opinião Superstição e curandeirismo A superstição e curandeirismo anda
Jornal de Espiritismo nº 2 · 2004Página 135 min
Superstição e curandeirismo
A superstição e curandeirismo andam de mãos dadas, de um modo geral. Quase sempre são fruto da ignorância. Uns aproveitam-se dos mais crédulos e estes querem acreditar naquilo que desejam. Outros ainda pretendem misturar tudo
no mesmo saco com o Espiritismo, que nada tem a ver com este tipo de práticas.
Desde tempos imemoriais que a superstição tem assentado arraiais nas mentes da população. Qual erva daninha, bem enraizada e difícil de extirpar, marca passo no quotidiano de muitos, pese embora o desenvolvimento cultural que a nossa sociedade já comporta. Paralelamente, o curandeirismo pode ser fruto daquela vontade de curar que ao fim e ao cabo todos temos. Lá diz o ditado que «De médico e de louco todos temos um pouco».
Possivelmente apareceu com os parcos conhecimentos científicos de outrora, onde as mezinhas substituíam a medicina incipiente e iniciante, e onde os mais astutos conseguiam viver à custa da credulidade alheia, bem como da sua sugestionabilidade. Poder-se-á dizer que estamos a fazer uma espécie de retrospectiva de um passado que já lá vai longe, mas não: nos dias que correm, a superstição ainda campeia e o curandeirismo também.
Poder-se-á perguntar porquê! Os factores a considerar são muitos. Se com a superstição facilmente podemos verificar que aí existe ausência de raciocínio lógico, aliado à falta do conhecimento que liberta, no que concerne ao curandeirismo podemos encontrar resposta na grande necessidade que o ser humano tem de se libertar da dor, do sofrimento, por vezes com causas desconhecidas, que o levam a frequentar locais nem sempre recomendáveis.
Bastaria dar uma vista de olhos pelos jornais, ou verificar os espaços comerciais que nos circundam, e facilmente encontramos os falsos profetas, que prometem a resolução de todos os problemas a troco de dinheiro. Vemos hoje em dia lojas que vendem amuletos para o mau-olhado, pedras contra a inveja, um saquinho para dar sorte, e constatamos com alguma tristeza que esses locais são muito frequentados. O lucro fácil, a exploração da ignorância e dor alheias sempre foi uma tentação, por parte de quem não se norteia por princípios humanistas.
O Espiritismo (ou doutrina espírita) nada tem a ver com este tipo de práticas e, mais uma vez, somente a ignorância ou a má fé poderão compatibilizar uma doutrina que divulga a prática desinteressada do bem,
com áreas comerciais que vão desde o crime de simonia (comércio das coisas sagradas, como por exemplo a mediunidade paga) até à venda de objectos que nenhum valor têm a não ser o valor que o desconhecimento dá. Mas afinal o que é o Espiritismo?
Não vamos dar opinião, vamos referir um facto histórico e como tal irreversível. O Espiritismo é a doutrina que foi codificada por Allan Kardec em meados do século XIX, em Paris, França. Allan Kardec, o seu codificador (e não o autor!) definiu-a assim: «O Espiritismo é ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele
consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações. Podemos defini-lo
assim: o Espiritismo é uma ciência que trata da origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporab. O Espiritismo baseia-se em factos. Os seus pontos estruturais sã: - Existência de Deus: inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. - Imortalidade da alma: a vida continua depois do desligamento corporal.
- Mediunidade: comunicabilidade entre nós e os chamados «mortos».
- Reencarnação: vivemos muitas vidas, no género humano.
- Lei de Causa e Efeito: somos responsáveis pelo que fazemos, e muitas vezes só ficamos bem reparando os erros que atingem outrem.
- Pluralidade dos mundos habitados: a vida vai muito mais além do nosso planeta.
O Espiritismo não existe para curar corpos. Para isso podemos contar com uma autêntica bênção: a medicina. O Espiritismo ajuda, isso sim, a curar almas, através da compreensão da vida, através da renovação interior, da mudança de postura mental, onde a pessoa encontra novos horizontes mais arejados capazes de lhe nortearem a vida, até então parada nos conceitos dogmáticos e estéreis do ritualismo. Eventualmente, a cura pode acontecer com o Espiritismo, nomeadamente quando a doença é proveniente de obsessão espiritual (influência perniciosa por parte de um espírito doente ou vingativo).
Para isso podemos sempre recorrer à fluidoterapia (passe magnético, água fluidificada e reunião de desobsessão), num centro espírita idóneo, bem orientado.
O Espiritismo tem sido o lutador da linha da frente contra a superstiçãoea crendice, procurando sempre esclarecer e auxiliar o homem a libertar-se dos grilhões da ignorância. Para conhecer um pouco do que é o Espiritismo aconselhamos a leitura indispensável de «O Livro dos Espiíritos» de Allan Kardec.
Texto: José Lucas lucasclix.pt
Não é de agora. Já há dois milénios Jesus anotou: não são os que dizem Senhor, Senhor que verão o dito reino dos céus.
E, parecendo certo, livros evangélicos desfolhados, versículos recitados, comentados, ouvidos, emoção desfraldada, nos testes do dia-a-dia impõe-se invariavelmente a esgrima do ego, e o contacto risca... sobretudo os outros. Meras opiniões, cuja diferença não justifica sob qualquer pretexto uma descida da quota de fraternidade, geram expressões como «ele é um anticristo», «não são espíritas», «são um perigo para o Espiritismo» e quejandas...
Costas largas para a mea culpa, para o espírito imperfeito que cada um ainda é, no momento da verdade envereda-se pela violência verbal com aspiração a tornarse física, geralmente coroada com epítetos do género «eu sou um servo de Deus».
Não há palavras que deixem de inspirar sentimentos. E os que animam essas expressões não edificam.
Não há fórmula cabalística, a incluir as palavras Jesus Cristo, Evangelho e afins, que resulte, a não ser na aparência. E revela-se o cerne da questão: ser e parecer. O ego de periferia e a consciência interna. Fingir e realizar. Representar e demonstrar.
As reuniões mediúnicas de esclarecimento estão repletas de espíritos equivocados que se vestiram de palavras beatas mas cuja realidade quotidiana abriu falência moral. Na teoria, na vida fisica ensinavam oficialmente os «caminhos de Deus» sem nunca terem tido na verdade conhecimento
Há doenças de foro psicológico que explicam essas turbulências de vertente religiosa como, por exemplo, a psicose miística.
É na consciência pacificada, mediante a coerência de comportamento com os valores éticos tão bem representados por Jesus, que descobrimos uma vida melhor. Mais vale não dizer senhor, senhor, e sermos pessoas mais amigas da paz e da alegria, do trabalho e do amor. Assim, sentiremos por dentro a compensação afectiva que vem da verdadeira harmonia com Deus.
Texto: Jorge Gomes jorge je&clix.pt

