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opinião Estradas da imoralidade As estatísticas oficiais sobre o trági

Jornal de Espiritismo nº 2 · 2004Página 134 min

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As estatísticas oficiais sobre o trágico número de acidentes automóveis nas estradas portuguesas causam arrepios; além de nos envergonharem deveriam levar-nos sobretudo a reflectir: Que sociedade é a nossa?

Quais os valores em está baseada?

O número de sinistrados, pela sua gravidade, é comparável, nos seus efeitos, a uma “guerra civil". Esta violência fratricida gratuita, com elevados custos materiais e humanos, reflecte-se na insegurança permanente de peões e condutores, vítimas prováveis da negligência, da irracionalidade e da inconsciência colectivas.

Directa ou indirectamente, todos somos potenciais alvos terroristas, agressores e vítimas, causa e consequência destes comportamentos estranhos que não decorrem nem do estado de conservação das estradas; nem das características físicas dos veículos; nem da falta de fiscalização e autoridade; nem da formação pedagógica e do grau de exigência das escolas de condução; nem do rigor e da eficácia dos exames de aptidão. Usar qualquer destes argumentos como desculpa para o descalabro dos números é fugir à verdade profunda dos factos.

Naturalmente, o homem nasceu para viver em sociedade possuindo as faculdades necessárias para a vida de relação. Qualquer sociedade implica, para os indivíduos, um processo de aprendizagem e educação dentro das relações de interacção e estrutura (família, grupo, etc.) É pelo processo de socialização que se constrói a personalidade sociocultural. Os liames sociais são necessários ao progresso porque é pela união que os homens complementam as suas faculdades, asseguram o seu próprio bemestar e progridem.

A actividade conjunta do homem é ordenada ou organizada sobre vínculos de interesses conscientes, na forma de leis e normas que asseguram o interesse colectivo. Há, pois, uma solidariedade recíproca, uma mútua responsabilização, porque os homens não vivem apenas a vida material dos animais mas também a vida moral; desta forma, Deus quis que os homens aprendessem a amar-se como irmãos. (cf. Lei de Sociedade em «O Livro dos Espíritos»).

Quando se utiliza a rede viária que é um bem público ao serviço dos cidadãos, pago pelo erário nacional com o dinheiro dos contribuintes, é justo que a sua utilização esteja sujeita a leis universais; elas fazem parte da lei civil a que todos devemos obediência. Só cumprindo a lei poderemos viver em justiça, ordem, paz, harmonia e felicidade.

Quando assim não acontece e a lei é

desrespeitada, tendemos, invariavelmente, como um todo, para a desordem, a injustiça, a insegurança, o caos e o sofrimento; revelamos falta de carácter, má educação e desrespeito moral pelos restantes membros da sociedade; revelamos de falta de formação e educação sociocultural, cívica e humana porque agimos, por interesse pessoal, pela negativa, destruindo os pilares do progresso das sociedades (o que demonstra que progresso material não significa necessariamente progresso espiritual).

Ainda que a justiça humana não puna o infractor, será sempre crime atentar contra a integridade de qualquer ser humano no desrespeito pela lei; todos nós, pela lei de acção e reacção (lei de causa e efeito), teremos de colher, cedo ou tarde, aquilo que houvermos semeado: que nada ficará impune.

Com o drama rodoviário estão em causa os valores morais sobre os quais a nossa sociedade assenta uma vez que “a moral é a regra de boa conduta e portanto da distinção entre o bem e o mal.” (L.E. 629) Demonstramos ao volante falta de respeito e tolerância para com os outros; egoismo e orgulho, porque nos achamos senhores

de pretensas capacidades sobre-humanas que nos protegem de todos os riscos; irracionalidade e selvajaria, quando a violência injustificada dos nossos actos coloca a segurançaea vida dos outros em perigo, apenas porque gostamos de sentir a adrenalina de uma condução perigosa, no limite das hipóteses de sobrevivência; desumanidade e insensibilidade, na frieza com que perpetramos esses atentados suicidas desrespeitando a vida e património alheios. Lembremo-nos, sobretudo, no que sentiriamos se algum irresponsável colhesse a vida a um familiar nosso. E se fossem os nossos pais? E se fossem os nossos filhos? Não devemos permitir que a desumanidade, a indiferençaea crueldade habitem em nós.

Como sociedade moldada pelos valores cristãos que dizemos perfilhar, os nossos actos deveriam ser consentâneos com as nossas palavras: “ama ao teu próximo como a ti mesmo”; faz pelos outros o que gostarias que fizessem por ti; não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem. Esta é, no fundo, a Grande Lei

ãlue desrespeitamos diariamente. exto: Reinaldo Barros

O centro espírita tem um objectivo social baseado na doutrina que foi codificada por Allan Kardec em 1856.

Kardec diz que o Espiritismo é “ao mesmo tempo uma ciência experimental e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os espíritos. Como filosofia, compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações. Sendo assim o espiritismo é algo que trata da natureza, de origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal” (In «O que é o

Espiritismo», de Allan Kardec) Os centros espíritas são organizações de

carácter cultural, tendo como base e objectivo o estudo e a divulgação da doutrina dos espíritos. Proporcionam a frequência de cursos, ligados a este tema, nomeadamente um curso básico, que funciona como motor de arranque para o início de um cativante processo de esclarecimento.

Todo este trabalho pretende atingir a renovação e formação moral, dando desta forma uma visão mais justa e coerente aos problemas existenciais do ser humano

e da sociedade. Texto: Carlos Ferreira, Ricardo Godinho, Afonso Martins, Joaquina Ferreira.

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