opinião Imagine
Jornal de Espiritismo nº 10 · 2005Página 133 min
Imagine uma Casa para trabalhar onde a desconfiança foi substituída pela esperança.
Onde todos acreditam que a Casa também é deles. Onde controlamos a forma de fazer e não as pessoas, até porque cada uma delas se preocupa em se vigiar. Onde encaramos os problemas como oportunidade, e o enfrentamos procurando descobrir o que está errado, e não quem está errado, ou quem é o culpado. Onde medimos o resultado, em vez das pessoas, e definimos procedimentos, em vez de autoridade. Onde perguntamos: " Como posso ajudá-lo?”, em vez de dizer: “isto não faz parte do meu trabalho”. Imagine uma Casa onde trabalhamos juntos, como uma equipa, para sermos cada vez melhores, não pelo simples facto de sermos melhores que os outros, mas para melhor servir.
Onde buscamos uma resposta para cada problema, em vez de vermos um problema em cada resposta. Onde o único erro é repetir um erro eaúnica verdadeira falha é não tentar.
Imagine uma Casa onde os dirigentes são companheiros, amigos, em vez de simplesmente chefes, feitores. Onde temos disciplina nos trabalhos, em vez de disciplinarmos pessoas, até porque cada um já está preocupado com sua própria disciplina.
Onde o significado da palavra responsabilidade está vinculado a um desejo de contribuir, e não a uma obrigação imposta por outra pessoa. Afinal, o trabalho é de Jesus. Imagine um ambiente construído sobre uma base de confiança e respeito. Onde as ideias são bem-vindas, embora não necessariamente implementadas, e as pessoas são valorizadas pela sua contribuição, preocupando-se com o seu aprimoramento contínuo, atendendo ao preceito: “Amai-vos e instruí-vos”.
Imagine uma Casa onde as pessoas dizem: “Pode ser difícil, mas é possível”, em vez de: “Pode ser possível, mas é muito difícil”.
Imagine uma Casa onde o medo de ser franco, leal e honesto foi substituído por um ambiente de franqueza sem medo, de sinceridade sem rudeza.
Imagine, imagine e acredite!
Pode imaginar? Pode ajudar a construir uma Casa assim? Nós, do Grupo de Estudo e Pesquisa Espírita, acreditamos, e convidamo-lo a materializar este sonho em sua Casa Espírita.
Texto elaborado pela equipa de trabalho do Centro Espírita Humildade e Amor, do Rio de Janeiro, RJ, Brasil, com adaptação feita pelo GEPEGrupo de Estudo e Pesquisa Espíritaextraído do livro A Humanização do Centro Espírita.
À medida que o espiritismo avança na sociedade, são milhares aqueles que se apaixonam pela nova ideia.
Vazios por dentro, corroídos pela falta de esperança no que tange à espiritualidade, os conceitos lógicos que a Doutrina Espírita confere facilmente os catapultam para um entusiasmo inicial.
Assistem a palestras, lêêm, trocam opiniões, frequentam reuniões, mas, amiúde, não se vislumbra qualquer mudança do foro íntimo. Acreditando que a felicidade eterna é garantida pelo epíteto que ostentam, caem nos mesmos erros em que militavam quando outrora se inseriam em religiões com as quais não se identificavam ou no agnosticismo que daí derivava.
Espíritos habituados à lei do menor esforço, não conseguem descortinar que a Doutrina Espírita é ferramenta para colocar em serviço
e não bela estatueta para ostentar socialmente. A vaidade de outrora teima em manter-se viva nos corações desatentos; a maledicência, a crítica ferina, o julgamento apressado, que faziam parte do património psicológico do ser, voltam agora à actividade, com nova fraseologia, com expressões douradas de falsa caridade e hipócrita bondade.
Na sequência de vidas passadas, o espírita desatento busca o poder, o protagonismo, o destaque, esquecendo os ensinamentos de Jesus que nos incitava à humildade, ao serviço. Chegados ao fim da vida corporal, os espíritas desatentos partem, imaginando planos felizes, lidos em obras, por vezes de dúbia credibilidade, e revoltam-se muitas vezes, perante a colheita que fazem como sequência do seu agir na Terra.
A bondade divina providenciará novo ensejo de voltar ao planeta, até que um dia, colimado
pela dor, o ser aprenda a amar realmente, a servir realmente, a ser espírita realmente. Nessa altura, não serão mais “espíritas sem esforço”, mas sim espíritos transformados pelo labor íntimo, consciente, que vivenciando os ensinamentos de Jesus iluminar-se-ão e iluminarão aqueles que os rodeiem. Esse é o desiderato dos verdadeiros espíritas: a transformação moral.
Meditar, analisar, modificar procedimentos, são tarefas urgentes para que amanhã não nos acuse a consciência de termos sido “espíritas sem esforço”.
Psicografia recebida a 3 de Abril de 2005, em Óbidos, Portugal.

