 10 · 2005Página 119 min
Desde sempre existiram na crosta terrestre fenómenos para os quais o homem não encontrava uma explicação, classificando-os
Por volta do século XIX, esses fenómenos multiplicaram-se consideravelmente, obrigando o homem a reparar neles melhor. Entre os mais falados, temos o caso das “mesas girantes”, que inicialmente surgiu na América do Notte, gro agando-se em seguida pela Europa. endo visto como uma brincadeira, o fenómeno das “mesas girantes” começou por servir de entretenimento nos salões de convívio da classe média-alta, juntando grandes grupos, que retendiam assistir ao divertimento da moda.
árias pessoas sentavam-se ao redor de uma mesa redonda com três pés, e colocavam as suas mãos sobre ela, que começava a sua dança, rodando, levitando e batendo com os pés no chão, em movimentos variados, por vezes suaves e outras vezes bastante violentos. Com o tempo, o fenómeno deixou de captar a atenção daqueles que o viam somente como algo sobrenatural, caindo em descrédito. No entanto, outros se deixaram encantar pela estranha dança, começando a investigá-la.
E foi %raças a esse fenómeno que surgiu a doutrina que estudamos hoje: o Espiritismo. Hippolyte Rivail, um senhor respeitado em Frânça, iniciou os seus estudos em torno das “mesas girantes”. Estudando o fenómeno de Ferlto, percebeu que não só rodopiavam e evitavam, como eram feridas com batidas fortes. Depressa descobriu por detrás desses ruídos a presença de uma espécie de inteligência, que pelas batidas, respondia a questões que lhe eram colocadas.
Métodos mais simples de comunicação foram depois propostos por essa mteh%enaa oculta, tais como o uso de lápis e pranchetas, que possibilitavam o desenvolvimento de textos ao lon%p de páginas e Eágmas, E assim, nasceram os livros que conhecemos como AÀA Codificação. Hoje, quase 150 anos depois, este tipo de fenómenos já não se verificam do mesmo modo. Na verdade, eles tinham um objectivo: dar a conhecer ao mundo corpóreo, no momento oportuno, a existência de algo para além da matéria.
Desse modo, o homem foi presenteado com as palavras de Espíritos superiores. No entanto, o Homem, preso ao plano material, sente ainda necessidade de ver e ouvir certas coisas, sobretudo aquelas que não consegue licar. E dessa curiosidade surgem brincadeiras praticadas sobretudo pelos adolescentes, como “O Jogo do Copo”. E a procura de contacto com o mundo que desconhecemos (conscientemente), na busca de um arrepio forte.
" . Para fazer êsse jogo, é utilizado um tabuleiro, de nome original * Tabuleiro Ouija”, do ano de 1890, e invenãado por Reiche, Bond e Kennard, sendo vendido ao público como um jogo de salão. Nesse tabuleiro, encontram-se dispostas em linha as letras do abecedário, todos os números e as palavras “Sim”, “Não” e” Adeus”. O tabuleiro traz ainda uma espécie de pequena prancheta com um apontador ou um buúraco, que indica as letras para formar as palavras.
Um usuário ou mais, colocam as mãos na equena prancha sobre o tabuleiro, e após azerem uma questão, a prancha inicia o movimento, formando palavras e frases. No entanto, não é necessária a utilização de um tabuleiro original. Na verdade, bastam as letras e os números escritos numa folha de apel, para além das palavras “Sim” e “Não”, substituindo-se a prancheta por um copo ou até uma moeda. Isso implica que, na verdade, o segredo não está no material utilizado, mas naquilo que o faz mover...
Para compreendermos este tipo de fenómenos, é essencial que primeiro os classifiquemos de acordo com a sua categoria (de acordo com a Doutrina Espírita). Assim, neste caso, falamos de manifestações físicas: traduzem-se por efeitos sensíveis, tais como. ruídos, movimentos e de$locaâão de corpos sólidos. : O Livro dos Médiuns, diz-nos o seguinte a respeito das manifestações físicas: . “Pergunta: Como pode um Espírito produzir o movimento de um corpo sólido?
