limite das hipóteses de sobrevivência; desumanidade e insensibilidade
Jornal de Espiritismo nº 2 · 2004Página 154 min
o limite das hipóteses de sobrevivência; desumanidade e insensibilidade, na frieza com que perpetramos esses atentados suicidas desrespeitando a vida e património alheios. Lembremo-nos, sobretudo, no que sentiriamos se algum irresponsável colhesse a vida a um familiar nosso. E se fossem os nossos pais? E se fossem os nossos filhos? Não devemos permitir que a desumanidade, a indiferençaea crueldade habitem em nós.
Como sociedade moldada pelos valores cristãos que dizemos perfilhar, os nossos actos deveriam ser consentâneos com as nossas palavras: “ama ao teu próximo como a ti mesmo”; faz pelos outros o que gostarias que fizessem por ti; não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem. Esta é, no fundo, a Grande Lei
%ue desrespeitamos diariamente. exto: Reinaldo Barros
O centro espiírita tem um objectivo social baseado na doutrina que foi codificada por Allan Kardec em 1856.
Kardec diz que o Espiritismo é “ao mesmo tempo uma ciência experimental e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os espíritos. Como filosofia, compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações. Sendo assim o espiritismo é algo que trata da natureza, de origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal” (In «O que é o
Espiritismo», de Allan Kardec) Os centros espíritas são organizações de
carácter cultural, tendo como base e objectivo o estudo e a divulgação da doutrina dos espíritos. Proporcionam a frequência de cursos, ligados a este tema, nomeadamente um curso básico, que funciona como motor de arranque para o início de um cativante processo de esclarecimento.
Todo este trabalho pretende atingir a renovação e formação moral, dando desta forma uma visão mais justa e coerente aos problemas existenciais do ser humano
e da sociedade. Texto: Carlos Ferreira, Ricardo Godinho, Afonso Martins, Joaquina Ferreira. opinião
Suiciídio: causas e prevenção
São múltiplos os aspectos a considerar na procura das causas que levam alguémapôr termo à existência. Se o instinto de conservação faz parte das leis da natureza como entender que o ser humano se arroje
A maioria das pessoas vive a preocupação com a morte e o fantasma do inferno ou as ideias do paraíso desempenharam e ainda desempenham papéis motivantes para suster ou induzir aos actos insensatos da destruição corpórea. Todavia, como tais concepções pecam por irracionalidade e carência de fundamento lógico, à medida que as pessoas começam a reflectir tendem a abandoná-las, tornando-se ateias ou materialistas, não vendo na existência mais do que o embaraço nas horas difíceis e de menor lucidez.
A morte não inspira nenhum temor ao justo porque a fé lhe dá a certeza do futuro, a esperança lhe acena com uma vida melhor e, por isso, se empenha na realização do bem e aceita corajosamente as dificuldades que o mundo lhe oferece ou impõe. Sabe que o futuro lhe será agradável e não tem de perturbar-se e temer. Compreende a noção admirável do Mestre da Galileia: «Aquele que perder a vida por amor de mim ganha-la-á mais abundante».
O homem físico, diz Allan Kardec, «O Livro dos Espíritos», item 941, mais ligado à vida corpórea do que à vida espiritual, tem na Terra as suas penas e seus prazeres materiais. Sua felicidade está na satisfação fugidia de todos os seus desejos. Sua alma constantemente preocupada e afectada pelas vicissitudes da existência permanece numa ansiedade e tortura perpétuas. A morte o amedronta porque ele duvida do futuro e porque acredita deixar na Terra todas as suas afeições e esperanças.
Contudo, o efeito da ociosidade, a falta de fé, e por vezes a saciedade conduzem a estados psicológicos de desânimo, de vazio da alma, de inutilidade, levando esses seres humanos a transgressões da lei natural e, de uma bênção de Deus em favor do seu progresso, do seu amadurecimento e consequente felicidade
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espiritual, passa a tragédia, de consequências graves, a exigir séculos de lutas, dificuldades acrescidas para sanar as causas e corrigir os efeitos.
O homem tem o direito de dispor da sua própria vida, diz-se com frequência. Mas ao utilizar esse direito no uso do seu livrearbítrio o que é que denuncia? Coragem ou cobardia perante os quadros existenciais? Fuga ao cumprimento do seu dever moral ou determinação?
Sabemos da existência de múltiplos factores que poderão estar na base dos atentados à própria vida. Se é verdade que todos terão como causa próxima condições psicológicas deprimentes, estados mentais desequilibrantes, com angústias acerbas e distúrbios emocionais a que não serão alheias infestações psíquicas de variadas nuanças mas todas elas filhas de vinculações negativas do passado ou presente a denunciarem as imperfeições morais dos contendores, não parece que haja dúvidas ao dizer-se que quem põe termo à existência revela falta de maturidade espiritual e que, por certo, uma boa educação moral, firmada na fé raciocinada, fundamentada nos factos que atestam a imortalidade, haveria, pensamos, de atenuar ou frenar os impulsos tresloucados dos que se colocam na situação de trânsfugas da existência.
