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Psicologia Toxicodependência: a batalha do silêncio Muitos vêem-na com

Jornal de Espiritismo nº 15 · Março 2006Página 104 min

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Psicologia Toxicodependência: a batalha do silêncio Muitos vêem-na como um cancro da sociedade; outros apoiam aqueles que lutam contra as suas garras; outros ainda, prefe- rem fingir que ela não existe. Mas seja como for, a toxicodependência é um problema intemporal, e pode entrar na nossa vida quando menos esperamos. A toxicodependência caracteriza-se pela presença da toxicomania, uma perturbação do comportamento devido ao desejo e necessidade compulsiva do tóxico, quer pelos seus efeitos benéficos (relaxamento, desinibição, bem-estar, confiança, extro- versão, boa disposição, entre outros), quer para suprimir — segundo vários autores — os efeitos desagradáveis causados pelo desmame (dor, mal-estar, tremor, paranóia, etc.)

Embora existam várias coisas que nos possam induzir ao vício, as drogas são geralmente o mais difícil de abandonar. A dependência é causada pelo impacto que a substância provoca nos neurotransmissores e receptores cerebrais. Afecta e influencia de tal modo o nosso funcionamento cor- poral, que se torna realmente difícil evitar a viciação. É por isso que a célebre afirma- ção “Eu tenho tudo sob controlo, quando quiser deixo!

” surge frequentemente, mas quase sempre o limite já foi ultrapassado. Assim, as drogas são consideradas tóxicas devido aos efeitos nocivos que têm sobre o organismo, além das perturbações psi- cológicas secundárias. Na verdade, algumas drogas (como as anfetaminas ou “cristais”) chegam mesmo a destruir a massa cerebral, originando buracos e assim afectando esse órgão primordial. Contudo, a toxicodependência não tem efeitos negativos apenas para o consumi- dor.

Todos aqueles que fazem parte da vida do indivíduo se vêem perante uma situação com a qual nem sempre sabem como lidar. Os amigos afastam-se e surgem outros, que se aproximam pela partilha de interesses e assim apoiam o vício; a família sofre na impotência e angústia, ficando afectada a todos os níveis, sobretudo o económico. A dor de ver alguém que se ama degradar com o tempo, transformar-se numa pessoa diferente, fazer coisas que antes nunca faria, é difícil de suportar.

É uma metamorfose destruidora que deixa cicatrizes profundas em todos. E em termos espirituais, o que se passará? Nós sabemos que jamais estamos sós, diariamente temos ao nosso redor espíritos que nos acompanham nos nossos afazeres. Contudo, não se trata de uma “roleta russa”. Aqueles que nos acompanham fazem-no por encontrarem em nós uma sintonia vibratória, pelos interesses em comum, os pensamentos e sentimentos semelhantes.

Basta que pensemos em nós mesmos para compreendermos esta questão. Senão veja- mos: se trabalhamos num local onde temos vários colegas, com o tempo teremos tendência a procurar e estar mais tempo com aqueles que apreciam as mesmas coi- sas que nós, que têm uma forma de pensar e agir idêntica à nossa. O contrário também acontece, pois quando vemos que determi- nada pessoa tem um comportamento ou forma de estar diferente da nossa, tendem- os a manter com essa pessoa um “conhe- cimento” e não uma “amizade”.

Em termos espirituais, é exactamente igual. Tentemos agora imaginar esta situação no que diz respeito ao toxicodependente. Estando intimamente ligado a um vício, dependente do seu consumo para estar “bem”, toda a sua estrutura vibratória ir- radia em função desse estado. Não deverá surpreender-nos que vá atrair, por sintonia, espíritos que sintam do mesmo modo, ou seja, dependentes do vício em comum e que foram, outrora, quando encarna- dos, toxicodependentes.

Então, além dos amigos encarnados que partilham do consumo das drogas, o indivíduo tem também consigo, diariamente, espíritos que o impelem a consumir, por terem também eles essa necessidade. Através do encar- nado, absorvem os tóxicos de que tantos carecem, para assim se livrarem da “ressaca” que os perturba. Podemos então dizer que a luta contra a toxicodependência ganha novos contor- nos, difíceis de vencer, sobretudo por serem obstáculos invisíveis para nós.

Mas nada é inultrapassável! Primeiro, coloquemos de parte qualquer pensamento discriminatório face ao toxicodependente. Ninguém é perfeito, e cada um cede perante paixões diferentes. Se pensarmos bem, também nós temos os nossos “vícios”. E sendo assim, o que nos dá o direito de julgar? Segundo, tendo todos nós um passado longínquo, não sabemos o que consta dele. Quem sabe já nos tenhamos defrontado com uma batalha semelhante?

Terceiro, sabendo da enorme pressão a que o toxicodependente está sujeito, não só pela dependência física em que se encon- tra, mas pelo assédio que sofre diariamente por parte do mundo espiritual, tentemos ajudar de forma eficaz. O poder da prece é impressionante, e é o meio mais eficaz de auxiliarmos também os desencarnados en- volvidos na situação. O amor tudo pode… Assim, façamos a nossa parte. Não se pre- tende com isto que se dêem “palmadinhas nas costas” daquele que é toxicodepen- dente.

Cada um escolhe os seus caminhos, e por isso mesmo, é responsável pelas suas escolhas. Mas todos temos o direito à felicidade, e por vezes, precisamos de um abraço para termos forças e levantarmo- -nos. Saibamos apoiar, confiantes de que teremos o apoio necessário nesse objectivo, tendo fé que seremos bem sucedidos! O centro espírita, para aquele que tem um desejo genuíno de encontrar-se nova- mente no seu caminho evolutivo, fornece meios práticos e eficazes para lidar com o problema.

Não se oferecem “mezinhas” ou soluções rápidas, mas proporciona-se gratuitamente a possibilidade da verdadeira “cura”: a reforma íntima. É trabalhando a nós mesmos que seremos capazes de mudar. E ao mudar, toda a vida ganha uma nova cor. Aproveitemos então os meios que temos à nossa disposição. Trabalhando a todos os níveis, desde a dependência física até à espiritual, conseguiremos alcançar o nosso objectivo, e assim ajudar verdadeiramente aquela pessoa que desejamos ver sã e feliz.

Tenhamos fé, e seremos capazes de mover montanhas! Texto: Cátia Martins catiamartins@g3war.