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hamos a leitura indispensável de «O Livro dos Espíritos» de Allan Kard

Jornal de Espiritismo nº 2 · 2004Página 144 min

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hamos a leitura indispensável de «O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec.

Texto: José Lucas lucas&aclix.pt

Não é de agora. Já há dois milénios Jesus anotou: não são os que dizem Senhor,

E, parecendo certo, livros evangélicos desfolhados, versículos recitados, comentados, ouvidos, emoção desfraldada, nos testes do dia-a-dia impõe-se invariavelmente a esgrima do ego, e o contacto risca... sobretudo os outros. Meras opiniões, cuja diferença não justifica sob qualquer pretexto uma descida da quota de fraternidade, geram expressões como «ele é um anticristo», «não são espíritas», «são um perigo para o Espiritismo» e quejandas...

Costas largas para a mea culpa, para o espírito imperfeito que cada um ainda é, no momento da verdade envereda-se pela violência verbal com aspiração a tornarse fiísica, geralmente coroada com epítetos do género «eu sou um servo de Deus».

Não há palavras que deixem de inspirar sentimentos. E os que animam essas expressões não edificam.

Não há fórmula cabalística, a incluir as palavras Jesus Cristo, Evangelho e afins, que resulte, a não ser na aparência. E revela-se o cerne da questão: ser e parecer. O ego de periferia e a consciência interna. Fingir e realizar. Representar e demonstrar.

As reuniões mediúnicas de esclarecimento estão repletas de espíritos equivocados que se vestiram de palavras beatas mas cuja realidade quotidiana abriu falência moral. Na teoria, na vida física ensinavam oficialmente os «caminhos de Deus» sem nunca terem tido na verdade conhecimento

Senhor que verão o dito reino dos céus.

Há doenças de foro psicológico que explicam essas turbulências de vertente religiosa como, por exemplo, a psicose miística.

É na consciência pacificada, mediante a coerência de comportamento com os valores éticos tão bem representados por Jesus, que descobrimos uma vida melhor. Mais vale não dizer senhor, senhor, e sermos pessoas mais amigas da paz e da alegria, do trabalho e do amor. Assim, sentiremos por dentro a compensação afectiva que vem da verdadeira harmonia com Deus.

Texto: Jorge Gomes jorge .jeQclix.pt

As estatísticas oficiais sobre o trágico número de acidentes automóveis nas estradas portuguesas causam arrepios; além de nos envergonharem deveriam levar-nos sobretudo a reflectir: Que sociedade é a nossa?

Quais os valores em está baseada?

O número de sinistrados, pela sua gravidade, é comparável, nos seus efeitos, a uma “guerra civil”. Esta violência fratricida gratuita, com elevados custos materiais e humanos, reflecte-se na insegurança permanente de peões e condutores, vítimas prováveis da negligência, da irracionalidade e da inconsciência colectivas.

Directa ou indirectamente, todos somos potenciais alvos terroristas, agressores e vítimas, causa e consequência destes comportamentos estranhos que não decorrem nem do estado de conservação das estradas; nem das características fiísicas dos veículos; nem da falta de fiscalização e autoridade; nem da formação pedagógica e do grau de exigência das escolas de condução; nem do rigor e da eficácia dos exames de aptidão. Usar qualquer destes argumentos como desculpa para o descalabro dos números é fugir à verdade profunda dos factos.

Naturalmente, o homem nasceu para viver em sociedade possuindo as faculdades necessárias para a vida de relação. Qualquer sociedade implica, para os indivíduos, um processo de aprendizagem e educação dentro das relações de interacção e estrutura (família, grupo, etc.) E pelo processo de socialização que se constrói a personalidade sociocultural. Os liames sociais são necessários ao progresso porque é pela união que os homens complementam as suas faculdades, asseguram o seu próprio bemestar e progridem.

A actividade conjunta do homem é ordenada ou organizada sobre vínculos de interesses conscientes, na forma de leis e normas que asseguram o interesse colectivo. Há, pois, uma solidariedade recíproca, uma mútua responsabilização, porque os homens não vivem apenas a vida material dos animais mas também a vida moral; desta forma, Deus quis que os homens aprendessem a amar-se como irmãos. (cf. Lei de Sociedade em «O Livro dos Espíritos»).

Quando se utiliza a rede viária que é um bem público ao serviço dos cidadãos, pago pelo erário nacional com o dinheiro dos contribuintes, é justo que a sua utilização esteja sujeita a leis universais; elas fazem parte da lei civil a que todos devemos obediência. Só cumprindo a lei poderemos viver em justiça, ordem, paz, harmonia e felicidade.

Quando assim não acontece e a lei é

desrespeitada, tendemos, invariavelmente, como um todo, para a desordem, a injustiça, a insegurança, O caos e o sofrimento; revelamos falta de carácter, má educação e desrespeito moral pelos restantes membros da sociedade; revelamos de falta de formação e educação sociocultural, cívica e humana porque agimos, por interesse pessoal, pela negativa, destruindo os pilares do progresso das sociedades (o que demonstra que progresso material não significa necessariamente progresso espiritual).

Ainda que a justiça humana não puna o infractor, será sempre crime atentar contra a integridade de qualquer ser humano no desrespeito pela lei; todos nós, pela lei de acção e reacção (lei de causa e efeito), teremos de colher, cedo ou tarde, aquilo que houvermos semeado: que nada ficará impune.

Com o drama rodoviário estão em causa os valores morais sobre os quais a nossa sociedade assenta uma vez que “a moral é a regra de boa conduta e portanto da distinção entre o bem e o mal.” (L.E. 629) Demonstramos ao volante falta de respeito e tolerância para com os outros; egoismo e orgulho, porque nos achamos senhores

de pretensas capacidades sobre-humanas que nos protegem de todos os riscos; irracionalidade e selvajaria, quando a violência injustificada dos nossos actos coloca a segurançaea vida dos outros em perigo, apenas porque gostamos de sentir a adrenalina de uma condução perigosa, n