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Jornal de Espiritismo nº 11 · 2005Página 44 min
no caso do sr. MJ... Quando o sr. Leitor afirma que pessoas lhe revelam ser ele “um grande médium curador”, sem o mínimo de conhecimento dos seus sintomas e da sua pessoa, e o estimulam a aplicar passes em outras pessoas, isto denuncia como alguns centros espíritas, em Portugal (embora seí'a de ocorrência frequente no Brasil), estão mal orientados doutrinariamente, faltando estudo sério da Doutrina dos Espíritos...
Não há nenhum sinal ou sintoma específico, revelador de mediunidade de um indivíduo (a este respeito, leia-se o item 200, Cap. XVII, de O Livro dos Médiuns, de ALLAN KARDEC, especialmente as páginas 237 e 238 (op. cit. Edit. FEB, Rio de Janeiro, 30 ? ed.); além disso, confunde-se mediunidade geral ou estática (que todos nós a possuímos) com o mediunato ou mediunidade dinâmica, isto é, mediunidade de serviço ou missionária)...
E desaconselhável a participação nas mesas mediúnicas de pessoas com qualquer tipo de doença, especialmente, a aplicação de passes por estas; porque, já o dissemos nesta secção, quem está doente precisa de “fluidos restauradores” e não cabe a um doente doar seus fluidos, pois tal comportamento seria semelhante à recomendação a uma pessoa com grave anemia que doasse seu próprio sangue! Enfim, uma total falta de bom senso de alguns dirigentes espíritas portugueses, e também brasileiros, pois temos notícias de que isso
também ocorre entre nós, aqui na cidade do Rio de Janeiro...
Em tese, sugerimos aos srs. leitores, que sofram de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), que mantenham o seu tratamento psiquiátrico e que o sr. MJ confie no seu médico e, de preferência, que este faça psicoterapia e que o sr. MJ frequente um centro espírita bem orientado e não aceite participar, em nenhuma hipótese, de trabalhos mediúnicos, pois, a nosso ver, estão contra-indicados para qualquer pessoa doente, principalmente, para casos de TOC.
Há “uma grande confusão” — como diria o sr. Leitor — no movimento espírita, pois alguns dirigentes ainda não conseguiram compreender o que seja mediunidade estática ou geralque não necessita ser “trabalhada” - e nem o que seja mediunidade dinâmica ou mediunato, esta sim, uma mediunidade de serviço, missionária. Por isso, aconselhamos os nossos leitores, especialmente os srs. e sras. dirigentes espíritas, que releiam a mensagem XII, do espírito JOANA D'ARC, contida no Cap.
XXXI, de O Livro dos Médiuns, de ALLAN KARDEC e que leiam, também, o livro Mediunidade (Vida e Comunicação), de J. HERCULANO PIRES (EDICEL, São Paulo), especialmente os capítulos II e III e, em particular, as páginas 18 e 19 (op. cit., 6 º ed., 1986).
Não se desespere. Sr. Leitor, o seu mal é de difícil tratamento, mas este existe e com resultados bons; porém, é preciso também a sua participação activa e positiva nele, porque além do problema psiquiátrico, específico, do TOC, este seria também uma auto-obsessão espiritual, pois o seu psiquismo estorvante inibe todos os seus eventuais projectos espirituais e existenciais, que, provavelmente, O Sr. assumiu ao reencarnar-se e, consequentemente, tal inibição compromete a sua atitude diante das provas, autenticamente, retardando, sobremaneira, a sua evolução espiritual.
Quando JESUS curava com passes, costumava dizer ao doente: Vai e não peques mais! Ou seja, apesar da gravidade de uma doença devemos sempre fazer a nossa parte e enfrentarmos as nossas provas com autenticidade, existencialmente falando, e praticar o bem, sempre...
Muita PAZ a todos os nossos leitores.
Texto: Dr. Iso Jorge Teixeira, CREMERJ: 52-14472-7, Livredocente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
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Médiuns espíritas não têm doenças mentais
Na literatura científica e não só, os médiuns espíritas são descritos como pessoas de baixa escolaridade e rendimentos, ou seja de um estrato social muito baixo.
Dizem os ditos “especialistas” que a mediunidade nos médiuns espíritas deve ser entendida como um "mecanismo de defesa contra as opressões sociais", ou como “manifestação de algum quadro dissociativo ou psicótico”.
Um estudo realizado pelo médico e doutor em psiquiatra Alexander Moreira de Almeida com médiuns espíritas da cidade de São Paulo, no Brasil, mostrou um perfil bem diferente: os médiuns apresentaram um alto nível sociocultural e uma prevalência de transtornos mentais menor do que a encontrada na população em geral.
Almeida constatou que 46,5% dos
menos de 3% estavam desempregados, e a idade média era de 48 anos. À maioria era esí:pírita há mais de 16 anos, vieram de famílias não-espíritas e as vivências mediúnicas começaram na infância.
O médico aplicou um questionário sociodemográfico a 115 médiuns antes e depois das reuniões mediúnicas. Também responderam a questões referentes à actividade mediúnica.
Alexander de Almeida ainda utilizou os questionários SRQ (Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire), que rastreia a presença de transtornos mentais, e o EAS (Escala de Adequação Social), que mostra como a pessoa se relaciona em sociedade. A partir dos resultados foram seleccionados 24 médiuns que foram analisados pelo SCAN (Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry), um tipo de
Interview Schedule), um questionário ue detecta transtornos dissociativos ?quando uma parte da mente unciona de forma independente), Explica Alexander de Almeida: "E nessa categoria que os transes mediúnicos são habitualmente encaixados". A escala DDIS investiga a presença de 11 sintomas de primeira ordem para o diagnóstico de esquizofreniavozes dialogando na sua cabeça, vozes comentando as suas acções, ter as suas acções produzidas ou controladas por alguém ou algo fora de si, entre outros. E continua: "Os médiuns apresentaram, em média, quatro deles, mas a presença dos sintomas não indicou a existência
