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Opinião Racismo e a visão espírita A Internet oferece ao progresso da

Jornal de Espiritismo nº 15 · Março 2006Página 156 min

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Humanidade incalculáveis préstimos, sem todavia poder vedar as suas auto-estradas ao tráfego do antiprogresso e da desinformação. Por exemplo, tem nelas circulado um texto, assinado por Orlando Fedeli, discorrendo, imagine-se, acerca do “racismo brutal e grosseiro de Allan Kardec”, referindo-se ao nobre e erudito codificador da doutrina espírita, membro da Academia Francesa d’Arras, como “tendo um baixíssimo nível intelectual”; e à sua doutrina, como “cauda- tária do evolucionismo darwinista” (a então revolucionária obra de Charles Darwin “Evolução das Espécies…” só foi publicada em 24 de Novembro de 1859, dois anos e meio depois do luminoso “O Livro dos Espíritos”).

Tamanho despudor, na pena de Orlando Fe- deli, manifesta a sofreguidão de a qualquer pretexto atacar e desacreditar o Espiritismo, ainda que sem fundamento, no conhecido estilo de Óscar Quevedo, radical antiespírita militante. O texto de O. Fedeli arremete cegamente contra o Capítulo V, Livro Segundo, de O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Nesse capítulo, com cerca de nove páginas e intitulado “Consi- derações sobre a pluralidade das existên- cias”, o codificador argumenta com a mais pura lógica sobre o lógico princípio da reencarnação, desapaixonadamente, em sereno contraponto às fantasiosas acusa- ções do sr.

Fedeli. Previamente, esclareçamos a expressão dogma da reencarnação, usada na primeira linha do referido capítulo (e noutras pas- sagens da Doutrina Espírita). A palavra dogma, ali, não encerra de forma alguma a conotação religiosa de crença obrigatória acima de qualquer dúvida, sob pena de pecado. Conforme bem se deduz no con- texto kardeciano, dogma, em linguagem mais corrente nos nossos dias, substituir-se- -ia ali perfeitamente por princípio; assim, se em vez de o dogma da reencarnação lês- semos o princípio da reencarnação, para o leitor de hoje seria mais claro, sem adulterar o sentido original do texto citado e sem pretender corrigi-lo.

Acresce, ainda, algo não apreendido pelo sr. Fedeli: a doutrina espírita não consiste em crenças mas sim em princípios e leis da natureza, estudados a partir de factos reais e concretos, não só repetíveis como também correntes em todo o Mundo: até na Roma papal, no Instituto de Latrão, onde pelo menos desde 1971 é leccionada uma cadeira de Paranormologia, àquela data regida pelo padre Andrea Resch. No referido Capítulo V, Kardec explica a re- encarnação, ensinada pelos espíritos superi- ores não como uma crença mas sim “de um ponto de vista mais racional, mais conforme com as leis progressivas da Natureza e mais em harmonia com a sabedoria do Criador”, sem “os acréscimos da superstição”.

O que inflama o prurido anti-racista do sr. Fedeli, levando-o, muito escandalizado, a agitar a execrada memória de Hitler? Terão sido algumas formulações correctíssimas do Codificador, apenas susceptíveis de confusão se lidas precipitadamente ou de má fé: em tom sério e digno, rigorosamente condizente com a elevação do contexto, Kardec refere a existência de selvagens e de homens civilizados, de hotentotes e da raça caucásica, de raças inferiores e portanto (embora tacitamente) de raças superiores.

Começando por uma comparação, vamos explicar que nem o Espiritismo nem Kardec, espírita exemplar, admitem moral ou filoso- ficamente a concepção viciosa do racismo. Consideremos o sistema escolar dum país, organizado em graus de ensino superior, médio, secundário, primário… Cada curso ou cada ciclo é, relativamente aos restan- tes, mais adiantado, ou menos adiantado, ou equivalente; por outras palavras, é-lhes superior, inferior ou equivalente.

Mas ninguém dirá que um aluno do último ano universitário é superior aos dum curso secundário, de qualquer idade. E até, quando for o caso, sem dificuldade se reconhecerá o elevado talento e capaci- dade dum aluno ainda no secundário mas altamente dotado, que supera nitidamente o padrão médio de aptidão escolar dos alu- nos de todos os graus. Outrossim, TODOS os alunos, superiores ou inferiores pelo grau de ensino que frequentam, são igualíssimos entre si como seres humanos, sujeitos e ob- jectos dos mesmíssimos deveres e direitos fundamentais.