” , “Resposta: Combinando uma parte do fluído universal com o fluído próprio àáquele efeito, que o médium emite. ” Ou seja, para que o fenómeno se produza, é indispensável a intervenção de pelo menos uma pessoa dotada de especial aptidão, que se designa pelo nome de médium (de efeitos físicos).
roduzir o movimento. ” . "Pergunta: São aptos todos os Espíritos, a produzir
“Resposta: Os que produzem efeitos desta espécie são sempre Espíritos inferiores, que ainda se não desprenderam inteiramente de toda a influência material.” . SSNA Ora, no que respeita ao [oga do Copo, isto implica dizer que existe, de facto, uma inteligência por detrás do fenómeno do movimento físico, denominada por nós como Espírito. A diferença em comparação com a época de Allan Kardec é que os indivíduos que se comunicavam através do fenómeno eram bons Espíritos, grpcurando ensinar-nos, enquanto que as rincadeiras de hoje em dia não passam de uma forma que os Espíritos inferiores encontram de se divertirem à nossa custa e de conseguirem o que querem.
Os Espíritos são seres humanos desencarnados, com o mesmo carácter que tinham quando encarnados. Encontram-se por toda à parte, ocupados nos seus afazeres, tal como nós, encarnados. Contudo, eles não se encontram num local específico. Geralmente, os Espíritos imperfeitos estão junto a nós, por afinidade connosco. Não os conseguimos ver pois encontram-se num plano diferente do nosso, mas eles vêem-nos, e conhecem até os nossos pensamentos.
Agem sobre nós, sobretudo pelo pensamento, visto que não lhes é fácil agir sobre a matéria (como vimos, necessitam um médium). Diz-nos o Livro dos Espíritos: “456. Vêem os Espíritos tudo o que fazemos?” “Podem ver, pois que constantemente vos rodeiam. Cada um, porém, só vê aquilo a que dá atenção. Não se ocupam com o que lhes é indiferente. Quando uma ou mais pessoas se juntam para procurar entrar em contacto com o “Além”, abre-se uma porta para que se aproximem de nós aqueles que assim desejem.
Ora, sendo o nosso planeta ainda inferior na hierarquia dos mundos, e daí resultando que a maioria dos EÉF' itos que nesta crosta vivem são igualmente inferiores, não deverá surpreender-nos tenhamos mais rápida resposta por parte destes. Na verdade, o mundo espiritual superior não tem tempo a perder com este tipo de brincadeiras e contactos inúteis. Assim, o mal deste jogo está em que apenas Espíritos inferiores e ignorantes se préstam a esse tipo de invocação, mentindo, mistificando, inclusive assumindo falsa identicíade, a fim de satisfazer a curiosidade dos ignorantes.
Respondem àquilo que lhes perguntam, fazem previsões e dão conselhos, participando na brincadeira. Contudo, de imediato se colocam na posição de credores daqueles que os invocam a seu serviço, fazendo duras cobranças pelo trabalho prestado. Esses Espíritos, portadores de fluidos pesados e negativos, infestam e prejudicam o ambiente a que comparecem, O problema agrava-se se ãostgm do lugar e dos moradores, permanecendo aí e passando a fazer parte da vida familiar, acarretando todo o tipo de desequilíbrio e influências nocivas.
Induzem os jovens ao consumo de drogas de todo o énero para que possam vampirizá-los. nvenenam os seus pensamentos acerca dos que os rodeiam, convencendo-os de que não são amados e de que só eles (Espíritos invocados) se preocupam com o seu bem-estar. Podem inclusive levar as suas vítimas ao suicídio ou a cometer homicídio, tal o grau de obsessão que podem provocar. Divertem-se com as partidas de mau gosto que Ipregam aos encarnados desprotegidos, e julgam-se no direito de usar e abusar de tudo e de todos por terem sido chamados para a rcsta%ão de serviços.
Com o tempo, o grande problema é o facto de que são realmente invocados pelo encarnado, dependente das suas palavras e conselhos. É sendo convidados por nós a entrar em nossa casa, o mundo espiritual superior nada pode fazer. É nossa opção. A este respeito, uma vez mais, O Livro dos Espíritos nos diz:' . “459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos eemnossosactos?” — “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.
