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Jornal de Espiritismo nº 2 · 2004Página 155 min

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Suicídio: causas e prevenção

São múltiplos os aspectos a considerar na procura das causas que levam alguémapôr termo à existência. Se o instinto de conservação faz parte das leis da natureza como entender que o ser humano se arroje

A maioria das pessoas vive a preocupação com a morte e o fantasma do inferno ou as ideias do paraíso desempenharam e ainda desempenham papéis motivantes para suster ou induzir aos actos insensatos da destruição corpórea. Todavia, como tais concepções pecam por irracionalidade e carência de fundamento lógico, à medida que as pessoas começam a reflectir tendem a abandoná-las, tornando-se ateias ou materialistas, não vendo na existência mais do que o embaraço nas horas difíceis e de menor lucidez.

A morte não inspira nenhum temor ao justo porque a fé lhe dá a certeza do futuro, a esperança lhe acena com uma vida melhor e, por isso, se empenha na realização do bem e aceita corajosamente as dificuldades que o mundo lhe oferece ou impõe. Sabe que o futuro lhe será agradável e não tem de perturbar-se e temer. Compreende a noção admirável do Mestre da Galileia: «Aquele que perder a vida por amor de mim ganha-la-á mais abundante».

O homem fiísico, diz Allan Kardec, «O Livro dos Espíritos», item 941, mais ligado à vida corpórea do que à vida espiritual, tem na Terra as suas penas e seus prazeres materiais. Sua felicidade está na satisfação fugidia de todos os seus desejos. Sua alma constantemente preocupada e afectada pelas vicissitudes da existência permanece numa ansiedade e tortura perpétuas. A morte o amedronta porque ele duvida do futuro e porque acredita deixar na Terra todas as suas afeições e esperanças.

Contudo, o efeito da ociosidade, a falta de fé, e por vezes a saciedade conduzem a estados psicológicos de desânimo, de vazio da alma, de inutilidade, levando esses seres humanos a transgressões da lei natural e, de uma bênção de Deus em favor do seu progresso, do seu amadurecimento e consequente felicidade

DIRECÇÃO TÉCNICA: Dra. Filomena Cabêdo e Lencastre Especialista em Análises Clínicas pela O.F.

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espiritual, passa a tragédia, de consequências graves, a exigir séculos de lutas, dificuldades acrescidas para sanar as causas e corrigir os efeitos.

O homem tem o direito de dispor da sua própria vida, diz-se com frequência. Mas ao utilizar esse direito no uso do seu livrearbítrio o que é que denuncia? Coragem ou cobardia perante os quadros existenciais? Fuga ao cumprimento do seu dever moral ou determinação?

Sabemos da existência de múltiplos factores que poderão estar na base dos atentados à própria vida. Se é verdade que todos terão como causa próxima condições psicológicas deprimentes, estados mentais desequilibrantes, com angústias acerbas e distúrbios emocionais a que não serão alheias infestações psíquicas de variadas nuanças mas todas elas filhas de vinculações negativas do passado ou presente a denunciarem as imperfeições morais dos contendores, não parece que haja dúvidas ao dizer-se que quem põe termo à existência revela falta de maturidade espiritual e que, por certo, uma boa educação moral, firmada na fé raciocinada, fundamentada nos factos que atestam a imortalidade, haveria, pensamos, de atenuar ou frenar os impulsos tresloucados dos que se colocam na situação de trânsfugas da existência.

Os processos obsessivos, elaborados por mentes perversas, impulsionadas por ódios e rancores, que resistem aos imperativos da evolução, estarão na origem dos múltiplos tipos de comportamentos desviantes que levam aos desgastes físicos, na viciação de toda a natureza, conduzindo ao suicídio indirecto e directo.

Não faltam lamentavelmente exemplos desses desastres existenciais. Não obstante, tal evidencia no encarnado, e naturalmente no desencarnado, a falta de moralidade e o deficiente sentido espiritual da vida.

A noção do «orai e vigiair como alertava o sublime carpinteiro de Nazaré, só encontrará utilização eficaz no ser humano que, tendo ciência da sua natureza espiritual, procura no autoconhecimento a descoberta dos seus defeitos. Seus conteúdos mentais enriquecidos pela luz do conhecimento dos valores do espírito ampliarão a sua capacidade discernente (sua razão) e a consciência moral desperta torna o homem mais reflectido favorecendo a acção volitiva na sua resistência aos estímulos ou sugestões contrários ao bem que decorrem do lastro viciado da alma fruto das quedas de anteriores existências.

O bom combate que visa conduzir ao autocontrolo encontra o seu fundamento ou roteiro seguro no recurso às forças morais.

Só elas podem conduzir e fortalecer o homem nas batalhas evolutivas. O pensamento é a fonte da vida que não pode ser descurado. As forças mentais de

que decorre devem ser cuidadas, purificadas nos ideais superiores e ampliadas e aplicadas na elaboração de renovação de propósitos, hábitos, atitudes, por forma a produzirem condutas sadias e ajustadas à inspiração nobre do Mestre Divino.

A experiência carnal é abençoada escola onde o espírito aprende a desenvolver as potencialidades anímicas, ainda em estado latente, na sua maioria, por isso importa que se vincule às fontes superiores donde procede que o inspiram e animam em todas as vicissitudes que deve enfrentar e pelas quais terá de passar inevitavelmente. O seu crescimento se dará sempre pelo reajuste da sua conduta aos princípios ético-morais sempre mais elevados.

Um dos dramas do espírito encarnado ou desencarnado reside na fixação mental (a criatura nada mais vê, nada mais ouve, na mais sente além da esfera desvairada de si mesmo). A ideia fixa, que pode resultar da auto-obsessão, torna-se num campo aberto à incidência hipnótica de mentes maléficas que espreitam as invigilâncias dos incautos, para levá-los ao retardamento evolutivo. É causa de estagnação da vida mental no tempo e no espaço e muitas vezes a via para os atentados à autodestruição corpórea.

O espírito isola-se do mundo externo passando a vibrar unicamente ao redor do próprio desequilíbrio cristalizando-se no propósito infeliz.

«A mente é soldado em luta pela transcendência que iluminada pelo sol do amor divino, amparada nos ideais da verdade, do amor e beleza sobe verticalmente os degraus da evolução vitorioso e feliz.

Os «escândalos» que assolam as sociedades humanas — sendo o testemunho da imoralidade nos vários quadrantes sociais, culturais, políticos, económicos, religiosos — mostram que as mentes que se comprazem nas sombras encontraram no homem físico do nosso tempo, alheado da sua condição de espírito encarnado, instrumento dócil aos seus desmandos. Naturalmente que os semelhantes atraem os semelhantes, logo a afinidade e a simpatia com o que é indecoroso, injusto, impuro e maléfico estabelecem a adaptação psíquica de processo sintónico e aí temos por toda a parte a exemplificação da irresponsabilidade moral e espiritual com os suicídios de tipos diversos a aumentar o número dos infelizes nos dois planos de vida.

Compadeçamo-nos de todas essas almas, nossas irmãs, pois que a «loucura morab encontrará no Divino Médico a terapia adequada ao seu saneamento, quando esses comparsas do mal, agentes dos infortúnios alheios descobrirem que apenas lesaram a si mesmos.

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