De igual modo, a Terra (ou qualquer mundo habitado) é uma escola para progresso dos espíritos nela encarnados, nascendo cada um destes com determinado grau alcan- çado no percurso evolutivo comum a todos os seres (“desde o átomo ao arcanjo…” _ Questão 540 de O Livro dos Espíritos). A partir desse grau, cada espírito prossegue o seu “curso” e vive, em cada encarnação, experiências felizes e infelizes rigorosa- mente adequadas às necessidades da sua maturação evolutiva; assim, encontrar-se-á situado em condições apropriadas, inclu- sive de RAÇA, dentro da variedade de “raças” e etnias da raça humana.

Em todas as raças e etnias existem, encarna- dos, espíritos da maior diversidade de graus ou estágios evolutivos; cada um, segundo o seu caso, terá já encarnado em mais do que uma raça, nacionalidade, sexo, situação social, grau de destreza intelectual, artística, técnica, militar, política, etc. Nunca, pois, seria acertado determinar o nível de evolução duma pessoa (espírito encarnado) pela sua raça, etnia, riqueza, po- breza ou qualquer tipo de condição huma- na.

Uma sumidade intelectual do passado pode estar reencarnada como deficiente mental, para correcção e expiação de abu- sos outrora cometidos na aplicação da sua inteligência; como um judeu perseguido de hoje pode sê-lo com os mesmos fins, por ter sido noutra existência um perseguidor anti-semita. Um espírito evoluído, com muitas encarnações em meios culturais desenvolvidos, pode encarnar numa tribo primitiva para expiação de abusos; ou tam- bém, por abnegação e amor, em missão de cooperar nos desígnios divinos de adianta- mento dessa tribo, em época apropriada.

Igualmente, um espírito rudimentar pode obter merecimentos para encarnar numa sociedade mais desenvolvida, para estímulo do seu amadurecimento evolutivo. Estes conceitos elementares da doutrina espírita são reafirmados na Questão 787-b do citado O Livro dos Espíritos. À pergunta do insigne Allan Kardec, “Então os homens mais civilizados podem ter sido selvagens e antropófagos?”, responderam os espíritos superiores: ”Tu mesmo o foste, mais de uma vez, antes de seres o que és”.

A mesma falange de espíritos nobres reforçava assim, inequivocamente, o que havia respondido à pergunta anterior, sobre raças mais rebeldes ao progresso: “Qual será o destino das almas que animam essas raças?” Resposta: “Chegarão à perfeição como todas as outras, passando por várias existências. Deus não deserda ninguém”. Ao longo do capítulo de O Livro dos Espíri- tos comentado tão desastradamente pelo sr. Fedeli, assim como ao longo de todos os textos doutrinários de Allan Kardec, refe- rentes ou não à variedade da raça humana, ninguém em sã razão é capaz de vislumbrar senão seriedade, e nunca o mínimo laivo de sobranceria, desdém ou desprimor para com quaisquer indivíduos ou agrupamen- tos.

Por tudo isto e muito mais, mostra-se aber- rante qualificar de racista a doutrina espírita ou o seu codificador admirável, o impoluto Allan Kardec. Texto: João Xavier de Almeida jxalmeida@portugalmail.pt foto direitos reservados Para nós, espíritas, reveste-se de um inter- esse especial, a começar pelo título, bem sugestivo: “Médium”. Criada e dirigida por Glen Gordon Caron, foi a série revelação nos Estados Unidos, e vai já na segunda temporada, superando todas as expectativas.

Tem como protagonista Patrícia Arquette, no papel de Allison Dubois, com o qual ganhou o “Emmy” de melhor actriz dramática. Allison Dubois, uma médium que existe na vida real, é consultora da série e ajuda a solucionar crimes com as informações que recebe. Advogada, esposa e mãe de três filhos, tenta entender sua intuição natural sobre as pessoas, uma espécie de ligação espiritual, e a sua capacidade de ver e de se comunicar com os espíritos desencarnados.

Inicialmente, o seu marido, o cientista Joe (Jake Weber), é o primeiro a não acreditar nela e decide fazer uma experiência que leva os dois a perceber que aquele dom poderá ajudar a fazer justiça às pessoas que já morreram e a outras que possam vir a ser condenadas, apesar de inocentes.