"466. Porque permite Deus que Espíritos nos excitem nomal?” — . . “Os Espíritos imperfeitos são instrumentos próprios a pôr em prova aéeea constância dos homens na prática do bem.
progredir na ciência do infinito. Daí o passares pelas provas do mal, para chegares ao bem. (...) Desde ªue sobre ti actuam influeências más, é que as atrais, esejando o mal; porquanto os Espíritos inferiores correm a te auxiliar no mal, logo que desejes praticálo. (...) Mas, outros também te cercarão, esforçandose por te influenciarem para bem, o que estabelece o íqm]fbrw da balança e te deixa senhor dos teus actos. “EÊ assim que Deus confia à nossa consciência a escolha do caminho que devamos seguir e a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.
A obsessão é uma espécie de doença de ordem psíquica e emocional, que consiste no cons ento das actividades de um Espírito pela acção de um outro. Sabendo nós que estamos sempre rodeados de Espíritos que nos acompanham ou que connosco se cruzam, não
odemos considerar em todos os casos que somos vítimas de uma obsessão. Na verdade, apenas se considera ser esse o problema quando a influência de um Espírito sobre nós é constante, afectando a vida mental da pessoa, alterando as suas emoções e raciocínio, e chegando mesmo a atingir o seu corpo físico com doenças. Embora só os Espíritos maus e inferiores se dediquem a obsediar alguém, fazem-no porque a vítima lhes dá espaço para tal, através seus pontos fracos morais.
Podemos dizer que se aproveitam das nossas feridas. Daí que, na Revue Spirite, em 1858, Allan Kardec tenha dito que “Ligam-se os Espíritos inferiores àqueles que os ouvem, junto aos quais têm acesso e aos quais Se agarram. Í Mas então, se é o próprio homem que permite a persistência e influência de um írito inferior, não dependerá dele mesmo afastar esse Espírito? Pois bem, “Por sua vontade pode sempre o homem sacudir o jugo dos Espíritos imperfeitos, porque em virtude de seu livre arbítrio, há escolha entre o bem e o mal.
” E mesmo no caso de a obsessão ser tão grave que coloca a pessoa num estado de fascinação e incapacidade de ajudar-se, uma terceira pessoa pode fazê-lo. Mas não há dúvidas de que a cura da obsessão é uma auto-cura. O Livro dos Espíritos nos diz: “467. Pode o homem eximir-se da influência dos Els)pmtos que procuram arrastá-lo ao mal?” “Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem.
. “468. Renunciam às suas tentativas os Espíritos cuja influência a vontade do homem repele?” “"Que querias que fizessem? Quando nada conseguem, abandonam o campo.
ntão, o melhor que uma vítima de obsessão tem a fazer é controlar as suas ideias e sentimentos, reêeitando os pensamentos inferiores e perturbadores e estimulando simultaneamente as boas tendências. Manter a mente arejada é essencial, tendo sempre consciência de que somos donos de nós mesmos, e que dependemos apenas da nossa própria vontade.
Tenhamos maior consideração por o que fazemos com o nosso tempo de ócio: É valoroso que o ocupemos com coisas que nos enriqueçam de alguma forma, que contribuam Eara o nosso bem-estar e a nossa felicidade.
er um livro, ver um bom filme, dar um passeio à beira-mar ou mesmo na nossa rua... Conversar com um amigo, ouvir música e dançar, como se fosse a melhor coisa que já fizemos. Tudo pode ter mais valor do que dedicar-nos e jogos que nada nos trazem de bom, nos quais Somos enganados gozados, para além deà)oderem trazer-nos problemas graves. Nada de bom nos traz o “ Jogo do Copo”, apenas a perda de tempo...
Texto: Cátia Martinscatiamartins&g3war.org, Bibliografia: O Livro dos Espíritos, Allan Kardec; O Livro dos Médiuns, Allan Kardec; Copos que Andam, Espírito António Carlos, psicografado por Vera Lúcia de Carvalho.

