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as pelo "sem-fio" do pensamento

Jornal de Espiritismo nº 2 · 2004Página 134 min

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as pelo "sem-fio" do pensamento.

A cura jamais chegará sem o reajustamento íntimo necessário, e quem deseje melhoras positivas, na senda de elevação, aplique o conselho de Tiago: "Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros para que sareis" ( TIAGO, 5:16.). Nele, possuímos remédio salutar para que saremos na qualidade de enfermos encarnados ou desencarnados.” A reflexão de Emmanuel remete a cada um a sua quota parte de responsabilidade. A saúde não pode ser relegada exclusivamente a uma profissão médica hiper-especializada, a saúde é, antes de mais, uma tomada individual de consciência. Cuidar do corpo e do espírito é essencial, é uma responsabilidade individual.

O conhecimento médico dito oficial ou alternativo pode constituir um poderoso aliado na manutenção ou restabelecimento da saúde, no entanto, num mundo atribulado e longe da perfeição como o nosso em que "a maioria procura vender o seu peixe", estarmos bem informados e conscientes das nossas potencialidades pode determinar a diferença entre a saúde e a doença.

Texto: Walter Mendeswaltermendes(Qnetcabo.pt opinião

Superstição e curandeirismo

A superstição e curandeirismo andam de mãos dadas, de um modo geral. Quase sempre são fruto da ignorância. Uns aproveitam-se dos mais crédulos e estes querem acreditar naquilo que desejam. Outros ainda pretendem misturar tudo

no mesmo saco com o Espiritismo, que nada tem a ver com este tipo de práticas.

Desde tempos imemoriais que a superstição tem assentado arraiais nas mentes da população. Qual erva daninha, bem enraizada e difícil de extirpar, marca passo no quotidiano de muitos, pese embora o desenvolvimento cultural que a nossa sociedade já comporta. Paralelamente, o curandeirismo pode ser fruto daquela vontade de curar que ao fim e ao cabo todos temos. Lá diz o ditado que «De médico e de louco todos temos um pouco».

Possivelmente apareceu com os parcos conhecimentos científicos de outrora, onde as mezinhas substituíam a medicina incipiente e iniciante, e onde os mais astutos conseguiam viver à custa da credulidade alheia, bem como da sua sugestionabilidade. Poder-se-á dizer que estamos a fazer uma espécie de retrospectiva de um passado que já lá vai longe, mas não: nos dias que correm, a superstição ainda campeia e o curandeirismo também.

Poder-se-á perguntar porquê! Os factores a considerar são muitos. Se com a superstição facilmente podemos verificar que aí existe ausência de raciocínio lógico, aliado à falta do conhecimento que liberta, no que concerne ao curandeirismo podemos encontrar resposta na grande necessidade que o ser humano tem de se libertar da dor, do sofrimento, por vezes com causas desconhecidas, que o levam a frequentar locais nem sempre recomendáveis.

Bastaria dar uma vista de olhos pelos jornais, ou verificar os espaços comerciais que nos circundam, e facilmente encontramos os falsos profetas, que prometem a resolução de todos os problemas a troco de dinheiro. Vemos hoje em dia lojas que vendem amuletos para o mau-olhado, pedras contra a inveja, um saquinho para dar sorte, e constatamos com alguma tristeza que esses locais são muito frequentados. O lucro fácil, a exploração da ignorância e dor alheias sempre foi uma tentação, por parte de quem não se norteia por princípios humanistas.

O Espiritismo (ou doutrina espírita) nada tem a ver com este tipo de práticas e, mais uma vez, somente a ignorância ou a má fé poderão compatibilizar uma doutrina que divulga a prática desinteressada do bem,

com áreas comerciais que vão desde o crime de simonia (comércio das coisas sagradas, como por exemplo a mediunidade paga) até à venda de objectos que nenhum valor têm a não ser o valor que o desconhecimento dá. Mas afinal o que é o Espiritismo?

Não vamos dar opinião, vamos referir um facto histórico e como tal irreversível. O Espiritismo é a doutrina que foi codificada por Allan Kardec em meados do século XIX, em Paris, França. Allan Kardec, o seu codificador (e não o autor!) definiu-a assim: «O Espiritismo é ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele

consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações. Podemos defini-lo

assim: o Espiritismo é uma ciência que trata da origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporab. O Espiritismo baseia-se em factos. Os seus pontos estruturais são:

- Existência de Deus: inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. - Imortalidade da alma: a vida continua depois do desligamento corporal.

- Mediunidade: comunicabilidade entre nós e os chamados «mortos».

- Reencarnação: vivemos muitas vidas, no género humano.

- Lei de Causa e Efeito: somos responsáveis pelo que fazemos, e muitas vezes só ficamos bem reparando os erros que atingem outrem.

- Pluralidade dos mundos habitados: a vida vai muito mais além do nosso planeta.

O Espiritismo não existe para curar corpos. Para isso podemos contar com uma autêntica bênção: a medicina. O Espiritismo ajuda, isso sim, a curar almas, através da compreensão da vida, através da renovação interior, da mudança de postura mental, onde a pessoa encontra novos horizontes mais arejados capazes de lhe nortearem a vida, até então parada nos conceitos dogmáticos e estéreis do ritualismo. Eventualmente, a cura pode acontecer com o Espiritismo, nomeadamente quando a doença é proveniente de obsessão espiritual (influência perniciosa por parte de um espírito doente ou vingativo).

Para isso podemos sempre recorrer à fluidoterapia (passe magnético, água fluidificada e reunião de desobsessão), num centro espírita idóneo, bem orientado.

O Espiritismo tem sido o lutador da linha da frente contra a superstiçãoea crendice, procurando sempre esclarecer e auxiliar o homem a libertar-se dos grilhões da ignorância. Para conhecer um pouco do que é o Espiritismo aconsel